Noah Porter-Benson

2223 Palavras
★ Lucy González ★ Sonny e eu nos sentamos numa mesa próximo a janela. Queríamos ver as pessoas passando na noite que começava a esfriar. Pedimos tacos e cervejas. Eu achei que o clima fosse ficar esquisito, mas não ficou. Conversamos sobre futebol, filmes, basquete, carros e séries. — Quando você começou a dirigir, naquele primeiro dia, sério, eu achei que ia morrer. — ele diz e eu solto uma gargalhada, tomando a atenção de todos no restaurante. Ele ri alto também — Você parecia muito séria e eu sei que já devia ter dirigido blindados e tudo mais, mas era um furgão. Um furgão em Nova York. — Aquilo não foi nada. — seco os cantos dos olhos — Você precisava me ver aos 15, 16 anos. Eu traçava todas as ruas de Los Angeles. — Você corria em racha? — Tá com seu distintivo aí? — ergo uma sobrancelha — Não. — ele ri — Então sim, às vezes. — dou de ombros — Meu pai era piloto de stock car. Não tinha como não gostar de velocidade. — Eu imagino que deve ter lembranças incríveis. — ele diz mordendo um de seus tacos — Tenho. Qualquer dia, eu te mostro. Tá tudo na minha casa em Los Angeles. — tomo um gole de cerveja — Sei. Você tinha razão. Esses tacos são incríveis. — ele limpa a boca no guardanapo ao engolir — Isso não é nada. Eu faço uns muito bons também. — Quanta modéstia. — ele implica — Gostaria de provar, um dia. — Eu faço pra você. — Vou cobrar. Você me faz tacos e eu te faço macarronada. A melhor da família Carisi. — Ui, senhor modesto. — rio — E se juntássemos nossas especiarias? — Tá falando de quê? Tacos de macarrão? — ele ri e eu acabo rindo alto de novo — É, tacos de macarrão. Aposto que vai ficar uma delícia. — Não apostaria muito nisso. — Eu apostaria. — Certo. Faremos tacos de macarrão, então. — ele diz e eu como o que sobrou dos meus tacos — Vai sair um filme muito bom que acho que você vai curtir. — Qual? — pergunto limpando a boca no guardanapo — Velozes e Furiosos. — ele diz e eu acabo rindo de novo — Que foi? É velocidade, ação. Grande franquia. — A história tem dado uma falhada, vai. Assume. — Tá. Reconheço que tem ficado meio bagunçado, mas vale a pena. — Não tem mais o que fazer. O Paul morreu, infelizmente, acabou a história. Agora fizeram o Dom ficar contra a família. — Ah, por favor. Vamos assistir. Estreia em três semanas. — Eu só vou com uma condição. — debruço na mesa — Tá. Fala. — Você vai maratonar Game of Thrones comigo no próximo domingo. — Ah, não. Isso é muito chato! — O que? Mas você nunca viu. — Porque é chato. — ele diz óbvio — Se você nunca viu, não pode julgar. Esse é meu preço. É pegar ou largar. — jogo as costas no encosto da cadeira e cruzo os braços — Tá bom. Velozes e Furiosos vale isso. — ele se rende — É bom o oitavo filme ser tão bom quanto os outros, meu chapa. — estreito os olhos — Se não vou fazer você pagar com uma maratona de Lúcifer. — Não! Você gosta disso? — arregala os olhos — Tenho todas as HQs nas quais a série foi baseada. Cuidado com o que for falar. — Você existe mesmo? — ele ri e debruça na mesa — Será? — me debruço também, ficando próxima a ele — Quer que eu te belisque? — Não. — ele sorri O garçom traz a conta e eu a roubo quando Carisi não está vendo. A contragosto, eu pago metade e ele a outra metade enquanto resmunga. Durante o caminho até o meu prédio, eu precisei escutá-lo falar que ele me convidou e que era cortesia ele pagar. Para fazê-lo parar de falar, falei pra ele pagar as guloseimas da maratona de GOT. — Bom, tá entregue. — ele diz parando em frente ao meu prédio — Sabe, eu... — coço a nuca, sem jeito — Me diverti bastante hoje. Como há tempos não fazia. — Eu também. A sua companhia é ótima. — Eu sei. — jogo o cabelo pra descontrair e fingindo nariz em pé. Ouço sua risada de novo — Não esquece de fazer a lista com as coisas para a minha tortura. — ele menciona o dia da maratona — Escute a voz da sabedoria que vos fala: você vai amar a série. — digo tirando o cinto — Duvido. — Eu mudo de nome se você não amar. — coloco a mão na trava da porta e a puxo, destravando a mesma — Posso ajudar a escolher seu novo nome? — ele brinca — Bobo. — sorrio — Até amanhã, Sonny. — Até, Lucy. Acho que um simples “até” não é suficiente. Rapidamente, me inclino na direção de Carisi e deposito um beijo em sua bochecha direita. Com a mesma velocidade, eu saio do carro e fecho a porta, entrando no meu edifício. Estou tão atordoada que nem mesmo cumprimento o porteiro. Apenas subo para o meu apartamento e me jogo na cama, encarando o teto por alguns minutos. Eu estou tão bem. Tão leve. *** — Se preparem. — Olivia surge na área de descanso interrompendo minha conversa com a Rollins sobre as descobertas da Jesse — Aconteceu alguma coisa? — Amanda pergunta quando nós a encaramos — Achamos o Johnny D. Aquelas palavras me arrepiam por inteiro e eu me coloco a sua disposição. Visto o colete à prova de balas, prendo o cabelo com um elástico mais forte, coloco minhas armas na cintura e um coldre extra na perna. Juntos, seguimos para onde o informante disse que Johnny D estaria com as meninas que foram sequestradas. Dentre elas, Ariel, uma menina cuja a mãe denunciou o desaparecimento. — A SWAT vai na frente. — Olivia diz — Permissão para ir na frente com a SWAT. — peço — Permissão negada. — Liv diz séria — Isso é sério? Por favor, sargento. Sabemos que eu posso fazer isso. — Você é detetive Júnior agora, González. Respiro fundo e vejo a SWAT invadir o local. Benson saca sua arma e entra logo atrás, junto com Fin. Encaro Carisi e Amanda. — Pode ir na frente. — Amanda diz — É. A gente não se importa. — Carisi dá de ombros — Ha! Ha! — rio sem humor Saco uma das armas da minha cintura e sigo pelo caminho escuro, estreito e molhado. Meninas seminuas correm na direção contrária e eu sei que acabaram de ser libertadas pela Olivia. Eu logo alcanço Fin, que está parado atrás de Liv, que observa o local com tristeza no olhar. — Fin e Carisi, vejam se não há mais meninas pra lá. — ela aponta a direção com o queijo — Sim, sargento. — Carisi diz passando por mim e seguindo com Fin — Olivia! — grito ao ver que um loiro ensebado vem em sua direção Eu a empurro e miro a arma nele, mas ela dispara no ar quando ele joga minhas mãos para o alto e se joga em cima de mim, fazendo-me bater contra a parede. Com o joelho, eu lhe acerto na barriga e, enquanto brigamos pelo controle da arma, sinto seus dois golpes fortes em meu rosto. Com rapidez, me recupero e lhe dou uma coronhada, o jogando no chão. Paro ofegante apontando a arma para ele e Amanda e Olivia fazem o mesmo. — Johnny D, você está preso. — Benson lhe dá a voz de prisão *** — Detetive González, eu creio que está ciente de que fez um juramento perante a esta côrte. — a defensora pública diz — Sim. — confirmo — Os hematomas em seu rosto foram causados por quem? — Seu cliente. Ele foi pra cima da minha sargento e eu a defendi. — A defendeu. Vocês parecem ligadas. — Protesto. — Barba diz alto — Aceito. — a juíza diz e olha para a defensora — Sem insinuações, doutora. — Olivia Benson é minha sargento e se tornou grande amiga também. É meu dever defendê-la assim como defenderia qualquer colega de trabalho meu. Dentro ou fora da delegacia. — respondo — São amigas pessoais? Então você sabia que a criança que sua sargento tenta adotar é filho biológico do senhor Drake? Franzo o cenho e dirijo meu olhar para Olivia. Ela não me contou isso. Ela acena com a cabeça murmurando que está tudo bem e que é verdade. Eu volto a encarar a defensora. — Sinceramente, estou sabendo agora, pela sua boca. — Sem mais perguntas, excelência. A defensora volta para seu lugar ao lado de Johnny D e eu vou para meu lugar na côrte, entre Carisi e Rollins. Então é a vez de Olivia testemunhar. — Sargento Benson, a senhora sabia que Johnny Drake é o pai biológico do menino que está tentando adotar? — Barba pergunta ao se levantar — Não. Não até semana passada, dois dias antes da prisão dele. — E por quê não sabia? — O DNA dele não estava no sistema. Assim que encontramos seu sêmen no corpo de uma vítima que veio até nós, os resultados bateram. Eu contatei o juizado. — Sem mais perguntas, excelência. — Barba se senta e a defensora levanta — A senhora sabia, sargento, que se o meu cliente for condenado, as suas chances de adotar o menino são grandes? — a mulher pergunta — Minhas chances já são grandes agora. — ela rebate — Meu cliente tem direitos. — Direitos esses que ele deixou de lado quando estuprou e matou Ellie Porter, a mãe do Noah. Ele nem sabia do menino. — Não sabia porque a senhora o escondeu dele. — Protesto! — Barba diz alto — Retiro. — a advogada se antecede a juíza — Sem mais perguntas. Uma hora de recesso se passa e voltamos todos para a côrte. Os jurados estão com sua sentença e Johnny D tem um sorrisinho hipócrita no rosto. — Os senhores já tem uma sentença? — a juíza pergunta após ler o cartão e devolvê-lo ao primeiro jurado — Sim, meritíssima. — o primeiro jurado responde — Diga. — Pela acusação de tráfico de mulheres, consideramos o réu culpado. Pela acusação de estupro coletivo, consideramos o réu culpado. Pela acusação de sequestro e corrupção de menores, consideramos o réu culpado. Pela acusação do homicídio de Ellie Porter, consideramos o réu culpado. Olivia suspira aliviada e encosta sua testa no ombro de Fin, que lhe ampara. Eu aperto as mãos de Amanda e ela me olha sorrindo. Conseguimos pegar o desgraçado. — Levem o prisioneiro. — a juíza decreta — Não! Johnny D rouba a arma do policial da côrte e atira contra a juíza, que é atingida no ombro e se esconde atrás do púlpito. Nós, do SVU, mandamos que todos se abaixem e Carisi troca tiros com o sujeito. — Sonny! Eu me lanço contra ele na hora em que Johnny D atira e nós caímos no chão, fazendo com que as balas passem por nós deixando apenas seus zumbidos. Me levanto com rapidez e corro atrás dele, que tenta sair do tribunal. Abro uma fresta da porta e atiro, acertando sua coxa. Saio da sala e ele, na hora que ele tenta atirar contra mim, eu atiro contra ele. O tiro pega em sua garganta e ele cai engasgando com o próprio sangue. Eu fico de pé, observando-o morrer. *** — É oficial. — Olivia diz — Noah é meu filho. — seus olhos brilham em lágrimas — Uhuuuul! — todos gritamos e a abraçamos A sala do apartamento de Olivia fica pequena para a bagunça que fazemos em comemoração. Agora é oficial, ninguém pode tirar o Noah dela. Isso me alegra. Vê-la feliz me alegra. Deus! Estou tão apegada a essas pessoas. — Ei. — Sonny se senta ao meu lado no sofá, enquanto observo Rollins e Barba rolando no tapete com o pequeno e a filha de Rollins — Oi. — sorrio — Eu nem pude agradecer pelo que fez no tribunal. Obrigado por pular pra me salvar. — ele diz sem jeito — Eu tirei nota máxima em instintos protetores, sabia? — o olho — Além do mais, se você morresse, não veria Game Of Thrones comigo. — empurro seu ombro com o meu e ele sorri — Certo. Acho que você tá certa. — Hora da foto de família! — Olivia diz aprontando a câmera no tripé — Uh! — arregalo os olhos vendo todos virem para o sofá — Venham! Rápido! — Sonny desce para sentar no chão e fica entre as minhas pernas — Vou acionar o time. Agora! — Liv corre Vejo Olivia pegar o Noah e se sentar ao meu lado no sofá. Amanda senta do outro lado com sua filha no colo, Fin se senta no braço do sofá e Barba se ajeita no chão. A luz vermelha da câmera começa a piscar e então todos fazemos pose assim que o flash sai. Foto de família. Essa é a minha família agora.
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