Murilo narrando
Não quis levar a Íris num motel assim na primeira vez e não tinha como desenrolar uma parada especial assim do nada.
Não achei que já fosse rolar hoje. Mas claro, é a Íris, como eu não me antecipei e me preparei para isso. É claro que ela iria com sede a pote e papo reto, quer saber? Eu também tô com a mesma sede que ela e não posso mais negar.
O jeito de ser especial seria na minha casa nova onde nunca ninguém esteve, mesmo sem nada, pelo menos estaríamos completamente sozinhos. Sem risco do Marlon aparecer do nada, porque ele.. Rum! Ele parece que sente o cheiro dela e vem atrás, gruda igual um carrapato. Menor filha da mãe, ainda passa cantada nela, daquelas bem ruins mesmo, não sei onde ele aprende essas merdas. Não tem nem tamanho e não tem vergonha, a minha mãe acha que ele vai ser ainda pior que eu, é muito galanteador, mas não chega numa minazinha da idade dele, nem nada, só joga charme nas mais velhas e adoro principalmente fazer isso com Íris. Ela morre de rir e eu fico com cara de desacreditado sempre, menor é desenrolado demais, não é a toa que é meu irmão, puxou o sangue mesmo e não n e g a.
Parei na minha casa, casa dos meus pais, e peguei tudo o que me veio à cabeça. Vários edredons, travesseiros, toalhas, roupa, até uma camisa minha pra ela, camisinha, peguei meu roupão e tudo.. Ainda olhei a geladeira e os armários e peguei algumas coisas, umas besteirinhas, morango, uva, nutella, o que eu achei.. Lá em casa tem frigobar com água e outras bebidas, até por pessoal que está lá a trabalho poder se hidratar durante o dia e o que mais precisar eu peço pra algum menor desenrolar.
Fiquei um pouco inseguro dela achar r u i m uma casa sem nada, mas a Íris é a pessoa mais simples que eu conheço, nem parece que vive com o luxo que tem, muito menos que é filha de quem é, a grande vereadora Iara Fontenelle. Grande na cabeça dela né, pra mim ela não é p o r r a nenhuma. Apenas uma filha da p u t a soberba e ingrata. Uma pedra no meu sapato e no da própria filha, mas se ela moscar, eu dou um jeito nela rapidinho. Ela acha que é muita bosta por ser vereadora, coitada, a facção tem o Rio de Janeiro inteiro na mão. Deixa ela pagar de louca pra ela ver só uma coisa.
Agarro ela pela cintura quando ela se joga em mim e damos mais um beijo intenso esquentando o clima de novo. Aperto tanto ela no meu corpo que tenho medo até de quebrar essa cinturinha fina. As minhas mãos descem pelo seu quadril e eu não resisto e aperto a sua b u n d a com as duas mãos e ela geme contra a minha boca, p u t a merda. Paramos com a habitual falta de ar, só paramos assim, se não era capaz da gente ficar se beijando até amanhã.
Opa, amanhã? Não tinha pensado nisso.
Íris: - O que tu trouxe no carro? - ela pergunta antes que eu mencione algo sobre o meu pensamento
Murilo: - Vamos lá pegar.
Pegamos as coisas no carro, deixamos os tênis na sala e subimos as escadas só de meias, sigo pro quarto principal, aqui tá tudo limpinho e não está sendo mexido no momento, pois a banheira e o box só chegam na semana que vem. Colocamos tudo no chão, organizamos, improvisamos uma cama e eu abro as sacolas com as besteiras.
Íris: - Humm, sobremesa. - ela pega o pote de nutella - Vou só ao banheiro, tá bom?
Murilo: - Me fala se precisar de alguma coisa. - falo sentindo uma ansiedade que nunca senti antes, com ninguém
P o r r a, como eu fui b u r r o de não preparar nada.
Desço rapidinho lembrando que lá embaixo tem algumas velas de quando teve um problema na luz aqui, menor trouxe vários pacotes sem saber exatamente o que era pra trazer, até vela de sete dias o mané trouxe. Pego algumas e volto no quarto já puxando o isqueiro do bolso, ela ainda está no banheiro, então eu acendo tudo rapidinho, assim que eu termino, ela abre a porta.
Ela para no batente e eu olho pra ela chocado.
Como pode um toquinho de gente desse pode ter pernas tão longas? E como ela aparece na minha frente assim?
Ela tirou o vestido e o tênis. Está descalça, de calcinha de renda branca e com a camisa social que ela estava por cima do vestido.
Sinto a minha boca seca, tô de queixo no chão, filha da p u t a me surpreendeu, roubou meu ar e a minha voz e disparou de vez o meu coração.
Íris: - Humm, sobremesa a luz de velas, então?
Murilo: - Eu queria fazer algo.. - penso na melhor palavra, 'legal', 'bacana', 'memorável', sei lá
Íris: - Tá perfeito, muito melhor do que qualquer outra coisa mais elaborada. - ela caminha suavemente até mim - Não quero nada do que tu já tenha feito pra alguém. - ela completa falando rápido - Sabe que eu não ligo pra nada a não ser estar com você, não é? - ela passa os braços no meu pescoço e eu seguro na sua cintura, a camisa subindo e expondo mais da sua pele perfeita - E estar aqui então, na sua casa, antes de qualquer outra pessoa, nada pode superar isso. Só, não traz ninguém aqui, pode ser? Eu posso pedir isso? - sua voz treme um pouco e os olhos brilham marejados
Claro que eu não traria ninguém aqui, p i r a n h a nenhuma, mina nenhuma que seja. Tudo o que eu pensava era que quando a casa ficasse pronta eu traria ela pra conhecer e curtir um lazer da hora de boa. Eu sei que ela tem tudo do bom e do melhor na casa dela, mas também sei que ela não tem liberdade alguma.
Murilo: - Só você. - olhando nos seus olhos, as palavras saem da minha boca sozinhas, ela dá o sorrisão de sempre dela pra mim, com os olhinhos brilhando
Sinto aquela parada boa no p e i t o, mas que ao mesmo tempo dá aquele receio, do único tipo que eu ainda sinto na minha vida, mas um receio que eu já sei que já aconteceu, essa batalha eu já perdi, ou será que ganhei? Porque definitivamente, eu tô apaixonado. Não sei em que momento exatamente aconteceu, em que parte dessa jornada maluca e complicada que se tornou 'nossa' isso aconteceu, mas eu sinto que não tem mais volta. Foi um ano inteiro resistindo, adiando, mas agora? Agora já era, ainda mais depois dessa noite.
Puxo seu corpo colando-o no meu e tomo a sua boca num passo que não deixa mais brechas para voltarmos atrás.