Um silêncio instalou-se, todos buscando respostas que cada vez faziam menos sentido.
— E se conversássemos com o padre? – Kara deu a ideia, suspirando – Se Lena é realmente um demônio agora, só ele pode fazer com que... Com que isso acabe.
O coração de Kara estava em pedaços desde que saíram da mansão e se dirigiram à casa de Alex. Lena poderia ter a matado se Madame Prescott não a tivesse resgatado a tempo. Como tudo havia chegado a esse ponto? Dias atrás estavam trocando palavras de amor e agora quase morreu pelas mesmas mãos que a deixavam segura.
Kara estava mais do que segurando suas lágrimas. Queria poder chorar no peito de Lena como sempre fazia quando sentia-se perdida e ter as mãos da mais velha acariciando suas costas, dizendo que tudo ficaria bem.
— E se o padre não acreditar na nossa palavra? Eu entenderia, até porque eu mesma só acreditei quando vi corvos se chocarem contra paredes e uma das minhas melhores amigas gritar comigo como se eu fosse o próprio d***o – Maggie bufou, levando um tapa de Cat.
— Sem piadinhas, Maggie – a loira repreendeu, encarando a aparência abatida de Kara – Eu posso ir com você à igreja, nós podemos convencer o padre de que nossa história é verdadeira. Até porque essas mortes no vilarejo ainda estão sem explicações.
— Eu também vou – Alex se levantou, bebendo o resto do seu café amargo – Nós precisamos ficar juntas se quisermos achar uma saída para tudo isso.
Todas se viraram para Maggie, que revirou os olhos.
— Eu não abandonaria vocês nem em um milhão de anos – se levantou – Vamos logo de uma vez.
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No caminho encontraram-se com Caitlin e Samantha, conversando baixinho e olhando curiosas para a irmã e suas amigas. Kara percebeu que as irmãs estavam tão abaladas quanto elas, com olheiras fundas e suspiros cansados. Encontrar um homem morto em frente a sua casa não era algo agradável.
— A mamãe está preocupada com você – Cait disse, abraçando a irmã brevemente – Onde estava?
Kara apontou para Alex. Ela concordou, suspirando novamente. As suas garotas carregavam cestas com que pareciam ser velas já usadas, e os véus na cabeça indicavam que acabavam de voltar da igreja.
— Estavam na missa? – Kara perguntou, vendo Cait chutar a neve das calçadas, perdida em seus próprios pensamentos.
— Não, o padre J'onn não está lá, foi visitar Central City antes que a matança em nosso vilarejo começasse, aposto que não foi avisado sobre o horror que estamos vivenciando – Samantha disse, arrumando o véu em seu ombro.
— Nós íamos hm... Falar com ele – Alex disse nervosa, sabia que não deveria contar nada sobre a madrugada conturbada – Mas se ele não está lá, será uma viagem perdida.
— Talvez ele chegue amanhã – as garotas já voltando a caminhar, acenando para Kara e suas amigas.
— Ótimo, o que iremos fazer agora? – Maggie perguntou emburrada, e o bocejo de Cat foi a resposta para sua pergunta.
— Acho que algumas horas de sono serão necessárias para enfrentarmos o amanhã – Alex disse, já dando meia volta. Kara pensou em contestar, mas ao abrir a boca um bocejo também escapou – Vamos para minha casa, tem colchões suficientes para todas.
— Eu realmente acho melhor voltar para casa, minha mãe deve estar preocupada – Kara bocejou novamente – Por favor, amanhã cedo iremos até a igreja, precisamos de ajuda.
As garotas concordaram.
— Fique bem, Kaa! – Cat acenou, correndo junto às meninas e desaparecendo ao virar a esquina.
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O corpo de Kara estava quente. Algo delicioso passeava por todo seu pescoço em direção ao seu peito, deixando beijos molhados e mordidas que faziam seu corpo entrar em combustão. Ainda de olhos fechados, apertou os cabelos macios com seus dedos, gemendo em alto e bom som quando a boca foi em direção aos seus m*****s, sugando com desejo e levando Kara à loucura.
Mordeu os lábios tentando entender todas as sensações presentes em seu corpo, mas engasgou com um grito quando sentiu mãos fortes apertarem sua cintura, os beijos descendo cada vez mais, o seu corpo contorcia-se por inteiro. O desejo a consumia completamente, estava desnorteada por tanto prazer.
Os cabelos em seus dedos escorregaram quando apertou com firmeza os ombros fortes acima de seu corpo, arranhando até o fim das costas e ouvindo aquele gemido rouco em seu ouvido, a fazendo delirar cada vez mais. Sentiu o máximo de prazer quando finalmente foi preenchida, seu corpo se movendo aos movimentos que ela fazia. Os gemidos esganiçados, os lábios entreabertos sendo sugados cada vez mais interrompendo os gemidos e gritos de pura luxúria. Sentia-se inteira, completa. Queria mais e mais...
— Você é o meu melhor pecado, mon amour – gemeu ao ouvir palavras tão doces e quentes em seu ouvido, sentindo os movimentos se intensificarem, o corpo nu acima do seu causar mais atrito, deixá-la perdida com tanto prazer e completamente fora de si. Suas mãos foram em busca dos cabelos macios, puxando-os com força, implorando por mais.
— Venha para mim, amour, torne-se minha para sempre... – Kara explodiu em prazer, os corpos suados e beijos deliciosos sendo depositados em seu pescoço – Seja minha, complete-me.
Kara acordou ofegante, os olhos perdidos notando que havia dormido no sofá de sua sala. Do lado de fora da cortina já era noite, talvez madrugada. Pela janela percebeu que uma grande tempestade caia desenfreada, fazendo barulho contra as janelas da sala e deixando Kara ainda mais perdida. Passou as mãos pelos seus cabelos suados tentando raciocinar um pouco.
O que acabara de acontecer? Tivera mesmo um sonho tão pervertido com Lena?
— Merda – xingou baixinho, deitando-se de novo e ignorando sua calcinha ridiculamente encharcada e sua sensação de necessidade enorme em seu ventre – Co-como pôde parecer tão... Real.
Negou com a cabeça, limpando o suor e se remexendo no sofá, procurando voltar a dormir. Mas foi uma tarefa realmente muito difícil.
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— Você está bem? – Maggie perguntou quando já saiam da pequena casa de Kara. O dia estava péssimo, Alex e Cat seguravam dois grandes guarda-chuvas enquanto a garota de olhos azuis se apressava para fechar todos os botões de seu grosso casaco.
— Eu estou – mentiu. Não contaria sobre o sonho que deixou-a perturbada por toda noite. Maggie deu de ombros, seguindo embaixo do guarda-chuva com Cat em direção a igreja. Diferente da rotina do pequeno vilarejo, tudo parecia completamente morto e triste. Não por culpa da chuva, pelo contrário, em dias como estes as crianças estariam se divertindo nas poças de água, teria uma grande movimentação na mercearia e as mulheres estariam correndo apressadas para tirar a roupa do varal.
Mas hoje, as roupas ainda estavam estendidas. A mercearia estava fechada e as ruas vazias. O vilarejo parecia temer a própria sombra depois do que acontecera com a família Luthor e o senhor Justin.
— Parece que estamos em uma cidade fantasma – Cat observou as casas fechadas, se encolhendo mais para dentro do guarda-chuva.
— Todos estão apavorados, os meus pais nem sequer pensaram em abrir a confeitaria, ontem não teve movimento algum, provavelmente desistiram de hoje – Alex suspirou.
Chegaram em frente a igreja. Não era um local muito grande, havia bancos de madeira, uma cor desbotada que lembrava bege, e muitas velas pela morte da mãe de Lena. Lillian, por mais arrogante e granfina que fosse, era conhecida por todo vilarejo. Comprava muitos vestidos e ajudava Eliza com a renda da família. Sempre elogiava os perfumes da vendedora que morava atrás da casa dos Sawyer, e dava uma grande gorjeta para o carteiro. No final, era vista como uma boa mãe e esposa.
Algumas velas estavam sendo reacesas quando fecharam seus guarda-chuvas, um garoto baixo e de cabelos escuros acendia novamente uma por uma e em seguida fazia o sinal da cruz.
Maggie limpou a garganta, chamando a atenção do garoto.
— Oi, nós queríamos falar com o padre J'onn J'onzz.
O garoto se aproximou. Vestia-se exatamente como o padre, mas a batina era simples e de cor preta. Parecia muito novo, e Kara foi quem esticou a mão para cumprimentá-lo.
— Oi – o garoto apertou a mão de Kara, com um sorriso pequeno – O padre J'onn só volta semana que vem, está em uma missão em Central City. Tentei avisá-lo sobre os acontecimentos no vilarejo, mas ele parece não ter recebido nenhuma das minhas cartas.
Kara entristeceu-se.
— Mas... – Maggie deu um passo à frente, puxando a mão do garoto para que também se cumprimentassem – Você poderia nos ajudar?
— Maggie... – Alex a alertou, mas Maggie ergueu uma das sobrancelhas.
— Ele faz parte da igreja, ele pode nos ajudar – Maggie sussurrou, deixando o garoto ainda mais confuso – Olha... Como é seu nome mesmo? Acho que precisamos que tenha a mente aberta e que nos escute.
— Eu sou Winn, Winn Schott – coçou a cabeça, parecendo um pouco preocupado – Olha, eu sou apenas um aprendiz, não sei se posso realmente ajudá-las.
Kara sabia muito bem que não teriam outra escolha, não poderiam simplesmente esperar a volta do padre J'onn. E se levasse mais tempo para sua volta do que estava previsto?
Lena precisava de ajuda agora.
— Você sabe o que aconteceu com a família Luthor, não sabe? – Kara perguntou receosa, vendo Winn concordar – Nós sabemos o que realmente aconteceu, e precisávamos da ajuda do padre porque... Porque vocês sabem como resolver esse... Esse tipo de problema.
— Ah – Winn mordeu os lábios, parecia ter a mesma idade que as garotas, um verdadeiro novato na vida religiosa – Não sei como posso... Eu só estou cuidando da igreja.
— Mas você pode tentar – Kara insistiu, o coração se espremendo dentro do peito – Olha, você é nossa única chance de conseguirmos nossa amiga de volta. Lena.
Os olhos do garoto baixo se arregalaram.
— Vocês sabem onde a jovem Luthor está?! – gritou, e foi rapidamente calado por Maggie, que negava com a cabeça observando se não havia mais ninguém naquele local. Estavam sozinhos.
— É complicado, a nossa amiga, ela... Ela virou um demônio – Maggie disse de uma vez, assustando até mesmo Cat que reclamou por contar de uma forma tão brusca – Nós não temos tempo, Cat. Lena pode acabar matando...
— Ela não vai matar ninguém! – Kara esbravejou, e acabaram em um silêncio desconfortável.
— Certo, certo – Winn limpou a garganta, parecendo segurar uma risada nervosa – Estão me dizendo que Lena Luthor se tornou um demônio?
— Ela provavelmente foi a causadora de todos os desastres – Maggie disse, olhando para Kara – Você sabe disso, Kaa, só não consegue aceitar. Eu entendo você, mas precisa enxergar que aquele ser não é mais nossa amiga de dias atrás. Ela quase nos matou, lembra? Ela iria te matar!
Kara negou com a cabeça, um nó se formava em sua garganta.
— Eu sei algumas coisas sobre, hm... Demônios, sobre esses seres – Winn disse um pouco incerto – E posso tentar ajudá-las. Na verdade, não seria correto eu negar ajuda a vocês. Se a garota for realmente um demônio, nós todos estamos em perigo.
Kara sentia-se finalmente aliviada. As esperanças para salvar Lena agora eram bem maiores.
— Acha que estamos seguros? Digo, a Lena ficou na mansão – Alex disse, parecendo exausta.
— Estamos, bem... Acredito que estamos, já que a Madame Prescott espalhou todo aquele sal pela casa – Maggie disse e as garotas concordaram, mas Winn negou com a cabeça.
— Nas janelas também? – perguntou. Kara sentiu o coração bater ainda mais forte. Não! Ela não se lembrava da mulher fazer uma linha de sal nas janelas da casa. Talvez nas janelas da sala, ela não sabia, mas com certeza não havia nem se aproximado da janela do sótão.
— Merda... – Kara lamuriou, desesperada.
— Fiquem calmas, ela cercou todo o portão não foi? – Maggie respirou fundo, mas Winn negou ainda mais decidido.
— Com toda essa chuva? Acham mesmo que com essa tempestade a linha de sal ainda vai estar lá?
Cada par de olhos ali se arregalaram. A chuva!
— Nós precisamos de um plano, e bem rápido, se Lena agora pode andar livremente pelo vilarejo, temos que detê-la antes que...
— Antes que ela faça mais uma vítima – Maggie completou.
Uma mulher entrou na igreja, acenou para Winn enquanto Kara encarava as diversas velas acesas. Lena estava livre, e tudo o que conseguia lembrar era do sonho da noite passada. Winn voltou depois de alguns minutos, segurando uma bíblia e cochichando para que apenas as garotas a ouvissem.
— Tem algum lugar onde possamos conversar sem sermos vistos? Eu só posso fechar a igreja depois das seis, e muitas pessoas entram e saem o dia todo – explicou, acenando para a mulher que o esperava.
—O lago, com essa chuva ninguém iria lá – Cat deu a ideia, já que ir para a casa de qualquer uma das garotas depois das seis seria impossível graças aos seus pais – Se a chuva tiver parado, podemos nos encontrar lá.
Alex e Kara se entreolharam. Fazia anos que não se encontravam naquele local.
— E tem aquela pequena cabana, vai servir – Maggie concordou, e Winn acenou para as garotas antes de sair.
— O lago – Kara negou – Não sei se é uma boa ideia.
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Como combinado, às seis horas as garotas esperavam Winn em frente a igreja. A chuva agora era apenas um chuvisco gelado, mas descartaram os guarda-chuvas para não chamar tanta atenção na ida até a floresta. Cat conversou com Winn pelo caminho todo, enquanto as outras estavam mergulhadas em seus pensamentos, Kara principalmente, não conseguia parar de imaginar onde Lena estaria naquele momento. Se ela realmente conseguira sair da mansão ou talvez se estivesse ali... as observando.
Seu corpo todo estremeceu. Os olhos azuis assustados procurando por todos os lados algum movimento suspeito. Nada.
— A cabana fica do outro lado do lago – Cat mostrou para Winn, então se assustou chamando as outras garotas – Vejam, tem uma luz.
Kara esqueceu-se de suas paranoias e seguiu até onde Cat apontava. Uma pequena luz brilhava dentro da cabana.
— Pelo jeito já tomaram nosso lugar – Maggie suspirou – Vamos ficar por aqui, não quero descobrir quem é o novo morador.
Sentaram-se em uma das únicas raízes secas da grande árvore. Winn agora estava sem a batina, vestido com uma calça preta e um grosso casaco verde musgo.
— Acho que vocês sabem o que é um exorcismo, certo? – Winn perguntou baixo, fazendo com que todas ali concordassem – Em todo caso, o exorcismo servirá para expulsar o demônio do corpo de Lena, não é tão complexo quanto parece... Vejam.
Winn tirou de um dos bolsos do casaco uma folha m*l dobrada, parecia ter sido arrancada de dentro de um livro velho. Abriu rapidamente, apontando para as palavras que Kara rapidamente reconheceu.
— É latim – ela disse.
— Sim – Winn respirou fundo – Eu preciso ler isso para... Para o demônio.
— Bom, parece simples – Maggie deu de ombros, ganhando novamente um tapa na cabeça por Cat.
— Simples? Pra começar, Lena quis matar todas nós da última vez que a vimos. Sem falar que acha mesmo que o demônio vai deixar Winn exorcizá-lo? Claro, vamos chamá-lo para o chá e ler essas palavras em Latim, ele vai vir sem dúvidas...
— Tá, tá – Maggie disse emburrada – Eu já entendi. Só estava imaginando que seria necessário sei lá... Uma virgem, sacrificar um bode...
— Que livros você anda lendo? – Winn perguntou, mas um barulho de madeira chamou a atenção das garotas.
Do outro lado do lago havia um homem, ele caminhou com o que parecia ser um grande facão em mãos até o lago, lavando a ferramenta rapidamente. Estava escurecendo por já passar das seis horas, mas era impossível não notar que aquele facão estava sujo de sangue.
— Shhh – Maggie sussurrou, o homem ainda não havia notado os mesmos escondidos atrás das grandes raízes, agora um pouco abaixados para realmente não serem vistos – Quem é?
— Não faço ideia – Alex sussurrou de volta. O homem tinha uma barba rala, seus trajes lembravam muito os de um caçador – Talvez o sangue seja de algum animal que matou para o jantar.
— Eu nunca o vi no vilarejo – Kara sentiu um nó na garganta, vendo o homem voltar para dentro da pequena cabana.
Cat respirou fundo, abanando as mãos para espantar os mosquitos que já apareciam.
—Eu tenho um plano – disse um pouco confiante – Não é dos melhores, mas é a única forma que poderemos entrar na mansão e ler isso para a Lena. Quer dizer, para o Winn ler.
Kara concordou, assim como todos ali presentes.
— Fale logo, Cat – Maggie disse impaciente, sentando-se nas folhas molhadas e não se importando com suas calças – Tenho certeza que não é um plano tão r**m.
— Okay – Cat respirou fundo – Kara, você precisa ser a nossa isca.
— Retiro o que disse, é péssimo.
— Shhh – Cat tampou a boca de Maggie – Você sabe muito bem que tem uma ligação com Lena, Kaa, se distraí-la nós podemos entrar na mansão.
Kara negou com a cabeça. Ser uma isca? Depois que Lena quase a matou no dia anterior? Aquele era um péssimo plano.
— Exatamente. Eu tenho uma ligação com Lena, não com o demônio.
Todos ficaram quietos, até Alex quebrar o silêncio.
— Nós entraremos rápido, Kara – disse com a voz falha – Eu também acho esse plano terrível, mas é o único que temos. Você quer a Lena de volta não quer?
Kara queria gritar em frustração. É claro que queria! Era o que mais desejava em todo mundo! Mas estava com medo, apavorada para dizer a verdade, e se Lena tentasse a matar? Não teria Madame Prescott e seus cães esqueléticos para a ajudar dessa vez. Estavam se arriscando demais.
'Mas era Lena', seu subconsciente gritava.
Kara olhou para cada um dos rostos ao seu redor, concordando com a cabeça tentando transmitir coragem.
— Mas nós levaremos todo o sal que encontrarmos – disse falhamente, piscando seus olhos azuis.
— E água benta – Winn interviu.
Ouviram um som do outro lado do rio. O homem segurava uma pequena lebre morta pelas duas patas traseiras.
— Eu não disse – Alex apontou para o animal distante na mão do homem – Vamos embora preparar tudo, e elaborar melhor esse plano.
Na viagem de volta, Kara sentiu-se incomodada, como se estivessem sendo observados.
Ao chegarem ao vilarejo, ouviram uma grande gritaria na segunda rua. Correram o mais rápido que suas pernas permitiam, se deparando com um alvoroço de pessoas em círculo, mulheres gritando e homens discutindo.
Haviam também corpos cobertos por lençóis brancos no chão.
Completamente manchados de sangue.
CONTINUA...