O jantar

2200 Palavras
★ Lucy González ★ — Tá legal! Eu me rendo! — ergo as mãos em rendição — Apesar de estar muito brava com a confusão na linha temporal, eu reconheço que foi um excelente filme. — Eu disse. — ele sorri vitorioso — Nós dois ganhamos nessa aposta. Eu me viciei em uma série excelente que só retorna em dois anos e você viu uma sequência legal de uma franquia incrível. — Confesso que queria não ter gostado. Aí poderia fazer você assistir Lúcifer. — Um dia, quem sabe. A noite havia sido agradável. Sonny e eu saímos do trabalho e decidimos pegar a última sessão do oitavo filme da franquia Velozes e Furiosos. Apesar de cansada, o filme me deixou completamente vidrada e, tirando uns erros de roteiro, é um filme de poder. — A gente podia passar num drive thru antes de você me deixar em casa? — pergunto quando chegamos perto do carro do Sonny — Tô morrendo de fome. — Você comeu minha pipoca inteira. — ele resmunga — Por favorzinho. — faço cara de pidona — Por minha conta. — Tá. Mas com uma condição. — Por favor, não me faça ver mais nada hoje. — peço rindo e ele acaba rindo também — Amanhã iremos jantar e você irá comer o melhor macarrão da sua vida. — O melhor macarrão da minha vida? — franzo o cenho — É. O meu. — ele destrava o carro — Você é educado, cozinha, bom policial. Tem algum superpoder também? — Bom, eu convenci uma ex-agente durona a sair comigo umas três vezes, então talvez eu tenha. — ele sorri pra mim e eu acabo sorrindo sem jeito, pela forma que ele fala — Ok, detetive. Eu aceito jantar com você. — digo dando a volta no carro e segurando a maçaneta da porta do banco do carona — Espera! Amanhã tem jogo. Carisi me olha parecendo tentar se lembrar de algo. Então ele ergue as sobrancelhas e faz um gesto com a cabeça. — Verdade. Pelicans e Lakers. — ele diz — A gente janta e depois assiste o jogo. — Eu levo as cervejas. — Você existe mesmo? — ele me olha por cima do teto do carro com um sorriso na cara — Ei, eu sou diferente. — dou de ombros rindo — Vamos logo. Tô com fome. Abro a porta do carro e, quando estou com uma perna já do lado de dentro, me preparando para entrar, um grito chama nossa atenção. — Socorro! É um grito feminino e vem do beco escuro um pouco mais a nossa frente. Bato a porta do carro e puxo minha pistola da cintura. Carisi faz o mesmo, se pondo ao meu lado. — Socorro! — a mulher grita de novo — Se ele correr, você pega. — murmuro enquanto Carisi e eu atravessamos a rua e nos aproximamos do beco — Olha só, abrindo mão da ação. Milagres acontecem. Não tenho tempo pra rir ou retrucar sua piada, pois vemos um cara encapuzado correr pra longe do beco. Sonny corre atrás dele e eu corro pra dentro do beco, me certificando de que não há mais nenhum perigo ali. Uma mulher jovem está caída no chão com o vestido rasgado e o casaco caído numa poça enorme de água. Retiro o meu casaco e a envolvo nele. — Está tudo bem. Tudo bem, querida. — digo a tranquilizando — Eu sou da Unidade de Vítimas Especiais. Você está segura agora. Meu celular começa a vibrar no bolso da calça e eu logo o pego, vendo o nome de Carisi e uma foto espontânea que tirei dele enquanto comia chocolate e assistia uma temporada de Game Of Thrones. Atendo sem esperar que chame muito. — Fala. — digo vendo a mulher ainda assustada — Peguei ele. — ele diz ofegante — Ótimo. Vamos levá-los pra unidade. Você liga pra Benson e pro Fin. — Claro. O mais fácil comigo. — resmunga — Leva ela no meu carro. Eu vou chamar uma viatura. *** — Eu preciso que nos conte o que estava fazendo quando ele te atacou. — Olivia diz paciente para a jovem moça atacada — Eu estava chegando no trabalho. — ela responde — Chegando? Eram quase meia noite. — franzo o cenho — Eu trabalho no clube Dolls. Eu sou stripper. Olha, eu nem sei porque estou aqui. Vocês não se importam. — Louise, não importa o que você faz. Se você disse não, então tem que ser respeitada. Não importa que roupa usava ou a hora em que andava na rua. — Olivia a tranquiliza — Você é a vítima. — Eu não sei o que seria de mim se não fosse por ela. — Louise me olha com os olhos molhados — Obrigada. — Não precisa agradecer. Mulheres se protegem. — sorrio para ela — Mas preciso que conte tudo o que puder para a minha tenente, tudo bem? Confie nela. — Obrigada. — ele pede de novo e Olivia pisca para mim, agradecendo silenciosamente — Vou buscar um café pra vocês. A noite vai ser longa. Saio da sala de interrogatório e vejo Fin e Carisi sentados em suas respectivas mesas. Me aproximo e eles me olham. — O que conseguiram com o cara? — Disse que é namorado dela e que se trata apenas de uma briga de casal. Típico. — Carisi bufa comendo amendoins — O que conseguiram com ela? — Fin me pergunta — Ela é stripper, então estava com medo de falar. Agora Olivia deve estar conseguindo tirar algo dela. — Ei. — Olivia surge ao lado de Louise — Barba irá indiciá-lo na segunda. Eles saíam há um tempo, ele descobriu o trabalho dela e surtou. Pode ir pra casa agora. Tem uma viatura para levá-la em segurança lá fora. — Obrigada. — a jovem diz sem jeito — Obrigada, detetives. E, detetive González, seu casaco. — ela ameaça tirá-lo — Pode ficar. — Não, tudo bem. — ela diz tirando-o e revelando o vestido sujo e rasgado — Tudo bem, Lucy. — Liv me tranquiliza — Eu consegui um outro casaco pra ela. Eu vou descer, colocá-la na viatura e ir pra casa. Sugiro que façam o mesmo. Bom final de semana. — ela diz saindo da delegacia — Quer carona? Ainda podemos passar no drive-thru. — Carisi diz me olhando — Por favor. Estou com fome. — resmungo pegando o saquinho de amendoins da sua mão e segurando meu casaco — Por favor, não parem em mais nenhum beco. — Fin diz ao se levantar — Quero conseguir dormir. *** — E então? — paro na frente do notebook com outro vestido — Parece o vestido que você usou no enterro do tio meu avô. — Shaune diz de cenho franzido — E é ele. Você sabe que eu não tenho muitos vestidos. Nunca mais comprei isso. — Semana que vem vou aí e faremos compras. — Tá. Mas e pra agora? O que eu faço? — Você... — ela pára pensativa — Sabe aquela mala que meu pai deixou na sua casa quando esteve aqui em Chicago e depois foi pra Nova York sair com você e seu crush? — Ele não é o meu crush. — reviro os olhos — Tem coisas minhas ali ali. Eu pedi pro meu pai levar pra casa dele, porque são roupas que eu não tenho usado mais. O clima aqui é diferente da Califórnia. — ela diz ignorando meu resmungo — Tem um vestido vermelho de alças ali. Você pode usá-lo com uma meia calça, botas e sobretudo. — Botas? — a encaro pela tela do notebook na videoconferência — É exagerado. A gente vai jantar na casa dele e depois ver o jogo. — Só você pra estragar um jantar romântico lembrando de um jogo i****a. — ela revira os olhos — Não é um jantar romântico. É um jantar entre amigos, assim como tudo o que temos feito até agora. — Aceita que você gosta dele e ele de você. Você já tá até mais a vontade com ele. Meu pai nem precisa te acompanhar mais. — Shaune, Sonny é um homem incrível e que é uns oito ou dez anos mais velho que eu. Ele merece alguém menos fodida. — digo e ela respira fundo — Pega o vestido. Uma vez arrumada, me encaro no espelho e sorrio com o que vejo. É um vestido elegante, com gola e mangas curtas, na altura das minhas coxas. Calcei um par de scarpin preto não muito alto e deixei meus cabelos soltos com o das naturais. Vesti meu sobretudo preto mais leve e peguei os três engradados de cerveja que eu havia comprado. No estacionamento do prédio, caminho até meu carro inutilizado e ponho as cervejas no banco de trás. Já faz tanto tempo que não dirijo meu carro. Após dirigir em velocidade regular pelas ruas que separam meu apartamento em Manhattan até o de Carisi, estaciono na beira da calçada e mando uma mensagem pra ele, avisando que cheguei e que preciso de ajuda com as cervejas. Ele logo aparece na portaria. Está usando calça jeans, blusa cinza de mangas arregaçadas e tênis nos pés. Está simples, mas lindo. Quando ele me vê, abre um sorriso que me faz sorrir também. — Ei. Olha o melhor cozinheiro da cidade. — brinco pra descontrair — Uau! Você está linda. — ele elogia — E dirigindo um SUV. — ele olha para o carro em que estou encostada — Eu nunca o tiro da garagem, mas tirei hoje. — dou de ombros — Pode-se tirar o policial da polícia, mas não a polícia do policial. — ele brinca pelo modelo do meu carro ser o modelo que usamos em perseguições de casos — Cala a boca. — digo rindo Carisi pega dois engradados e cerveja e eu pego o que sobrou, logo trancando meu carro. O sigo pelo prédio, elevador, até que chegamos no corredor do segundo andar, numa porta encostada. — Bem-vinda ao meu lar. — ele diz dramático — Prometo não reparar nas suas cuecas espalhadas. — brinco Sonny é especialmente cuidadoso e organizado. Seu apartamento cheira a desinfetante e seu chão está tão limpo que poderíamos comer nele. Deixo a cerveja no balcão que separa a cozinha da sala e ele diz para que eu fique à vontade. Retiro meu sobretudo e o penduro no aparador atrás da porta, sentindo o calor do lugar me abraçar. Aproveito também para tirar os saltos e caminhar para a cozinha, onde Carisi põe as cervejas pra gelar. — O lugar é pequeno, mas tem bastante espaço. — ele diz ainda guardando as cervejas — O meu quarto e o banheiro ficam por ali. — ele faz um gesto com a cabeça indicando o pequeno corredor atrás do painel da televisão — Sinta-se em casa. — Já estou me sentindo. — mostro os pés descalços e ele sorri — Uau! Você parece ser um ótimo dono de casa. — me sento em uma das banquetas do balcão — Quase não fico aqui, então não há o que bagunçar. — ele diz fechando a geladeira — Entendo. — A mesa está posta, caso queira jantar. — ele diz apontando para a sua esquerda, onde a mesa de jantar está muito bem arrumada — Como quiser, senhor. — sorrio — Temos vinho para acompanhar. — Deus! Você é tão italiano. — digo rindo — Ok, culpado. — ele ergue as mãos sorrindo — Vamos. Você precisa comer a melhor comida do mundo. — Que modesto. O jantar flui tranquilamente. Carisi e eu conversamos sobre nossas infâncias e família. Descubro que ele tem três irmãs mais velhas e que foi muito mimado quando novo, apesar de fazer todas as tarefas da casa. Aliás, ele realmente cozinha muito bem. Não me lembro de ter comido nada igual. Quando terminamos de comer, a garrafa de vinho já havia acabado e eu me ofereci para lavar a louça, o que ele negou sem nem me dar a chance de argumentar. Enquanto conversávamos e ele lavava a louça, roubei o pano de seu ombro e comecei a secar a mesma, apesar de seus resmungos. Carisi jogou água em mim e eu bati com o pano de prato em seu ombro enquanto ambos ríamos alto. Quando o jogo começou, nos sentamos no sofá e começamos a beber as cervejas enquanto gritávamos e apostávamos um contra o outro. Não sei exatamente quando, mas a combinação de vinho e cerveja começou a me desacelerar, o que resultou em fala mansa e um apagão. As mãos de Carisi passeavam pelo meu corpo, deixando-me febril. Eu queria aquilo. Eu ansiava por aquilo. Sonny pressionou seu corpo no meu e eu pude sentir sua excitação, deixando evidente que ele queria aquilo também. Cruzei as pernas em sua cintura e, com os calcanhares, o pressionei ainda mais contra mim, sentindo o quão era agradável tê-lo daquele jeito, roçando em mim. Suas mãos subiram pelas minhas coxas nuas e as apertaram com firmeza, fazendo-me suspirar em seu ouvido. — Eu quero você. — ele sussurra e então morde minha orelha
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