Novata

2427 Palavras
Dominick "Sonny" Carisi, Jr A noite foi longa. Com a companhia de algumas cervejas e amendoins, eu me chocava com a história da nova detetive da Unidade de Vítimas Especiais. A cada parágrafo de seu relato eu me perguntava se ela conseguiria dar conta de lidar com casos como o dela todos os dias. Eu sei que o Serviço Diplomático não é fácil. No DSS os agentes têm seu físico levado ao extremo, já na minha unidade é completamente diferente. Nossos psicológicos são testados a cada cinco minutos com uma história pior do que a outra. Eu cheguei bem mais cedo na delegacia, uma vez que precisava devolver a ficha da novata antes da sargento Benson descobrir que eu a peguei, mas não adiantou muito. Assim que eu entrei em sua sala, guardei a ficha e me virei para sair, Olivia estava parada na porta, com a mão na maçaneta me encarando. — Carisi, isso é grave. — ela diz séria — Me desculpe, Liv. — digo sem jeito Ela entra na sala, fecha a porta e caminha até sua mesa onde põe sua bolsa e se senta em sua cadeira. Eu ponho as mãos nos bolsos da calça e fico de cabeça baixa esperando a bronca. Sei que fui bem invasivo e que isso pode me dar uma suspensão. Droga! Espero que a Olivia me entenda. Estou contando com seu bom coração agora. — É minha função prepará-los para receber alguém como ela, mas eu vou fazer isso de uma forma menos invasiva. — ela diz — Eu sei que você não fez por m*l, mas eu quero evitar ao máximo olhares de pena em relação a ela. — Eu não tenho pena dela, sargento. Não mesmo. — levanto minha cabeça pra olhá-la — Eu a admiro por ter passado por tudo isso e ser uma das melhores agentes da força tarefa do FBI. De verdade. — Sim, ela é maravilhosa, mas... — ela respira fundo — Sonny, ela tem muitos traumas e tenho certeza que sair espancando e derrubando bandidos a ajudou a extravasar nesse tempo. Eu vou ter um trabalho pesado pra moldá-la do nosso jeito. Ainda mais quando ela se deparar com casos parecidos com o dela. — Liv, eu sei que eu fiz besteira. Não era pra ter pego essa ficha, mas pode contar comigo. Pra qualquer coisa. — Sonny, a sua parceira é a Rollins. — ela me lembra — Eu posso ficar com as duas. Ela me olha e ergue uma sobrancelha, com um sorriso torto nos lábios. — Deixe a González comigo. Mas eu agradeço a sua disposição. — Certo, então não serei punido? — faço uma careta pidona — Não. — ela ri — Não dessa vez. Mas não faça de novo. — Sim, senhora. — bato continência — Quando os outros chegarem, me avisa. Eu preciso ter uma reunião com todos antes dela chegar. — Ok. *** — Seguinte, eu pedi que todos chegassem um pouquinho mais cedo porque quero deixar uns pontos claros. — Liv diz de pé, no meio da delegacia, nos encarando — Lucinda González é cabeça quente. Ela está acostumada com balas e guerra. É nosso dever mostrar a ela que aqui a coisa é mais racional. Devemos moldá-la do nosso jeito. Eu espero poder contar com vocês pra isso. — Tô louco para vê-la em ação. — Fin murmura com um sorriso besta — Fin. — Olivia adverte — Foi m*l. — Cuidado com as piadas invasivas e toques excessivos. Sabemos que ela já teve dias difíceis e queremos incluí-la na família. O barulho do elevador nos desperta e então eu vejo Barba saindo de dentro com sua pasta na mão. Olho rapidamente para minha sargento. — Chegou. — digo em voz alta — É. — ela respira fundo Atrás de Barba, um homem careca, forte e extremamente alto surge. Ele dá medo em qualquer um. Está usando uma calça bege de combate com um coldre onde a pistola descansa, uma blusa preta, coturnos e tem o distintivo pendurado numa corrente em seu pescoço. Aquele deve ser o agente L. Hobbs, da força tarefa. Sei que todos na delegacia estão embasbacados e intimidados pelo sujeito, mas meus olhos focam na mulher ao seu lado. Ela usa uma calça jeans preta, coturnos pretos, blusa preta e uma jaqueta de couro marrom escuro. Seus cabelos estão impecavelmente penteados para trás e amarrados num r**o e em seu pescoço há uma correntinha fina e curta que tem um crucifixo pequeno prata pendurado. Os dois caminham lado a lado, atrás de Rafael Barba, nosso promotor. — Barra pesada. — Fin murmura — Ela ainda cheira como um deles. — Rollins comenta — Boa sorte ao moldá-la, Liv. Quando os três chegam perto de nós, Barba toma a iniciativa e Benson toma nossa frente. Eu apenas continuo sentado em cima da mesa, balançando uma perna e comendo amendoins. — Bom dia, Barba. — Olivia o cumprimenta — Bom dia, Olivia. — ele aperta sua mão — Esse é o agente Hobbs. Hobbs, essa é a sargento do esquadrão. — Olivia. — Liv estende a mão para cumprimentá-lo — Luke. — o brutamontes diz o primeiro nome ao apertar a mão de Liv — Esses são Carisi, Tutuola e Rollins. — Barba aponta para cada um de nós — Pessoal, essa é Lucinda González, a nova detetive da Unidade de Vítimas Especiais.  Lucy González Apesar do despertador ter tocado às seis, eu já estava acordada há tempos. Por eu não ter tomado o remédio pra dormir, tive problemas sérios de insônia e, toda vez que eu conseguia tirar um cochilo, um pesadelo horrível vinha me atormentar. Já fazem uns seis meses que a doutora Jones me deu alta do remédio e eu até que estava reagindo bem, mas acho que a pressão da mudança mexeu com a minha cabeça. Sem ter como chorar pelo leite derramado, eu desliguei o despertador e me levantei com lentidão pra fazer meu café. Eu ainda tinha tempo. Bastante tempo. Enquanto o café passava na cafeteira, eu tratei de preparar uma omelete com bacon e cebola e preparei as torradas, logo passando requeijão nelas. Ao mesmo tempo em que tomava café eu passeava pelo Google em busca de informações do dia, já que estava com preguiça de ir comprar jornal e depois vir me arrumar pro trabalho. Liguei a TV no canal da CNN e não vi nenhuma notícia que me afetasse. Tudo normal nos Estados Unidos. Por enquanto. Com o presidente que temos, nunca se sabe. Após tomar café e limpar a cozinha toda, eu arrumei minha cama, desliguei a televisão e fui tomar um bom banho para despertar de vez. Era verão em Nova York, o que fez com que a o meu corpo recebesse a água levemente fria com bom gosto. Quando saí do banheiro e me sequei, fui no closet escolher o que vestir. Optei pela calça jeans preta, meus coturnos femininos, blusa preta por dentro do cós alto da calça e, na hora de pegar uma jaqueta, peguei a de couro marrom. Em frente ao espelho, eu desembaracei meus cabelos e os prendi num r**o alto e depois passei corretivo no rosto pra disfarçar as olheiras. Estava pronta. Coloquei o distintivo preso no cós da calça, pus o celular no bolso de trás e saí do apartamento fechando a porta e guardando a chave única dentro do meu coturno. — Lucy! A voz de Hobbs preenche toda a portaria do prédio da delegacia. Eu o vejo ao lado do elevador, acompanhado de um homem baixinho, branco e de terno. É meu promotor, Rafael Barba. Ele é latino e tem a estranha mania de usar cinto e suspensório. Vai entender. — Hobbs. — sorrio gentil e bato em sua mão — Barba. — aperto a mão do promotor — Vamos subir? — Barba sorri e eu faço um gesto positivo com a cabeça Quando saímos do elevador, já a andares acima do térreo, eu percebo que todos do departamento tremem ao ver Hobbs. Não os julgo. O cara realmente dá medo. Seguro a risada quando um policial baixinho se distrai com Hobbs e acaba derrubando um pouco de seu café na calça. Barba nos guia até um grupo reunido que tenho certeza que são os detetives dali. Ele troca algumas palavras com a sargento e então me apresenta a todos. — Esses são Carisi, Tutuola e Rollins. — ele aponta para cada um — Pessoal, essa é Lucinda González, a nova detetive da Unidade de Vítimas Especiais. — Oi. — a sargento sorri e oferece sua mão para um cumprimento — Eu sou a sargento Olivia Benson. — Oi. — aperto sua mão e ela sorri pra mim. Aquele sorriso quase me desmonta. Quase... — Eu sou o detetive Tutuola, mas pode me chamar de Fin. — o homem n***o, levemente fora de forma se levanta e aperta minha mão O celular do homem sentado na mesa comendo amendoins toca e então ele pede licença e se afasta para longe do meu campo de visão. Logo a mulher loira e mais velha que eu acena de onde está sentada. — Amanda Rollins. — se apresenta — Bom, eu só vim acompanhá-la. Tenho uma investigação para cumprir antes de voltar pra Los Angeles. — Hobbs diz e me entrega minha mochila preta — Se cuida. — A gente se vê mais tarde. — me limito a dizer Logo Hobbs vai embora e eu percebo que todos respiram mais aliviados. Credo! Como um bando de b***a mole conseguem segurar um distintivo? — Essa é a sua mesa. Carisi, o cara que foi atender o telefone, separou pra você. — Tutuola aponta para a mesa ao lado da dele e de frente para a que o cara estava sentado — Obrigada. — sorrio gentil — Olivia, preciso conversar com você sobre o último caso. — Barba diz para a sargento — Claro. — ela confirma — Rollins, leve a Lucinda para seu armário. Eu volto logo. — diz indo para sua sala junto com o promotor — Vamos lá. — Rollins sorri e se levanta Eu sigo a loira por toda a delegacia e então nós entramos na área privativa. A parede é cheia de armários de ferro, como os de uma escola, e há bancos grandes de madeira no lugar. — Vestiário feminino. — ela aponta para a porta no canto esquerdo — Vestiário masculino. — aponta para a outra extremidade — Seu armário. Ela me mostra a porta aberta do armário vazio na segunda fileira de armários. Eu sorrio para ela e então apóio a mochila ali, logo abrindo a mesma e tirando meu coldre de dentro. Coloco-o na cintura e prendo uma arma de cada lado, notando que Amanda fica me observando quieta.  Travo minha Magnum 22 e a guardo dentro da mochila, logo fechando a mesma e fechando o armário com uma combinação nova. — Uau! — Amanda comenta — Por que três armas? — A Magnum é de estimação. — dou de ombros — Ok. — ela murmura como quem não quer nada Saio da ala privativa e vou para a minha mesa configurar algumas coisas, como por exemplo a senha do meu servidor, o computador. Tiro a jaqueta e a coloco pendurada nas costas da cadeira. — De onde você é, Lucinda? — ouço a voz de Tutuola ao meu lado — Lucy, por favor. — sorrio — Eu nasci na República Dominicana, mas fui pra Los Angeles ainda bebê. — A Califórnia é maravilhosa, não? — Amanda me olha de sua mesa de frente para a do Fin — Sim. Clima ótimo, praias maravilhosas. Espero me adaptar aqui quando o inverno chegar. — Dá pra aguentar. — Fin murmura — Difícil é resistir a quantidade de chocolate quente que o clima te induz a tomar. — brinca e eu acabo rindo baixinho — Creio que seja melhor do que sentir cede o tempo todo. — brinco — Oh, nossa sala recreativa é ali. — ele aponta — Lá tem tudo o que precisa. — Certo. Com licença. — me levanto Caminho até a sala e sou cumprimentada por alguns policiais no caminho. Entro no ambiente e percebo a máquina de guloseimas, bebidas, a mesa para descanso, o microondas, a máquina de café. É até aconchegante. Cato umas moedinhas no bolso e então coloco na máquina de bebidas, logo apertando o botão correspondente a água. Nada acontece. Franzo o cenho. — Tem um truque. A voz masculina preenche o ambiente assim como o perfume gostoso. Vejo o loiro se aproximar de mim e então apertar duas vezes seguidas o botão. A máquina faz um barulho. — Botão com problema. Mas se apertar duas vezes, funciona. — ele sorri e se abaixa para pegar a garrafa de água no buraco — Aqui. — me estende a garrafa — Obrigada. — sorrio e pego a garrafa — Você deve ser o Carisi. — Dominck Carisi Jr. Me chame de Sonny. — ele faz uma careta e se oferece para apertar minha mão — Você deve ser a Lucinda. — ele sorri — Me chama de Lucy. — retibuo seu sorriso e aperto sua mão — Desculpe não ficar pra te receber. Ligação de família. — ele diz colocando dinheiro na máquina e apertando o botão correspondente a um suco — Vejo que já conheceu nosso refúgio. — É mais aconchegante que comer um sanduíche dentro de um blindado. — comento rindo e abro a garrafa, tomando um longo gole de água — É. Acho que as coisas aqui são mais tranquilas. — ele ri e pega sua água — Senta. Nós nos sentamos e ficamos separados apenas por uma cadeira. Ele bebe sua água e eu me pergunto se não vão sentir minha falta lá fora. — Fica tranquila que aqui a gente espera a ocorrência chegar. — ele diz como se tivesse lido meus pensamentos — Vou ter que me acostumar com isso. — Como eram as coisas no serviço diplomático? — ele me olha — Hobbs recebia os nomes, as fichas e a gente caçava. — dou de ombros — Não ficava parada nunca. A porta se abre com rapidez e eu vejo Olivia pôr metade do corpo para dentro da sala. Ela parece agitada. — Sonny e Lucy, recebemos uma ligação. Quero vocês na minha sala, agora. — ela sai com a mesma rapidez que entrou — Bom, parece que você tem sorte. — ele diz se levantando — E parece que alguém não tem.
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