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768 Palavras
Capítulo 11 Julia narrando — Mãe, estou com fome — Pedrinho reclamou, coçando os olhos sonolentos. — Já vamos descer, meu amor — respondi, acariciando sua cabeça. Ele assentiu, resignado. — Aqui a tia ainda tem bolacha — Maiara disse, oferecendo a ele. Pedrinho pegou e começou a comer, um sorriso iluminando seu rosto. O avião começava a se aproximar do Brasil, e eu olhei pela janela, avistando o Cristo Redentor iluminado à distância. Um sorriso fraco escapou, e eu senti meu coração acelerar. Nem conseguia acreditar que estava pisando novamente no Rio de Janeiro. Apertei o cinto quando recebemos o aviso de que o avião iria pousar. Desembarcamos, pegamos as bagagens e nos dirigimos à saída. — Ainda bem que não trouxemos muita coisa — comentou Maiara, aliviada. Eu segurava Pedrinho adormecido em meus braços, enquanto ela carregava o restante. Quando tentamos chamar um táxi, a situação começou a complicar. — Até o Morro da Rocinha eu não levo — disse o motorista. — Por favor, estamos com uma criança pequena — Maiara insistiu. — Lá eu não entro, e nem vocês deveriam entrar agora, a essa hora — ele respondeu, firme. — Eu te dou mil reais pela corrida — ofereci, retirando o dinheiro da bolsa. Maiara arregalou os olhos: — Você tá louca? — Precisamos ir até lá — suspirei. — Ou você quer ficar aqui e subir a pé? — Podemos ir a um hotel e amanhã subimos — sugeriu Maiara. — Vamos fazer o seguinte — propus. — Vocês vão para o hotel, e eu vou subir sozinha. — Tá louca? Não vou deixar você ir sozinha — ela disse, preocupada. — É melhor assim. Não sei o que vou encontrar lá, melhor não levar Pedrinho agora — expliquei. — Vou primeiro, volto depois para buscá-los. O taxista ficou confuso, mas acabou aceitando a proposta. Antes de seguir para o morro, me despedi de Maiara e de Pedrinho, que ainda dormia tranquilo. Dei ao motorista os mil reais e desci em frente à Rocinha. O morro estava iluminado e movimentado por causa do baile. Meu coração apertou, e uma lágrima escorreu pelo meu rosto. Limpei o rosto e respirei fundo, tentando me concentrar. Cada viela, cada beco, parecia trazer lembranças do passado. — Nome? — Um vapor me perguntou, olhando desconfiado. — Julia — respondi, tentando manter a calma. — Tem autorização para subir? — ele continuou. — Sou moradora — disse firme. — Não lembra de mim? Ele ignorou e falou no rádio: — Rd, tem uma pessoa querendo subir. Meu coração disparou. Ele estava vivo. Ph estava vivo. — Libera, pow, ela é filha da Fernanda — alguém respondeu. — Fernanda? A que morreu? — ele perguntou. — Foi engano — corrigiu-se. Comecei a subir o morro, cada passo aumentando o aperto no peito. Guiava-me pelo som do baile, e nada parecia ter mudado. Cada canto, cada beco, lembrava momentos do passado. Ao chegar na frente do baile, uma cena me deixou paralisada: — É claro que eu aceito! — ouvi Rosa gritar. — Estou grávida, quero construir uma família com você! Ela estava nos braços de Ph, e ele sorria para ela. Meu coração se despedaçou naquele instante. Pensei em tudo que sonhei para nós dois, tudo que imaginei para nosso futuro… e ele estava vivendo isso com outra. Ph narrando — Você realmente vai casar comigo? — Rosa perguntou, radiante. — Sim — respondi, firme. — Não me importo com o que os outros vão dizer. Estamos juntos, só nós dois. Ela tremia de emoção: — Estou tão feliz… — disse, abraçando-me. Ajoelhei-me e perguntei: — Quer se casar comigo? — É claro que aceito! — ela gritou, abraçando-me com força. — Estou grávida, quero construir nossa família! Olhei para o lado e vi Julia parada, seus olhos cheios de lágrimas, paralisada. Afastei Rosa e encarei Julia, sem acreditar que após três anos ela estava ali, presenciando esse momento. — Julia — Rd chamou, ao lado dela. Eu estava anestesiado, vendo Julia ali, depois de tanto tempo. — Ph — Rosa chamou, segurando meu braço. — Seu o****o — Maria Luiza disse, se aproximando de Julia. — Julia, por favor, fala comigo. Julia continuava parada, e eu, imóvel, sem saber como agir. — Vamos embora — Rosa disse, puxando-me. — Você me pediu em casamento. Rd e eu nos entreolhamos, tensos. Julia saiu correndo, e Malu a seguiu pelos becos do morro. Rosa me puxava, nervosa e determinada: — Não ouse me deixar sozinha, grávida! Eu estava parado, ainda anestesiado, tentando processar a aparição de Julia após tanto tempo.
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