RAFAEL (Talibã)
Entrei em casa e Maju entrou logo atrás de mim, toda tímida e calada. Igual estava no carro há minutos atrás — p***a, que mulher gostosa. Que beijo bom, ela é impecável. Meu desejo é f***r só ela pra sempre.
Ela tá totalmente entregue, ou talvez seja só a tensão s****l falando mais alto que minha real vontade. Mas dentro daquele carro eu quis fazer com que ela fosse minha e só minha.
Talvez Cauê tenha razão. Não vale a pena brincar com a mente dela só em troca de vingança pelo pai dela — ela não tem nada a ver com ele.
— Quer comer alguma coisa? — Perguntei indo pra cozinha e ela me seguiu.
— O que você sabe cozinhar? — Ela perguntou, sentando na bancada enquanto eu estava do outro lado, a observando.
— Eu sei fazer miojo. Ou podemos pedir alguma coisa.
— Não, não. Eu quero comer miojo. — Ela disse decidida.
— Vou fazer e você vai provar o melhor miojo da sua vida.
— Na verdade eu nunca provei miojo. Na minha casa minha mãe não come esse tipo de coisa e ela me mataria se soubesse que eu to comendo, mas a vida é só uma. — Ela disse meio triste e eu estranhei; já que em todas as redes sociais eles pareciam a família perfeita, mas ela fala dos pais com um certo desgosto ou ressentimento.
— Ela não precisa saber... — Eu dei de ombros. — E se você gostar, eu faço um estoque pra você vir comer todo dia na minha casa.
— Boa tentativa de me fazer vir aqui todo dia, mas eu sei que faz m*l. — Ela gargalhou e eu a acompanhei.
Maria Júlia era mais viciante do que eu imaginei. Ela era encantadora, seu olhar era sem maldade, era engraçada a forma como ela ficava envergonhada quando eu falava alguma porcaria. Mas ao mesmo tempo gemeu sem timidez alguma enquanto meu dedo estava dentro dela. O equilíbrio perfeito.
— Não custa nada tentar. — Fui até ela e beijei seu pescoço, que já tinha uma marca. — Quer tomar um banho enquanto ferve a água? — Ela assentiu. — Vem, eu vou te mostrar onde fica o banheiro.
A puxei pela mão e a abracei por trás enquanto andávamos. Ela estava com o short jeans, mas sem camisa, só com a parte de cima do biquíni. A diferença na nossa altura era de uns bons centímetros — eu chutava que ela tinha 1,60 m de altura, enquanto eu media quase 1,90 m.
A levei até o banheiro do meu quarto e mostrei onde ficavam os pertences.
— Qualquer coisa me chama. — Ela assentiu e me expulsou do banheiro.
Eu poderia entrar com ela no banho e terminar o que começamos no carro, mas eu não tinha pressa. Tomar banho junto é pra quem tem um nível mais profundo de i********e, o que não é nosso caso. Por isso deixei ela à vontade e terminei o macarrão instantâneo.
— Rafa? — Ela me chamou de dentro do quarto e eu fui até lá.
— Oi, linda. — Coloquei a cabeça pra dentro do quarto e ela me olhou vestida só com a toalha.
— Eu esqueci minhas roupas no carro. Posso usar uma blusa sua?
— Pega aí no closet.
— Obrigada. — Ela foi pro closet que eu apontei e eu voltei pra cozinha.
Sentei no sofá pra esperar a bonita se arrumar, deixei as tigelas com o miojo na mesa da sala. Não demorou nem dez minutos e minha campainha tocou. Merda! Hoje era domingo, dia de Felipe e Cauê virem aqui pra casa. No caso, só Felipe veio hoje.
Olhei pelas câmeras pra ver se era ele e neguei a entrada dele; na mesma hora ele me ligou.
Ligação on
— Ei p***a, tá me negando porque? — Ele disse assim que eu atendi.
— Vem outro dia, hoje não vou te atender.
— Ah, mas você vai sim. Ou pensa que eu vim aqui a toa?
— Pelo amor de Deus, você não tem casa p***a? To com visita, volta outro dia. — Desliguei e vi pelas câmeras ele digitando algo no celular.
Ligação off
Recebi uma mensagem dele mas não abri, e ele desistiu e foi embora.
— Atrapalho alguma coisa? — Ouvi a voz doce de Maria Júlia. — Se você quiser receber sua visita, eu posso ir pra casa.
— Não era ninguém importante. Vem, senta aqui. — Apontei pra minha perna e ela veio, toda acanhada. Cheirei seu pescoço e mesmo usando as minhas coisas, ela não perde esse cheiro. — Perfume bom esse seu, tomou banho de mar e de chuveiro e ele não saiu.
— Tem que ser bom mesmo pelo valor que ele custa. — Ela riu. — Não que seja da minha conta, mas quem era no telefone?
— Um amigo meu que vem aqui todo domingo. Mas hoje eu tenho outra programação, não vou receber ele.
— E qual seria sua programação?
— Envolve uma loirinha tímida, muita comida e muita pegação.
— Pegação? — Ela se interessou nessa parte e eu ri. — Me faz gozar de novo? — Pediu como uma criança pedindo doce.
Me surpreendi com seu pedido, mas vejo que ela estava quebrando milhares de barreiras dentro de si.
— Quantas vezes você quiser. — Beijei sua boca. — Mas antes eu preciso te alimentar. — Peguei a tigela com o macarrão e entreguei pra ela.
Ela pegou uma quantidade com o garfo e colocou na boca; seus olhos se fecharam pra conhecer melhor o gosto.
— Gostinho de sódio, câncer e tudo r**m. Mas é bom, muito bom. Obrigada!
Selou nossos lábios e eu dei um meio sorriso pra ela. Ela foi comendo enquanto eu mexia no celular — Felipe ainda mandou algumas mensagens mas eu nem abri. Tinha mensagem da tia de Cauê também, avisando que ele já estava falando e perguntou por mim. Respondi a ela que eu iria amanhã cedo vê-lo, depois veria dona Jane e tentaria entender o que estava acontecendo.
Eu tinha muita coisa pra resolver. Não é nada fácil estar no meu lugar.