CAPÍTULO 05

1643 Palavras
♡SERENA ♡ Pulei da cama assustada, olhando para ambos os lados antes de me sentar. Aquela não era a minha cama, muito menos o meu quarto, Merda. Eu havia dormido novamente, estava tão cansada e com os medicamentos que injetaram em mim, que acabei derrubada minutos depois dentro do carro. Levantei, tomando todo o cuidado para não fazer barulho. Caminhei lentamente até a porta do quarto, por sorte ela estava meio aberta e consegui passar no vão sem precisar tocá-la. Pelo visto a casa era de dois andares, já que o som de uma conversa masculina se desenrolava no andar debaixo. Caminhei perto da escada, vendo duas sombras perto dela, a voz do meu sequestrador se sobressaindo a do outro homem. — Nada? Um único cheiro! ele falou, bravo. — Não, Alfa o homem respondeu, respirando fundo. — Quando a Ellen ligou contando que sentiu o cheiro daquelas garotas na jaqueta do desgraçado, eu pensei que seria fácil de resolver. Mas... — Eu sei ele socou a parede se eu não tivesse ido à mercearia, investigar antes. — Aconteceu da maneira que a deusa desejava, Alfa, você achou sua companheira e é tudo que importa agora. Podemos achar os outros depois houve um longo momento de silêncio, só quando a situação se tornou desconfortável demais o outro homem voltou a falar. — O importante é que ela está aqui, com você na matilha. — Ela é humana ele falou baixo. — A deusa sabe o quê....ELA É HUMANA! gritou o sequestrador, com ódio na voz. O outro homem ficou em silêncio, e podia sentir que o clima estava indo de m*l a pior. — Mais foi o que a deusa.... Não ouse terminar essa frase ele pontuou, com a voz fria. Uma ameaça, provavelmente o que pretende fazer? perguntou. Dessa vez, foi a vez do meu sequestrador ficar em silêncio. Ele respirou fundo, colocou algo de vidro em cima de uma mesa e respondeu. — Esperar que ela melhore e ? — E então, ela me aceita como seu parceiro.— Fácil assim? questionou o outro homem, incrédulo. O sequestrador soltou um bufo irritado. — Sim, fácil assim e se ela não o quiser? Lembre-se ela é humana, não sabe o que somos e como isso funciona. — Então eu a amarro na cama, fodo ela e tenho meus herdeiros respondeu, de forma casual fácil assim. Senti o arrepio frio por toda a minha pele, engoli em seco. Isso era pior do que podia imaginar, eu havia saído de algo r**m para algo ainda pior. — Zeus...alertou o homem de voz desconhecida, quase como se o estivesse repreendendo por isso. — Ela é escória, Jeremy rebateu o tal Zeus. — E se quer tanto falar da deusa, então eu te pergunto. O que fiz para merecer uma humana fraca como companheira? Houve um longo momento de silêncio, e por um segundo imaginei que eles já soubessem que estava ali. Escutando a conversa, aprendendo se ela se mostrar difícil, vou pedir para que o Dr. Léo a coloque em coma e a uso como barriga de aluguel informou o tal Zeus de forma casual. Recuei um passo para trás, e isso foi o suficiente para fazer a madeira velha no chão ranger sob a minha sola do pé. O silêncio dessa vez foi preocupante, então voltei rapidamente ao quarto e deitei na cama. Fingindo estar dormindo levou alguns segundos para o meu coração desacelerar, mas foi o tempo necessário para conseguir fingir estar desmaiada ainda. Quando os dois homens entraram no quarto, tive que conter a vontade de apertar os olhos. Sentindo a iluminação alta da lâmpada do quarto ser acessa. — Deve ter sido lá fora disse o homem desconhecido, que vi o sequestrador chamar de Jeremy. — Improvável rebateu o sequestrador, chegando mais perto da cama. Virei para o lado oposto, jogando uma perna por cima da outra. Esfreguei meu rosto no travesseiro, abrindo a boca e começando a babar sobre o tecido da fronha. Foda-se, eu mijaria na cama se fosse necessário para que eles acreditassem. — Pelo menos ela tem uma bela b***a falou o tal Jeremy em tom zombeteiro, fazendo todo o meu corpo arrepiar de medo. — Eu encontraria maneiras mais divertidas de fodê-la, e nenhuma delas têm graça se estiver inconsciente. O tal Zeus rosnou como um lobo, se afastando da cama com raiva. — Vamos lá para baixo, agora ordenou. O homem desconhecido saiu na frente, o tal Zeus foi atrás. Pude sentir seu olhar formigando nas minhas costas, por fim ele bateu a porta. Fechando-me no completo escuro do quarto. Abri os olhos, sendo pega de surpresa quando o barulho do que parecia a porta da frente foi batida com a mesma intensidade de raiva. Os dois homens estavam conversando, mas a voz estava baixa demais para onde estava. Levantei da cama, dando uma boa olhada agora no quarto iluminado apenas pela lua do lado de fora. Aquele com certeza era um quarto masculino, e as boxers pretas dobradas dentro do guarda roupa ou blusas pretas e xadrez eram a prova disso. Olhei para baixo, percebendo só agora que ainda estava com o avental hospitalar. O medo de ter sido violada estava ali, mas agora não podia me preocupar com isso. Precisava fugir, e só então me preocupar com as baixas que haviam acontecido enquanto estava inconsciente. Tinha de focar nisso, e só nisso agora. Então, peguei uma blusa preta de botões e a cueca boxer que estava por cima. Coloquei, percebendo que a blusa ficou larga pela falta de s***s e a cueca ficou grudada na minha b***a como um short curto, por causa do meu quadril largo. Coloquei um par de meias que estava jogada dentro do guarda roupa, e procurei por um chinelo ou algo do tipo no chão. Mas tudo que encontrei jogado era tamanho 46. Olhei para os meus pés, percebendo que um tênis desse tamanho mais atrapalharia com a tala do que ajudaria no final. Principalmente porque precisava correr. Testei meu ombro, que não doía mais como no hospital. O que significava que o tal médico veio me ver enquanto estava dormindo, e que ele havia aplicado algo bem forte para a dor. Fui até perto da janela, buscando pelas vozes masculinas. Eles estavam do outro lado da casa, provavelmente na entrada pela distância da conversa. Olhei para baixo, percebendo que o segundo andar não era tão alto. Se colocasse meus pés primeiro do lado de fora no batente e usasse as mãos para me locomover até o arco de videiras ao lado da minha janela teria uma chance. Não seria fácil, mas era melhor do que pular correndo o risco de quebrar uma perna ou algo pior. E olhando a tala na minha perna, não queria correr riscos. Então o fiz, sem dar chance de pensar duas vezes. A parte da videira, no entanto, foi o pior. A madeira estava mofada e cedeu quando pisei sobre ela. O pedaço que se partiu, pressionou minha coxa e se fincou. E foi só isso que me deu a chance de me equilibrar. Mordi o lábio, até que senti o sangue inundar a minha boca. As lágrimas se derramarem, enquanto segurava o ar nos pulmões. Fechei os olhos, não conseguia olhar não enquanto a dor era imensurável. “Você não pode gritar, você não pode gritar” — comecei a recitar em minha mente, apertando a madeira sob a palma da mão com força. — Você escutou alguma coisa? perguntou o meu sequestrador. — Deve ter sido algum animal respondeu o outro homem. Paralisei no lugar, esperando que eles continuassem a conversa. A última coisa que precisava agora, era dar a eles a chance de me encontrar. Não depois de tudo que fiz acho melhor entrar, ver se ela já acordou falou o sequestrador. — Eu vou com você avisou o outro, Não. — Eu sou seu beta, é meu deve e eu o isento disso. — Zeus, é o meu serviço não estou interessado na sua garota. Houve um longo momento de silêncio, que aproveitei para puxar a minha perna lentamente. Mordi o lábio com mais força ainda, lutando contra a dor. Minha coxa estava ficando encharcada de sangue, minha tentativa de retirar o pedaço de madeira só piorava tudo. Mas era isso ou nada quando finalmente consegui tirar o graveto da minha coxa, o tal sequestrador havia se decidido. Tudo bem, vamos — concordou. Pulei dali, caindo no gramado levantei, apoiando-me na perna boa. Pelo visto, além de uma tala agora eu também tinha um buraco na perna, ótimo. Não parei para olhar, me lancei em direção à entrada da casa e só parei quando um grito raivoso fez toda a adrenalina no meu corpo explodir. SERENAAAA! Olhei para o carro parado em frente da casa, corri até ele torcendo para que não fosse um modelo automático. Por sorte o carro não só era manual como estava com a chave estava na ignição, pela primeira vez me senti com sorte nesse inferno. Entrei rapidamente, ligando-o carro com um único giro da chave. Olhei para trás e engatei a ré sem pensar duas vezes, naquele enorme espaço aberto de grama plana. Foi quando olhei para frente indo colocar a primeira marcha, que percebi, Lá estava ele. Meu sequestrador, saindo de trás da casa por onde havia passado, com um olhar assassino enquanto me encarava. A luz dos faróis iluminava seu rosto à distância, deixando-me ver quando ele ergueu a cabeça para o céu e uivou como os lobos que ouvi na floresta. No primeiro segundo arregalei os olhos, percebendo só agora que ele era mais maluco do que imaginava. Já eu não era nem louca de ficar para ver. Então, apertei o pé no acelerador com tudo e virei o volante em direção à estrada sem olhar para trás.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR