- Senhoras e senhores, o elenco de a queda de um anjo!
A plateia aplaudiu. Eu e Henry cumprimentamos Graham e sentamos no enorme sofá.
- Henry, não é a primeira vez que você vem aqui.
- Sim, eu já me sinto em casa. — Henry se ajeitou no sofá. —
- Anna, é a sua primeira vez vindo aqui, na verdade é sua primeira vez em um programa de TV. — Graham cruzou as pernas. —
- Sim! É muito intimidador na verdade. — A plateia riu. —
- Não, é bem simples, Henry não te contou? — Todos riram. —
- Sim, é bem fácil na verdade. — Sorri. —
- Antes de tudo, parabéns pelo seu primeiro filme. E você é tão bonita pessoalmente quanto pelas fotos que vemos.
- Muito obrigada. — Agradeci. —
- Então Henry, não é a primeira vez que você vem aqui. Como vai?
- Eu vou muito bem, obrigada. Eu já me sinto em casa aqui. — Ele sorriu e acenou para a plateia, que foi ao delírio. —
- Anna, é o seu primeiro filme e como foi atuar com o Henry?
- Na verdade agora eu estou acostumada a olhar para ele. — Todos riram. — No começo era meio difícil, mas agora está tudo bem.
- Ela achava que eu era casado.
Henry pegou um copo de água que estava em cima do centro a nossa frente.
- Sim? Era como um efeito Mandela, só que com o Henry casado. Eu lembro de ter perguntado a Zendaya enquanto ela ainda estava no set sobre isso. E ela ficou tipo: como assim? — Fiz um movimento com as mãos, a plateia riu. —
- O que te fez pensar isso? - Graham se inclinou para a frente, interessado no assunto. —
- Eu não sei, eu acho que vi alguma coisa no Twitter eu não lembro. — Dei de ombros. —
- Vazaram algumas fotos do set, a internet foi à loucura. E uma das cenas, era uma cena icônica do livro que vocês dois se beijavam. Como vocês reagiram a isso?
- Na verdade não sabíamos que as fotos tinham vazado. — Henry falou. —
- John chegou gritando enquanto estávamos na sala de maquiagem. — Eu dei uma gargalhada, que fez a plateia rir também. —
- Eu imagino essa cena — Graham riu. — Vocês dois sempre são vistos juntos, não só no set, será que tem alguma coisa acontecendo que ainda não sabemos?
A plateia fez um "hummmm" que me fez ficar mais vermelha que um bolo red velvet. Henry parecia incomodado. Antes que eu pudesse falar qualquer coisa, ele me interrompeu.
- Somos bons amigos, só isso. Eu estive mostrando a cidade pra Anna e as vezes praticávamos algumas falas juntos. Acho que as pessoas falam demais, nem sempre é o que se vê. — Ele sorriu amigavelmente. —
Olhei pra Henry, acho que todo mundo percebeu. Encostei as costas no sofá. Fui interrompida dos meus pensamentos por Graham.
- Então Anna? Você está namorando ou conhecendo alguém?
- Errr... não, você sabe, estou aqui a trabalho então quase não tenho tempo nenhum pra isso. Mas estou aberta à um relacionamento caso conheça alguém interessante. — Sorri, Henry me encarou sério. —
- Nós podemos fazer um quadro no programa para isso. — A plateia riu. — O que acha? Londres inteira se candidataria.
- Ótima ideia. — Ri, Henry estava com um sorriso forçado no rosto. Ele pegou o copo de água e virou o mesmo. —
- Você estava com sede, hein? — Graham indagou. —
- Pois é. — Ele colocou o copo de volta na mesinha. —
Um silêncio de alguns segundos deixou o clima totalmente tenso.
- Bom! O filme ainda não acabou de ser filmado, mas nós temos uma cena (não me perguntem como conseguimos) que você está bastante confiante, Anna.
- Eu estou? — A plateia riu novamente. —
- Sim, vamos checar. — Nos viramos para o telão. —
Eles exibiram a cena do quarto com Henry. Apenas a parte em que estávamos quase nos comendo na cama. Eu senti meu rosto queimar de vergonha. A plateia estava gritando. Assim que a cena acabou, voltamos a nossa posição inicial.
- Parece que o público gostou. — Graham fez o público gritar mais ainda. Em meio a risadas e gritos, olhei para Henry que parecia gostar da situação. —
- Eu realmente estou constrangida. — Sorri, tentando disfarçar a vergonha. — Você sabe, para quem interpretava Julieta em peças de teatro isso é algo muito novo.
- Ainda mais com o Henry Cavill, não é? — A plateia gritou novamente. — Como ela se saiu, Henry?
- Ela foi muito bem. — Todos riram. — Muito profissional, eu quis dizer. — Ele olhou para a plateia. —
- Graças a Deus que não mostraram a cena anterior a essa. —Sorri. — Eu com certeza sairia daqui.
- Esperem a cena anterior nos cinemas! — Graham falou, a plateia riu. — Alguém tem alguma pergunta?
Uma garota na plateia levantou a mão, alguém da produção deu um microfone a ela.
- Anna, você errou muitas vezes durante essa cena? — As gargalhadas foram inevitáveis. —
- Não, eu acho. — Ri. —
- Nós repetimos essa cena oito vezes. — Henry falou, fazendo todos rirem. —
- Nove, na verdade. — A plateia riu mais ainda. —
- É, nove. — Ele assentiu. —
- Anna, Henry, muito obrigada por terem vindo hoje, espero que o filme seja um sucesso e que vocês venham para falar um pouco sobre o próximo. — Graham nos abraçou. —
- Obrigada. — Henry agradeceu. —
- Anna, não esqueci do seu quadro. Vamos te chamar em breve para conhecer seus pretendentes. — Ele apontou para mim, rimos. —
- Pode deixar.
Prestei continência e acenei para a plateia me despedindo. Saímos do estúdio e entramos em uma Land Rover preta que provavelmente era blindada.
- Porque você disse que está disposta a um relacionamento se aparecer alguém? Quando na verdade você disse para a gente ir com calma?
- Você disse que não tínhamos nada. Então, se aparecer alguém eu com certeza vou adorar conhecê-lo. — Dei de ombros, ele me olhou incrédulo. —
- Eu fiz isso para te proteger, Anna. Você sabe quanto ódio gratuito as minhas ex-namoradas recebiam só por estarem comigo? Eu não quero que pessoas te odeiem só por estarmos juntos. — Ele se ajeitou no banco, se virando para mim. — Eu não quero que você sofra por isso.
- Eu não me importaria com isso, Henry. Eu gosto de você e eu estaria disposta a fazer isso. Eu estaria se você segurasse a minha mão. Não ia me importar com o que as outras pessoas falariam, se me odiariam ou não. Mas pelo que eu vejo, você se importa.
Henry segurou a minha mão, eu a puxei de volta e encarei a janela.
- Me desculpa. — Ele virou para a janela ao seu lado e seguimos o resto da viagem assim. —
- Boa noite Henry. — Abri a porta do carro e saí, senti meu braço ser puxado levemente. —
- Quando quiser falar comigo de novo, me liga por favor. — Ele me olhava com seus enormes olhos azuis. —
- Talvez eu sinta saudades de você quando minha raiva passar. — Puxei levemente meu braço e fechei a porta do carro na cara de Henry. —
- Boa noite senhorita Anna. — O recepcionista do hotel falou comigo. —
- Boa noite. — Sorri levemente e segui em direção ao elevador. — Que m***a, Henry.
- Anna... Como foi hoje? ,
Tomei um susto com tia Johanna sentada em minha cama quando abri a porta.
- Agradável. — Dei de ombros. —
- Tem certeza? — Henry nem sequer fez questão de dizer se vocês estão, ou estavam, não sei, juntos. — Olhei ,,,para a tia Johanna, que me olhava cinicamente. —
- Tia, não quero falar sobre isso agora. — Tirei o salto dos meus pés, agradecendo mentalmente. —
- Ele só vai te usar, quando for fazer o próximo filme vai esquecer de você. — Ela se levantou vindo em minha direção. — Esqueça Henry Cavill.
Revirei os olhos.
- Tia Johanna eu não tenho sombra de dúvidas que você se importa comigo, mas por favor, eu não quero falar sobre isso agora. — Sentei na cama. —
- Não diga que eu não avisei. — Ela deu as costas e saiu do quarto. —
- Eu hein... — Deitei na cama. — SERÁ POSSÍVEL QUE EU NÃO TENHO UM MINUTO DE PAZ?
Meu telefone estava tocando.
- O que foi? — Era Henry. —
- Anna, eu não quero dormir brigado com você.
- Problema seu. — Desliguei o telefone, em questão de segundos ele voltou a tocar novamente. — p***a, eu não quero falar com você hoje.
Desliguei meu celular de uma vez.
- Ótimo, nem ele nem ninguém vai me incomodar.
Coloquei o celular embaixo do travesseiro, fui ao banheiro tomar banho e retirar a maquiagem. Na volta encarei a enorme janela no meu quarto, a lua estava belíssima. Eu lembrei de casa, dos meus pais e de como tudo era tão tranquilo e fácil em Miami.
- Minha vida virou de cabeça pra baixo em alguns meses. — Falei para mim mesma. — Henry, protagonista em uma saga enorme, fama.... Será que a Anna de treze anos imaginaria que isso ia acontecer? — Sorri. — Claro que não. ,
Deitei na cama e em segundos dormi. Acordei com o despertador e tia Johanna batendo na porta. Ela estava com suas malas prontas.
- Aonde você vai? — Cocei o olho. —
- Vou embora. Pra Miami.
- E eu?
- Você vai ficar aqui. Já está na reta final do filme, você não precisa mais de mim. Quando acabar, compro sua passagem e você volta para casa. — Ela se virou e foi andando pelo corredor. —
- Tia...
- Fala. — Ela se virou para mim. —
- Obrigada por tudo. — A abracei. —
- Não me agradeça, você fez isso com seu próprio esforço. — Ela colocou uma mecha de cabelo atrás da minha orelha. — Agora eu preciso ir.
,
- Espera! — Corri em direção ao meu quarto, abri minha mala e peguei um envelope. Voltei até tia Johanna e a entreguei. —
- O que é isso? — Ela abriu o envelope e contou as cédulas. — Tem mais de mil aqui.
- Entrega para os meus pais, por favor. — Ela me olhou com cautela. —
- Pode deixar. — Ela enfiou o envelope dentro da bolsa. — Te vejo quando acabar o filme.
Ela acenou e pegou o elevador. Ótimo, sozinha em Londres, o que eu faço agora? Eu poderia ligar pra Henry e dizer que estava indo visita-lo, mas o meu orgulho sempre fala mais alto. Estou com saudade das mensagens de bom dia dele e também das vídeo chamadas com Kal. Ai, que saco, eu me apeguei a esse troço.
- Talvez umas comprinhas me façam relaxar um pouco.
Fui até o banheiro, tomei banho e escovei os dentes, fiz minha Skincare que agora era obrigatório ter uma pele sem defeitos e vesti uma roupa confortável. Aguardei o Uber por alguns minutos, cheguei ao enorme shopping Westfield Stratford, me perguntando o que eu iria comprar, se é que eu iria conseguir entrar em todas as lojas. A primeira coisa que veio na minha cabeça foi fome. Olhei para uma placa que mostrava o andar da praça de alimentação. Peguei o elevador e fui até a mesma, me arrependi amargamente. Estava CHEIA. São dez da manhã, quem tem fome de hambúrguer uma hora dessas? Desisti completamente e desci para o andar anterior. Dei de cara com uma loja da Chanel. Eu sempre quis ter uma bolsa Chanel. Meus instintos falaram mais alto e entrei na loja.
- AI QUE INFERNO. — Assim que entrei, dei de cara com Henry, que quando me ouviu gritar, se virou para olhar. Ele sorriu. —
- Anna!
Ele abriu os braços e veio me abraçar. Todas as vendedoras estavam nos olhando. Eu não podia deixar ele no vácuo, por mais que eu estivesse com raiva dele naquele momento.
- Oi Henry. — O abracei. — O que você está fazendo aqui? Você está me seguindo, né? Que ódio, você implantou algum chip no meu corpo?
- Seja discreta. — Ele apontou com os olhos para as vendedoras, que continuavam nos encarando. — Há pessoas aqui.
Revirei os olhos.
- Você. — Apontei para uma das meninas. — Vem me ajudar aqui, por favor.
- O que você está fazendo aqui? — Henry me seguia pela loja. —
- Talvez comprar minha primeira Chanel. — Parei de andar e o encarei. — E você? O que faz aqui? — Perguntei, aumentando ainda mais meus pensamentos de que Henry Cavill estava me seguindo. —
- Hoje é aniversário da minha mãe, quero dar algo especial a ela. — Ele sorriu. Meu coração se derreteu completamente quando ele disse isso. —
- Você é um ótimo filho. — Sorri para o mesmo, por alguns segundos parecia que toda a minha raiva havia passado. Depois de alguns instantes recuperei minha postura e voltei a fechar a cara pra Henry. Pigarreei. — Não faz mais que sua obrigação, afinal, ela que te trouxe para o mundo.
- Claro. Te vejo por aí. — Ele deu de ombros e foi até o caixa da loja. Ele pegou uma enorme caixa e falou algo inaudível para a moça. Ela assentiu positivamente com a cabeça. —
- Senhorita Anna? — A, atendente interrompeu todos os meus pensamentos enquanto via Henry sair da loja. —
- Sim? — Me virei para a mesma, que me mostrava uma Chanel preta do modelo clássico. A segurei em minhas mãos e decidi que ela foi feita para mim, sem dúvida alguma. Provei a mesma e me olhei no espelho. —
- Ela combina muito com você, ficou linda.
- Agradeço. Eu vou levá-la. — Entrei a bolsa para atendente e fomos até o caixa. —
A bolsa foi embrulhada e colocada em uma linda caixa preta com laço.
- Obrigada, mas não precisa. — Falei enquanto entregava meu cartão. —
- O senhor Cavill disse que é por conta dele, é um presente. — Ela sorriu para mim. —
- Eu não acredito que ele fez isso. — Bufei. — Obrigada. — Peguei a caixa e saí da loja. Peguei meu celular e comecei a digitar pra Henry. —