Nova Chance

2695 Palavras
★ Lucy González ★ Carisi me gira pela quinta vez e eu vejo o teto da delegacia rodar e as luzes me cegarem. De onde estou, consigo ouvir pessoas atendendo denúncias, digitando em teclados de computadores, comendo batatinhas. O dia hoje está abafado e tedioso. Não há nada para resolver. Eu fico feliz por não ter nenhum caso. Sem caso, sem vítima. Sem vítima, sem vida destruída. Mas o tédio está me matando e se Carisi me rodar mais uma vez, eu juro que vou vomitar. — Eu já tô tonto de ver você rodando. — Carisi diz ao me rodar mais uma vez — Vou vomitar em você. — resmungo e sinto a cadeira dar um tranco quando ele a segura, fazendo-a parar e eu ficar entre seus braços — Não queremos isso. — ele diz e meu corpo balança, por causa do tranco — Ops! Minha testa bate violentamente contra seu ombro e eu levo a mão até a mesma, fazendo uma careta. Carisi ri. — Você está bem? — Me lembra de nunca mais embarcar nas suas loucuras. — acabo rindo — Awn. Eu tô enjoada. — coloco a mão no estômago — Toma. — ele me dá seu copo d'água que estava em cima da minha mesa — Valeu. — murmuro e bebo a água — Sai fora da minha cadeira. — Fin diz se aproximando — Tá. Fique com sua cadeira. — Sonny levanta — Ela nem é tão confortável assim. — senta em sua mesa — Vocês estão parecendo duas crianças. — Fin resmunga ao se sentar — Droga. O acento tá quente. — Eu só queria um mega hamburguer e muita batata frita. — murmuro e debruço sobre minha mesa — Queria sorvete. — Carisi diz — Preparem-se, crianças. — Amanda diz se aproximando com Olivia e se sentando em sua mesa — Uma criança foi achada morta atrás de um restaurante em Manhattan. — Liv diz e eu endireito o corpo, ficando em alerta — A perícia está a caminho. Timão e Pumba — ela aponta para mim e para Carisi, respectivamente — vocês vão para o local comigo. Amanda e Fin, quero vocês no conjunto habitacional que o menino vivia. Recolham todo o tipo de informação que conseguirem. — Ok. — Fin se levanta e eu também me levanto, vestindo a jaqueta — Nem comento nada. — Amanda bufa digitando algo em seu computador Encaro Amanda por um tempo e sei exatamente o que ela está querendo dizer. Eu estou no esquadrão há cerca de um mês e meio e vivo saindo atrás de pistas com seu parceiro. Ela é a única que não conversa tanto comigo e que parece sempre desconfiada. Me desperto dos pensamentos com Carisi passando por mim ajeitando seu paletó. Eu desvio o olhar e sigo meu caminho atrás dele, em completo silêncio. No carro, Carisi dirige, Liv se senta no banco do carona e eu fico no banco de trás em silêncio. Meu olhar se cruza com o do Carisi pelo retrovisor e eu enrubesço, chegando mais pro canto da porta, atrás do banco de Olivia. Ela me olha pelo retrovisor lateral e eu baixo o olhar. Não demora muito para chegarmos até o local do crime e eu sou a primeira a saltar do carro e passar por baixo da fita amarela, furando o bloqueio. Um dos soldados corre pra falar com Olivia enquanto eu me aproximo do corpo colocando as luvas azuis nas mãos. — Sarah Parker. — a médica que examina o corpo diz para mim — Detetive González, SVU. — me apresento e sinto Carisi e Benson atrás de mim — Lucas Rogers, doze anos. — ela começa a falar — Sinais de engasgo, estupro e agressão. Farei exames para detectar sêmen ou outra pista orgânica. — Quem faria isso a um menino? — murmuro — Hora da morte? — Olivia pergunta — Entre quatro e quatro e meia da manhã, eu acho. Preciso avaliar melhor. Olho no relógio em meu pulso e vejo que já são quase duas da tarde. Franzo o cenho e olho para cima, encontrando os olhares de Carisi e de Benson, provavelmente pensando a mesma coisa que eu. — Por que a família não reportou o desaparecimento? — Sonny pergunta — É o que vamos descobrir. — Liv suspira *** — Ele morreu às quatro e vinte da madrugada. Há sêmen na garganta e a mesma está seriamente ferida. Sexo oral forçado. — Carisi diz lendo o laudo que a doutora Parker fez — Mas ele não morreu engasgado, de fato. Foi asfixiado. Há marcas de enforcamento. — Análise do sêmen? — Liv pergunta — Está em andamento. — Imagens de segurança? — ela me olha e eu analiso o depoimento dos policiais que chegaram primeiro — Exatamente no ponto cego das câmeras. Ou foi premeditado ou o filho da p**a que fez isso teve sorte. — digo — A família do garoto é surtada. — ouço a voz de Amanda e a vejo chegar na delegacia, caminhando para perto de nós — O pai sumiu, o tio assumiu a mãe, o menino e mais três crianças. — E pela arrogância do sujeito e o olhar acuado da mãe, ela tem medo dele. — Fin diz chegando também — Indícios de violência doméstica? — pergunto — Com certeza. — Amanda confirma — Bom, precisamos esperar o resultado dos exames para achar o culpado. — Liv diz — Eles explicaram o porquê de não prestarem queixa quando acordaram e não o viram? — O tio esquisito disse que pensou que talvez ele estivesse na escola, já que ele sai cedo. — Fin diz — Que desculpa esfarrapada. — Sonny resmunga Lembro-me de quando eu estava no beco. Eu estava agachada quando senti algo pingar no meu ombro e então olhei para cima, vendo uma infiltração embaixo do ar condicionado de uma janela. No parapeito da janela, havia uma pequena bola preta. Achei o que precisávamos. — Preciso de um mandado. — chamo atenção — Pra quê? — Olivia me olha — O crime ocorreu no ponto cego das câmeras dos estabelecimentos do local, mas eu vi uma pequena câmera numa janela daquele beco. — Tem certeza disso? — Sonny me olha — Tenho. — confirmo — Vou ligar para o Barba. — Liv diz — Você vai conseguir as imagens. — Certo. — concordo e pego meu celular na mesa, já me preparando pra sair — Vou com você. — Amanda diz me seguindo — Eu acompanho vocês. — Carisi se oferece — Trabalho para mulheres, meu caro. — o dispenso Eu dirijo com cautela e rapidez para o beco onde o menino foi morto. Meu coração palpita a cada vez que me lembro de como seu corpinho frágil estava quando eu cheguei. Infelizmente existem monstros capazes de realizar essas atrocidades contra crianças indefesas. — Até que você está reagindo bem. — ouço Amanda comentar — Hã? — a olho rapidamente para depois voltar a prestar atenção na rodovia — Esse é seu primeiro caso com morte e você não está surtando com a situação do menino. — Eu sei fingir bem. Faço isso há anos. — Você é uma pessoa legal. — Só faço meu trabalho. — dou de ombros — Tô dizendo você como pessoa e não como policial. Como policial, você é excelente. — ela ri — Como pessoa você até que tá indo bem, considerando tudo que passou. — É, eu tento. — Gosto de você, Lucy. Você é leal, sensata, faz piadas legais e Jesse e Noah adoram você. Desculpe se pareço meio antipática as vezes. — Tudo bem. — dou de ombros — É o seu jeito e eu respeito você. Assim que eu estaciono, saímos do carro e entramos na espelunca que contém o apartamento com a janela vigiada. Rollins se resolve com o zelador m*l encarado e nós subimos para o apartamento correspondente. Quando batemos na porta, um branquelo surge assustado. — Polícia de Nova York. — Amanda mostra seu distintivo — Trevor. — sua voz oscila quando ele se apresenta — Trevor, houve um homicídio no beco atrás deste prédio e eu reparei que, na sua janela, há uma câmera. Adivinhe só: é a única que pode ter o que precisamos. — sou direta — Vocês têm um mandado pra isso? — ele franze o cenho — Talvez. — Amanda murmura — Mas a minha amiga pode fazer você mostrar com ou sem um mandado. O cara arregala os olhos e nos deixa entrar. Sem que ele perceba, eu solto um sorriso. É a primeira vez que trabalho sozinha com a Amanda e eu estou gostando disso. Sem muita enrolação, Trevor nos mostra as imagens da noite anterior e então nós vemos a hora exata em que um cara bem mais velho entra no beco batendo no menino. Pauso as imagens, porque tenho certeza que vai mostrar todo o crime e eu não quero ver isso. — Espera! Esse é o cara que me atendeu na casa do garoto. — Amanda se espanta — Tá dizendo que... — arregalo os olhos — É o tio dele. Meu celular toca e eu vejo o número da Olivia na tela. Atendo sem hesitar. — Sargento, não vai acreditar! — digo agitada — O resultado do exame saiu. O sêmen bate com o de Scott Rogers, tio do menino. — É o que aparece nas imagens. — Certo. Fin e Carisi estão indo buscar o desgraçado. Voltem para cá agora! — ela ordena e desliga — Pegamos o cara. — digo para Amanda *** Encaro o vidro e observo Carisi quase perder a paciência com o tio do garoto durante o interrogatório. Respiro fundo vendo a frieza do cara. — Quanto tempo ele pode ficar na cadeia? — ouço Olivia perguntar ao Barba — Vai ter sorte se pegar perpétua. — O Carisi vai perder a paciência e o filho da mãe não confessa. — Tutuola murmura — Não precisamos da confissão dele. — digo — Precisamos enrolá-lo enquanto o advogado não chega. — Liv diz — Lucy, apóie o Carisi. Respiro fundo e entro na sala, chamando atenção de Carisi e do criminoso. Bato a porta e tiro minha jaqueta, apoiando-a no encosto da cadeira vazia. Dou um tapinha no ombro do Carisi e me sento ao seu lado. — Você tá dando trabalho, hein? — murmuro — Mandaram você aqui pra me seduzir? Gostei. — ele sorri Carisi rosna e ameaça bater nele, mas por baixo da mesa, sem que o cara veja, eu aperto sua coxa, indicando que está tudo bem e que ele pode se acalmar. — Escuta, nós temos imagens e seu DNA. — Então querem que eu confesse mais o que? — Quero saber o que te levou a isso. Por que você fez isso com uma criança? Seu próprio sobrinho? — Eu devia ser o pai dele. Desde o início. — o cara solta — Eu gostava da v***a da mãe dele, mas ela se engraçou com o meu irmão, apareceu grávida e o filho da p**a fugiu, deixando isso pra mim. Aquele menino me lembrava minha perda todos os dias. — E você agredia a mãe dele e estuprava ele? Que tipo de homem você é? — rosno me debruçando na mesa, ficando cara a cara com ele — O homem que tem poder. O único. — Não. Você não é um homem. — sorrio sarcástica — Se quiser, eu te mostro, meu bem. — seu hálito bate contra meu rosto e eu sinto um calor subir por meu corpo. Um calor de raiva, ódio e repulsa — Sou eu quem dita as regras aqui. — Seu namorado pode ficar com ciúme. — ele se refere ao Sonny — Ele não vai. Acredite. Todo mundo aqui sabe que eu jamais ficaria com você. Sorrio vitoriosa quando ele fecha a cara com raiva. Com um único movimento, ele joga a cabeça contra mim e me dá uma cabeçada no olho. Eu caio pra trás, sendo amparada pelo encosto da cadeira e Carisi o golpeia com dois socos no rosto que o desmaiam. — Chega. — Olivia entra por uma porta e os soldados pela outra — Levem-o para a cela. *** Me olho no espelho assim que termino de espalhar a base em meu rosto e sorrio ao ver que consegui cobri o roxo na maçã do meu rosto. A cabeçada daquele i****a deixou uma marca feia que já está mais fraca, por causa dos dias. — Escolha uma roupa legal! — ouço a voz de Luke vindo do lado de fora do closet — O que acha de jeans e camiseta? — digo alto para que ele possa me ouvir — Muito simples! — ele grita de volta — Couro? — pergunto — Hã, eu não sei. Quer que eu ligue pra Shaune? Ligar para a Shaune faria isso se transformar num carnaval. Digo a ele que está tudo bem e que eu vou me virar. Visto uma meia-calça preta e um vestido preto de mangas longas e na altura das minhas coxas. Calço os coturnos femininos, jogo o cabelo para o lado e visto um sobretudo vermelho. Estou diferente do dia a dia. Está bom. Saio do closet e vejo Luke amarrando os cadarços de seus sapatos. Ele me olha e pára por alguns segundos. — É. Conseguiu. — comenta e sorri — Sabe quanto tempo não uso um vestido? Esse, pra ser mais exata? — Sei bem. É o que a Shaune te deu, não é? — ele termina e se levanta — Esse mesmo. — sorrio — Vamos. O jogo vai ser bom. Combinamos de encontrar o Sonny na porta do estádio, o que nos fez esperar um pouco na saída 2. Hobbs me comprou um gorro dos Patriots e me fez usá-lo. Eu me achei ridícula, mas segundo ele eu tava bem. — Olha, quase não reconheci. — ouço a voz de Carisi e me viro na direção — Cabelos soltos, né? Tá linda. — ele sorri — Obrigada. — sorrio sem jeito — Você deve ser o Dominick Carisi. — Hobbs ergue a mão para cumprimentá-lo — Eu sou Luke. — Me chame de Sonny. — ele sorri ao apertar sua mão — Prontos para o jogo? — Prontos. — sorrio O jogo é sofrido, mas os Patriots ganham a rodada. Eu me divirto muito com as piadas de Luke e Carisi me compra um balde de pipoca enorme. Durante o jogo, alguns palavrões são soltos, gritos e silêncio absoluto. Foi um jogaço, confesso. Dominick "Sonny" Carisi Jr. — Tá indo bem na sua tática. — Luke diz enquanto vejo Lucy ao longe, brigando com a máquina de refrigerante — Desculpe, o que disse? — olho para ele — Sei que se interessou por ela. — Eu só quero que ela saiba que eu a respeito e que pode confiar em mim. — Foi uma boa ideia chamá-la para sair e dizer para ela me levar. — Não achei que ela fosse querer ficar sozinha comigo. — Você parece ser um cara legal, Sonny. Só tenha paciência, ok? — Ok. — sorrio — Aquela máquina i****a ficou com meus dois dólares. — Lucy se aproxima de nós brava e acabamos rindo — Não tem graça. — Bom, eu tenho que ir. Meu vôo sai em breve. — Luke diz ao ouvir a chamada para Los Angeles — Se cuida, Lucy. — ele a abraça — Você também, tio Luke. Te amo. — Te amo também. — ele se afasta dela e aperta a minha mão — Foi bom te conhecer, Sonny. — Igualmente. — sorrio — Avise quando chegar. — Lucy o lembra Ficamos um tempo parados, observando Luke sumir pela área de embarque. Respiro fundo e me preparo para levá-la para casa. — Vamos. Eu te deixo em casa. — Eu... — ela hesita — Conheço um restaurante que faz uns tacos incríveis. Vo-você quer comer? — ela diz sem jeito — Tem certeza que não quer ir pra casa? — faço uma careta — Depois. — Certo. — sorrio — Vamos comer.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR