7 - Os Corvos...

2293 Palavras
Minutos de silêncio e avistaram Maggie e Alex esfregando as mãos na tentativa de aquecê-las. — Nós precisamos ir, não estou afim de congelar aqui – Alex resmungou, olhando torto para Maggie. As duas pareciam ter discutido, mas Kara decidiu deixar para lá. Cat foi quem guiou o grupo até a mansão, alegando que se fossem pegas, ela nunca mais falaria com nenhuma delas. Kara bufou, vendo que a tensão entre Alex e Maggie aumentava cada vez mais. Pensou em perguntar algo, mas foi puxada para trás do grande muro dos Luthor quando avistaram a Madame Prescott e seus dois cachorros esqueléticos entrando de volta para suas casas. — Ela estava na mansão? – Cat cochichou, e Maggie deu de ombros. — Acho que sim. Não podemos demorar, vamos! – Maggie correu até o portão de entrada, sendo seguida pelas outras três amigas – Como ela passou? O cadeado está trancado. — Com a vassoura, tenho certeza que aquela mulher é uma bruxa – Cat chiou, e Alex apenas negou com a cabeça. — Ela pode ter entrado e saído pelos fundos, na área dos empregados. — E se Joanne estiver aí? – Kara perguntou aflita, seu sexto sentido gritava em sua cabeça para que dessem meia volta e fossem para casa. Maggie coçou o queixo em modo de pensamento. — Ela não está, eu já te disse que ela foi visitar a mãe no vilarejo vizinho – bufou – Vamos entrar logo! Kara não gostou nada da grosseria da amiga, mas teve certeza de que todo esse mau humor tinha a ver com Alex. Ela e Cat trocaram um olhar cúmplice, correndo ao lado da escuridão dos muros até os fundos da mansão. — Shh – Maggie empurrou as portas que rangeram. O coração de Kara pareceu diminuir, lembrando-se de dias atrás quando entrou por essa porta e foi recebida por beijos e carinhos de Lena. Secou rapidamente uma lágrima perdida em sua bochecha e ouviu atentamente os comandos de Alex. — Nada de nos separar, okay? – perguntou, tendo todas assentindo no mesmo segundo – Que tal vermos o sótão? Não é lá que tinha o tal cofre? As garotas caminharam pela cozinha até chegarem ao corredor em direção a sala. Estava tudo muito escuro, mas Maggie foi inteligente o bastante para voltar até a cozinha atrás de fósforo para a lamparina que encontraram no caminho até a sala. — Nada de acender luzes ou mais velas, não queremos chamar a atenção de ninguém do lado de fora – sussurrou – Ou de dentro. Kara estremeceu. — Acha que tem alguém aqui? – perguntou nervosa. — Estou rezando para que não – Maggie respondeu, tomando à frente por estar com a lamparina em mãos. A lua já iluminava boa parte da casa graças às janelas abertas, e Cat agarrou-se no braço de Kara com medo de perder-se na enorme mansão. — Estou começando a achar que isso não foi uma boa ideia – a loira cochichou para Kara, que concordou de imediato. — Estão sentindo este cheiro? Parece incenso – Alex coçou o nariz – Odeio incensos. Kara respirou fundo, cheirava a erva-doce. — Por que alguém acenderia um incenso aqui? – Cat perguntou logo que começaram a subir as escadas, os rangidos tornando-se cada vez mais altos. Uma das portas do segundo andar bateu com força, fazendo com que as garotas parassem de subir os degraus no mesmo instante. — Deus... – Kara apertou a mão de Cat, e Maggie voltou a subir sem exitar. — É o vento, larguem de serem medrosas – irritou-se. Alex bufou, subindo à frente de Maggie que parou de abrupto pela reação da amiga – Espere... Alex a ignorou, fazendo com que todas as amigas andassem mais rápido para que a alcançassem. Ao fim da escada, depararam-se com os corredores escuros e silenciosos. Algumas portas rangem por conta do vento, e a respiração acelerada de Cat deixava Kara cada vez mais assustada. — Pare de respirar assim, está me deixando nervosa – sussurrou, vendo a amiga encolher-se cada vez mais ao seu lado. — Não é como se eu pudesse controlar, Kara – outra porta bateu com força, fazendo Cat gritar dessa vez. — Jesus! Silêncio! – Maggie esbravejou erguendo mais a lamparina para iluminar todo o corredor. Kara aproximou-se de Alex, segurando em sua mão e vendo a amiga suspirando cansada, mas retribuiu o aperto de Kara passando-lhe confiança. — Aqui é o quarto de Lena – Maggie chamou a atenção de Kara. A porta estava fechada, provavelmente uma daquelas que bateram com a ventania e assustaram Cat. As garotos se entreolharam rapidamente, Kara deu um passo a frente para abrir a porta, mas algo bateu contra a madeira antes que a garota tocasse. A menor caiu para trás com o susto, e foi logo levantada por Alex que grunhiu assustada ao que Cat agarrava suas costas pelo medo. — O que foi isso?! – a loira gritou em desespero, soltando-se de Alex e apontando para a porta – Que merda foi isso?! — Se acalmem! – Maggie iluminou a fechadura – Foi o... — Não me venha dizer que foi o vento! – Cat parecia prestes a ter um ataque de pânico. Maggie girou a maçaneta, fazendo todas segurarem a respiração ao que a amiga empurrava a porta. — Maggie... – Cat choramingou, a morena deu um passo à frente. Um silêncio agonizante se instalou ao que a luz da lamparina ficou mais fraca, até que a voz da amiga voltou a ser ouvida. — Um corvo, foi só um corvo – Maggie apontou para o chão, onde um corvo se debatia. Kara respirou fundo, aliviada – Ele deve ter entrado pela janela e batido contra a porta. Alex caminhou para dentro do quarto, parando em frente a cama e vendo uma mancha de sangue nos lençóis. Kara a seguiu, observando mais sangue próximo a porta pisando nos cacos de vidros da janela quebrada. O quarto estava realmente destruído. As cortinas estavam todas rasgadas, havia marcas nas paredes e os móveis estavam em pedaços, exceto a cama. — Acha que foram os que sequestraram a Lena e mataram Lillian? – Cat perguntou em um sussurro, enquanto Kara olhava-se no reflexo contorcido do espelho quebrado. — Será que estavam procurando alguma coisa? – A pergunta desta vez foi de Alex, que remexeu em alguns livros na escrivaninha de Lena – Veja, Kara, é o seu cartão de natal. Kara apressou-se até onde Alex estava, avistando o cartão de Natal marcando um dos livros de Lena. Kara sorriu tristemente. Alex a deixou só por um momento, e a garota não conteve algumas lágrimas percebendo que todos os marcadores de Lena eram bilhetes de aniversário ou comemorativos de Kara. Somente dela. — Olhem isso – Maggie chamou, estava debruçada embaixo da cama, de onde retirou um livro muito velho. Kara identificou rapidamente as letras manchadas escritas a mão nas páginas velhas como Latim. — É Latim – Kara disse com a voz fraca, havia algumas manchas de sangue nas folhas. — O que está escrito? – Maggie entregou um das folhas para Kara, que negou com a cabeça. — E-eu não sei... Eu – a garota respirou fundo concentrando-se na folha em mãos. Os dedos de Kara pareciam dificultar cada vez mais sua leitura, já que não paravam de tremer. Seus olhos se arregalaram ao que algumas palavras pareciam fazer sentido – Eu não entendo é alguma coisa ligada ao demônio, diabolus, em oferecer... em oferecer... — Oferecer o que?! – Maggie perguntou impaciente. — A alma – sussurrou incrédula – É isso, eu... Lena foi transformada em um demônio. Eu a vi ontem, Deus... Vocês não perceberam em como tudo isso faz sentido... — Mas se você está dizendo que Lena é um demônio – Cat franziu a testa para aquela palavra, então continuou – Ela teria matado a própria mãe? Caíram em um silêncio desconfortável. Kara negou com a cabeça, os olhos ardendo pelas lágrimas. — Ela não é um demônio ou qualquer outra coisa. Nossa amiga foi sequestrada. A mãe dela está morta. Não quero ouvir mais esse assunto, vocês estão delirando – Maggie disse fraca, respirando fundo – Nós todas estamos. Alex encarava o chão, onde as marcas de sangue estavam cada vez mais aparentes. — E se... e se Lena estiver... – Alex respirou fundo – Morta. — Não diga isto! – Kara esbravejou – Por favor! Não diga! Eu sei que ela está viva, eu a vi! Ela... — Kara... – Cat a abraçou logo que as palavras não conseguiam mais deixar sua garganta por conta do choro. Kara chorou, não poderia acreditar que suas amigas estavam perdendo a esperança. — Ela está viva, eu sei disso – disse tentando acalmar a respiração – Acreditem em mim. — Eu quero acreditar – Alex passou a mão pelos cabelos – Mas eu não posso, eu não quero adiar a dor. Se Lena realmente estiver... argh! Barulhos rapidamente tiraram a atenção das garotas da discussão. Pareciam passos pequenos contra a madeira. Cat arregalou os olhos ao ver um dos cachorros da Madame Prescott entrar no quarto. — Cachorro nojento! – Maggie bateu o pé fazendo o cachorro rosnar antes de sair – Vamos logo ver o cofre, já estamos aqui a quase quarenta minutos. O corredor estava igualmente vazio e silencioso, e não havia nenhum sinal do cão esquelético ou de qualquer outro corvo. Cat caminhou na frente desta vez, brigando com Maggie para que pudesse levar a lamparina um pouco. Kara caminhou ao lado de Alex, magoada ainda pela amiga acreditar que Lena poderia estar morta. Ela não estava, Kara sabia disso. — A escada! – Cat comemorou, deixando a lamparina em um dos degraus e negando com a cabeça – Eu não serei a primeira a subir, muito menos a última. Maggie revirou os olhos castanhos para ela. — Mais algum pedido, princesa? – ironizou, pegando a lamparina e subindo nos degraus barulhentos do sótão. Kara teve a lembrança da última vez que esteve naquele lugar. Não eram nada boas, o medo em seu peito parecia aflorar cada vez mais. A imagem dos olhos negros e da voz apavorante voltaram a sua mente. — Tudo bem, Kaa? – Alex a tirou do transe – Suba, eu vou por último. Kara agradeceu e subiu devagar, segurando a mão da amiga que estava logo atrás. — Esse lugar fede muito! – Cat foi a primeira a reclamar, e Kara tampou o nariz logo que terminou de subir os degraus. Lembrava muito bem do cheiro daquele sótão, mas naquela madrugada parecia mil vezes mais forte. — Sangue na parede – Maggie apontou a lamparina para o local – Foi aqui que encontraram o senhor Luthor. O corpo de Kara estremeceu-se por inteiro. Olhou à sua volta. Os móveis ainda estavam cobertos pelos lençóis brancos assim como as paredes, e a janela continuava a iluminar todo o cômodo com a luz da lua. — Ali – Maggie apontou, mostrando o cofre – Venham. As garotas a seguiram ignorando a quantidade de sangue já seco no chão, o vento que entrava pela janela fazia com que Kara segurasse o cachecol que estava prestes a voar. — Os polícias não arrombaram – Alex observou – Acha que é alguma coisa de extrema importância, ou só mais dinheiro da família? Kara negou, não fazia ideia. — Esse cofre estava escondido quando estivemos aqui pela última vez, o senhor Luthor deve ter tentado pegar o que quer que tenha aí dentro antes de... de ser atacado – Kara disse, vendo Maggie concordar. — É, também não me lembro do cofre – passou uma das mãos pelo metal, retirando a quantidade de pó – Alguém tem um chute para a senha? Então, estrondo foi ouvido. Mais um corvo se debatia no chão depois de ter entrado pela janela do sótão e batido em cheio contra a parede. — Mas que diabos está acontecendo... Maggie foi cortada de falar por mais dezenas de corvos entrando pela janela, todos batendo contra a parede, alguns acertando em cheio o cofre, até mesmo nas quatro amigas. Kara gritou em desespero ao ser atingida por algumas aves, procurando cegamente por Alex que também se debatia ao ser atacada. Então tudo ficou em silêncio, as aves se debatiam no chão e algumas ainda tentavam levantar voo, mas acertavam em cheio novamente o cofre e caíam mortas. — Jesus Cristo! – Cat disse em pânico – O que é isso?! Vamos embora! Kara tremia dos pés a cabeça, estava em estado de choque encarando os diversos corvos mortos no chão. Alex aproximou-se de um, olhando para a janela e se apressando até lá para fechá-la. — Eu vou embora, eu vou embora! – Cat já puxava a lamparina das mãos de Maggie e começava a descer as escadas. Kara puxou Maggie pelas mãos, tirando a amiga que também parecia chocada demais para ter alguma reação. — Cat! Cat, espere! – Kara gritou, vendo apenas a chama da lamparina à frente – Cat! Alex ajudou Maggie a descer as escadas do sótão, caminhando rapidamente até Cat, que tinha os olhos arregalados. A garota estava parada em frente às escadas que dá ligação ao primeiro andar. O rosto da loira estava mais pálido do que o de costume, e Kara apressou-se para tocar seu ombro, chamando pela amiga. — Hey, você está bem? – perguntou confusa, ouvindo Alex perguntar o mesmo à Maggie, que recuperava-se ainda do episódio com os corvos. Cat apenas esticou uma das mãos, apontando para o final da escada. Os olhos de Kara rapidamente se arregalaram avistando o que Cat apontava. No fim da escada estava ela. Lena. CONTINUA...
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