Capítulo 10
Ph narrando
Rosa se sentou ao meu lado, e logo depois Malu e Laura também vieram se acomodar perto de nós. Malu pegou o copo de bebida da mão de Bn e bebeu tudo de uma vez.
— Ei, calma aí — Rd tentou intervir, olhando preocupado.
— Me deixa — ela respondeu, encarando Rosa, e eu percebi que havia algo mais por trás daquele gesto.
Rosa e Malu se observavam com atenção, quase medindo forças. Rd tentou tocar em Malu, mas ela se levantou rapidamente, indo até a grade do camarote.
— Acho que quero ir embora — Rosa falou de repente.
— O que aconteceu? — perguntei, preocupado.
— Tenho algo para te contar, mas fora do baile — disse ela, séria.
— Vamos ficar mais um pouco — tentei acalmá-la, e ela apenas assentiu, permanecendo em silêncio.
Rd foi até Malu e começou a conversar com ela. Notei o nervosismo dela, mas logo ela voltou a se sentar perto de mim, pegando mais um copo de bebida.
— Esse baile está poluído demais — Rosa comentou, quase sussurrando.
— Poluído? — Malu perguntou, levantando a sobrancelha.
— Vai deixar de estar quando você for embora — respondeu Rosa, irônica.
— Maria… — Rd interveio, pedindo calma a ela.
Olhei para Rosa, tentando entender o que se passava.
— O que vocês duas têm? — perguntei. — Tá acontecendo algo na ONG?
— Ela não me suporta — Rosa disse baixinho, olhando para Malu. — Está na cara dela. Ela nunca aceitou que estamos juntos.
— Se acalma, Rosa, você já bebeu demais — falei firme, tentando controlar a situação.
— Vai falar o que disse no banheiro? — Malu perguntou, desafiadora. — Que eu sou mais uma Maria Fuzil atrás de bandido? Porque foi isso que você disse, e a Laura ouviu.
— E o que você me disse? — Rosa retrucou, se levantando, visivelmente irritada.
— Chega — Rd cortou, tentando encerrar a discussão.
Malu respirou fundo e falou alto:
— Eu não sou mulher de mentir ou esconder o que faço. Eu dou o tapa e mostro a mão, meu amor. Eu te chamei de falsa, de vagabunda, de v***a. Disse que tudo o que você quer é dar o golpe, e é isso que conseguiu, sua p*****a!
O camarote inteiro parou para assistir à briga.
— Vamos embora, Maria Luiza — Rd falou, firme.
— Eu não vou embora! — Malu rebateu. — Não vou sair por causa dela. Os incomodados que se retirem.
— Você não me aceita — Rosa gritou para Malu. — Por causa da sua amiguinha, meia-irmã que foi embora abandonando todo mundo!
— Você não sabe de nada e não abre a boca para falar de Julia! — Malu retrucou, firme.
— Chega, Rosa! — eu tentei intervir, mas ela continuava.
— Eu não bebi — Rosa disse, nervosa.
— Claro que não, porque você deu o golpe em Ph. Vai lá, trouxa, e pede a mão da vagabunda em casamento! — Malu disparou.
— Respeito, Malu — falei para acalmar os ânimos.
— Respeito? Vocês todos são trouxas em acreditar que essa p*****a não estava junto com Marisa! Ela é prima dela, p***a! — Malu gritou, e eu percebi que a tensão atingia todos ao redor.
Rosa riu com desdém:
— Você tem ciúmes porque já transei com Rd? O que foi, Malu, você não se garante na cama? Acha que seu marido sonha comigo? — Malu estreitou os olhos. — Estou com Ph, não preciso de macho de ninguém.
— Já que não conseguiu engravidar de Rd, você foi lá e engravidou do Ph — Malu continuou, provocando.
— Você tá grávida? — perguntei a Rosa, tentando cortar o assunto antes que saísse do controle.
— Chega com essa discussão, vocês duas. Isso já está sem cabimento. Vamos embora, Rosa — falei firme.
— Chega, Malu também — Rd acrescentou, tentando encerrar a briga. — Eu me admiro, Ph, você realmente acha que ela gosta de você?
Olhei para Malu enquanto ela se afastava, e Rd foi atrás dela.
— Ninguém gosta de mim aqui — Rosa murmurou, magoada. — Vamos embora. Eu não sou bem-vinda.
Saí atrás dela, segurando seu braço:
— Por favor, espera — pedi.
— Me solta, Ph — ela respondeu, com raiva e lágrimas nos olhos. — Você ouviu tudo que ela me disse?
— E você escutou tudo o que você disse a ela? — perguntei, firme. — Eu não quero mais brigas entre vocês duas. Tudo isso morreu agora.
— Entre eles e eu, você sempre vai escolher eles — Rosa disse, ferida. — Nem mesmo eu estando grávida de você, você vai me proteger?
Meu rádio tocou, mas ignorei, focado nela.
— Rosa, eu nem sabia que você estava grávida — falei. — E eu me preparei para te pedir em casamento hoje. Você realmente acha que estou com você apenas por isso?
Malu narrando
— O que deu em você? — Rd perguntou, segurando meu braço.
— Larga meu braço — respondi firme. — Você não percebe que tudo isso faz parte de uma armação dela?
— Para, Maria Luiza — ele falou. — Por favor, não vamos discutir com Rosa. Se ela está grávida do Ph, ele vai pedi-la em casamento e ponto.
— Ele não ama ela — respondi, dura.
— Ele ama a Julia, todo mundo sabe — ele falou. — Tentamos contato com ela e ela não quis saber dele. Ele precisa ficar esperando por ela pro resto da vida? E se ela nunca mais voltar?
— Ela é traidora — falei — e depois de tudo que passamos, eu não consigo acreditar que você não vê isso.
— Chega. Não quero mais você discutindo com ela — Rd respondeu, firme.
— Quer saber? Fique você com seus amigos e com aquela p*****a — falei. — Deve estar protegendo ela por algum motivo, quem sabe sente falta dela mesmo, como disse.
— Tá de s*******m comigo? — Rd gritou. — Estou casado com você, eu amo você, e você me diz isso?
— Pirei, é isso que você quer ouvir? — respondi. — Então escuta: eu pirei e estou acusando uma pobre grávida de ser uma v***a.
O rádio de Rd começou a tocar novamente:
— Rd, tá na escuta — falou a voz. — Tem alguém na entrada querendo subir.
Aproveitei o momento e saí do camarote. Ao sair do baile, encontrei Ph ajoelhado, pedindo a mão de Rosa em casamento. Uma cena tão absurda que me fez rir e chorar ao mesmo tempo. Uma palhaçada digna de ser lembrada por anos.