3 - A confissão

3658 Palavras
Seis longos meses se passaram depois do episódio no sótão. Kara até tentou conversar com Lena, perguntar a amiga o que havia acontecido naquele dia, mas Lena não fazia a mínima ideia do que ela estava falando. Estava confusa, lembrava-se apenas de contar até cem e encontrar Kara no sótão. As lembranças daquele dia eram bem bagunçadas em sua mente, mas tinha toda certeza de que foi apenas isso que havia acontecido. Kara ainda questionava-se. Lena jamais havia sido agressiva com a garota, pelo contrário, a protegia com garras e dentes e NUNCA a machucaria. Acreditava nisso pela sua vida. Tentou procurar em livros algumas explicações, mas nada lhe parecia fazer sentido. Então, resolveu esquecer de uma vez aquele dia. Era um sábado de manhã quando ouviu sua mãe acordá-la. Foi obrigada a fazer suas obrigações diárias, e uma delas era buscar leite na fazenda ao lado. Kara odiava o fato da grama molhada fazer seus sapatos ficarem em pior estado do que já estavam, queria pedir à mãe outros pares, mas sabia que não tinham condições no momento. — Um dia irei ficar tão rica que comprarei sapatos para todo mundo – murmurou a si mesma, estava empolgada que faltava apenas cinco meses para seu aniversário de dezesseis anos, então ficaria com a mesma idade que Cat e Alex. Odiava esses meses de diferença que a fazia mais nova. Também, sua mãe resolveu parir bem na véspera de natal. Não havia nada mais sem graça do que receber apenas um presente por culpa da data muito próxima. Deixou de reclamar quando finalmente comprou o leite, voltando para casa pensativa e tristonha pela chuva começar a cair. Todos haviam combinado de se encontrarem atrás dos estábulos da mansão Luthor. Lena dizia que seus pais nunca iam lá, e era um bom esconderijo para Kara não ter que fazer tantas tarefas em casa. — Você demorou – Alura disse, passando a mão pelos cabelos um pouco úmidos da filha – Vá se secar antes que acabe pegando um resfriado. Kara concordou, sorrindo para Samantha e Caitlin, que apressaram suas duas irmãs gêmeas mais novas, Liv e Maddie, para o café. — Mamãe, Cait estava falando com o carteiro de novo – Liv contou, e todos na mesa do café olharam diretamente para Alura. Kara principalmente, estava cansada desse mesmo assunto. — O que eu disse a você, Caitlin? – a mãe disse brusca – É para você se arrumar para pessoas da alta sociedade, não para um carteiro pobre. Nós estamos na ruína, a minha única compradora é a senhora Luthor. Por que não joga seu charme em Lena? Kara engasgou-se com o pedaço de pão. — Com o Le-Lena? – Kara acaba gaguejando. Não imaginava uma de suas irmãs com a amiga, não que elas não fossem belas e respeitáveis, apenas nunca havia passado pela sua cabeça essa hipótese. E aquele sentimento esquisito aflorou em seu peito novamente. A última vez que isso havia acontecido fora mês passado, quando Kara e Lena foram comprar mais iscas para Maggie na pequena mercearia do vilarejo. A moça ruiva que cuidava do caixa e era filha do dono, aproveitou o descuido do pai com outro cliente e deu um bilhete bem dobrado para Lena. Kara não era tão ingênua, sabia que a moça como muitas daquele lugar caíam nas graças de Lena. Porém, Lena não pareceu se importar com aquilo, descartando o bilhete na primeira poça d'água que viu, puxando Kara pela mão para que corressem em direção a Maggie. Kara havia se sentindo extremamente feliz sem nenhum motivo aparente. — Não acha, Kaa? – a mãe perguntou, tirando a menor de seus devaneios – Lena seria um bom partido, poderia conversar com ela? Kara pensou em dizer não, mas teria de explicar o motivo para sua mãe do porquê não querer ajudar Caitlin. Resolveu apenas confirmar com a cabeça. — Ótimo, eu tenho que ir para loja – levantou-se, deixando um beijo em cada uma das gêmeas – Sammy você vem comigo, Cait fique com as garotas. Kara suspirou, olhando para a janela enquanto a chuva aumentava cada vez mais. — Não! – Caitlin gritou rapidamente, ao ver que a mãe abriu o guarda-chuva dentro de casa – Isso atrai coisas ruins. — Isso o quê? – Kara perguntou confusa, vendo a irmã mais velha apontar para o guarda-chuva. — Pare de bobagens e terminem o café, volto antes do jantar. Caitlin bufou e afundou-se na cadeira, apontando para Liv. — Você me paga – disse irritada, e Kara tentou apaziguar a situação. Liv era só uma criança, provavelmente Alura havia pedido para que a menina ficasse de olho. — Daqui a pouco a mamãe deixa essa história para lá – Kara deu de ombros, mordendo o canto dos lábios. Será que as garotas se reuniram atrás do celeiro mesmo com essa chuva? Ficaria o dia todo entediada já que não tinha outro lugar para ir ao não ser encontrar suas amigas. Estava decidida, iria até lá, na certa Maggie e Alex estariam lá há horas vendo os cavalos. Maggie adorava cavalos, e Alex adorava Maggie. Cat provavelmente chegaria atrasada, a loira de olhos marrom dormia demais e sempre se atrasa, ganhando várias e várias broncas de Maggie que dizia que se deve ser sempre pontual. — Hey, vai sair nessa chuva? Nem sequer terminou o seu chá! – Caitlin reclamou – E a mamãe ficará furiosa em saber que saiu nessa tempestade. Kara pensou por um momento. Sabia do amor que Cait sentia por Barry, o garoto que entrega os jornais e cartas. Cait ficaria ainda mais furiosa se Kara fizesse o que sua mãe havia pedido e conversasse com Lena sobre namorar sua irmã. Não que ela fosse mesmo falar, mas usaria isso a seu favor. — Não conversarei com Lena e ainda convenço a Liv a te deixar em paz – disse tudo de uma só vez, torcendo para que a irmã concordasse com o trato. — Okay, mas por favor, tome muito cuidado – pediu, seria completamente sua culpa se algo acontecesse com Kara. Kara agradeceu diversas vezes antes de correr até seu quarto, o qual dividia com Caitlin e Sammy, e pegou seu casaco. Não se importou com a chuva que caía, corria apressado até a mansão dos Luthor, que ficava a algumas esquinas de sua casa. Logo após passar pela casa da madame Prescott, deu a volta por toda a mansão bem de mansinho, chegando finalmente aos estábulos. Estava escuro pela quantidade de nuvens, e Kara às vezes se perguntava porque chovia tanto naquele lugar. Abriu as portas do estábulo com rapidez, tentando fugir da chuva o mais rápido possível. Não havia nenhum sinal de suas amigas, nem mesmo Maggie que sempre era pontual. Depois de dez minutos sentada em um amontoado de feno, se sentiu uma i****a por ter acreditado que alguém apareceria naquela chuva. Agora estava com frio naquele casaco molhado e incomodada com o feno grudando em suas roupas. Então ouviu um estrondo, a porta do outro lado do estábulo foi aberta com muita força, fazendo com que uma grande ventania e chuva entrassem, assustando a maioria dos cavalos. Kara levantou-se em um pulo quando um relâmpago iluminou o céu, assustada pelas portas batendo por conta do vento. Os cavalos da direita pareciam ainda mais agitados, pulando assustados e relinchando por conta do medo. Os trovões faziam cada pelo do corpo de Kara se arrepiar, e o barulho da chuva entrando cada vez mais no estábulo estava deixando-a trêmula. Tentou controlar a respiração. 'É só o vento', pensou. Desejava ir embora agora mesmo, mas como sair nessa chuva que parecia aumentar a cada segundo? Queria ir até a outra porta e fechá-la, mas iria molhar-se mais ainda. Passos foram ouvidos, Kara virou-se rapidamente, o coração batia com força contra o peito. Talvez fossem apenas os cavalos, ou o vento, mas a garota continuou a observar todo o local com cuidado. — Quem está aí? – perguntou firme, chegando a se assustar por sua voz não ter falhado. Olhou novamente para a outra porta aberta, apertando-se mais ao seu casaco e arrumando a franja molhada que caia em sua testa. Até que algo tampa sua boca com força, Kara arregala os olhos assustada e tenta virar-se, tentando se sacudir com para se livrar das mãos apertadas. Seu coração praticamente sairia pela boca, até que escutasse a voz rouca de Lena. — Oi! – Lena disse animada, fazendo a garota menor suspirar aliviada. Kara tirou as mãos de Lena de sua boca, virando-se e cruzando os braços irritada. Não gostava nada desse tipo de brincadeiras, e depois do susto no sótão, não gostava nada desse tipo de brincadeiras com Lena. — O que? – Lena perguntou, rindo baixinho – Você ficou brava por que eu te assustei? Kara continuou com a carranca, virou-se para não ter que encarar Lena. Luthor, por sua vez, deu a volta, parando de frente para a menor e abaixando-se até que conseguisse encostar os lábios nas bochechas coradas de Kara. — Pare, Lena – Kara empurrou a face da amiga, que continua sorridente. Kara não admitiria para ninguém, mas adorava a forma diferente como Lena a tratava. Nem ela mesma entendia, mas estava ciente de que aquilo não era comum. Os abraços apertados demais, os beijos na bochechas e caminhar de mãos dadas. Cresceram praticamente juntas, talvez fosse isso. — Eu não quis te deixar com tanto medo – Lena passou as mãos pelos cabelos também molhados – Me desculpe? Kara desfez a face irritada, assentindo enquanto Lena se apressava em abraçar a garota com força. — Ai! – Kara riu, tentando abraçar Lena no mesmo ritmo – Você está toda molhada, Huff! — Eu tive que escapar da minha mãe, ela queria que eu ajudasse a escolher novos perfumes – disse, respirando o cheiro agradável de Kara. Kara se desvencilhou dos braços da maior, ainda mais molhada do que antes. Admirou como Lena estava bonita naquela manhã, mesmo que molhada. Achava Lena a pessoa mais bonita do vilarejo todo. Não! De National City toda! Ah, Lena era simplesmente muito bonita aos olhos de Kara. — Acho que as outras não virão – Lena disse, despertando Kara de seus pensamentos – Nós vamos ficar aqui? Sem fazer nada. Kara deu de ombros, era o que iria fazer até a chuva passar e poder ir embora. — Bom, eu não sei – suspirou, aproximando-se de Lena para tentar se aquecer um pouco. Estava realmente muito frio, e a porta aberta do estábulo não estava ajudando em absolutamente nada. — Hey, quer ir para dentro? – Lena perguntou, e Kara arregalou os olhos. Havia acabado de dizer que a senhora Luthor estava em casa, ela jamais admitiria a garota a essa hora do dia e ainda por cima toda molhada e m*l arrumada em sua casa. — Não, acho melhor eu voltar para casa... – Kara disse pensativa, mas Lena segurou em seu pulso. — Minha mãe está no andar de baixo com a vendedora de perfumes, da última vez, ela ficou mais de três horas já que a vendedora de perfumes também vende jóias, e por conta dessa chuva, dúvido que ela irá dispensar a mulher tão cedo – Lena contestou, abrindo um sorriso de covinhas e fez a menor suspirar involuntariamente. — Mas e se ela ou seu pai me pegar? – Kara pensou por um instante, queria ficar com Lena nesse dia chato e chuvoso, mas estava com medo. — Meu pai viajou ontem à noite a negócios, vamos entrar pela porta da cozinha e Joanne não vai dizer nada. Ah! E os saltos da minha mãe são tão altos que vamos escutá-la subindo as escadas até da lua! Kara riu baixinho, Lena era ótima para fazê-la se sentir segura. —Tudo bem – Kara concordou, estendendo a mão para Lena, que já a guiava para a chuva novamente. ◆ ▬▬▬▬▬ ❴✪❵ ▬▬▬▬▬ ◆ — Tem certeza de que não quer comer nada? – Lena perguntou, não queria que a de olhos azuis sentisse fome ou algo do tipo. Kara negou envergonhada, e Joanne sorriu consoladora. — Vou estar aqui embaixo, e não se esqueça, eu não vi nada, Lena! – disse sorridente, voltando para a dispensa onde arrumava os alimentos. — Vem – Lena pegou a mão de Kara mais uma vez, não conseguia explicar como amava tocá-la, e desde que acordou de manhãzinha, sentia uma saudade avassaladora dentro do peito. Queria ver Kara, queria abraçá-la e fazê-la corar como de costume. Lena não entendia aquele turbilhão de sentimentos em seu peito. Passaram rapidamente pela porta onde a Sra. Luthor e a vendedora estavam, e Lena soltou um risinho baixo pela façanha, ganhando um olhar irritado de Kara. — Fique tranquila – Lena a assegurou, apertando sua mão para passar confiança – Só falta as escadas. Subiram as escadas o mais rápido e silencioso possível, o que era bem difícil, já que a madeira insistia em ranger a cada passo que as duas amigas davam em direção ao quarto. Finalmente, quando Lena fechou a porta e a chaveou, Kara deixou-se respirar. — Viu, somos duas foras da lei! – Lena fez cócegas na barriga de Kara, fazendo com que a garota cobrisse os lábios para rir baixo. — Pare com isso! – riu baixinho, tentando tirar as mãos de Lena de sua barriga, mas Lena parou de imediato quando um espirro foi ouvido. Estavam molhadas e era óbvio que acabariam se resfriando. — Venha aqui – Lena puxou Kara pelo pulso, caminhando até o banheiro de seu quarto e pegando uma das finas toalhas para a garota – Pode se secar, eu vou ver se tenho alguma roupa que te sirva. — Mas Lena... — Nada de 'mas Lena', eu não quero que você fique doente – disse, e Kara bufou concordando. Mesmo que um dos sonhos mais sujos de Lena fosse ver a garota de olhos azuis completamente nua, ainda assim fechou a porta e encaminhou-se para seu grande guarda-roupa. Era difícil encontrar algo que servisse corretamente em Kara naquele guarda-roupa, Lena era bem maior e suas calças ficariam muito largas. Achou umas roupas antigas guardadas no fundo do guarda-roupa, aquelas que ganhava em aniversários passados e nem sequer dava tempo de usá-las já que a puberdade fazia seu corpo crescer e crescer... Pegou uma calça escura e uma blusa de botões brancos, indo em direção ao banheiro. — Sua calcinha também está molhada? – Lena perguntou, rindo baixinho e tendo a certeza de que Kara estava corando pela pergunta indiscreta. — Nã-não – acabou gaguejando – Me dá a roupa logo! Lena esperou que a garota abrisse a porta para dar as vestes em sua mão. Até tentou ver alguma coisa, mas Kara estava bem escondida atrás da porta. Aproveitou o tempo que Kara estava no banheiro para secar seu corpo e trocar de roupa rapidamente, e quando estava começando a abotoar a camisa viu a porta do banheiro se abrir. Ainda que a blusa que Lena havia dado fosse menor que as suas diárias, pareciam grandes nos ombros miúdos de Kara, e as calças, enroladas desajeitadamente por conta do comprimento, faziam Kara parecer menor do que já era. — Eu estou ridícula – Kara bufou, estava descalça e Lena se apressou em entregar-lhe um par de meias listradas – Meias? Obrigado. — Eu estou congelando – Lena bufou, sentando na cama e vendo Kara vestir as meias que havia dado. Kara sentou-se ao seu lado, admirando o quarto luxuoso de Lena. A menor tinha de dividir seu quarto com as duas irmãs mais velhas, e o seu não tinha nem metade do tamanho. — Eu também estou com muito frio – Kara assoprou as próprias mãos. Lena levantou-se e deitou de uma vez em sua cama, se esgueirando para baixo dos cobertores. Kara riu pela ação da amiga. — Junte-se a mim nessa missão de aquecer dedos dos pés congelados! – Lena disse sorridente, fazendo Kara engatinhar na cama e se esgueirar para baixo dos cobertores. Lena admirou a face calma de Kara, que tinha os olhos fechados e um sorriso doce no rosto. — Sua cama é tão, mas tão confortável – Kara disse, praticamente ronronando. Lena virou-se de frente para a garota, rindo baixinho ao ver que o rosto de Kara afundou-se no travesseiro. A mais velha vinha pensando em dizer algo a Kara, não sabia muito bem o que era esse 'algo', mas sabia que deveria dizer alguma coisa. Nutria um sentimento muito grande pela garota, e precisava descobrir se era recíproco. Precisava saber se essas borboletas esquisitas no estômago também apareciam em Kara, ou se o coração batia tão forte quando estavam de mãos dadas que precisava de alguns segundos para respirar fundo. Queria saber se Kara também se sentia atraída por ela, se também a desejava e se trocarem um beijo também era o seu sonho. Lena queria ter Kara, faria qualquer coisa por ela. Daria sua própria vida se fosse necessário. — Eu gosto mais da chuva quando tenho cobertores quentinhos e uma cama confortável – Kara cochichou para Lena, seus rostos estavam próximos, deixando claro para Lena que Kara havia tomado chá de camomila antes de sair. Lena sorriu boba, vendo os olhos ainda fechados de Kara e as bochechas vermelhas se esfregando contra o travesseiro e o cobertor. — Kara – cochichou, se não dissesse alguma coisa provavelmente teria um ataque cardíaco. Respirou fundo quando viu suas pálpebras abrindo, e duas orbes azuis encantadoras a encarando. Lena tirou uma das mãos do cobertor, levando até o rosto de Kara e acariciando levemente. Sentiu uma vontade enorme de tocar os lábios da garota com os seus, o calor que os dois corpos exalavam fazia Lena se sentir segura, a proximidade fazia-lhe querer se inclinar e beijar Kara até não conseguir respirar. — Lena – Kara disse em um fio de voz, mordendo o lábio inferior. O coração de Lena estava tão acelerado que poderia ser ouvido se prestassem bastante atenção, e o mesmo podia se dizer de Kara, que começou a sentir as mãos suarem involuntariamente. Lena teria de pedir, ela queria muito tocar aqueles lábios. — Kara, e-eu... – tentou dizer. Respirou fundo, a mão ainda pousando na bochecha da menor, fazendo carícias leves – Eu posso te beijar? A pergunta pairou no ar. Lena sentiu todos os músculos se tensionando quando os olhos de Kara se arregalaram. Tinha estragado tudo? Será que a garota sairia dali correndo e dizendo para nunca mais procurá-la? Lena estava tão nervosa que acabou esquecendo como se respirava por alguns segundos. Alguns minutos ou segundos passaram, a maior nem sequer estava contando mais o tempo, estava observando os lábios de Kara abrirem e fecharem, sem dar uma resposta concreta. É claro que seria um choque, Lena estava se sentindo uma grande i****a por ter abordado Kara assim, tão desprevenida. Talvez estivesse achando que Lena fosse uma louca, ou até mesmo coisa pior. — Me desculpe – Lena disse por fim, desistindo de esperar uma resposta. Abaixou o olhar um tanto envergonhada, agora só pensava no que faria se Kara não quisesse mais vê-la por conta do pedido inconveniente. Mas para sua surpresa, Kara aproximou ainda mais o rosto ao seu, respirando pesadamente e olhando para os lábios da maior. Lena pôde sentir não só borboletas no estômago agora, mas sim todos os tipos de insetos e aves possíveis passeando por seu estômago. Kara apenas assentiu, tão nervosa que nem sequer lembrava-se de como usar a voz. Lena arregalou os olhos, em seguida um sorriso doce apareceu em seus lábios. Kara havia aceitado. Suas faces estavam tão próximas que foi necessário apenas Lena erguer o queixo para que os lábios se tocassem, sentindo a textura dos lábios finos de Kara. Viu os olhos da menor se fecharem devagar, massageando seus lábios nos da garota e finalmente fechando os olhos também, entregando-se ao beijo. Kara entreabriu os lábios, um pouco insegura com o que deveria fazer, deixando Lena aproveitar a oportunidade para colocar sua língua, sentindo a de Kara junto a sua e seu coração bater tão forte por estar finalmente beijando os lábios da garota. Era tão errado, mas tão bom. Se Lena estivesse pecando por beijar outra garota ela realmente não se importava, pois essa garota era Kara. A mais velha deixou alguns selinhos nos lábios agora molhados de Kara, abrindo os olhos devagar para ter certeza de que aquilo não era mais uma de suas fantasias. E sim, Kara estava lá, selando seus lábios preguiçosamente aos de Lena, com sentimentos confusos e embaralhados. — Lena – sussurrou, rindo baixinho quando Lena a interrompeu roubando um pequeno beijo – O que estamos fazendo? — Nos beijando, oras – Lena disse, mas entendia muito bem o que Kara estava perguntando. Infelizmente, também não sabia a resposta para isso. — Eu gosto de você – as palavras escaparam de seus lábios, e Kara encarou os olhos verdes concordando. — Eu também gosto de você. — Não – Lena negou com a cabeça, sentindo algo em seu peito se apertar – Eu gosto muito de você, gosto de verdade. Kara mordeu o lábio inferior, as bochechas coradas e os fios loiros todos bagunçados por culpa do travesseiro. — Eu gosto muito de você – Kara confessou, fechando os olhos por um segundo, então completando – De verdade. Lena nunca sentiu-se tão feliz, as borboletas em seu estômago agora faziam uma grande festa em comemoração. — Eu posso te beijar? – Kara perguntou, sentindo-se envergonhada ao ver que Lena a olhou maliciosa, rindo baixinho e colando seus lábios no da menor rapidamente. Beijou Kara mais uma vez antes de voltar a dizer, esfregando seus narizes fazendo a menor sorrir boba. — Você é a única que pode, Kara. CONTINUA...
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