Capítulo 12
Julia narrando
Quando vi Maria Luiza se aproximando, não pensei em nada, apenas corri. Corri tanto que cheguei até minha antiga casa, onde morei com minha mãe. Entrei sem me importar se ainda era a minha casa ou não. Ao abrir a porta, tudo estava exatamente igual. Ninguém havia mexido em nada.
— Mãe? — chamei, minha voz ecoando pelo vazio. — Mãe?
Não havia ninguém para me consolar. Minha mãe sempre esteve lá, mesmo quando não concordava com meu relacionamento com Ph. Agora, o silêncio era absoluto.
— Merda… — murmurei, colocando a mão na cabeça. — Merda… o que eu vim fazer aqui?
— Julia — a voz de Maria Luiza soou, e eu olhei para a porta, vendo-a parada ali. — Julia, meu Deus, eu nem acredito que você está aqui.
Eu queria dizer tantas coisas, mas antes que eu pudesse falar, ela se aproximou e me abraçou. Eu correspondi, sentindo um nó na garganta.
— Eu senti sua falta — ela disse, chorando. — Sério, me perdoa por tudo que eu fiz… eu senti sua falta de verdade.
Não consegui conter as lágrimas.
— Estou feliz que você esteja viva, sua maluca — falei, entre soluços. — Você não sabe o quanto sofri pela sua morte.
— Nós somos irmãs — disse ela, sorrindo através das lágrimas. — Por isso sempre nos demos tão bem.
— Como você está linda — falou, passando a mão pelo meu rosto. — Eu te amo tanto, Julia.
Eu correspondi ao abraço novamente e nos sentamos no sofá.
— Eu também te amo, minha irmã — falei.
Sempre imaginei que, se tivesse a chance de reencontrar Malu, eu iria brigar com ela. Mas agora sabia que não era verdade. Nós éramos irmãs, e sentia falta dela todos os dias, em todos os momentos.
— Ele está com outra — confessei, soluçando. — Voltei por causa dele. Voltei porque descobri que ele está vivo, e que você estava… — Engoli seco, sem conseguir terminar.
— Ele te ama — Malu disse com firmeza. — Ele te esperou todo esse tempo. Calma… você chegou do nada, ele deve estar tão confuso quanto você. Ele recebe a notícia que vai ser pai, e você aparece… Rosa é intensa, deve ocupar toda a cabeça dele.
— É melhor eu ir embora — falei, levantando-me.
— Não — Rd disse, entrando na casa. — Você veio até aqui e precisa conversar com ele.
— Eu não posso — respondi. — Tenho uma volta marcada para os Estados Unidos, tenho uma vida lá… e um filho.
— Filho? — Malu e Rd perguntaram ao mesmo tempo.
— Merda… — murmurei.
— Você tem um filho? — Malu perguntou, surpresa.
— Pedro Henrique — confirmei, olhando para elas. — É melhor eu ir embora.
— Você precisa conversar com Ph — Rd insistiu. — Antes de ir embora, você precisa resolver isso.
— Ele está feliz, vai casar, ter um filho… o que eu vim fazer aqui? Atrapalhar a vida dele? — levantei-me. — Não quero isso. Eu fui embora porque quis, e vou embora novamente.
— Não — Malu disse, firme.
— Estou feliz em rever vocês e saber que estão vivos — falei, respirando fundo — mas preciso ir embora agora.
Ph narrando
Entrei em casa com Rosa.
— Ph — ela chamou, nervosa.
— Vou falar com ela, e você fica aqui — falei, firme.
— Não, você não vai me deixar aqui para ir atrás dela — disse Rosa, me encarando. — Sou sua noiva, você me pediu em casamento, estou grávida… não pode ser que essa garota volte e você me abandone por causa dela.
— Alguém disse que eu vou te abandonar? — perguntei. — Julia faz parte da minha vida e de todos desse morro. Somos uma família. Eu vou falar com ela, e você não vai me impedir.
— Não pode ser — ela respondeu, com os olhos marejados. — Eu amo você, Ph. Você não pode me deixar para ir atrás dela.
— Eu te trouxe para casa, te assumi como minha fiel, te pedi em casamento na frente de todos — expliquei. — Por que tanta insegurança?
— Não é insegurança — disse ela, tentando controlar a respiração. — Ela voltou com um único objetivo: te ter de volta. Ela nunca respondeu suas mensagens.
— Eu preciso conversar com ela — falei. — Temos assuntos m*l resolvidos. Preciso esclarecer… fiz ela acreditar que eu estava morto.
— Você vai voltar com ela? — Rosa começou a chorar. — Me abandonar grávida e iludida? Eu achei que você queria algo sério comigo!
— Chega — falei, firme. — Vou falar com Julia, e você vai ficar aqui.
— Se você sair por essa porta, nunca mais olho na sua cara e desapareço com essa criança — ela falou, chorando.
— Chega de ameaças — respondi. — Estou com você, pedi você em casamento e você está grávida. Vou assumir minha responsabilidade.
— Agora vai ficar comigo apenas por causa da gravidez, é isso? — Rosa perguntou, nervosa.
— Não — falei, aproximando-me e limpando suas lágrimas. — Prometo que isso não vai mudar nada entre nós — beijei sua testa. — Eu já volto.
Rosa ficou em silêncio, e eu segui até a casa de Fernanda, onde Julia estava. Ao abrir a porta, ouvi sua voz:
— Eu vou embora, não quero falar com ele!
Ela se virou, e nossos olhos se encontraram.
— Você vai ter que falar comigo — disse, firme.