— Lena, você pode me beijar? – a morena grunhiu com o pedido de imediato, se jogando na cama por cima da menor e gemendo deleitosa ao que os corpos roçavam-se um contra o outro. Kara colou os lábios nos de Lena imediatamente, choramingando de excitação quando sentiu o pênis da Luthor contra sua coxa. Mordeu, chupou e mordiscou diversas vezes seus lábios, deixando Lena sair de cima de seu corpo levemente suado para voltar ao que fazia anteriormente.
Lena abriu com facilidade o frasco de óleo, fazendo com que o aroma inundasse todo o quarto. Molhou as mãos e gentilmente abriu as pernas da menor, desfrutando da garota gemendo frustrada, desesperada por seus toques.
Lena iria enlouquecer com a imagem da entrada rosada em sua frente, contraindo-se à sua espera. Não demorou muito para que a mais velha já estivesse ajoelhada para fora da cama, puxando ainda mais Kara pelos tornozelos até que a menor estivesse com as panturrilhas apoiadas em seus ombros.
Lena mordeu os lábios não segurando a vontade de passar a língua pela entrada virgem de Kara, e assim que fez, recebeu em troca um grito prazeroso da mais nova, que gemia confusa pelos toques desconhecidos e praticamente implorando por mais.
Ela continuou com suas lambidas esfomeadas, dando chupadas no c******s, e leves sopradinhas que deixavam a menor arrepiada, e suas mãos molhadas de óleo deslizavam pelas coxas da menor, e pela virilha dela, espalhando o aroma gostoso na região, deixando Lena ainda mais sedenta por aquela deliciosa gruta.
Seus dedos abrem mais a entradinha de Kara e aproveitam ainda mais daquela área pulsante com sua língua, que penetrava-a com vontade, explorando alí com um jeito delicado e ao mesmo tempo esfomeado. Seus lábios sobem para o c******s e alí ela investe em movimentos com sua língua, que faziam o corpo da menor se remexer, e sons deliciosos saírem dos lábios da loira.
Dois dedos pairavam pela entrada da menor, não demorando muito mais para penetrar a entradinha apertada, com certa dificuldade Lena coloca os dedos até o fim, Kara aperta as cobertas grossas da cama de Lena enquanto sentia as sensações de dor e prazer misturadas. A maior começou lentos movimentos de vai e vem, e sua língua ajudando nos movimentos com lambidas na área e também no c******s. Mas parando quando sentiu Kara estremecer em seus braços, tendo a certeza de que a menor não duraria muito tempo. O m****o de Lena pulsava no meio das suas pernas, mas toda sua atenção foi voltada aos desejos da sua pequena.
— Lena... – Kara choramingou ao sentir o vazio e precisava de mais, abrindo mais suas pernas para que a mais velha entendesse, Lena acaricia suas coxas subindo pelo corpo da menor.
Kara sobe as mãos pelos braços de Lena até sua nuca, e uma das mãos puxa os cabelos de Lena com força, pedindo com o olhar para Lena lhe fazer sua.
— Acho que já é o suficiente... – Lena murmurou baixinho, com uma voz penetrante, maravilhada por Kara parecer tão esgotada e ao mesmo tempo tão necessitada. Lena estava louca para ver Kara gozar, gritando seu nome e gemendo o mais alto que conseguia.
— Lena, por favor... – Kara esticou as mãos pelas costas de Lena, deslizando suas unhas pequenas pela pele alva da maior. Lena segurou o m****o com uma mão, espalhando o pré-g**o da glande por todo o m****o, e vendo Kara terminar de tirar a camisa de botões que ainda estava presa em seus braços. Seu m****o pulsante e suficientemente lubrificado, posicionou-se na entrada de Kara, sentindo a mais nova inclinar o quadril para excitar Lena ainda mais.
— Eu vou devagar – Lena disse rouca, abaixando-se para poder beijar Kara enquanto iniciava a tarefa de entrar o mais devagar possível. Kara estava tão quente e apertada que Lena estava arfante em só ter colocado a metade. A garota choramingava e apertava os ombros de Lena com extrema força, sentindo lágrimas brotarem no canto dos seus olhos. Lena cessou os movimentos por um instante, dedicando-se a beijar todo o rosto de Kara, secando algumas lágrimas que acabaram escorrendo.
Alguns minutos se passaram e Kara resolveu movimentar os quadris, sentindo-se sensível e extremamente excitada. Lena não perdeu a oportunidade e terminou de entrar por completo na menor, soltando um longo gemido de satisfação. A morena estava praticamente vendo estrelas, e poderia gozar por simplesmente ouvir os gemidos de Kara em seu ouvido, choramingando para que Lena se movesse.
— Tem certeza que eu já.. Ahh – Lena gemeu ao que Kara ergueu os quadris, fazendo com que seu m****o penetrasse-a mais. Apoiou uma das mãos nos travesseiros para que não deixasse todo o peso em cima de Kara, e com a outra segurou com força a cintura da menor. Erguendo a coxa esquerda para que conseguisse estocar com mais facilidade. E Kara praticamente delirou em baixo da sua Lena, gemendo coisas desconexas ao que Lena moveu seu quadril tão lento que parecia tortura-la.
Kara sentiu algo na atmosfera mudar, foi como se algo estivesse fora do lugar, mas estava excitada demais para prestar atenção. Então, apenas fechou os olhos e gemeu mais e mais vezes.
Lena, por sua vez, sentiu a visão escurecer. Suas mãos pareciam agora mais duras e não aguentou a vontade em seu peito de apertar a coxa grossa de Kara, apertou com tanta força que a garota embaixo de si grunhiu dolorida. E foi tudo muito rápido, Lena ergueu ainda mais a coxa de Kara, estocando agora com mais e mais força, os olhos escuros e uma imensa vontade de mordê-la, de sentir sua pele e fazer Kara gozar. Prazer, era só isso que sua mente processava no momento.
Kara nem sequer conseguia abrir os olhos, perceberia que havia algo de errado com Lena pela coloração escuras das suas íris, mas as estocadas rápidas e rudes de Lena não lhe davam tempo de raciocinar. Era forte e brusco, Lena não lhe dava tempo nem para respirar e estocava cada vez mais fundo, mais preciso, fazendo Kara arranhar com força toda suas costas.
A ardência nas costas de Lena fez com que a maior gemesse alto, afundando em Kara e abaixando para dizer no ouvido da menor.
— Você é deliciosa – a voz saiu áspera, rouca e excitante. Kara engasgou-se com as palavras, havia se esquecido de como usá-las, sentia-se como se estivesse à beira de um abismo. Precisava de um orgasmo, precisava desesperadamente.
Lena então, como se isso fosse possível, aumentou ainda mais a força de seu quadril, fazendo até mesmo sua enorme cama ranger e se misturar com os gritos e gemidos de Kara.
Kara abriu os olhos por um momento, gozando forte em meio às estocadas e gemendo alto ao sentir os quadris de Lena acertarem em cheio seu ponto sensível. Viu os olhos negros de Lena, mas antes que dissesse qualquer coisa, ou tivesse certeza de que estavam escuros mesmo, a maior abaixou até seu pescoço, ainda estocando com agilidade a entrada de Kara mesmo que a garota estivesse extremamente sensível, e então a mordeu.
Kara gritou dolorosamente e gemeu de prazer ao que os dentes de Lena se apertaram em seu pescoço. Sentiu a maior gozar em seu interior, precisando empurrar seus ombros para que soltasse de seu pescoço.
Kara não encontrou os olhos negros, eram as esmeraldas de que tanto gostava.
— Ai! Você me mordeu – choramingou cansada, sentindo o corpo de Lena cair exausta por cima do seu. Sentia-se completamente suada, cansada e dolorida. Aproveitou a posição de Lena deitado em seu peito, arfando pelo recente orgasmo, e acariciou os cabelos vagarosamente, ainda tentando controlar a própria respiração.
— Isso... Isso foi magnífico – Lena sussurrou, ainda recebendo os carinhos de Kara e podendo sentir o coração da mais nova bater descontrolada.
— Isso o quê? Você ter me mordido? – Kara perguntou risonha, mas não deixou de levar uma das mãos até o pescoço, constatando que estava tudo bem.
— Eu mordi? – Lena perguntou confusa, e Kara bufou, não querendo brincadeiras já que sua i********e doía demais.
— Mordeu, engraçadinha – murmurou. Lena virou-se para Kara, beijando a letra "L" que posicionava-se em meio ao peito da garota.
— Kara – Lena disse em um sussurro, acariciando as laterais do corpo da menor. Viu os olhos azuis brilharem em sua direção, e sorriu nervosa quando pediu o que queria pedir há muito tempo – Você promete que nunca vai me abandonar? Eu não sei o que faria sem você, entende? Por favor, não ache que estou dizendo isso da boca pra fora, porque não estou! Eu quero ter você pra sempre, por favor, nunca vá embora...
Kara sorriu com carinho, segurando o pingente de Lena e a puxando pela letra "K" até que o rosto da maior estivesse próximo o suficiente para se beijarem.
— Eu não vou te abandonar. Nós estamos ligadas, eu não sei como, mas eu sinto.
Lena concordou, ela também sentia. Queria contar sua teoria sobre serem almas gêmeas, mas a garota embaixo de si pegou no sono na primeira oportunidade.
A morena estava próximo de pegar no sono também, quando ouviu os sussurros novamente em sua mente, mas dessa vez, a voz lhe dissera outra coisa.
— Está feito, demônio.
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Lena estava radiante no dia seguinte. O seu sorriso faltava-lhe rasgar as bochechas, e um sentimento em seu peito praticamente a rasgava de dentro para fora. 'Era o amor' ela pensava, estava apaixonada por Kara e seu sorriso não negava isso. Sentia-se diferente, talvez fosse bobagem de sua parte, mas agora sentia-se completa para fazer dezoito anos de uma vez.
Ao ser acordada pela mãe, abraçou a mulher com extrema força e agradeceu pelos diversos presentes e beijos molhados na bochecha. Abraçou Joanne também, e até mesmo o fazendeiro Justin que lhes trouxe leite logo de manhã. Achava que não poderia ser mais feliz, e estava pensando em uma coisa maluca enquanto sua mãe ajudava Joanne a escolher os pratos favoritos de Lena para o grande almoço que teria em sua casa. Não seria uma festa como no ano passado, apenas um almoço formal com pessoas finas e amigos de seu pai.
Mas é claro que não deixou de chamar nenhum de seus amigos, principalmente Kara, que chegaria em breve.
— Já disse que não quero vinho seco, vá até a adega e troque estes – a mãe deu as ordens a Joanne, caminhando com um sorriso no rosto e lágrimas nos olhos até a filha. Sabia muito bem que dia era hoje, e queria estar feliz pela filha finalmente estar completamente dezoito anos. Mas o único sentimento que inundava seu coração era o de preocupação.
— Onde está o meu pai? – Lena perguntou, ajeitando os últimos botões de sua camisa nova, feita exatamente para esta data.
— Não sei, saiu cedo como todos os dias, provavelmente foi buscar o seu avô – a família Luthor era muito pequena. Lillian era órfã, e o Lionel era filho único e perdeu a mãe muito cedo, resultando em ter apenas seu pai. Era uma família sem primos ou tios, alguns parentes distantes de seu pai, mas que não mantinham nenhum contato. Lena achava bonito as celebrações de natal na casa dos Sawyer, Maggie tinha uma família enorme, com muitos primos e tios que enchiam a casa de alegria. Lena sempre quis ter uma família grande.
Quando já estava perto da hora dos convidados chegarem, às mãos da garota Luthor pareciam soar, estava feliz e nervosa por finalmente comemorarem seu amadurecimento. E se todo esse seu nervosismo já não fosse demais, Lena ainda sentiu as pernas bambearem e o coração acelerar quando um ser de olhos azuis e cabelos loiros apareceu entre os convidados, um pouco tímida e perdida ao lado de Cat.
— Kara! – Lena apressou-se até a garota. Sua vontade era de pegá-la nos braços e beijar aqueles lábios finos e rosados, mas apenas cumprimentou a garota com um aperto de mão, piscando para Kara enquanto Cat comentava como estava faminta e louca para começar o almoço.
— Onde estão Alex e Maggie? – perguntou, levando as duas amigas para onde seria servido o almoço. Infelizmente, Lena não poderia sentar ao lado de Kara, já que ficaria entre seu pai e sua mãe, e mesmo que tentasse muito convencer Lillian de que era seu aniversário e poderia muito bem escolher em que cadeiras sentar, ainda não conseguiu ficar ao lado da mais nova.
Maggie e Alex chegaram logo depois, trouxeram para Lena uma caixa bem embrulhada que a mãe acabou não permitindo abrir. Todos estavam sentados em seus devidos lugares, degustando vinhos e conversando animadamente sobre assuntos diversos.
— Oh, finalmente! – Lillian levantou-se, vendo o marido entrar junto a um homem de muita idade, pelo menos aos olhos de Lena. Seu avô tinha tantos anos que nem sequer dizia por aí, e demorou vários e vários minutos até chegar ao seu lugar e permitir que o almoço fosse servido.
— Vamos fazer um brinde a Lena – Lillian anunciou, e todos rapidamente se apressaram para pegar suas taças. Kara tinha suco de uva em seu copo, e Lena apontou para sua taça como se dissesse 'o meu é vinho'. Kara revirou os olhos para a morena discretamente, ainda com um sorriso no rosto – Gostaria de dizer que você vai ser uma grande mulher, minha filha.
O senhor Luthor concordou com a cabeça para a surpresa de Lena.
— Tudo bem. Podem servir-se, a comida está deliciosa – a mãe disse por fim, direcionando um olhar tristonho para Lena. Seria hoje, e Lillian contava os segundos para tudo isso finalmente acabar.
◆ ▬▬▬▬▬ ❴✪❵ ▬▬▬▬▬ ◆
O senhor e a senhora Luthor estavam no quarto de Lena, faltava pouco para a meia-noite e tudo estaria completamente escuro se não fosse a luz do luar entrando pelas grandes janelas e a vela acesa sendo segurada pelos dedos trêmulos da mulher.
— O que deu para ela?! Como a desacordou?! – sua voz era desesperada, mas o marido bufou exausto.
— Eu coloquei algo na bebida dela, não se preocupe com isso – disse, avaliando a garota deitada em sua cama. Pensou em amarrá-la pelas pernas e braços, mas sabia muito bem que a mulher não aceitaria isso de forma alguma. 'Não seria necessário' o senhor Luthor tentou se convencer, ajoelhando no pé da cama e pedindo para que a mulher iluminasse melhor sua maleta.
— O que você...
— Cale-se Lillian, eu preciso me concentrar – perdeu a paciência por alguns segundos – Se não conseguir ficar quieta terei que mandá-la sair, e acredito que não seja isso que você queira.
A mulher negou, suas mãos trêmulas fazendo o fogo da vela dançar junto ao vento que entrava da janela.
— Feche a janela – o homem mandou, retirando um livro muito velho da maleta – Não a cortina, precisamos da lua crescente.
Lillian abriu completamente as cortinas, deixando visível a lua crescente. Observou então sua filha. Lena vestia-se com a roupa do almoço, havia saído com suas amigas e chegado tarde. Lillian fez um leite quente para a garota antes que ela se banhasse, e provavelmente foi o momento em que o Lionel adicionou algo em sua bebida para que a garota dormisse. Agora estavam ali, esperando agoniados para que o relógio batesse e anunciasse à meia-noite.
— Vai dar tudo certo – ela sentiu as lágrimas rolarem por suas bochechas – Tudo certo, ela estará bem...
O senhor Luthor folheou mais uma vez o livro, parando na página marcada.
Alguns minutos em silêncio, até que o grande relógio do salão bateu, anunciando o horário.
Lillian torceu os dedos, segurando seu coração para que não saísse pela boca enquanto o marido se ajoelhava, respirando fundo e dizendo de uma vez.
— A hora é agora – murmurou sombrio, molhando os lábios secos para que começasse – Se não suportar tudo isso, saia imediatamente, e se algo der errado...
— Não irá dar – a mulher disse, com um semblante irritado.
— Se der errado, você tem que me obedecer! – tentou se controlar mais uma vez – Terminarei o que comecei a dezoito anos atrás, o pacto finalmente será selado, e a alma da garota virgem será sua após a morte.
Lillian trancou a respiração. 'Apenas após a morte, ela poderá viver em paz' convenceu-se em pensamentos.
O senhor Luthor então começou a ler as palavras em latim, duras e frias, sendo ditas com força enquanto Lillian tentava manter sua vela acesa. Uma grande ventania vinha pela porta, talvez de algumas das janelas do corredor. Lena começou a sacudir-se na cama, e se não fosse tão grande, com certeza teria caído pelas laterais. O pai continuou, fechando os olhos e retirando a adaga da maleta, os olhos de Lillian praticamente saltaram de seu rosto.
Ele iria matá-la, ela tinha certeza disso.
A mãe deu um passo à frente, tropeçando em seu enorme vestido e acabando por quase derrubar a vela.
— Não! – a mulher gritou quando o marido ergueu a adaga. Mas para sua surpresa o homem apenas fez um corte no braço da filha, deixando que o sangue escorresse enquanto as palavras ditas circulassem por toda sala.
E algo saiu fora do planejado.
Lena abriu os olhos, eram tão negros e malignos que Lillian deixou a vela cair no chão, sendo apagada no mesmo instante. O senhor Luthor parou de ler imediatamente, encarando a filha agora sentada na cama, com os olhos negros vidrados na mãe assustada.
— Algo está errado! – disse com desespero em sua voz. É claro que estava, o plano era terminar tudo aquilo e deixar Lena dormir até amanhã, a garota jamais desconfiaria de alguma coisa.
Mas agora estavam ali, encurralados, assustados com a desconhecida que parecia ser a sua filha.
— Eu devo ter feito algo de errado! – o pai se exasperou, folheando o livro velho mesmo sabendo que tinha cumprido tudo o que teria de fazer. Não fazia sentido nenhum, e o medo que agora aflorava em seu peito o deixava cada vez mais nervoso.
— Lena? Filha? – a mulher tentou se aproximar, e Lena levantou-se da cama devagar, fazendo com que o pai ficasse atento.
— Lillian, não se aproxime! – disse ríspido. Algo estava errado, muito errado.
— É a minha filha – ela choramingou, dando um passo adiante. Mas Lena foi rápida, em segundos já apertava o pescoço da mãe, vendo os olhos verdes arregalados e assustados em sua direção. O senhor Luthor correu até lá, sentiu uma fúria imensa em seu peito e com um golpe forte acertou a cabeça da filha com o livro grosso, dando tempo suficiente para tirar a mulher do aperto enquanto Lena puxava seus próprios cabelos, como se quisesse arrancá-los.
Então ela gritou, gritou alto e de uma forma animalesca, fazendo com que todos os pelos de Lillian se arrepiarem. Os dois rapidamente correram para fora do quarto, fechando a porta com rapidez e trancando com a chave que a todo momento estava no bolso do pai.
Deveria ter amarrado em sua cama, deveria ter tomado as malditas precauções.
— O que está acontecendo?! – Lillian gritou assustada, quando mais um grunhido de Lena foi ouvido. Era possível escutar objetos sendo jogados contra a porta, e as cortinas serem rasgadas com extrema brutalidade. O senhor Luthor tentava manter a calma, precisava ter controle.
— Eu fiz corretamente, fiz o que me foi mandado – socou a parede, a raiva dominando seu corpo. Então lembrou-se da única ordem que Lena deveria cumprir para que tudo continuasse no caminho certo.
Manter-se pura.
— Ela perdeu a virgindade – disse em um sussurro, sem forças para repetir caso a mulher não tivesse escutado. Não poderia ser real, as condições foram claras, deveria entregá-la pura e virgem – Lena estragou completamente tudo! Nós estamos mortos!
Lillian encarava a porta com os olhos arregalados, estava congelada pelo medo quando o marido lhe segurou pelos ombros.
— Eu sei o que tenho que fazer, tenho que pegar uma coisa no sótão – disse tentando manter o controle, e Lillian chorava ao ouvir os gritos de Lena – Fique aqui, e não abra essa porta por absolutamente nada.
A mulher continuou em choque, vidrada na porta à frente com os barulhos animalescos e brutais. O marido puxou o rosto de Lillian pelo queixo, apertando com força e tentando ao máximo tirá-la daquele transe.
— Escute! Não abra a porta! – gritou, e os dois assustaram-se quando algo pesado bateu contra a porta – Eu preciso pegar uma coisa...
— O que você vai pegar? – ela gritou desesperada, soltando-se do aperto do marido – Você vai matar a nossa filha?!
O senhor Luthor virou-se de costas, mas Lillian o puxou pelo ombro.
— Você não pode! Não! Ela não...
O homem empurrou a mão da mulher e apontou para a porta, já caminhando para o outro corredor em busca do sótão.
— Eu vou fazer o que precisa ser feito.
A senhora Luthor olhou incrédula para o marido. Como poderia ter se casado com aquele monstro? Mas algo a faz se distrair dos pensamentos, uma voz conhecida do outro lado da porta a chamou.
— Mamãe – a voz disse, e Lillian rapidamente reconheceu como a de Lena – Mamãe, eu estou com medo.
Lillian estremeceu dos pés a cabeça. Sua filha estava ali dentro, assustada.
— Não abra a porta, Lillian! – Lionel gritou, já subia as escadas barulhentas do sótão. Todos aqueles anos, sendo duro com Lena e frio, a proibindo de subir no sótão tinha um propósito. Ele precisava proteger o que escondia em uma das paredes, Lena ou qualquer outro ser não poderiam encontrar, era a única salvação se tudo acabasse errado.
E acabou, sua filha agora estava possuída por um demônio.
O senhor Luthor entrou no sótão escuro, tateou as paredes cobertas por grandes lençóis brancos e precisou juntar forças para arrancar o grande guarda-roupa da frente de uma das paredes. O problema é que a dezoito anos atrás, quando comprou essa maravilhosa mansão e pôs o guarda-roupa em frente a parede, era mais jovem, tinha mais força. Agora, sua cabeça parecia pesar ainda mais do que aquele enorme móvel de madeira, não permitindo ele raciocinar de uma vez e tirasse aquele móvel para pegar o que era necessário.
Então ouviu o grito de súplica da mulher.
— É a nossa filha, preciso ver como ela está! – Lillian gritou, tirando a atenção do marido que socou o móvel em frente. Ele parecia perdido, estava perdendo o controle aos poucos em meio aquele caos.
— Não é a nossa filha que está aí dentro, é um demônio! – gritou raivoso, empurrando mais uma vez o guarda-roupa que agora saiu um pouco do lugar. Seus dedos tremiam pela extrema força e de longe ouvia os gritos e súplicas de Lena para a mãe.
— Não abra a porta Lillian, não abra! – gritou, ainda empurrando o móvel. Suas mãos doíam pela força que colocava ali, e o rosto prensado contra um dos lados do guarda-roupa estava vermelho ao tentar movê-lo de uma vez. Precisava ser rápido, teria de terminar com isso, mesmo que fosse doloroso.
— Mamãe, eu estou com medo – o senhor Luthor ouviu, e Lillian parecia chorar ainda mais alto em frente a porta do quarto.
— Eu preciso ver como minha filha está! – Lillian gritou para o marido, chorando e soluçando ao que Lena continuava suplicando.
— Já disse que não é a nossa filha! É um demônio – gritou de volta, faltava pouco para finalmente empurrar aquele enorme móvel. Tinha de conseguir!
— Eu preciso, eu preciso – a mulher se balançava de um lado para o outro, enxugando as lágrimas que caiam por suas bochechas. Sua filha estava ali dentro sozinha, perdida, precisava saber se ela estava bem – O meu bebê está ali dentro, ela precisa de mim!
— Não abra a porta! Eu estou quase conseguindo – o Senhor Luthor disse aflito. Com um grande baque, conseguiu empurrar finalmente o guarda-roupa, o derrubando em cima de uma das cristaleiras, fazendo uma grande sujeira de cacos de vidro. Pôde ver atrás do guarda-roupa o cofre, grande e escondido dentre as paredes. Aquilo seria a salvação, o que guardou com sua vida de Lena e de qualquer demônio que tentasse encontrar. Antes escondia isso dentro de uma maleta, debaixo de sua cama, onde pensava ser seguro o suficiente longe de qualquer coisa. Mas estava enganado, em uma noite chuvosa como muitas naquele lugar, viu algo se mover embaixo da cama, vasculhando a maleta e por pouco não levando embora o que guardava tão bem.
Então precisou do cofre. Lena também estava a procura, em algumas noites saia pela casa como uma sonâmbula, vasculhando todo aquele sótão. Quando acordava, não se lembrava de absolutamente nada. O cofre era seguro.
Até agora.
Ao dar o primeiro giro e colocar o primeiro número da combinação, o senhor Luthor percebeu que tudo estava silencioso. Não havia choro, nem súplicas, e nem batidas na porta.
A porta.
— Lillian! – o homem gritou, esqueceu-se por um segundo do cofre e caminhou em passos lentos até a pequena porta do sótão – Lillian, me responda!!
Nenhuma resposta. O coração do senhor Luthor batia com tanta força dentro do peito que parecia doer, seus dedos suavam enquanto continuava gritando o nome da esposa, ainda sem encontrá-la.
Desceu alguns degraus, o corredor escuro e um silêncio sombrio. Caminhou com os passos lentos fazendo a madeira abaixo de seus pés rangerem, e os pelos de sua nuca arrepiarem ao que a respiração parecia mais acelerada.
— Lillian? – chamou novamente, vendo uma imagem que o deixou horrorizado. A porta estava aberta, e em frente a ela sua esposa estava caída contra a parede, ensanguentada e de olhos fechados – Não! Não, Lillian!
O homem correu até lá, se ajoelhou em frente a mulher, segurou o seu pulso sentindo o cheiro de sangue inundar suas narinas. Nada, seu pulso não tinha nenhum batimento.
Ela estava morta!
— Não! – gritou, puxando a mulher sem vida para os seus braços – Acorde! Acorde!
Um riso foi ouvido do fim do corredor, e os olhos assustados de Lionel se direcionaram para lá imediatamente.
— Lena? – perguntou esganiçado, não enxergando absolutamente nada pela falta de luz. Em um momento de ira, o pai gritou – Você matou a mulher que concebeu você! Seu demônio imprestável!
Outra risada, fria e maligna.
O senhor Luthor sabia o que deveria fazer, ou teria o mesmo fim que sua querida esposa. Deixou a mulher na posição anterior, agora banhado com seu sangue, e correu de volta para o sótão, desejando que sua filha não o seguisse, que conseguisse pensar direito mesmo sabendo que sua esposa havia acabado de morrer.
O cofre continuava intacto, mas suas mãos tremiam e eram escorregadias pelo sangue, dificultando ao homem que girasse de uma vez e pegasse o que havia ali dentro, salvando sua vida.
— O que pretende fazer? – uma voz soou do corredor, deixando o homem paralisado por alguns segundos – Me matar? Fazer o meu sangue jorrar como eu fiz o da mamãe? Ah, vamos em frente então, estou louca para ver o quão corajoso você é.
— Ela não é sua mãe! Ela é a mãe de Lena! Era... – disse soluçando, jamais chorava, mas as lágrimas rolaram pelas sua bochechas instantaneamente.
— Shhh, você fica ridículo chorando – o demônio murmurou, trazendo o Lionel de volta para realidade, que tentava abrir o cofre o mais rápido possível – Tente mais uma vez, fale com mais força! Sabe como é ridículo matar alguém que implora pela vida? Que chora enquanto o sangue escorre?!
O senhor Luthor não podia conter o choro, seus dedos eram escorregadios demais, os números não eram vistos por conta de sua visão turva, as mãos e pernas tremiam. Ele iria morrer, sabia disso.
— Eu nunca deveria ter feito isso com você, eu não... – disse com arrependimento, faltavam três números, mas naquele momento parecia ser muita coisa.
— Tudo bem, estou piedosa hoje – sentiu mãos segurarem seu pescoço, enforcando-o e prensando contra a parede – Acho que posso fazer com que não doa menos? Ah, peguei essa belezinha que você acabou esquecendo no quarto, se importa? Ainda está sujo com o sangue da mamãe, mas podemos imaginar que isso ligará vocês para todo sempre.
Mostrou a adaga do próprio pai, que usou também para matar Lillian.
O senhor Luthor começou a rezar, fazendo o demônio que o enforcava rir alto.
— Deus não está com você, eu estou – apertou ainda mais sua garganta, impedindo que o homem continuasse com suas orações – Diga um olá para o d***o, papai.
E enfiou a faca em seu peito.
◆ ▬▬▬▬▬ ❴✪❵ ▬▬▬▬▬ ◆
— Como assim? Lillian está morta? E os outros dois Luthor? – Kara acordou com uma grande gritaria dentro de casa, levantou-se da cama e quando mencionaram Lena, a garota disparou até a cozinha. Eliza estava com a boca tampada pelas duas mãos, olhando com incredulidade para o vizinho Justin, que estava sem o chapéu e a cabeça baixa.
CONTINUA...