★ Lucy González ★
Beijar o Sonny era... Era como se eu tivesse quinze anos de novo e estivesse dando meu primeiro beijo no amor da minha vida. De certa forma, Carisi era o primeiro homem que eu me envolvia. Graças ao trauma do passado, eu nunca me envolvi com ninguém na minha vida adulta e, na minha adolescência, eu dava apenas alguns beijos embaixo da arquibancada da escola e escondida do meu pai nas corridas dele. Bitocas, coisas de adolescentes dos anos 2000. Nada além de mãos dadas, bitocas e dividir walkman.
— Está entregue, senhorita González. — Carisi diz quando paramos em frente ao meu prédio
— O senhor é muito gentil, senhor Carisi. — sorrio para ele e passo meus braços por seus ombros, dando-lhe um beijo tímido nos lábios — Tem estado tenso. O que houve?
— O exame da Ordem está chegando. Barba está me estagiando, mas eu estou nervoso.
— Você vai se dar bem. É muito inteligente e dedicado. — afago seu rosto
— E eu tive a melhor tutora do mundo. — ele sorri apertando minha cintura ao mencionar os últimos dias em que o ajudei a estudar, depois do trabalho
— Isso também. — acabo rindo
— O baile da polícia é nesta sexta.
— Sim, eu recebi o convite. Será que é igual aos do departamento? — pergunto curiosa
— Só vamos saber se formos.
— Então nós vamos. — sorrio fingindo estar confiante
— Sério? — ele parece surpreso — Está pronta pra aparecer em público como a futura possível senhora Carisi? — ele diz em tom brincalhão
— Estamos nessa há um mês, eu consigo me sentir cada vez mais a vontade ao seu lado e você disse não ter problemas em esperar. Então, sim, eu quero aparecer em público ao seu lado. — sorrio fazendo-o sorrir, mas logo depois desfaço a cara feliz — O-oh!
— O que foi?
— Isso significa que vou ter que conhecer seus pais e suas irmãs superprotetoras? — franzo o cenho o olhando com pânico
— Você tá nervosa? Quem devia estar nervoso sou eu. Já viu o tamanho do Hobbs?
— Acredite ou não, ele é o menor dos problemas.
— Se ele é o menor, eu não quero ver o maior.
— Bobo.
Alguns beijos e carinhos são trocados e então eu subo para o meu apartamento onde tomo um banho demorado, como uma pizza gelada de ontem e durmo feito uma pedra de tão cansada.
***
De manhã, na delegacia, tudo parece calmo. Como não vejo nenhum dos meus colegas, suponho que estejam na copa tomando café e conversando sobre alguma coisa. Tiro minha Magnum 22 da cintura e a coloco dentro da minha gaveta, presa num fundo falso que somente Olivia, Fin, Sonny e Amanda sabem que existe. Coloco o coldre na cintura e então coloco minhas duas pistolas presas ali. A maioria dos detetives usa apenas uma, mas eu ainda não consegui me livrar dos velhos hábitos. Mesmo após oito meses de esquadrão.
Meu celular vibra e eu o pego, vendo o visor me alertar que recebi uma mensagem do Sonny. Sorrio antes mesmo de abrir.
Espero que você tenha dormido bem
Bom dia! ;)
Carisi e sua mania de carinhas esquisitas ao final dos textos.
Digito uma resposta rápida e um bom dia pra ele, bloqueio o celular o guardando no bolso traseiro da calça e caminho para a copa, onde está a maior zoeira. Fin e Amanda estão implicando com Carisi, que está tão vermelho quanto um tomate.
— Ei! — digo alto chamando atenção — Bom dia. — entro na copa e vou até a máquina de café, colocando o meu pra fazer
— Bom dia. — eles dizem juntos
— Posso saber qual o motivo de tanta euforia? Ninguém trabalha nesse esquadrão? — pergunto pegando um potinho de salada de frutas no frigobar
— Não é nada. — Sonny diz visivelmente incomodado
— É alguma coisa sim. — Fin diz enquanto eu coloco meu copo de café e minha salada em cima da mesa — Rollins descobriu um segredo do Carisi.
— Um segredo? — rio apertando os ombros de Fin e beijando sua cabeça, num gesto carinhoso de bom dia
— Eu acho que o bonitão aí tá namorando. — Amanda diz rindo e eu arregalo os olhos
— Namorando? — olho para ela, para Fin e então para o Carisi — Namorando? — repito
Sem saber o que falar, acabo me entregando a uma crise de riso que me ataca desprevenida. Isso desencadeia risos do Fin, da Amanda e até do próprio Sonny.
— Por que você está rindo? Eu não posso ter uma namorada? — Sonny pergunta
— Eu não disse nada, garanhão. — me sento do lado do Fin e estico a mão pegando na mão de Amanda e dando um beijo nela. Estou mais próxima dessas pessoas a cada dia e me esforço ao máximo para mostrar o quão bem eles me fazem — Mas e então? Por que você diz isso, Amanda?
Tomo um gole do meu café e então abro o pote de salada de frutas. Sonny me joga um saquinho com um garfinho de plástico e eu agradeço desembrulhando e começando a comer.
— Eu cheguei por trás dele e o vi digitando uma mensagem. — ela diz — Não vi o destinatário, mas com certeza era alguém especial.
— E o que dizia a mensagem? — pergunto de boca cheia, o que faz com que o Fin me jogue o saquinho de guardanapos
— Espero que tenha dormido bem. Bom dia. — ela diz com voz melosa
— Isso é invasão de privacidade, Rollins. — Carisi bufa
— Tá bom, senhor advogado. Me processe por isso. — ela zomba
— Conta pra gente, Carisi. Quem ela é? Ela é legal?
— Qual é! — ele revira os olhos
— Ah, deixa de ser chato. — Amanda implica
— É, cara. Conta pra eles. — olho pra ele com um sorriso sapeca e ele me retribui o olhar
— Quer mesmo que eu conte, González?
Seu olhar encontra o meu e então eu sinto um arrepio passar por toda a minha espinha. Um arrepio bom que faz com que minha i********e comece a latejar. Eu me lembro dos sonhos que ando tendo com as mãos ousadas dele e sinto meu corpo esquentar.
— Oh, meu Deus! É claro! — Amanda diz, mas eu permaneço olhando para ele, encarando-o silenciosamente — Você sabe!
— Eu não sei de nada, Rollins. — digo ainda mantendo o contato visual com Carisi
— Não esconde o jogo, Lucy. — Amanda bufa
— Ok. — Fin diz alto e eu olho pra ele. Ele me olha como se já tivesse sacado tudo — Já entendemos que o segredo continuará.
— Acho isso muito injusto. — Rollins resmunga
— Qual é, Amanda!
— Ok! Ok! — Carisi diz alto atraindo a atenção — Eu tenho uma namorada, mas eu não vou dizer nada sobre ela, ok? Vocês a conhecerão na sexta-feira.
— Eu não ia nesse baile, mas agora vou. — Amanda diz animada
— Fofoqueira. — Fin implica
— O dia começou bom, hein?! — Olivia diz entrando na copa e indo preparar seu café — Que animação toda é essa?
— Carisi tem uma namorada. — Fin diz
— E vai nos apresentar na sexta. — Amanda complementa
— Bom. — Olivia ergue as sobrancelhas — Que bom, não é?
Sorrateiramente, Liv olha pra mim como se pudesse enxergar minha alma e todos os meus segredos. Envergonhada, baixo a cabeça e continuo comendo minha salada de frutas. Logo, meu celular vibra duas vezes. A primeira, uma mensagem do Sonny.
Se não aguenta provocação, não entre no jogo, baby ;)
Prendo os lábios segurando o riso e então abro a outra mensagem que chegou. É da Liv.
Mal posso esperar para conhecer a namorada do Carisi
Aliás, algo me diz que tenho que ir ao RH
***
— Fala a verdade, Shaune, você acha mesmo que aquele vestido é certo? — pergunto vendo a imagem da minha quase irmã na tela do meu celular em tempo real
— Está insegura? Pensei que já tivéssemos passado dessa fase.
— Não é insegurança. É que meus colegas de trabalho estarão lá.
— É um baile, Lu. Cause. Além do mais, eles já te vêem como policial e te respeitam por isso. Agora, podem te ver como mulher. Onde você está agora? Esse sofá não é seu. — ela diz encarando a tela
— Estou no apartamento do Sonny. Vim dar uma força, ele fez a prova da Ordem hoje.
— Vai dormir aí?
— Não, porque ele precisa descansar e, se eu dormir aqui, ele vai ficar nesse sofá.
— Por que vocês não dividem a cama?
— Com calma, Shaune. Um passo de cada vez. Não sei se estou pronta.
— É claro que está. Você sonha com ele te tocando toda a noite.
— Ei, baby!
A voz de Carisi faz com que eu entre em surto com a possibilidade dele ouvir o que estamos falando. Logo ele aparece na sala, usando uma calça de moletom e blusa de meia manga. Os cabelos estão penteados para trás e levemente molhados. Ele parece cansado.
— Terminei o banho. Se quiser usar o banheiro. — ele dá de ombros se aproximando
— Uh, ok. Eu tô... — digo desconcertada e ele se debruça ao se aproximar, me dando um selinho na boca — Conversando com a Shaune.
— Uh, Shaune. A famosa Shaune. — ele se senta ao meu lado e quase cola seu rosto no meu, pra aparecer na câmera
— Ei, você é o operador de milagres. — Shaune diz sorrindo — Como conseguiu abrir o coração da minha irmã, hein?
— Foi complicado, no começo. — ele diz rindo
— Ela é teimosa. Bem teimosa.
— Eu sei.
— Podem parar de falar de mim como se eu não tivesse aqui? Obrigada! — intervenho na conversinha deles
— Meu pai disse que você é um cara legal. — Shaune diz
— Uh, isso me deixa um pouco menos nervoso com a viagem. — ele diz sincero
— Sim, vocês vêm a Chicago no sábado, certo?
— Vamos pegar o vôo de uma da manhã, após o baile da polícia. — aviso
— Devem chegar pela manhã, então. Meu pai busca vocês no aeroporto.
— Ótimo. Carisi está nervoso com o almoço. — o entrego e ele fica sem jeito
— Relaxa. O tio Ian nem vai estar presente. — ela brinca
— Sim. Eu disse a ele que seu pai é o menor dos problemas. — começo a rir
Dominick “Sonny” Carisi Jr.
Eu esperei impacientemente na portaria do prédio dela por meia hora. Quando mandei a mensagem dizendo que estava vindo, ela disse que estava quase pronta. Será que desistiu? Será que teve uma crise de pânico? Bom, de uma coisa eu sei, eu estou quase entrando em pânico.
— Ok, estou pronta. Se você olhar nesse relógio mais uma vez, vou fazê-lo descer pela sua garganta.
Sua voz me pega desprevenido e, quando ergo o olhar em sua direção fico completamente sem palavras.
Sabe, eu sou um cara bem tagarela, confesso, mas eu não consigo pensar em nada agora. Nada que eu possa dizer em voz alta.
Ela está absolutamente incrível, incrivelmente esplêndida. Eu... Me sinto levemente desconcertado.
— Por favor, diz alguma coisa, porque eu tô em pânico. — ela diz ao se aproximar de mim
— Você tá magnífica. — digo embasbacado
— A Shaune me fez comprar esse vestido, eu queria bater nela, disse que era inapropriado e... — ela desanda a falar e eu me aproximo, segurando seu rosto com as duas mãos
— Você. Está. Incrível. — digo olhando em seus olhos — Você é uma mulher incrível.
— Obrigada, Sonny. — ela sorri — Você é o homem mais incrível desse mundo.
Beijo sua testa e, juntos, entramos no táxi. O caminho é silencioso e o tempo todo Lucy segura em minha mão. Eu sinto sua palma um pouco suada e as pontas de seus dedos geladas. Ela está realmente nervosa. Será que vai ter um treco?
Quando chegamos em frente ao local do evento, saímos juntos do carro e respiramos fundo antes de entrarmos de mãos dadas. O evento está cheio de policiais e advogados, o que me faz receber alguns acenos rápidos.
Caminhamos por todo o local juntos, procurando por nossos amigos. Não demoramos muito a encontrá-los em volta de uma mesa, com taças de vinho nas mãos.
— Lá vamos nós. — Lucy murmura
— Sim, lá vamos nós.
Caminhamos em direção à eles e eu coloco a mão direita no bolso da calça, enquanto a esquerda segura firme na mão de Lucy. Olivia é a primeira a perceber nossa presença e abre um grande sorriso ao nos ver. Logo depois Fin nos olha e então Amanda. Por último, o Comissário Dodds, nosso chefe e seu filho, Michael. Vejo a surpresa no olhar de Amanda e de Fin, mas acho que a surpresa de Fin é sobre Lucy, já que ele não cansa de olhá-la. Já Amanda, parece absorver a informação de que Lucy é a minha namorada.
— Boa noite, squad. — Lucy diz sorrindo, tentando soar normalmente
— Amigos, essa é minha namorada, Lucy. — digo sorrindo — Lucy, esses são meus amigos.
— Estranho. Se parecem muito com os meus amigos. — Lucy brinca
— Uau! — Amanda diz ainda perplexa
— Esquadrão cupido. — o comissário diz
— Comissário Dodds. — Lucy solta a minha mão rapidamente para apertar a dele, num cumprimento firme
— Detetive González. — ele sorri para ela
— Esse é meu filho, Mike Dodds. — ele o apresenta para ela e para mim
— Chefe. — eu aperto a mão do comissário — Dominick Carisi. — digo ao apertar a mão de Mike
— Eu sou o Mike. — ele diz e se vira para Lucy e eu coloco as duas mãos nos bolsos — Agente González, não é? — ele pergunta ao apertar sua mão
— Detetive, agora. — ela sorri ao apertar a mão dele
— Eu admiro muito o seu trabalho nas forças especiais, ao lado do agente L. Hobbs. — ele diz
— Já nos conhecemos antes? — ela franze o cenho ao soltar a mão dele — Desculpe, é que eu tenho péssima memória. — diz enlaçando seu braço no meu
— Na verdade não. Eu é que pesquisei sobre você. Eu, um dia, cogitei entrar para as forças especiais.
— Poderíamos ter sido colegas. — ela sorri gentil — Acredite ou não, o DSS é pouco perto da SVU.
— Bom, ainda serão colegas. — Dodds diz e eu franzo o cenho
— Ah, claro. — Olivia diz notando que Fin, Amanda e Lucy também estão confusos — Mike Dodds é o novo sargento da nossa unidade. Fin não quis fazer a prova, Amanda não pôde, então... — ela nos olha e Amanda parece ter levado um soco no estômago
— Então eu enviei alguém que confio. — comissário Dodds sorri — Mas vocês podem falar disso depois. Com licença, vou apresentá-lo a um amigo.
Pai e filho se retiram e Lucy e eu tomamos seus lugares à mesa. Todos ainda parecemos degustar da notícia.
— Um sargento novo? — Fin resmunga — Qual é, Liv!
— Bom, você não quis fazer a prova, não é mesmo? Então não reclame. — ela o responde
— Agora teremos o filhote Dodds na nossa cola. — Amanda resmungou e bebeu um gole de vinho
— Ele não me pareceu uma má pessoa. — digo
— Ele é filho do chefe, Carisi. — ela me olha séria
— Podemos discutir isso uma outra hora, não? — Olivia interrompe nossos resmungos — Querida, você está linda. — ela abraça Lucy, que me solta para retribuir
— Obrigada, Liv. Você também está incrível. — ouço Lucy murmurar e elas se soltam — E você, hein Amanda? Tá bonitona nessa cintura marcada. — ela sorri
— Nada que uma boa cinta não segure. — Amanda resmunga e então as três mulheres começam a rir — Vocês dois, hein? Lonny é real? Como eu não percebi?
— Lonny? — franzo o cenho — Isso é horrível.
— Eu sempre soube. — Fin se gaba — Vocês têm química.
— A mais jovem agente do pelotão do Hobbs agora é parte de um esquadrão da polícia de Nova York.
Uma voz masculina nos interrompe e todos olhamos na direção da voz, que vem de trás de Lucy e eu.
O dono da voz é um homem alto, louro escuro e bem apessoado, usando um terno sob medida. Lucy se vira para ver quem é o desconhecido e então arregala os olhos.
— Oh, meu Deus! — ela diz surpresa
— Está tudo bem, querida? — pergunto
— E aí, Lucinda? — o cara sorri, um pouco distante de nós
— Jimbo!
Minha namorada abre um sorriso e caminha na direção do cara, dando-lhe um abraço apertado. Da minha posição, consigo ver o cara fechar os olhos ao apoiar o queixo no ombro dela e apertá-la em seus braços.
— Quem é esse cara? — Amanda pergunta
— Não faço ideia. — resmungo enciumado