Terror

2367 Palavras
Quando Hades adentrou do o salão de festa, sua aura gelada fez com que toda a conversa e barulho nos três salões caísse em profundo e gélido silencio. Alguns deuses cujo atributos não tinham nada a ver com a escuridão ou submundo, sentiram como se as almas mortas e atormentadas do inferno estivessem escalando por seus corpos tentando prende-los em um poço de tormento e desespero.   Ao mesmo tempo que vários deuses entravam em parafuso com a aura n***a de Hades, outros deuses prestavam atenção na pequena bolinha vestida de branco nos braços do senhor da morte. A aura dos dois eram muito diferentes, a criança exalava paz e tranquilidade, nos braços de Hades parecia que a pequena bola de luz iria ser consumida pela escuridão.   Tão diferentes, mas tão harmoniosos, como o Ying e Yang.   - Sejam todos bem vindos ao castelo Heinstein – A voz rouca e profunda de Hades retumbou – Estamos aqui reunidos para comemorar a vinda do meu primeiro e único filho. Agradeço a presença de todos os aqui reunidos. Eu espero fazer da vinda do meu filho um sinal de renascimento do submundo e assim como um gesto de boa vontade e paz em direção a todos os deuses, mas principalmente a minha maior inimiga, Athena, que eu decidi batizar minha criança como Shun. O nome do mais gentil dos cavaleiros santos e a alma mais pura da terra. Sem mais delongas, por favor aproveitem a festa.  No meio da multidão Athena abriu os olhos com a inesperada surpresa, os cavaleiros que lhe acompanhavam prestavam mais atenção ao deus e a criança agora. Shaka, especialmente lhe sentia familiar o bebê. Com a intenção de investigar mais a fundo, o cavaleiro de virgem tentou se aproximar das escadarias nas quais Hades estava parado fazendo seu discurso de boas-vindas. No entanto sentiu o olhar dos espectros sobre si, o que o fez parar seus movimentos e se tornar cauteloso.   Encarando a criança nos braços do deus, Shaka teve um vislumbre de dois pares conhecidos de olhos esmeraldas. Quando, nos braços do senhor da morte, a criança que mexeu querendo espiar a multidão, seu olhar infantil acidentalmente encontrou com dois pares de olhos azuis profundos. Aqueles olhos não podiam provar nada, ainda mais que Shaka não conseguia sentir o cosmo do garoto, mas algo dentro dele lhe dizia que aquele que buscava estava era na verdade aquela criança.   Retornando para o lado de sua deusa, o cavaleiro de virgem achou que seria melhor contar suas suspeitas uma vez que voltassem ao santuário, com tantos deuses ali e uma guarda reforçada de espectros, qualquer ato que tomassem poderia muito bem acabar em guerra.   Athena parecia compartilhar da cautela de seu cavaleiro, pois retirou as ordens de infiltração no submundo pedindo apenas para que eles ficassem atentos.    Os cavaleiros de Athena podem ter até desistido de fazer bagunça, mas não significa que eles eram os únicos baderneiros com os quais os espectros deveriam se preocupar. No final de seu discurso Hades seguiu em direção a um trono especialmente preparado para ele na parte norte do salão, oposto as escadarias. Os deuses gêmeos da morte e do sono faziam sua escolta pessoal essa noite de forma que estava cada um de um lado de Hades, esse que por sinal observava o salão com um olhar frio e predatório.   O deus dos mortos havia recebido a lista de convidados que iriam participar daquela festa, no entanto ele poderia dizer com absoluta certeza que fora tapeado pelo pai. Pelas pessoas que via de seu trono, nem mesmo metade da lista que lhe fora entregue era verdadeira. Para começar, não havia tanta gente.     Em um ponto morto do salão, o deus do tempo ria com outros deuses de sua geração, falando coisas como o crescimento das crianças e como era difícil ser pai mesmo sendo um deus todo poderoso. O grupo de deuses velhos ria e concordava, cada um falando de seus próprios filhos e os problemas que eles traziam. Cronos nem imaginava que nesse exato momento, seu filho o estava caçando com olhar, desejando lhe acorrentar na cela mais profunda do tártaro.     Enquanto Hades amaldiçoava Cronos com todas as injurias que aprendera ao longo dos séculos de existências, uma briga se iniciava entre Hermes, Anúbis e Minos no jardim externo do terceiro salão do castelo.    -Peço que retire o que disse! - Falava Minos calmo, mas sua vos era tão gélida quanto os campos de gelo de Asgard.   -Eu disse algo errado? - Ria Anúbis com escárnio - A menos que Hades seja um hermafrodita, me diga, que tipo de mulher se atreveria a se deitar com ele?! Nem mesmo Core se atreveu!   -Embora eu também tenha curiosidade a respeito desse detalhe – Falava Hermes com um falso sorriso nos lábios - Devo avisar a você para fechar esse maldito focinho que você chama de boca! Ainda não é a vez de Hienas podres como você interferirem em nossos negócios.   -Hora seu bastardo! - Gritou Anúbis com raiva – Quem você pensa que é? Não passa de um deus que já foi esquecido!   -Não me confunda com você senhorita Hiena! - Ria Hermes sem se importar com a irritação do outro deus.  -Eu dou um Chacal! - Bradou Anúbis, mas quando viu Osíris ameaçando ir até engoliu as ofensas que iria proferir sobre o nascimento de Hermes – Tch! Bando de hermafroditas! Não senti nenhuma energia divina no pequeno bastardo, aposto que foi feito por algum ritual profano com alguma mortal i****a! Essa coisinha deve desaparecer.......    Antes que o deus egípcio pudesse terminar sua frase, um soco de Minos acertou em cheio o seu rosto, fazendo com que voasse e atravessasse a mansão batendo direto na parede ao lado de onde Hypnos estava parado. A parede foi destruída com o impacto gerando uma imensa comoção no salão.    O ar gelou na mansão e todos os sons ficarão suspensos no ar. O olhar de Hades estava frio enquanto ele encara Minos que havia se apresentado para admitir a culpa, ao mesmo tempo os deuses do panteão Egípcio se reuniam diante de Hades.     -O que significa isso? - Inquiriu Amon ao lado de suas esposas Mut e Amonet.     Nesse ponto o salão havia se dividido. Em um lado os deuses gregos e seus guerreiros todos liderados por Zeus, Hera e Poseidon e do outro os deuses Egípcios liderados por Amon e suas esposas, enquanto o resto dos convidados se mantinha afastado dos dois grupos preparados para assistir um bom Show ou fugir se uma guerra se iniciar. Todas as entradas para a submundo haviam sido seladas e os espectros já haviam se reunido no centro da confusão preparados para lutar. Anúbis foi recolhido por Hermes e forçado a se ajoelhar junto a Minos diante de Hades. O clima pesava e todos esperavam a resposta do deus grego dos mortos.     Como se não vendo a tensão que se formava no salão e ignorando o deus ajoelhado diante de si, Hades brincava tranquilamente com a criança em seus braços. O deus achava divertido as diferentes facetas que o garoto fazia ao balançar um fantoche de dedo de um lado para o outro. Essa atitude de Hades apenas fez com que os deuses egípcios se irritassem, fazendo com que de forma imprudente Hórus, filho de Osíris, emanasse uma rajada de intensa de energia em direção ao imperador dos mortos, o que assustou a criança nos braços do deus.     Um som estridente de choro foi ouvido no salão junto com estrondosos baques surdos advindos dos espectros que se ajoelharam rapidamente ao ouvir seu jovem mestre começar a chorar. Morfeus sobre ordens de Hypnos, rapidamente rendeu Hórus ao lado de Anúbis. A ação levou os deuses egípcios a invocarem suas armaduras e armas, claramente prontos para começarem uma batalha. Como os gregos também não são de levar desaforo para casa, eles também invocaram as armaduras igualmente prontos para a batalha.    Hades encarou friamente os dois grupos e depois bufou para o trio ajoelhado no chão. Em sua mente o deus apenas pensava que esse tipo de problema, apenas podia ser vindo de alguma ideia descabida de seu pai. Em que mundo reunir todos os deuses em um único ambiente poderia acabar bem?    Terminando de acalmar a criança em seus braços, o deus convocou Pandora e as ninfas do submundo que rapidamente levaram o infante de volta, para a p******o do reino dos mortos e longe do m*l humor de Hades.    -Explique! - Ordenou a Minos que rapidamente repetiu todas as palavras de insultos de Anúbis e explicou suas ações.     Assim que o espectro terminou de falar o panteão grego já estava pronto para reunir os exércitos divinos e iniciar uma guerra com o panteão egípcio.     -Não vamos engolir uma ofensa dessas Amon – Bradou Zeus sem deixar espaço para Hades sequer se pronunciar - Vocês se atrevem a atacar, não uma, mas duas vezes um deus e uma criança, sendo convidados em sua casa. Com o poder a mim conferido como......    Antes que Zeus pudesse dizer mais alguma asneira, Hades o arrastou para a décima terceira prisão do tártaro e o deixou trancado lá. A ação dele surpreendeu todos os presentes que prenderam a respiração. A situação se tornou imprevisível.     -Hoje é a festa de nascimento do meu filho – Falou com sua voz profunda - Não quero derramamento de sangue e muito menos o início de uma guerra! No que confere a mim, não me importo com o lixo que sai da boca de um cão de rua – Seu olhar frio se fixou em Anúbis - No entanto as ofensas contra o meu filho são coisas que eu jamais passarei por alto. Anúbis! Como um deus do mundo inferior seu castigo por suas ofensas está dentro dos meus poderes, uma vez que você está sujeito as minhas leis. Levem ele! - Rapidamente os espectros Lune e Caronte arrastaram Anúbis do salão - Minos! Agredir um deus, não importa qual seja a razão é um delito grave, você passará uma semana fazendo companhia as almas do Cócitos.     -Espere! - Amon interrompeu Hades - Não pode simplesmente sair dando punições a todos. Anúbis ainda é um alto deus egípcio e uma semana é uma punição muito branda para o crime de atacar um deus! Sua resposta Hades, eu não concordo!     Amon encarava Hades com ar de superioridade, fazendo com que Cronos no outro lado do salão coçasse a mão para quebrar a cara do deus.    -Não posso dar punições? - Hades pela primeira vez em muitos milênios sorriu diante de uma multidão. Um sorriso frio, repleto de escárnio e malícia - Atribuir punições é meu trabalho e você diz que eu não posso fazê-lo.     Uma tempestade fria e caótica irrompe na mansão trazendo à tona toda a energia negativa dos mortos. Os deuses orientais que eram muito sensíveis a esse tipo de energia rapidamente se retiraram da mansão e os outros seres que restaram e não queriam se ver envoltos naquela briga se prepararam para sair também. O temperamento de Hades explodiu e até os deuses gregos queriam sair dali.     -Quem você pensa que é? - A voz profunda de Hades ecoou em cada canto da mansão, arranhando o coração de cada divindade ali presente como se fosse um espírito de sereia vingativo – Devo lembrá-lo Amon, que desde a unificação do submundo séculos atrás, todos os seres vivos ou mortos que habitam o mundo inferior respondem a mim e isso incluem as divindades, não importa de onde sejam. A minha boa vontade permitiu que eles continuassem governando seus velhos territórios, mas todos eles me pertencem! - A voz venenosa de Hades prendia e corroía as  entranhas dos deuses egípcios, que jamais esperaram tamanha demonstração de poder vindo daquele homem – Seja a vida ou a destruição de Anúbis, eu sou aquele que tem a palavra final e você deveria estar me agradecendo que eu permita ainda que ele exista.     Todos no salão estavam petrificados e alguns tremiam de medo. O deus dos mares Poseidon queria sair dali, Hermes pensava em todas as vezes que provocou o deus dos mortos e se arrependia mortalmente, Athena ficou abismada e imaginou qual teria sido o destino dela e de seus cavaleiros caso Hades tivesse usado esse nível de poder nas guerras santas. Cada deus no salão tremeu diante da explosão do imperador dos mortos. O único que não parecia surpreso com a situação era Cronos.    Como pai o deus do tempo conhecia melhor do que ninguém seus filhos. Ele sabia que apesar de parecer sempre calmo e indiferente Hades era alguém que perdia os estribos facilmente. Se aquilo continuasse seria uma catástrofe!     Repentinamente a tormenta cessou. E o olhar sombrio que havia dominado a face do senhor dos mortos voltou a ser frio e indiferente. Varrendo com o olhar os deuses egípcios, Hades ergueu a mão direita e desenhou alguns símbolos no ar. Os símbolos voaram e se dividiram seguindo em direção as divindades do Nilo.    -Pelo caos que causaram hoje eu deveria prende-los no tártaro! - Hades declarou estoico – Tomem isso como amostra da minha misericórdia. A partir de hoje não poderão dar um passo fora das terras do baixo Egito e caso façam terão suas almas destruídas. Anúbis será privado de seu status de divindade do mundo inferior e será exilado na terra, condenado a viver como mortal. Essa é a minha sentença! Agora, saíam do meu palácio!    Em uma lufada rápida de ar todos os deuses se viram de fora da barreira do castelo. Assim como foi dito no momento que Anúbis saiu do castelo sua divindade foi tomado e ele se transformou em mortal. Que Hades tenha um poder tão assustador fez com que calafrios subissem pelas espinhas de vários deuses.     Depois de tanta confusão e tensão, cada deus seguiu seu caminho. Os infelizes deuses egípcios não puderam fazer nada além de retornar ao Egito, vários com o orgulho ferido.     Enquanto isso nos Elíseos a divindade que quase destruiu dois panteões lia uma história de ninar para uma pequena criança que dormia tranquilamente em seus braços.    Em outro canto do submundo o azarado Zeus fugia de alguns urubus que queriam comer seu fígado.  
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