Bailey
Eu tinha perdido as contas de quanto tempo passei abraçado com Joalin, sem mudar de posição e tentando da forma mais sincera possível fazer ela se sentir melhor. Conseguia ouvir seu choro baixo e por muito tempo os soluços preencheram meus ouvidos, me cortava o coração vê-la passando por essa situação, ela que, além de maior vítima da história era também quem mais sofria com seu destino.
Era um momento em que eu nem sabia como seria o melhor desfecho, seu pai um dia a procurar ou não o fazer e nunca dá-la a oportunidade de se quer falar com ele.
Naturalmente, cada novo dia com Joalin era um aprendizado, é claro que cada um de nós tínhamos problemas e batalhas diferentes para enfrentar mas a finlandesa me inspirava a ser uma pessoa melhor a cada dia, ela destacava esse lado em mim e, mesmo que na maioria das vezes sem intensão, me ensinava com sua história de vida.
Assuntos sérios, alguns nem tanto, era sempre um novo aprendizado. Com ela eu poderia ser absoluta e absurdamente verdadeiro, ela me apoiava em minhas qualidades, me fazia me orgulhar disso e me ajudava com meus defeitos, me dava motivação para crescer, aprender.
Eu percebi que ela dormiu em meus braços, seu sono parecia estar extremamente leve e por isso decidi levá-la até minha cama antes que pudesse realmente relaxar e acordar com dor pela má posição.
-O que- ela resmungou quando me levantei e a ajeitei em meu colo.
-Shiii. Pode continuar dormindo- disse colocando-a sobre o colchão e a cobrindo- Vou lá embaixo pegar alguma coisa para eu comer, você quer?- perguntei com a voz baixa.
-Não, eu estou bem. Obrigada- ela deu um sorriso fraco e me encarou antes de fechar os olhos vermelhos novamente. Deixei um beijo em sua testa e saí do quarto, sentindo minha perna formigar por ter ficado tanto tempo na mesma posição.
Senti meus músculos tremerem enquanto descia o primeiro lance de escadas e resolvi pular o último degrau do mesmo, evitando forçar mais a perna e sentir tal sensação estranha. Eu só não contava que o feito me faria cair, o barulho foi alto e para piorar, senti todo meu tórax e batendo nos degraus com força, por cima da minha mão.
-Bailey?- Maya foi a primeira a aparecer, eu suspirei encarando o teto e esperando que ela chamasse meus pais -MÃE, PAI, O BAILEY CAIU DA ESCADA- gritou, 3 segundos antes de começar a me gravar. Era sério? Ouvi os passos dos dois e em pouco tempo meu pai surgiu com a expressão assustada.
-O que aconteceu?- ele perguntou preocupado.
-Bailey, o que aconteceu? Bailey...- minha mãe disse na mesma intonação e minha irmã riu.
-Acho que quebrei meu minha mão- eu disse ainda com a respiração acelerada.
-Maya, não ria- ela ralhou a mais nova. Tentei regularizar minha respiração mas eu estava literalmente morrendo de dor.
-Onde? Onde? - me pai tentou entender.
-Meus dedos. Eu não sinto meus dedos. Está doendo muito, preciso de água gelada- reclamei tentando segurar as lágrimas e olhei para o topo da escada, vendo Joalin descer assustada.
De uma forma estranha, me sentia mais calmo em ver sua presença, o que foi um pouco inesperado já que nem mesmo minha própria mãe teve esse efeito. Quer dizer, se eu tivesse caído algumas semanas atrás, eu só iria querer colo e carinho de mãe, e não desprezando a Dona Vanessa, mas naquele momento era a Loukamaa quem eu queria, ou precisava.
-Bailey, o que aconteceu?- ela tinha a mesma expressão assustada dos outros, com exceção de Maya que prendia a risada. A finlandesa se ajoelhou do meu lado e colocou a mão na minha testa.
-Acho que eu quebrei minha mão- minha voz saiu um pouco mais calma quando senti seus dedos por entre meus cabelos. Encarei Maya e ela abaixou o celular, parando de gravar enquanto meu pai tentava fazer com que eu mexesse em meus dedos.
-Não está quebrada Bailey- ele apontou para os movimentos doloridos e apertou os ossos.
-Maya pegue gelo- minha mãe ordenou.
-Você bateu a cabeça?- Joalin perguntou, acho que naquele momento ela era a única que mantinha o tom carinhoso já que meus pais gritavam visivelmente desesperados e minha irmã parecia se divertir com a situação.
-Acho que sim, mas não muito forte.
-Vem, vamos levantar- meu pai disse me segurando pelo ombro da mão machucada, enquanto minha mãe me puxou pelo braço do outro lado e Joalin me deu apoio na cintura. Eu sentei em um banco que tinha entre os dois andares e Maya voltou, com o gelo dentro de uma bolsa própria.
-Vou procurar algum remédio para dor- meu pai foi para o segundo andar enquanto minha mãe esticou meu braço e colocou a bolsa sobre minha mão. Gemi de dor e suspirei em seguida.
Joalin parou ao meu lado e viu meu incômodo no pescoço, abracei sua cintura como uma criança carente e vi sua mão pairar em minha nuca, onde ela começou a massagear, sem tirar as os olhos da bolsa de gelo e do meu dedo que parecia começar a inchar.
Funguei e vi Maya apontar o celular em minha direção, ela estava rindo de novo. Só que dessa vez, fez com que as duas que cuidavam de mim se encarassem e também começassem a gargalhar.
-Você é muito fraco para dor, Bailey- minha irmã aproveitou a oportunidade para brincar com minha cara, eu revirei os olhos.
-Seu irmão é um neném de 17 anos, Maya- Joalin me encarou sorrindo e instantaneamente um bico se formou em meus lábios. Pressionei sua cintura com um pouco mais de força e ela apoiou o braço em meus ombros, acariciou minha cabeça e deixou um beijo por cima do cabelo, de forma carinhosa.
Ela era exatamente quem eu precisava do meu lado nesse momento.
-Já viram aqueles t****k de "Tentei beijar meu melhor amigo"?- Maya começou, aleatória- Acho que vocês dois deveriam tentar