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1143 Palavras
Capítulo 8 Ph narrando Entro no meu quarto e sou imediatamente envolvido pelo perfume de Rosa. Ela dorme com a b***a para cima, despretensiosa, e não consigo evitar um sorriso de canto. A luz da lua atravessa a janela, iluminando cada curva do seu corpo: a pele morena, a marquinha do biquíni, a perfeição de cada detalhe. Ela é realmente uma perdição. Olho para o relógio: 2h da manhã. Hoje eu estava de vigia na boca, mas precisei vir para casa pegar a minha pistola que esquecera. Fecho a porta devagar, com medo de acordá-la. A sensação de calma ao vê-la dormindo é momentânea, porque a vida aqui fora nunca me permite relaxar por muito tempo. Volto para a boca e encontro Rd mexendo em um bolo de dinheiro sobre a mesa. — O que foi? — pergunto. — Não consigo dormir — ele responde, sem levantar os olhos do que fazia — Vim adiantar as coisas para amanhã. Despensei Jn. Franzo o cenho, curioso: — O que tá pegando? — Pensando nos exames que eu fiz — ele fala baixinho, quase para si mesmo — E se eu não puder ter filho… O silêncio pesa no ar. Dou um suspiro, tentando acalmá-lo: — Vocês têm a Joana. — Eu amo aquela pequena — ele sorri, mas é um sorriso triste — Mas a gente queria mais um pirralho. Dou de ombros: — Sempre existe a fertilização ou até adoção, Rd. Ele me encara com um misto de frustração e esperança: — É… — murmura. Nesse momento, Jn entra correndo pela boca, ofegante: — Velho, nem sabe o que aconteceu! — ele exclama. — O que? — pergunto, imediatamente alerta. — Jogaram o corpo do Mauro no mato — ele fala, ainda tentando recuperar o fôlego — Um vapor acabou de me avisar. Saímos correndo, e encontramos o vapor trazendo o corpo em um carrinho de mão. Mauro estava irreconhecível, sem um dedo, o rosto deformado. — Que merda é essa? — eu falo, jogando um olhar pesado para o corpo. — Quem foi que jogou o corpo dele? — Rd pergunta. — Não sabemos. Encontramos durante a ronda — o vapor responde, nervoso. Rd bate a mão no carrinho com raiva: — Kaio… aquele filho da p**a voltou. Olho para Mauro e, sem pensar, dou um chute no carrinho. O corpo cai no chão, inerte. — O dedo dele… — Rd murmura, olhando fixamente — Está faltando um dedo, igual ao do Perigo. — Vai saber se não pegaram para algum outro motivo — eu respondo, tentando manter a calma. — Você tem certeza que Perigo estava morto quando o tiraram daquela casa? — Rd insiste. — Você mesmo disse para seguir o plano dele. Enterramos o corpo em qualquer lugar. Sabíamos que faria todos acreditarem que ele estava vivo — explico. Rd balança a cabeça, furioso: — Aquele filho da p**a voltou. — Temos outros informantes. Podemos tentar confirmar — digo, enquanto Rd encara o corpo em silêncio. — Manda dar para os porcos comerem — ele diz finalmente, virando-se para ir embora. Assinto para Jn, que entendia que deveria executar a ordem, e entro de volta na boca. — O que foi? — Perigo atende. — Mandaram o corpo do Mauro para cá. Kaio voltou — digo, desligando rapidamente antes que Rd retornasse. Sentado, encaro o nada. Sei que uma hora Perigo terá que voltar, terá que assumir que está vivo. Durmo sentado na boca, exausto, e acordo com Rosa me sacudindo. — Ei — ela diz, preocupada — Não voltou agora de manhã. — Que horas são? — pergunto. — 8h — ela responde, trazendo meu café — Trouxe seu café. Agradeço, ainda cansado, e ela me observa atentamente: — Está tudo bem? — — Não — respondo, sério — Encontramos o corpo do Mauro. — Ele não era policial? — ela pergunta, assustada. — Sim — confirmo — E estamos achando que Kaio voltou. Seus olhos se estreitam, desconfiados: — Como vocês têm tanta certeza? — Para mandar ele morto, só poderia ter sido Kaio — explico. — Preciso ir para a ONG — ela diz, tentando manter a calma. — Hoje tem baile — aviso — Não esquece de estar pronta. Ela sorri e se aproxima, me dá um beijo rápido: — Estarei — diz, antes de sair. Passo a mão pelo rosto, e logo Rd entra junto com Bn. — Ganhando cafezinho, vou ter que reclamar com a Malu — Rd comenta, brincando. — Kaio não voltou — Bn intervém, percebendo minha tensão — Se era isso que você ia perguntar. — A morte de Mauro é preocupante — digo — Melhor cancelar o baile. — Tá querendo fugir do pedido? — Bn brinca, sem se preocupar — Nem pensar, já trouxe tudo para hoje à noite. — Mauro deve ter aberto a boca para alguém — Rd fala — Ou alguém da delegacia quis se exibir. De qualquer forma, ele foi queima de arquivo. Perdemos um aliado importante. — O que fazemos agora? — pergunto. — Por enquanto, ficar de olho em todas as informações que recebemos. É o melhor a fazer — Rd responde, firme. Rosa narrando Não… aquele filho da p**a não poderia voltar. Entrei no morro como informante, mas nunca quis prejudicar ninguém. Só queria dinheiro para manter meu pai em uma clínica psiquiátrica. Depois fui me apegando a cada pessoa aqui dentro, principalmente Ph. Kaio voltar agora destruiria tudo: nosso relacionamento, nossa vida, nossa paz. — Rosa está pensativa — Malu comenta, percebendo meu olhar distante. — Quero que tudo saia perfeito para as crianças — respondo, sorrindo. — Você vai ao baile hoje? — ela pergunta. — Sim, Ph já me avisou para ficar pronta — digo, animada. — Vocês dois estão muito bem juntos, fico feliz — Malu fala. — Talvez ele ainda esteja esquecendo a Julia — admito. — Não deveria pensar nela — Malu aconselha — Ela está bem, seguindo a vida dela. — Então nada mais justo que Ph siga a vida dele comigo — digo, decidida. — Sim, claro — ela concorda, sorrindo. — Laura deve chegar mais tarde — ela comenta. Assinto, pensativa, e me lembro: — Espera… qual é o nome da sua ginecologista no posto? — pergunto. — Flávia. Por quê? — ela responde. — Preciso me consultar, obrigada — digo, arqueando a sobrancelha. — Vi você comentando sobre a suspeita de gravidez. — Deu negativo — Malu responde, saindo rapidamente. Nunca escondeu que preferia Julia ao meu lado do que eu. Mas eu não ia abrir mão de Ph. Independentemente de quem tentasse atrapalhar nosso relacionamento, eu faria de tudo para proteger o que era meu. Sinto um leve enjoo e passo a mão na barriga. Um sorriso surge no meu rosto. Era no baile que contaria a surpresa para Ph.
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