Capítulo 4: Tudo de mim

3671 Palavras
Quantas vezes tenho que te dizer Que mesmo quando você está chorando, você continua linda O mundo está te massacrando Estou por perto de um todo o momento " (All of Me - John Legend) Ele observou o degrau da madeira, franziu a testa. Seu coração deu um salto, mas seu corpo estava exausto e sua mente fervilhando. Max não sabia como deveria reagir, o que dizer. Não tinha certeza nem se queria ser pai naquele momento. Tão envolto em seu relacionamento com Bianca, e buscando trabalhar ainda mais para conquistá-la não apenas com s**o, mas com alguns mimos. Não que ela precisasse, no entanto, questão de agradá-la. Mas agora ... uma gravidez. Seria complicado. Porém, estava cansado demais para ponderar. Ele respirou fundo e voltou a subir como escadas. - Por favor, não me acorde. Agatha estava atônita. Ela bit a porta do quarto bater e sua respiração ficou lenta. Seu marido nem se importara com sua gravidez. Como ele pôde ser tão frio? Insensível? Como fortalecer ignorar que um ser feito por eles crescia dentro dela? Ela precisa sentar em um dos degraus da escada para não cair, incapaz de crer. Não fora com esse homem que se casou. Max era alegre, espontâneo, cheio de surpresas e planos. O que aconteceu com o felizes para sempre? Seria apenas uma crise no casamento? Max se enjoara dela? Agatha estava perdida. Sem saber o que fazer, como seguir, como reagir a Max, uma ideia surgiu. A ajuda da única pessoa que ele realmente ouvia, e que talvez lhe desse uma luz e lhe dissesse o que estava acontecendo. Ajuda essa que escondia um segredo que mudaria sua vida para sempre. - Alô? A voz masculina que lhe dava calmaria atendeu. — Stephen? O coração de Stephen disparou quando reconheceu a voz, mas notou estar trêmula e quebrada, de um jeito que nunca vira. — Agatha? Está tudo bem? — Ah, Stephen... eu preciso conversar com você, é muito importante. Se puder... — Não se preocupe, já estou a caminho. Ele saiu da festa o mais rápido que conseguiu, se despediu de alguns conhecidos e tomou o primeiro voo para a Califórnia. Stephen estava curtindo mais uma de suas viagens experimentais pelo mundo, quando fora convidado à festa de um amigo que não via há um tempo. Decidiu que iria e logo em seguida, daria uma passada na Califórnia e conferia se estava tudo bem com Agatha e Max. Entretanto, algo grave parece ter acontecido e ele não hesitaria nem por um segundo em atender a um pedido de Agatha. Ela permaneceu sentada no degrau da escada, desolada e abatida, não teve forças para sair dali. As horas que passaram serviram para pensar, tentar colocar os pensamentos em ordem, mas ela não era capaz de encontrar uma resposta para aquilo. Nos últimos dias, Max estava se afastando cada vez mais. Não era apenas trabalho, não podia ser, mas ao mesmo tempo em que ela sabia disso, não conseguia acreditar na ideia de traição. Dele dormindo em outra cama, beijando outros lábios, chamando outra pessoa de amor... Ela respirou fundo, passou a mão pelos braços, e se encolheu. O pensamento fazia seu coração murchar e o estômago se revirar. Em algum momento do início da manhã, a campainha tocou. Ela levantou-se e, com um suspiro, tomou a coragem para abrir a porta. Torcia para que a chegada de Stephen mudasse um pouco do ânimo de Max e, quem sabe, conseguisse descobrir o porquê de suas atitudes. Stephen a olhou e abraçou de imediato. Ele parecia sempre saber o que ela precisava. Não importava como ela aparentava estar, sabia que precisava de um abraço, e ele também. — Obrigada por ter vindo. Me desculpe interromper sua viagem, mas Max... — Tudo bem, Agatha. Tudo bem mesmo. Ele pegou sua mala e deixou ao lado da porta fechada. — Aceita um chá? Perguntou ela, com os olhos ainda úmidos pelas lágrimas derramadas durante as horas perdidas em devaneio. — Sim, por favor. Agatha estava sentada bebericando seu chá, quando percebeu Stephen olhando-a. O silêncio envolto, ela em busca das palavras certas, ele ansiando por respostas. — Estou tão h******l assim? — Sim, mas continua linda. Ela sorriu constrangida e encarou a bebida em sua xícara. — Me diga, o que está acontecendo Agatha. Pediu ele depositando sua mão sobre a dela. Ela respirou fundo, balançou a cabeça e ergueu o olhar para ele, ainda incerta de como começar o assunto. — Eu não sei Stephen... o Max... ele não para mais em casa, apenas fica enfurnado naquela empresa, e agora... Ela não conseguiu continuar. A frase se perdeu em sua garganta. — E agora? Ela precisou beber outro gole do chá, para conseguir pronunciar as palavras. Stephen notou que ela tremia no modo como segurava a xícara. Agatha quase nunca tremia. — Eu estou grávida, Stephen. Disse do modo mais rápido que conseguiu. Stephen a encarou por alguns segundos, sem saber como reagir. Mais do que ninguém, ele desejava ser pai. Seria uma alegria sem tamanho. Mas apenas seria completa se fosse com a mulher que amasse. E no momento a mesma estava indisponível. — Caramba. Respirou fundo, para conter as lágrimas que ameaçaram descer, e tomou um gole de seu chá. Se eram lágrimas de felicidade, ou de tristeza, ele não sabia dizer. Obviamente que ficara contente por ela, mas Max não merecia tamanho amor, e aparentemente não tinha tempo ou disposição para dá-lo. Entretanto, não deixaria que suas emoções a preocupassem ou a deixassem ainda mais aflita. Então, apenas sorriu o máximo que conseguiu no momento. Tinha de admitir que tinha perdido essa. — Parabéns, eu sei que sempre foi seu sonho ter um filho. Ele segurou a mão dela, buscando transmitir boas energias, das quais ela precisaria muito nos meses seguintes. Stephen sempre foi um grande amigo para Agatha. Mesmo casada com Max, ele sempre fora próximo dela. Aconselhando-a e ajudando no que podia. Era o único homem que poderia chamar de amigo. — Obrigada, Stephen, é muito bom contar com seu apoio. Ela pôs a outra mão sobre a dele e sorriu gentilmente. Sem o apoio da mulher que te deu a vida, e agora sem o de Max, parecia que Agatha enfrentaria uma grande tempestade para ter sua desejada e amada criança. O sorriso encantador de Agatha, que até possuía uma covinha no canto direito, tinha a capacidade de derreter o coração de Stephen. Ele engoliu em seco, e retirou sua mão, antes que fizesse algo de que se arrependeria. — Irei conversar com Max. Ele não pode continuar assim. — Ah Stephen, está ficando muito difícil. Eu não sei o que está acontecendo, e nem o que fazer mais. Ele nem reagiu a notícia da gravidez. Achei que ficaria feliz, que ganharia um pouco de ânimo, mas... m*l olhou para mim. Não demonstrou qualquer sentimento de alegria. Não respondeu a notícia. Apenas subiu para o quarto e foi dormir, como se eu tivesse dado um "boa noite" ao invés de um "estou grávida". Lamentou, terminando de beber o chá. Agatha sentia-se plena com a chegada de um bebê. Era algo que sempre desejou. Mas nada estava ocorrendo como sempre imaginou. E não apenas a reação dele. Mas o momento no casamento. para começar, não era dos melhores, com Max trabalhando incansavelmente sem qualquer necessidade. A falta de diálogo, o esquecimento do companheirismo, o ignorar um do outro. Não era a primeira vez que coisas assim aconteciam. E ele dizia que estava passando por um período complicado, dizia estar de mau humor, mas nunca fora tão longo e intenso. O Max que conhecia jamais ignoraria um filho. — Eu sei, mas isso irá mudar. Eu vou conversar com ele. Tenho certeza que tem uma boa explicação para isso. Se importa se eu ficar uns dias aqui? Eu não tinha planos para voltar agora, e... — Ei, você está em casa. Fique o tempo que quiser. Ela sorriu e se levantou apanhando as xícaras. — Deixe isso comigo. Ele pegou as xícaras da mão dela e depositou na pia, lavando-as. — Não era necessário, você é convidado. Ele sorriu e secou suas mãos ao terminar. — Lembro de ouvir perfeitamente dizer que estou em casa, portanto, posso lavar duas xícaras. Agatha sorriu e o observou. — Se Max fosse mais como você... Balançou a cabeça após dizer e respirou fundo. Não era algo que deveria dizer. Amava Max do jeito que era. O único defeito era dar atenção demais para seu trabalho. Stephen a ouviu e sorriu sentindo seu coração se aquecer. Se agarrar a essa pequena chama jamais apagada poderia ser sua ruína, ele sabia, mas o que dizer para um coração quando reconhece a dona de seu ser? Apesar de tudo, talvez houvesse uma chance para finalmente conquistar o amor de Agatha. — Por onde anda a Teresa? Ele mudou de assunto rapidamente. Tinha que ir com calma. Até então Agatha amava Max, e ele ainda era seu melhor amigo. — Viajou para longe, nunca mais a vi. — Julia? Madeleine? — Estão bem. Ainda mantemos contato. Stephen sentou-se a olhando. Sentia falta dos tempos da faculdade. Foram poucas pessoas que conseguiu manter o contato ao longo dos anos. — Me responde uma coisa, Agatha. Você está feliz? Agatha engoliu em seco com a pergunta, e encarou suas mãos na mesa. Ela não sabia bem se estava. Confusa e frustrada com certeza, mas feliz, não sabia. Amava seu marido, apesar de tudo. Mas tudo parecia dar tão errado ultimamente, como se seu casamento estivesse desmoronando aos poucos e nenhum dos dois soubessem dizer como. Ou talvez ela não soubesse. — Eu não sei como estou me sentindo, Stephen. Acabei de descobrir que estou grávida e meu marido nem se importa. Agatha suspirou cansada. Sempre sonhou com esse momento, e jamais imaginou que Max seria tão indiferente e frio em relação a isso. Ele falou tanto de filhos, e agora reagia assim, por quê? Tem que ter uma explicação. Ela não queria pensar na hipótese apresentada por sua amiga. Na teoria que rondava sua mente fazia algumas semanas. Algumas longas semanas... mas também não poderia viver cega para sempre. Mais cedo ou mais tarde, a verdade teria de aparecer, e seu real medo é se conseguiria suportá-la. — Tudo bem, não precisa dizer mais nada. Irei te ajudar a relaxar. Stephen levantou e estendeu a mão. — Como ainda está solteiro? Ele riu, segurando a mão dela, colocando-a em seu braço e acompanhando-a até seu quarto. A resposta era bem simples. Seu coração já pertencia a alguém. Alguém que não poderia ter. Ele perdera as esperanças quando viu Max se casando com Agatha e levando-a em seus braços. Mas agora com tudo dando errado para o casal, e Max sendo um e******o traidor, ele via a chance de conquistá-la e tirá-la desse casamento infeliz. Poderia não ser muito certo, na verdade, julgava ser um pouco desonesto até, mas não faria nada para trair o amigo ou ultrapassar qualquer limite imposto por Agatha. Ela podia não admitir, mas estava infeliz. Ele não via mais o brilho nos olhos que ela tinha, e isso era o primeiro sinal de que não estava mais feliz. E aquele sentimento de saber que ele desistiu com o conforto de que ela ao menos seria feliz, se apagava lentamente. O arrependimento o substituía. Se não tivesse desistido, se tivesse se arriscado, ela não estaria passando por aquilo. Ambos poderiam ter sido felizes juntos. Mas ele fora covarde demais. Stephen ajudou-a a caminhar até seu quarto, pois estava muito abalada com a rejeição de Max ao bebê. Stephen e Agatha caminhavam lado a lado de braços dados. — Não precisa de tantos cuidados, Stephen. Comentou na porta de seu quarto. — Precisa sim. Tem que cuidar do pequeno que está crescendo aí dentro. — Ou pequena. Os dois sorriram. Stephen não cansava de admirar o sorriso e os olhos de Agatha, de um modo que apenas um homem apaixonado conseguia. — Eu agradeço de coração, por tudo. — Não precisa. Agora tome um banho e se deite. Eu sei que está tudo recente e bem com seu bebê, mas é bom manter o cuidado e o corpo descansado. Ele depositou um beijo em sua testa e sorriu olhando-a. Agatha assentiu após o beijo e adentrou seu quarto. Não foi nada fácil ver Max dormindo como se fosse mais um dia normal. Partia seu coração ter que suportar essa indiferença. E não sabia por quanto tempo conseguiria. Apenas que aguentaria tudo pelo seu bebê. Agatha deitou ao lado do corpo virado de costas após seu banho e cobriu seu torso. Ele estava quieto, parecendo uma muralha estendida, que mexia-se apenas na hora de respirar. E ela não teve problemas em dormir, quando conseguiu acalmar o coração e a mente. Stephen acomodou-se no quarto de hóspedes e respirou fundo. Incrível como o mundo funcionava e a vida tem suas maneiras de fazer as coisas acontecerem no seu tempo, e não no nosso tempo. Quando acordou naquela manhã, não poderia imaginar que voltaria à Califórnia tão cedo e encontraria sua amada grávida de seu melhor amigo. Ao acordar, Agatha notou que Max não se mexera. Ela levantou e tomou um banho, arrumando-se para começar o dia. Com o passar do tempo, talvez tivesse que arranjar alguém para fazer os trabalhos domésticos, por conta da casa ser um pouco grande e ela querer evitar esforço e se preparar para o nascimento. Fora que cuidar de um recém nascido e uma casa não seria fácil. Um pequeno desafio, certamente. Se bem que seria até bom para ela fazer ambas as funções. Pelo menos dormiria tão cansada que não precisaria olhar para Max. Quando chegou na cozinha, Stephen estava terminando de pôr o café da manhã. — O que está acontecendo aqui? Agatha franziu a testa ao ver a mesa arrumada. — Bom dia para você também. Sorriu Stephen olhando-a. — Fiz o café, espero que não se importe. — Você não deveria ter feito isso, essa é minha função, Stephen. Ele caminhou até ela e segurou suas mãos. Devia ter imaginado tal reação. Agatha vivia demais para Max. — Não existe isso comigo. Eu sei que abriu mão de tudo para cuidar da casa e do Max, mas isso não me impede de cuidar de você. Agatha, você precisa de cuidados, tanto ou mais que seu marido, e merece isso depois de tudo. Ele sorriu e voltou a finalizar a mesa. O modo como os olhos verdes de Stephen encaravam-na era tão natural e penetrante, que parecia hipnotizá-la. Stephen sempre foi dedicado e ajudava quando estava por perto, o que a fazia pensar como um homem lindo e bom como ele ainda estava solteiro. Não que a vida gire em torno disso, mas todos precisam de um pouco de amor. E ele mais do que ninguém merecia amar e ser amado. Agatha se sentou e observou ele fazendo tudo que podia. Minutos depois ele sentou-se de frente para ela e suspirou antes de beber um gole de seu café. — Isso está bom. Comentou Agatha, comendo um pedaço do bolo preparado por ele. Stephen sorriu, olhando-a comer com vontade. — Fiz especialmente para você. Sei que adora bolo de chocolate. — Quem não gosta? Perguntou com a boca cheia, fazendo Stephen rir vendo os farelos caindo de sua boca. — O que foi? Falei algo errado? — É falta de educação falar de boca cheia. — Que se dane a educação, é chocolate, Stephen. Ele riu e ela o acompanhou após engolir todo o bolo que estava em sua boca. Max ouviu ainda na ponta da escada som de risadas e começou a descer os degraus silenciosamente. Ele fora dormir pensativo. Seria pai. Não estava preparado. Não tivera um exemplo de como deveria ser. Seu pai vivia trabalhando e m*l parava em casa, como conseguiria ele ser um bom pai se m*l teve um? Sem contar que seu romance com Bianca estava no seu auge e uma criança poderia muito atrapalhar seus planos. Revirou-se em pensamentos diversas vezes. Ele prendeu a respiração ao ouvir a porta sendo aberta. Sabia que Agatha estava magoada. Fora frio e indiferente com a notícia da gravidez, natural que estivesse chateada. Entretanto sua vontade era de levantar e abraçá-la com força. Mas seu orgulho não permitia nem se mexer. Voltou a respirar apenas quando ela entrou no banheiro. E logo adormeceu perguntando-se como faria para mudar esta situação. Stephen parou de rir quando viu o melhor amigo adentrando a cozinha. — Stephen? O que faz aqui? Agatha parou, ouvindo a voz de Max, e continuou a tomar seu café. Quando queria, conseguia tratar os outros da mesma maneira que a tratavam. — Oi, amigo. Stephen caminhou até ele e o abraçou. Max ainda estava estático por encontrar o amigo ali, rindo alegremente com sua esposa, sem sequer avisá-lo de sua ida, mas retribuíra o abraço caloroso. — Fiquei sabendo da novidade. Precisava ter uma conversa com você. — Parece que alguém já foi reclamar com você. Agatha terminou seu café, levantou e o encarou. Ainda estava exausta e tinha zero disposição para discutir com Max. — Você não tem direito de falar absolutamente nada, já que claramente não se importa. Ela saiu da cozinha, caminhando de volta para o quarto. Stephen observou, balançou a cabeça, e socou a mesa. — d***a, cara. Não se cansa disso? Você é um homem de 34 anos, e vai ser pai! Se toca. Esbravejou, encarando-o, e começou a retirar a mesa. — Não quero um sermão agora, Stephen. Você é meu único amigo, não pode me apoiar? Perguntou, sentando-se na cadeira. Pegou um pãozinho e começou a comer. — Não nisso. Você está destruindo seu casamento! Stephen deixou tudo que estava arrumando e pegou uma cadeira, colocando-a de frente para Max. Precisava olhar dentro dos olhos dele e buscar alguma resposta. Algo melhor do que Max certamente diria. — Por que não para? — Sabe que não consigo. Max o encarou sério. — Você não consegue ou não quer conseguir? Ele respirou fundo e mirou os olhos em Stephen, com um leve brilho de raiva iluminando seus olhos azuis. — Acha que já não tentei?! É complicado demais. Meu corpo sempre desejará outra mulher. Stephen balançou a cabeça e respirou fundo. Não conseguia entender essa necessidade que Max tinha de trair Agatha. Ela era uma mulher linda, atraente, dedicada, era a esposa que qualquer homem desejaria. — Olha Max, não me interessa como fará para mudar isso, mas você precisa. Eu ficarei aqui até quando a Agatha quiser, e espero que você comece a se dedicar a esposa que tem, ou outro fará. E não pense que vou esconder sua mentira por muito tempo. Ela está grávida e a última coisa da qual precisa é descobrir suas puladas de cerca. Ou você para agora, ou conta a verdade. Stephen se levantou e saiu da cozinha. Amava Max, apesar de tudo, eram amigos há muito tempo. Desde criança, praticamente. Sempre foram muito ligados. Max era uma criança solitária, já que seu pai não lhe dava atenção e sua mãe fazia tudo por ele, e Stephen era o grande amigo, quem o protegia e o ajudava sempre que podia. Por um instante, Stephen sentiu um desconforto no peito apenas por pensar que a criança que Agatha estava esperando poderia viver uma situação parecida, de ser isolada pelos pais, sem ter atenção ou amor. Apesar de presumir que ela não seria devotada para sempre como a mãe de Max fora. E Agatha tinha algo que Luna Aguilar não tinha: o desejo de ser mãe. O problema era que tinha falado demais. Temia que Max desconfiasse dos seus verdadeiros sentimentos por Agatha. Ele sabia que seu amigo era apaixonado pela esposa, mas o amor que Max sentia não era verdadeiro. Se fosse, jamais tocaria em outra mulher. Mesmo assim, achava melhor manter tais sentimentos em segredo. Max respirou fundo e bateu na mesa, levantando-se. Sabia que seu amigo estava certo. Não que achasse que Agatha arranjaria outro homem. Grávida e tão retraída com outras pessoas, seria difícil. Mas poderia facilmente perdê-la, se caso ela descobrisse de suas aventuras. Ele caminhou de volta para seu quarto, mas não a encontrou. Tomou um banho e vestiu-se para o trabalho. Ela estava no quarto ao lado, desenhando, sobre uma mesa, o esboço de como seria o quarto da criança. Claro que tudo dependeria do s**o, mas tinha muita coisa planejada para ambas opções. E eram tantas ideias que ela queria colocar no papel. Quando Agatha saiu do quarto minutos depois, viu Max ao telefone, parado em frente ao quarto deles e de costas para ela. — Me encontra no mesmo lugar de sempre, às 18:00? Ela ficou parada, com o coração batendo acelerado. Jamais sentira tanto medo. Medo de que aquele encontro fosse com uma mulher. E que aquele encontro não fosse apenas de negócios. Ela prendeu a respiração enquanto Max permaneceu em silêncio ouvindo a resposta do outro lado da linha. — Ótimo, nos vemos logo então. Beijos, baby. Os olhos de Agatha ficaram úmidos de lágrimas. Ela ouviu a palavra "baby", e não era sobre ela. O coração de Agatha se apertou. Ela recuou alguns passos e adentrou o quarto de sua filha. Não tinha coragem de confrontá-lo. De questioná-lo. A suspeita se confirmava cada vez mais. E ela se recusava a acreditar. Agatha encostou seu corpo na porta e desabou em lágrimas. Não queria acreditar. Seu Max, o homem que ela tanto se dedicou, que tanto amou, não podia estar traindo-a. Não tinha motivo. Ela esforçava-se ao máximo para atender todos os seus desejos. Ela não compreendia. Não entrava em sua cabeça porque ele iria traí-la. Ela fazia tudo por ele. Qual a necessidade de traí-la? Se não estava satisfeito, se não era feliz, por quê não pedia o divórcio? Seria menos doloroso do que ter que aguentar a traição, a rejeição e a indiferença.
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