10 - Os sonhos

4371 Palavras
A visão de Kara tornou-se embaçada ao ver cabelos castanhos para fora do lençol, um corpo feminino e pequeno. Caitlin. Era isso que sua mente gritava, o desespero tomando conta de seu corpo enquanto empurrava a multidão à procura de sua mãe e irmãs. — Mãe! Mãe! Caitlin, Samantha... – engasgou com seu próprio choro, procurando em cada rosto alguma semelhança com sua família. — Kara! – Alex tentou segurá-la, mas a garota foi rápida ao passar pelo grupo de homens e se abaixar ao lado dos corpos, retirando o lençol com as mãos trêmulas. Era óbvio que não estava pensando direito, ela acabara de expor um corpo para todo vilarejo. Um corpo que não pertencia a sua irmã. Antes mesmo de sentir-se aliviada, mãos a puxaram dali, uma gritaria foi ouvida e Kara sentiu os braços quentes de sua mãe rodearem seu pescoço, juntamente com Caitlin e suas outras irmãs. A mulher que havia descoberto no chão, manchada de sangue e de olhos fechados, foi novamente escondida pelos lençóis, enquanto pessoas cochichavam sobre o estado da Danvers e sua mãe a arrastava dali. — O que está fazendo, minha filha?! – Eliza perguntou assim que adentraram em sua casa, com seus amigos e até mesmo Winn com uma face preocupada – Por que fez aquilo com o corpo da senhora Allen? — E-eu... Eu vi os cabelos parecidos aos da Cait... Pensei que fosse ela... – disse entre soluços, sendo abraçada pela irmã – Me desculpe, está acontecendo tanta coisa. A mãe concordou com a cabeça, acariciando o ombro da filha. — Pode nos explicar o que aconteceu, senhora? – Winn perguntou aflito, estendendo a mão para cumprimentar a senhora Danvers. — O carteiro bateu na porta da casa da família Allen, mas ninguém respondeu... Ele disse que a porta estava entreaberta e quando a abriu viu o corpo do senhor Allen estirado no chão – Eliza disse, passando as mãos pelos cabelos, estava assustada – Ele gritou por ajuda, e quando entraram toda a família estava morta. Até a criança... O horror dominava cada face naquela sala. Maggie encarou Cat e depois Alex. — E... Sabem quem pode ter sido o assassino? – Maggie engoliu em seco. Kara encarou a amiga negando com a cabeça, como se dissesse um silencioso 'Não foi ela', mas sabia que poderia estar enganada. — Todos tem a certeza de que foi o mesmo que atacou a família Luthor e o senhor Justin. — Espero que consigam pegar esse assassino logo – Samantha fungou, sendo abraçada protetoramente por Caitlin. As garotas se entreolharam. Precisavam dar um fim nessa história de uma vez por todas. Mais uma família havia sido atacada, não poderiam esperar ser dizimados por aquele demônio. ◆ ▬▬▬▬▬ ❴✪❵ ▬▬▬▬▬ ◆ — Eu não quero assustar vocês... – começou Maggie, ganhando a atenção das amigas. A mãe e as irmãs de Kara saíram para saber sobre a família Allen. Kara percebeu que Maggie estava mais pálida que o normal, seus lábios pareciam secos e sua pele suada – Mas minha coxa está doendo muito. Alex aproximou-se de Maggie, pedindo permissão para desabotoar sua calça e esperar a ajuda da amiga para conseguir abaixá-la. Logo que tirou o curativo, com o máximo de cuidado possível, puderam ver que a mordida estava roxa, com as bordas completamente escuras e de uma aparência nada agradável. — Deus – Winn disse assustado – O que fez aí? — Foi o cachorro da Madame Prescott – Alex pediu para Kara buscar a caixa de primeiro socorros – Não estava assim antes... — E não estava doendo como o inferno... Ai! – Maggie apertou os ombros de Alex ao que a garota tocou o seu ferimento – Para! Isso tá doendo demais. Kara não demorou para voltar com a caixa, Cat a ajudou, já que a menor nunca foi muito boa com ferimentos e sangue. Kara não conseguiu deixar de se lembrar de como passou m*l na noite em que Lena a deixou completamente suja de sangue, na fazenda do senhor Justin. Havia vomitado todo seu pouco jantar. — Sente-se ali, Kaa – Cat disse baixo, percebendo que a garota não estava bem. — Eu não sei o que fazer, nós precisamos te levar ao médico – Alex mordeu o lábio, pensativa – É só uma mordida de cachorro, eles não vão perguntar onde você ganhou ou desconfiar de nada. — Nada de médicos! – Maggie grunhiu – Eles irão me dopar com injeções. — Não discuta Maggie, nós precisamos de você saudável para hoje a noite – Cat encarou as garotas – Não é? Maggie, ainda que relutante, acabou concordando. — É só um lugar cheio de macas e médicos cuidando de doentes, Mags – Cat deu um sorriso consolador – Não há nada de assustador lá. A caminhada até o hospital não era tão longa, mas Winn teve que fazer no mínimo seis paradas para cumprimentar as senhoras do vilarejo. Kara estava agoniada, também não era fã de agulhas e enfermeiras, por isso não comentou sobre seu próprio machucado. Alex foi a única permitida a entrar na sala junto a Maggie, as outras esperavam sentadas nos bancos nada confortáveis, afundadas em seus próprios pensamentos. Kara suspirou se debruçando em suas pernas. Estava cansada, esgotada. Seu cabelo caía em seus olhos e seu corpo clamava por um banho, uma xícara quente de chá e uma cama. Mas seu cérebro trabalhava a mil, os pensamentos não abandonando a grande mansão e Lena por nenhum segundo sequer. Winn e Cat entraram em uma conversa baixa, sobre National City e o futuro. Futuro. Kara queria tê-lo apenas ao lado de Lena, nenhum outro futuro era imaginável para ela sem a pessoa que ela mais ama ao lado dela. Uma enfermeira passou em frente a eles, levava um carrinho repleto de sopas com cheiro desagradável e um suco de laranja de aparência horrível. Os pratos continham etiquetas com nomes e números de seus devidos quartos. E uma delas brilhava com o nome 'Luthor - quarto 12' Kara olhou exasperada para Cat, mas a garota continuava conversando com Winn sem prestar atenção nos pratos de sopa. Avistou a mulher se distanciar, queria segui-la, mas sabia que teria de dar explicações. — Vou ao banheiro – disse a primeira coisa que veio a sua mente, e por sorte, ganhou apenas um aceno de cabeça da parte dos dois. Apressou-se para encontrar a enfermeira que empurrava o carrinho no corredor à direita. Os corredores eram bem iluminados e também vazios, apenas a mulher toda vestida em trajes brancos entrando nos quartos por no máximo um minuto e voltando logo depois. Quando chegou ao quarto doze, a enfermeira pegou um prato de sopa e o copo de suco, entrou e ficou pelos exatos quarenta segundos, logo em seguida passando para os outros quartos. Kara continuou escondida atrás da parede até a enfermeira entrar no quarto treze, então correu o mais rápido que pôde até o doze e entrou sorrateiramente, fechando a porta atrás de si sem deixar vestígios. Respirou fundo antes de se virar, deparando-se com um homem completamente debilitado, deitado em sua cama ignorando a sopa que pousava na mesinha ao lado. Era o senhor Luthor. Kara deu passos incertos até a cama, poderia se meter em muitos problemas por invadir o quarto de um paciente dessa forma. Mas pelo contrário do que imaginou, o homem não estranhou sua entrada, continuou com o olhar vago na parede branca. — Senhor Luthor – Kara o chamou, o medo em sua voz era palpável – Sou eu, Kara, sou amiga da Lena... — Era – o homem respondeu, ainda com o olhar vago. Kara mordeu o lábio, escolhendo as palavras com cuidado. — Eu sou – disse convicta – Sei que ela ainda está viva. Então, pela primeira vez desde que chegara aquele quarto, o homem lhe deu atenção. O Luthor tinha os olhos arregalados, quase saltando do próprio rosto. Olhou para a porta com preocupação por alguns segundos, e em seguida chamou Kara para que se aproximasse. — Você a viu?! – perguntou, tentando e falhando miseravelmente em se sentar. Kara preocupou-se com o estado do homem, ele parecia inteiramente acabado, gastando suas últimas forças para falar de modo fraco. — Vi – Kara confessou, não sabia exatamente o que dizer, então optou pela verdade – Nós iremos salvá-la, sabemos o temos que fazer... Eu e minhas amigas. O homem negava com a cabeça, as palavras engasgando em sua garganta, sem forças para sair todas de uma vez só. — Ela matou Lillian – disse com a voz embargada – Matou Lillian por minha culpa... Kara olhou para porta preocupado com o som de suas vozes, aproximando-se ainda mais do senhor Luthor para que o homem não precisasse falar tão alto. — Nós éramos muito jovens e pobres... Eu não sabia mais o que fazer – engasgou-se por alguns segundos, chocando seus olhos frios nos assustados de Kara – Eu troquei a alma de minha filha por dinheiro, não sabia o que estava fazendo... Pensei que era a solução... A garota tremia dos pés cabeça. A alma de Lena. Oh, Deus. — O acordo dizia que Lena deveria continuar... – ele respirou fundo, seu pulmão chiava a cada esforço que fazia para falar – Continuar pura até os dezoito anos. Então, terminaria o pacto e a alma da minha filha... Seria do demônio depois que Lena partisse. Ela teria uma vida normal, eu sei que teria... Mas sua alma seguiria um rumo diferente após a morte. Ela já estava destinada ao inferno... Kara tentava assimilar tudo aquilo. A alma de Lena estaria destinada ao inferno depois que a mesma morresse. A riqueza da família Luthor, e finalmente: Lena manter-se pura até os dezoito anos. — Lena deitou-se com alguma pessoa da cidade, ela acabou com a própria vida, cavou nossas covas – o Senhor Luthor se debruçou para tossir, e sangue saiu de seus lábios rachados. Kara já sentia as lágrimas caírem. O coração dentro do peito parecia apertar, doer, sua cabeça girava e ela se sentia cru. Era a culpada, acabou com a vida de Lena quando ofereceu seu corpo. Quando fizeram amor. — Mas como eu saberia? – sussurrou para si mesma, tropeçando em seus próprios pés ao que o senhor Luthor tossiu mais uma vez, o sangue espirrando em sua camisa. Então, tudo a sua volta pareceu desacelerar. A mão do senhor Luthor agarrou com firmeza o pulso de Kara, e no mesmo momento a enfermeira entrou no quarto, gritando com a garota que cambaleava tentando soltar seu pulso das mãos do mais velho. — Termine isso! – o homem gritou – A faca! Mate-a! A faca é a única solução! Kara negava com a cabeça, chorando desesperada quando a enfermeira retirou algo na gaveta, uma seringa. — 527792 – foi a última coisa que disse antes de enfermeira enfiar a agulha em seu braço, fazendo com que o pulso de Kara fosse solto e a garota caísse de costas no chão. — O que está fazendo aqui, pirralha?! – a mulher gritou, mas Kara já corria desesperada porta a fora, disparada pelo corredor enquanto os números, palavras e confissões esmagavam sua mente. — Kara? – Maggie perguntou, estava na sala de espera e diante ao estado da garota, os amigos se levantaram em um salto – Hey! O que aconteceu? — Ca-casa – foi a única coisa que conseguiu dizer antes de correr até a saída, sendo seguida por todos os outros. ◆ ▬▬▬▬▬ ❴✪❵ ▬▬▬▬▬ ◆ — 527792 – Maggie repetiu – O cofre? — Mas por que teria uma faca? Será que é uma faca para... Hm, para demônios? – Alex piscou diversas vezes, confusa com todas as informações. Kara concordou, depois de correrem até sua casa, que ainda estava sem suas irmãs e mãe, conseguiu contar sobre toda sua 'conversa' com o senhor Luthor. — Não acredito que ele fez isso por dinheiro – Cat disse, tentando esconder as lágrimas – Lena não merecia essa crueldade. Winn apertou o ombro de Cat como conforto. — Ele disse para a gente matar o demônio – Kara engoliu em seco, as mãos pequenas ainda tremendo por conta da adrenalina – Mas não podemos... Não podemos matá-la. Kara não tinha muitas escolhas. Winn deixou mais do que claro que não poderiam deixar o demônio livre se não conseguissem exorcizá-lo de Lena. Mesmo que Kara não tivesse permitido o garoto de terminar de falar, sabia bem que a continuação daquilo era matá-la. E Kara jamais iria permitir que fizessem isso. Jamais. Principalmente por descobrir agora que era culpada por tudo. Mas como saberia? Como ela e Lena saberiam que não poderiam f********o, que não poderiam fazer amor antes dos dezoito anos completos da mais velha. Kara era completamente apaixonada por ela, queria se entregar por inteiro e agora tudo era um borrão em sua mente. Foi um erro. Mesmo que não quisesse pensar assim, seu coração se enchia de culpa a cada minuto em frente aquela lareira, esperando a madrugada chegar. A mãe de Kara chegou às dez horas, cansada e com as filhas segurando velas e com seus véus. — Acho melhor eu ir até a igreja e fechá-la – Winn comentou, sendo seguida pelas outras amigas. Maggie parecia melhor em relação a mordida, e até estava trocando algumas palavras com Alex. Parecia que a briga entre elas finalmente havia terminado. — Nós vamos seguir com o plano – Cat sussurrou, acenando para Eliza e saindo pela porta junto aos outros. Não queria levantar suspeitas indo todos juntos em meio a madrugada até a mansão, então decidiram ir individualmente. Kara suspirou deitando-se no sofá. Depois do jantar, Eliza avisou que estava indo se deitar, deixando um beijo na testa da filha que continuava na sala encarando as rachaduras do teto. — Feche a janela da sala para não ficar resfriada, okay? – bebericou seu chá. Kara fez o que foi mandada, deitando-se e caindo no sono sem demora pelo cansaço. Novamente mergulhou em seus sonhos quentes. Desta vez as mãos passeavam por suas costas, chegando até o fim e apertando com força todo aquele local. Kara arfou, puxando os cabelos macios e sentindo os lábios quentes em seu pescoço. Ela a segurava com força, mantendo-a por cima, enquanto as coxas grossas da mais nova rodeava a cintura da maior, rebolando em busca de mais prazer. As mãos de Kara escorregaram por seu pescoço, havia um colar ali, mas estava extasiada de prazer quando foi preenchida, dando atenção aos lábios famintos que colaram contra os seus. Kara queria gritar pelo prazer extremo, mas os lábios da outra continuavam firmes, chegando a morder seu lábio inferior ao aumentar o ritmo do quadril. Kara agora escorregava para cima e para baixo, deixando a maior guiá-la enquanto apertava-se chegando próximo ao seu limite. Oh, ela estava tão perto. — Diga 'sim', diga que é completamente minha – a voz rouca sussurrou em seu ouvido, guiando a cintura de Kara para cima e para baixo com ainda mais força – Diga que é minha de corpo e alma. Kara chegou ao seu ápice, os lábios sendo sugados em um beijo de lhe roubar todo o pouco fôlego que lhe sobrara. Foi o beijo mais excitante que havia dado em sua vida, e seu corpo ainda tremia sendo segurado pelas mãos firmes que acariciavam suas costas com carinho. Acordou arfante, os cabelos completamente suados e os olhos azuis assustados. Havia tido outro sonho quente com Lena? Estava certa de que as noites m*l dormidas a deixaram completamente alucinada. Respirou fundo, a garganta estava seca. Ao se levantar deparou-se com a janela aberta, o vento frio em contraste com seu corpo ainda em chamas. Caminhando em passos lentos voltou a fechá-la. Antes mesmo de sua mente debater sobre os sonhos, avistou o relógio e assustou-se com o horário. Iria se atrasar para encontrar o pessoal. Teria que deixar a história dos 'sonhos pervertidos' para depois. Depois que salvasse Lena. ◆ ▬▬▬▬▬ ❴✪❵ ▬▬▬▬▬ ◆ — Eu sabia, eu sabia! – Cat disse quando Winn apareceu atrás dos muros da casa de Madame Prescott – Todas elas duvidaram que você viria, Maggie até disse que você estava se borrando de medo. Maggie deu um peteleco na orelha da loira. Kara suspirou, agradecendo com um pequeno abraço a Winn por ter realmente seguido com o plano e estar ali para ajudá-las. — Me desculpem pelo atraso, eu me encontrei com o ferreiro e ele quis confessar-se – suspirou cansado – Tentei explicar ao homem que eu não poderia ouvir sua confissão, já que ainda não sou realmente um padre, mas ainda assim ele contou toda sua vida. — Ele matou mesmo a esposa? – Cat perguntou curiosa, e o peteleco na orelha agora foi da parte de Kara. — Cat, por favor, nós estamos atrás do muro da Madame Prescott de madrugada, prestes a entrar naquela mansão e salvar Lena. Não temos tempo para saber sobre a vida do ferreiro. Cat concordou envergonhada. — Eu só estou nervosa, não quero pensar que tudo pode acabar dando errado – desculpou-se. Kara finalmente encarou Alex, que estava encostada no muro úmido com o olhar vago na escuridão em sua frente. Não tinha dito sequer uma palavra desde que chegou, apenas jogou a bolsa cheia até a boca com sal e encostou-se ali, mergulhada em seus próprios pensamentos. — Alex – a garota de olhos azuis se arriscou – Você está bem? Ela concordou, dando atenção ao grupo a sua frente que respirava fundo se preparando para o que viria dali alguns minutos. Entrariam dali vinte minutos, as garotas fariam a linha de sal em volta de toda mansão enquanto Kara seguia o plano de ser a 'isca'. Ainda estavam muito preocupadas com essa ideia, mas com o dia que tiveram descobrindo a verdade sobre a família Luthor, não tiveram mais nenhum plano. Kara continuava tentando demonstrar muita coragem, precisava acreditar que tudo acabaria bem. Alex finalmente abriu a boca para dizer algo e não para suspirar. — Falem mais baixo, não quero ser encontrada à essa hora da noite na rua. E foi apenas aquilo. Maggie deu um suspiro exagerado, fechando os olhos por um momento e levando a mão até o peito. — Deus, eu sou apenas uma garota para morrer agora – disse tudo de uma vez. Kara não achou graça, mesmo que Cat tenha soltado uma risada nervosa. — Eu sei que parece bobagem, mas nós poderíamos... Hm, dar as mãos e fazer uma oração antes de ir? – Winn perguntou receoso, deixando sua bolsa no chão e esticando as mãos para Alex e Cat, que estavam ao seu lado. Para sua surpresa, nenhuma das garotas se recusou. A oração foi silenciosa e Kara implorou para que tudo terminasse bem, para que Lena não se ferisse e pediu para que Deus protegesse todos ali presentes. Nunca foi uma pessoa muito religiosa, mas hoje aceitaria toda a ajuda possível. — Okay – Cat respirou fundo, a loira tentava se manter corajosa assim como todos ali – Vocês se lembram do plano? Alex, você vai pela direita e traça as linha de sal, Maggie você vai pela esquerda e eu faço os fundos. Esse demônio não vai escapar novamente. Kara, você entra e... Bem, é a isca. — E eu entro logo em seguida, quando você distrair-la – Winn tirou duas folhas do bolso – E faço o que é preciso. Winn entregou outra folha para Kara. — Essa é para você, caso eu... Eu não consiga ler. Cat arregalou os olhos. — Do que está falando? É claro que você vai! Se isso foi um modo de dizer que você vai morrer lá dentro, esqueça essa ideia – estufou o peito, pegando um saco dentro da bolsa de Alex que continha uma grande quantidade de sal – Nós vamos nos sair bem. — É só uma precaução – Winn contestou, mas continuava nervoso. Kara guardou bem a folha em um dos bolsos do grosso casaco. — Pegue isso – Winn esticou uma pequena garrafa com desenhos em vermelho – É água benta. — Você tem mais? – Maggie perguntou, e cada uma das garotas recebeu uma pequena garrafa como a de Kara. A de olhos azuis respirou fundo, os sapatos que ganhou de Lena estava um pouco molhados, mas fez a garota sorrir por dentro. Tateou seu colar por baixo do casaco, fechando os olhos por um ou dois segundos para reunir toda coragem possível. — Vamos? – Cat apontou para a mansão ao longe. Logo que começaram a caminhada silenciosa, Kara ouviu Maggie chamar Alex. — Tome cuidado, okay? – Maggie disse um pouco rude, mas era visível sua preocupação. Alex acenou com a cabeça, mas antes que as duas se distanciasse, Alex se virou e abraçou a morena com força. — Tome cuidado também – sua voz estava embargada, apertando Maggie em seus braços. Alex encarou os outros, soltando-se de Maggie devagar – Todos vocês. Kara concordou com a cabeça, tentando se manter focada no que faria. Elas seguiram e posicionaram-se nos muros, traçando as linhas de sal enquanto Winn escondia-se no jardim. Kara agora estava sozinha. A porta dos fundos, onde entraram e escaparam pela última vez, continuava aberta. Kara respirou fundo e caminhou em passos rápidos, entrando na escuridão do cômodo. Como Maggie havia instruído, foi até um dos armários onde a morena encontrou a última lamparina, e por sorte, havia outra ali. Depois de acender, andou até o corredor, encontrando a porta que ainda continuava fechada, e a linha de sal que a Madame Prescott havia deixado. Kara ainda tinha esperanças de que o demônio estivesse trancado no sótão, e que não tivesse sido o culpado pela morte da família Brown. Abriu a porta com um pouco de dificuldade, seu corpo tensionando quando a mesma rangeu alto, o som ecoando por toda casa. Ao chegar à sala de estar, encarou as escadas m*l iluminadas. Não havia ninguém ali. Tomou fôlego e virou-se de costas, deparando-se com um ser atrás de si. Riu de si mesms quando percebeu que era apenas seu próprio reflexo no grande espelho, respirando fundo mais uma vez. O medo estava deixando-a alucinada. Quando se virou para a direita, assustou-se com Lena estática ao seu lado. A menor derrubou a lamparina, soltando um grito de susto se desequilibrando miseravelmente. — Por que se assustou, amour? Pensei que tivesse esperando por mim – a voz rouca destruiu o silêncio. Lena continha um sorriso no rosto, tão frio quanto seus olhos negros, os cabelos penteados e o terno tradicional um tanto amarrotado. Ainda assim estava impecável. Kara perdeu-se nas palavras, o medo deixando-a paralisada dos pés a cabeça. Lembrou de Winn e das garotas. Precisava ser a isca. Tinha de distrair Lena de alguma forma. — Oh, você fica tão deliciosa com essa face confusa – Lena deu um passo em sua direção. — Le-Lena – Kara fechou os olhos, tentando controlar seus dedos trêmulos e todo seu medo interior – E-eu vim... — Sim? – o demônio a incentivou a continuar, o sorriso ainda exuberante em seu rosto. Mas Kara ainda enxergava todo o m*l nos olhos negros, aquilo estava deixando-a apavorada. — Você veio me ver? – perguntou mais firme desta vez – Veio me ver, como eu fui nessas noites em seus sonhos? Nos sonhos deliciosamente quentes que tivemos? Ah, o seu corpo é com toda certeza um convite para o paraíso, monamour. Queria poder desfrutar dele todos os dias. Queria passear com os meus lábios por todas suas curvas, ouvir seus gemidos alucinantes e marcá-lo como meu. Somente meu. Kara estava paralisada. Os sonhos! — Creio que também se lembre deles, pois eu lembro de cada detalhe – ela se aproximou ainda mais, os dedos longos roçando no rosto angelical de Kara, que tremeu ao seu toque – Lembro de beijá-la aqui, e aqui. Lena apontou para seus lábios e pescoço. A menor trancou a respiração quando Lena abaixou até sua orelha, puxando a cintura de Kara para que ficassem com os corpos colados, os lábios da maior roçando tentadoramente no pescoço de Kara, deixando uma mordida em seu lóbulo. — Eu sei por que está aqui – sussurrou, beijando mais uma vez seu pescoço. Kara ficou inebriada pela voz do demônio, até ela completar. — Sei que suas amigas estão do lado de fora – disse risonha – Sei que o garoto está entrando pela cozinha agora, consigo ouvir os batimentos cardíacos dele, querida. Sei também que você é a minha distração, e sei que vou matar um por um e levá-la comigo. Oh, Kara, será um banho de sangue. Por que os trouxe? Por que não veio sozinha? Seus olhos arregalaram-se, o coração parando por alguns segundos quando Lena soltou sua cintura e sorriu maldosa, apontando para a porta ao lado. — Começando pelo jovem padre. Lena desapareceu em segundos, deixando Kara para trás. A de olhos azuis pegou a lamparina, disparando para a cozinha gritando por Winn. — Winn! Winn! – Kara gritou, o coração afundando dentro do peito quando não encontrou o garoto em parte alguma do cômodo – Winn!! Pelo amor de Deus! Kara virou-se vendo o moreno entrar correndo na cozinha, com sua garrafa de água benta em mãos. — Você está bem?! – o moreno gritou, aproximando-se de Kara – Eu estava escondido e... — Não! – Kara gritou, olhando para todos os lados como uma alucinada em busca de algum sinal do demônio – E-ela sabe! Ela sabe que estamos aqui e sabe o que vamos fazer! Kara respirava com dificuldade, curvando-se para tossir. — Onde estão as outras – a voz saiu com dificuldade, o peito doía como nunca. — Kara – Winn segurou o ombro da garota, ajudando-a a se estabilizar – Onde está o demônio? A garota não fazia ideia. Precisava encontrar suas amigas primeiro. Precisava encontrá-las antes de Lena. CONTINUA...
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