PAIN

1246 Palavras
Joalin  -Maya- Vanessa ralhou a mais nova pelo seu comentário. -O que- Eu encarei Bailey sem entender e o vi dando de ombros.  -Acho que Maya esqueceu de tomar os remédios dela hoje- ele retrucou e sua irmã o deu língua.  -Estou ótima. Vocês dois é que são tão lerdinhos- ela debochou, me deixando mais uma vez sem entender o que estava acontecendo.  -Você tem certeza que não quebrou?- Bailey mudou de assunto, encarando sua mãe.  -Tenho, você não estaria aguentando de dor se tivesse quebrado.  -Talvez eu não esteja aguentando de dor- ele descansou o peso de sua cabeça sobre minha barriga e eu precisei dar uma passo para trás para me equilibrar.  -Tudo bem que você caiu Bailey, mas não precisa derrubar Joalin para não sentir dor sozinho- a caçula revirou os olhos- Está muito folgado, sentado enquanto todas nós olhamos para sua cara f**a, ouvindo você reclamar a cada três segundos e ainda precisa apoiar todo o seu peso na menina?  -Está tudo bem, Maya- ri da preocupação da garota comigo e também de sua implicância com seu irmão mais velho.  -Ele não está parido, quando tiver filhos, ele quem vai desmaiar no parto. Você é um anjo, Joalin.  -Preciso concordar, dos 17 anos de idade do meu filho não lembro dele conviver com alguma garota sem que ela reclame em algum momento. Isso porque vocês estão juntos o tempo todo.  -Sabi que o diga, 5 minutos e eles já começam a brigar- eu disse rindo, nitidamente envergonhada.  -Vocês três estão fazendo complô contra mim?- ele levantou um pouco a cabeça e eu tirei meu braço de seus ombros, o apoiando e minha própria cintura.  -Sim- as duas filipinas responderam na mesma hora em que eu disse "Não".  -Falando sobre Sabina, alguém tem que me substituir quando vocês passam muito tempo longe de casa- Maya riu e Vanessa tirou a bolsa de gelo da mão de Bailey, o vendo reclamar.  -Remédio para dor e água- Matt surgiu e seu filho tirou o braço da minha cintura antes de pegar a pílula e o copo com ele.  -Você desceu para comer, conseguiu fazer isso ou caiu na ida até a cozinha?- perguntei passando os dedos por entre os fios de seu cabelo. Estava sonolenta demais na hora que ele desceu e perdi a noção do tempo, até acordar com o barulho da queda seguido pelos gritos.  -Foi na ida. Eu até perdi a fome.  -Bom, prevejo dores no corpo por alguns dias- Matt constatou.  -Eu vou para o meu quarto, talvez minha cama ajude com isso- ele levantou.   -Quer ajuda?- me referi as escadas.  -Pode trazer o gelo, por favor?- concordei, pegando a bolsa das mãos de Vanessa, já que ele mantinha uma mão estabilizada e na outra carregava o copo d'água. Ele começou a subir os degraus na minha frente.  -Cuidado para não cair de novo- Maya disse rindo, quando ele já estava na metade do lance de escadas.  -Tão engraçada, Maya- ele debochou, sem se virar para nós.  -Querida- sua mãe tocou meu ombro- No armário do banheiro dele tem uma atadura, pode lembrar ele de usar quando o gelo acabar? Bailey é um pouco dramático com questão a dores e se bem o conheço, vai acabar piorando as coisas de tanto mexer no dedo se ele não tiver imobilizado.  -Claro, eu pego para ele quando o gelo derreter- o filipino já estava no quarto quando eu entrei. Fechei a porta atrás de mim e lhe entreguei a bolsa, vendo que as pedrinhas já estavam bem pequenas.  -E então- ri baixo caminhando até o banheiro e abrindo o armário embaixo da pia- Tropeçou em suas próprias pernas?  -Levantei com a perna dormente e começou a formigar conforme eu andava, pulei um degrau por causa disso e acabou que foi pior assim- mesmo de costas pude perceber que ele tinha revirado os olhos- Não sei o que é pior, o dedo doendo ou as costas ardendo.  Achei a caixa com a atadura, que Vanessa tinha falado. Lá também tinham alguns outros medicamentos e itens básicos de primeiros socorros. Peguei um esparadrapo, band-aid e achei uma pomada para dor muscular.  -O que é isso?- ele me viu voltando para o cômodo com as coisas na mão.  -Depois de tantos anos na faculdade de medicina, não confia mesmo em mim?- brinquei, me fingindo de ofendida e ele riu, tirando a bolsa de gelo da mão e apoiaindo-a sobre a mesinha.  -Ok, então vou confiar.  Me sentei em sua frente e ele colocou a mão em cima da minha coxa, passei um pouco da pomada no dedo machucado e esfreguei um pouco. Sabia que se o fizesse por muito tempo iria acabar ardendo então logo enrolei a atadura da melhor forma que consegui e a fechei com o esparadrapo.  -Quer passar nas costas também?- levantei a pomada.  -Por favor- pediu, tentando tirar a blusa sem mexer a mão machucada. O ajudei e ele virou de costas, ainda sentado.  -Seu cotovelo está arranhado, vou colocar um band-aid- avisei.  -Recomendações da minha mãe?  -Com certeza- ri baixo colando o adesivo por cima da linha arranhada e em seguida espalhando a pomada por algumas manchas que já se formavam em suas costas- Tá ficando roxo- avisei.  -Acho que deve ser na parte que eu bati nos degraus- disse gemendo baixo de dor, quando toquei um dos machucados.  -Desculpa. -Tudo bem, está tentando ajudar.  -Prontinho- Bati meus dedos na palma da outra mão, como se fosse ajudar a tirar os resquícios do produto, o que com certeza não foi nada útil.  -Obrigado- ele voltou a se virar para mim e eu abaixei a cabeça, para fechar a embalagem. Bailey apoiou a mão no meu ombro quando eu estava prestes a levantar, para guardar as coisas no banheiro.  Subi o olhar e percebi seu rosto próximo ao meu. d***a, o que estava acontecendo?  A pergunta parecia não se referir só ao momento em si, mas a uma boa parte de nossa amizade ou pelo menos, todo o tempo que venho passando na casa da família May.  -Bay- respirei fundo e meus olhos vacilaram, correndo para a direção de sua boca. Foi inevitável, foi impossível ele não se aproximar e mais difícil ainda meu corpo reagir de forma contrária- Tem certeza?- era quase um gemido, uma súplica e mais que isso, um pedido de autorização, um questionamento sobre, se de fato, ele estava ciente de seus atos.   Era insanidade, não podíamos, mas queríamos e isso era tão nítido como o nascer do sol de verão.  -Tenho- o fio de voz confirmou, ao mesmo tempo em que sua mão, não machucada, correu até a altura do meu pescoço e enquanto seu polegar pairou em meu queixo, a ponta de seus outros dedos brincavam com os fios desordenados de cabelo na minha nuca- Você tem?- me devolveu a pergunta, clamando por uma autorização que eu já tinha concedido, quando o fiz tal pergunta.  Seu rosto estava a milímetros do meu.  A resposta foi automática, minha cabeça teve autonomia própria para se posicionar em sinal afirmativo e, naquele momento, eu já não sabia se o que guiava eram meus sentimentos e atos, se era coração, razão ou o que mais pudesse ser.  Eu apenas esperei, fechei os olhos e senti seus lábios se colando aos meus.  Senti e vivenciei o gosto da maior insanidade. Aquela que me fazia criar um milhão de perguntas e paranoias, a que me fazia temer e sem sombra de dúvida
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