No salão da mansão Heinstein o clima era de festa e irritação. Cronos, junto ao famigerado Dionísio, apareceram na manhã de quarta-feira acompanhados por um exército de servos empilhando vários objetos de festa. O imperador dos mortos e sua trupe é claro, não sabiam de nada a respeito disso. Hades estava quase trancando seu pai e sobrinho problemáticos no tártaro.
- Pai! – Hades gritou enquanto tentava evitar que a veia em sua testa explodisse de tanta raiva – O que significa isso?
- Legal, né?! – Falou o deus do tempo animado, sem se importar com a clara irritação do filho – Eu pensei em fazer na Giudecca, mas ninguém ia querer atravessar o inferno para ir em uma festa e a mansão Heinstein é muito melhor!
Não era isso que ele queria saber. Quem infernos deu permissão para fazerem uma festa em sua mansão?
Com olhos ardendo em chamas e uma veia prestes a estourar na testa, o deus dos mortos respirou fundo e começou a contar, até que um servo desastrado derrubou um barril de vinho acidentalmente em sua cabeça.
Hades explodiu e em um piscar de olhos todo o salão se viu envolto em chamas azuis que consumiram toda a decoração, comida e utensílios da festa. Quando Hades finalmente se acalmou o salão estava em silêncio. Os servos que foram trazidos de fora se encolhiam de medo em um canto, os subordinados do próprio Hades apenas mantinham as cabeças baixas, enquanto Cronos e Dionísio encaravam incrédulos o senhor da morte.
- Tio! – Dionísio abriu a boca se arrependendo no mesmo instante ao receber o olhar cheio de adagas de seu tio, mas com coragem continuou – O vovô disse que você queria dar uma festa em celebração a chegada do meu sobrinho, por que o senhor está tão zangado?
Enquanto Hades lançava um olhar mortal para o pai, Cronos rogava todas as pragas e maldições que conhecia para cima do e******o neto.
- Em minha defesa! – Exclamou o senhor do tempo, dando pequenos tapinhas nos ombros do filho e colocando a careta mais sem vergonha que podia – De todos os meus filhos você foi o que mais demorou a me dar netos, agora que finalmente você entrou no time da paternidade eu achei que valia a pena comemorar.
- Meu senhor........ – Pondo sua vida em risco Minos se atreveu a falar, embora sentisse o ar ao seu redor congelar diante do olhar de seu mestre – Creio que ele deva ter alguma razão nisso. Seria bom nós concebermos um evento formal para apresentar o nosso jovem mestre.
- Besteira! – Hades bufou e varreu as longas mangas de seu manto – Todo o céu, terra e inferno sabem que agora tenho um filho! Qual o sentido de fazer uma festa? Vai ser apenas um desperdício de tempo e estresse para mim e meu filho.
- Errado! – Cronos pulou em protesto, tendo sua coragem aumentada quando viu que os subordinados de seu filho ao menos em parte concordavam com ele. Então bateu no ferro quente – Eles sabem que você tem um filho, no entanto é uma convenção social apresentar a criança, já que você vai fazer dele seu herdeiro. Além do mais, todos os seus sobrinhos tiveram uma festa de apresentação e o seu filho é o primeiro bebê entre nós deuses. Lembre-se que mesmo você e seus ao nascerem, não eram tão pequenos.
- Pai! Você apenas quer uma desculpa para dar uma festa – Hades estava prestes a perder a paciência novamente – Ele ainda é jovem demais!
- Mas que ultraje! – Cronos falou como se estivesse ofendido – Estou fazendo tudo, visando o melhor interesse do meu neto! Isso teria que acontecer mais cedo ou mais tarde, por que não agora?
Olhando em volta do salão e se sentindo cansado de argumentar com seu pai, o deus dos mortos se comprometeu. Sabia que se não concordasse com aquilo a possibilidade de seu pai maluco envolver seus irmãos problemáticos seria grande. Concordando com essa bendita festa se livra de seu pai, dos seus irmãos e supre a necessidade de seus subordinados de se vangloriarem de seu jovem mestre.
- Está bem! – Hades falou – Mas quero ver a lista de convidados e não quero bagunça. Minos incremente a segurança do castelo e dos portais para o submundo, não quero acidentes.
- Sim, senhor! – Tendo suas ordens o espectro de Griffon correu para fazer o que lhe fora ordenado e preparar seu traje para a noite.
- Pandora! – Hades se virou a mulher atrás dele – Ajude eles com a festa, organize bem as coisas para não termos que ficar caçando deuses bêbados pelo castelo depois.
- Sim, mestre Hades – Fazendo uma reverencia a mulher fez um sinal com as mãos indicando que os servos e os dois deuses deviam segui-la.
Vendo que dois de seus subordinados mais confiáveis estavam ajudando com a festa, Hades deixou uma última ordem, de que todos os espectros que não estivessem em serviço deviam vigiar Cronos e Dionísio para que não causassem confusão.
De volta ao submundo, Hades seguiu para os campos Elíseos, aonde seu filho brincava com as ninfas. Os altivos espíritos da natureza faziam cocegas, caretas, barulhos e se transformavam para arrancar doces risadinhas do garoto que mais pareciam com sinos. Era uma imagem adorável.
Ao longe Calisto, a líder das ninfas, trabalhava com cuidado um tecido, mas sempre prestando atenção ao garoto. O senhor dos mortos parou um pouco para observar aquela cena. As ninfas sempre foram espíritos alegres, mas de algum modo, desde que Shun chegou ali todos pareciam ter sido pintados com uma nova vitalidade. Fazia apenas algumas semanas.
Pelos céus! Como ele rezava para que os pais do garoto nunca causassem problemas. Não saberia como viver sem a presença desse raio de luz em sua vida.
Um barulho lhe chamou a atenção dos pensamentos deprimentes, quando virou o olhar viu um par de mãos brancas e gordinhas grudar em seu rosto, e duas gotas de esmeralda a lhe encararem. Uma jovem ninfa, cheia de coragem havia levado a criança até seu mestre. Se fosse em outros tempos a garota poderia tremer de medo, mas todos podiam ver o amor que seu senhor nutria por seu jovem mestre.
- Meu senhor! – A garota falou sorrindo – O jovem mestre passou o dia inteiro aguardando vosso retorno.
Retornando de seu momento de perplexidade, Hades assentiu com um rosto sério e tomou a criança em seus braços, se dirigindo para dentro da construção logo depois. As ninfas que ficaram para trás deixaram escapar suas risadas levemente até serem reprendidas por Calisto que as dispensou. Seguindo seu mestre a chefe das ninfas hesitou por alguns momentos antes de perguntar:
- Meu senhor! – Hades se virou para encará-la – Há algo mais que deseje?
- Não, pode ir – Sem esperar uma resposta se virou e foi embora.
Parada no longo corredor, Calisto encarou seu senhor com um pequeno sorriso no rosto. Se fosse em outros tempos ele não teria sequer parado para ouvi-la. A chegada de seu pequeno mestre realmente fez bem ao seu senhor Hades, ele visivelmente estava mais feliz do que nunca.
Em seus aposentos Hades brincava distraidamente com seu filho. O fazia voar, fazia caretas, soltava altas gargalhadas com as tentativas do garoto de se manter em pé na cama, beijava e abraçava o garoto. O tempo passou rápido e antes que o senhor dos mortos se quer pudesse notar, estava contando uma das histórias estapafúrdias de seus irmãos ao filho. O garoto parecia lhe entender, pois não parava de rir. Em algum ponto das muitas histórias o garoto adormeceu e sem perceber o senhor dos mortos o acompanhou no mundo dos sonhos.
Pai e filho acompanharam Morfeu até uma bela terra de fantasia e música, por lá suas almas ficaram, enquanto seus corpos físicos descasavam nos Elíseos.
Enquanto isso na mansão Heinstein Pandora listava um grande grupo de deuses que não poderiam, dadas as tensões com o senhor dor mortos, serem convidados. Acontece que essa lista abarcava quase todos os deuses existentes. Cronos estava quase perguntando qual era o deus que por acaso não tinha problema com seu filho, no entanto com medo da resposta ficou calado.
- Minha querida Pandora! – O deus do tempo interrompeu a mulher – Eu entendi o que você quer dizer, mas eu tenho que dizer para você não se preocupar, pois eu já enviei os convites.
- O quê?! – Pandora surpresa encarou o deus e por um momento sentiu um calafrio subir pela espinha – O senhor Hades pediu para verificar a lista de convidados.
- Eu sei! Vou mandar a lista para ele – Cronos sorriu traquina, saindo do local e deixando uma petrificada Pandora para trás.
Ora essa! Ele não era i****a, se deixasse seu filho cuidar dos convidados não teria ninguém na festa além dos espectros. Não seria nada divertido.
Em todos os cantos do mundo deuses de todas as fés recebiam um brilhante convite. Uma festa para comemorar o primeiro filho de Hades. Muitos ficaram confusos. É necessário dizer que Hades não era bem um deus querido, no entanto festa era festa. Poucas coisas interessantes aconteciam quando se era imortal, então era necessário agarrar todas as boas oportunidades de se divertir.
Enquanto os outros deuses se enchiam de interesse e animação, no santuário de Athena o clima era de tensão. Eles nem deram atenção ao convite que receberam da festa. O desaparecimento de um cavaleiro estava deixando todos com os nervos a flor da pele. Mesmo que Cronos já tenha aparecido para explicar, ele não era um deus no qual se podia confiar, então Athena ordenou aos seus cavaleiros, sigilosa investigação para comprovar se o que o deus do tempo dizia era certo.
O convite para a festa de Hades caiu no mais profundo esquecimento.
Na casa de câncer Máscara da morte saia apressado, correndo afobado pelas doze casas. Até mesmo se esquecendo de pedir passagem. Chegando ao salão principal, aonde se encontravam Athena e o grande mestre quase desesperado.
- Athena, encontrei o Shun!