★ Lucy González ★
Todo mundo estava sobrecarregado com esse caso. Já fazem sete dias, duas mortes, três vítimas. Pra piorar, nós achamos que o assassino é alguém com acesso à polícia de Nova York. Isso fez o esquadrão inteiro surtar e achar que eu sou uma possível vítima. O clima na delegacia está muito pesado.
- Bom, eu vou pegar um táxi ali na frente. - digo quando Mike, Amanda e eu chegamos na portaria
- Tudo bem. Nos vemos amanhã. - Dodds diz - Quer carona, Amanda?
- Vou aceitar sim. Estou exausta. - ela aceita - Lucy, se cuida, ok? - me olha preocupada
- Você também. Dê um beijinho na Jesse por mim. - sorrio - Boa noite, sargento.
- Boa noite, Lucy. - Mike sorri
Amanda e Mike viram para a esquerda e eu para a direita, pois pretendo pegar um táxi na outra esquina. Ajeito a jaqueta em meu corpo e sinto o cano frio do revólver em meu quadril.
Algo se choca contra o meu corpo e eu sinto o chão sob mim. Minha cabeça se impacta contra o meio fio da calçada do beco ao lado da delegacia e eu sinto tudo girar. Minha primeira reação é gritar.
- Socorro!
Penso em pegar a pistola em meu quadril, mas a outra pessoa é mais rápida e a posiciona contra a minha cabeça, forçando-me a ficar de pé. Amanda e Mike aparecem no beco e apontam suas armas em minha direção. O homem que me segura fede a desinfetante barato.
- Baixe a arma! - Dodds grita
- Assim que eu terminar isso. - o homem diz
Ouço o primeiro clique do gatilho e dou uma cotovelada em sua virilha, o que o faz se contorcer de dor e soltar a arma, que dispara no ar, não acertando ninguém. Eu o jogo no chão e Amanda o algema rápido.
- Pegamos ele. - ela diz
Mike agarrou o braço do criminoso e nós subimos de volta para a unidade. Eu seguro minha arma de volta e fico em silêncio, apertando a arma em minha mão.
Quando o elevador se abre, todos já estão nos esperando no saguão e então percebo que Amanda os avisou. Assim que Dodds cruza a porta pra dentro com o cara, Carisi surge num misto de fúria e afobação.
- Seu filho da p**a! - ele grita ao ir pra cima do cara
- Carisi, não! - Fin o segura
- Me larga! - o loiro pede
- Ou de acalma agora ou te mando pra casa. - Olivia diz usando de sua autoridade
Eu não dou pitaco em nada. Apenas observo Fin puxar Carisi para longe e sinto a mão de Amanda em meu ombro. Ela murmura algo sobre eu me sentar, mas eu não escuto muito bem.
Caminho até minha mesa e coloco minha Magnum presa no cós da calça. Tiro minha jaqueta e jogo em cima da mesa.
- Se quiserem arrancar alguma coisa de mim, eu só falo se for com ela. - ouço Elliot Decker gritar quando Dodds o leva para o interrogatório
- Você está bem? - Olivia se aproxima
- Não é hora pra essa pergunta. Tenho um interrogatório pra fazer.
Depois de duas horas observando as tentativas do esquadrão de fazer o assassino falar sem mim, Olivia finalmente se rende e me deixa entrar, sob os protestos de Sonny.
Quando eu entro na sala de interrogatório o olhar de Decker brilha em tamanha crueldade.
- Finalmente trouxeram você. - ele sorri - Você é tão linda.
- Sabe que pegaram a bolsa com as coisas que você usaria em mim esta noite, não sabe? - puxo a cadeira e me sento - Taco de baseball, mordaça, cordas.
- Tudo bem. Comprei na liquidação. - ele dá de ombros
- Por que? - o encaro
- Porque é mais barato. - ele sorri mexendo as sobrancelhas
- Por que atacar vítimas?
- Vítimas? É o que você diz? Criaturas amaldiçoadas, como você. Que andam por aí e fingem seguir em frente. Ninguém nunca vai amar você!
- Eu tenho quem me ame. - tento soar o mais indiferente possível
- Ah, sim. - ele sorri psicótico - Aquele loiro que tentou me bater. Ficou claro a ligação dele com você.
- Você é inteligente. - ironizo
- Vai chegar uma hora, e chega rápido, em que você chegará no seu limite. Sabe por quê? Porquê você vai se lembrar dia após dia sobre o que fizeram com você. - ele diz me encarando nos olhos - Como foi que você descreveu no seu depoimento? "Henry me jogou sobre o meu colchão, afastou minhas pernas com seus joelhos e..."
- Cala a boca. - rosno pausadamente, mas ele continua
- "E se esfregou contra mim, mesmo me ouvindo pedir pra parar."
- Quer que eu te faça calar? - soco a mesa de forma ameaçadora
- Você pode pôr medo em quem você quiser, menos em mim. Porque eu sei da tua história e sei que você é apenas uma qualquer amaldiçoada.
- Você matou Rosalie e Stela?
- Não.
- Quer mesmo mentir nessa altura do campeonato?
- Não, eu não as matei. Eu as salvei. E deixei seus corpos em um lugar bonito. É tudo o que elas vão ver de bonito, já que vão pro inferno. Deus abandona pessoas como vocês.
- Tem razão, Deus me abandonou faz tempo. - luto comigo mesma pra fazer minha pose durona firme - Mas o d***o anda lado a lado comigo, todos os dias e eu sei que pessoas como você têm um destino terrível no mundo astral.
- Quer brincar de quem sabe mais? - ele ri
- Sabia que uma das suas vítimas resistiu? Você não conseguiu matar a terceira.
- Uma pena. - ele lamenta - Quer saber o que eu faria com você?
- Pode falar, meu bem. - sinto minha voz oscilando. Não sei quanto tempo mais vou aguentar ficar aqui
- Primeiro eu faria você dormir. E então, acordaríamos no meu porão. Você estaria nua. Então eu abriria suas pernas com os meus joelhos, pra você se lembrar do seu primeiro. - ele sorri, provavelmente imaginando a cena - Depois pegaria o meu taco e...
- Chega! - Olivia entra na sala - Acabou.
- Puxa! Agora que a conversa tava boa. - ele lamenta e eu sinto meus olhos ardendo
- Tem um lugar especial em Rikers pra caras como você. - murmuro e me levanto
- Ninguém nunca vai amar ou respeitar você. - ele sorri
Eu dou a volta na mesa e debruço sobre ele, colocando a boca em seu ouvido e tentando soar o mais intimidadora que consigo, apesar de estar em frangalhos.
- Tá vendo a mulher na sua frente? É a pessoa mais racional que eu conheço, mas está se segurando pra não surrar você. A loira bonitona do beco? Estava louca pra apertar o gatilho na sua direção. O homem que te trouxe até aqui? Ele me respeita. O loiro que queria te bater é o cara mais pacífico do mundo e o cara que segurou ele queria, na verdade, empurrá-lo contra você. Não me diga que ninguém nunca vai me respeitar ou gostar de mim. Eu não cheguei onde cheguei por ser amada, cheguei por conquistar respeito. Eu vou seguir em frente, mas você não vai ver isso porque estará ocupado em Rikers servindo de esposa velha de algum fortão. Então vá se f***r!
Bato a cabeça dele contra a mesa e Olivia me puxa pra perto dela, tirando-me de perto dele. Ela segura minha mão com força.
- Não pode mudar o passado, querida Lucinda. - ele diz com o nariz sangrando
- Mas mudamos o seu futuro. - Olivia diz me tirando da sala
Juntas, saímos da sala e entramos no escritório dela onde todos, até o Barba, acompanhavam o interrogatório. Mesmo sem querer, eles me olhavam com pesar.
- Mas posso fazer um futuro diferente. - murmuro pra mim mesma
Um silêncio constrangedor se faz. Eu puxo meu celular e disco o número do Hobbs, mas nem mesmo chama. Ele está em missão. Eu preciso tanto da minha família agora.
Me sento sobre a mesa de Olivia e respiro fundo sentindo que não posso mais segurar o choro. Começo a me tremer inteira e meu corpo parece formigar.
- Quando eu acordava de um pesadelo, Shaune cantava uma música pra mim. - digo olhando pro chão - Ela dizia que sempre damos a volta por cima, se nos esforçamos. Eu, realmente, espero conseguir contar pra vocês o que aconteceu, porque no dia que isso acontecer, nunca mais vai me incomodar. Não terá poder sobre mim.
Respiro fundo e então começo a dizer a letra da música.
- Everyone comes with scars but you can love them away. I told you that I wasn't perfect, you told me the same. I think that's why we belong together and unashamed. I told you that I wasn't perfect, no way.
Sinto alguém me abraçar e meus olhos estão tão embaçados pelas lágrimas que eu não consigo enxergar com clareza, mas sinto o cheiro do Sonny quando ele me aperta. Eu me aperto contra ele e prendo suas pernas com a minha, quase nos fundindo num só. Vejo Olivia ao nosso lado passar seus braços por nós dois. Ela tem os olhos molhados e beija a minha cabeça ao nos abraçar. Amanda, que se emocionava no canto, se aproxima e também nos abraça. Depois é a vez do Fin. Dodds e Barba ficam nos observando em silêncio. Barba tem os olhos vermelhos e molhados e Dodds segura o choro. Eu fecho os meus olhos e me deixo ser amada. Ser amada pelos amigos que foram colocados na minha vida.
Porque família vai muito além de laço de sangue.
________________________
Música: No Way
Cantor: Fifth Harmony
Tradução: todo mundo vem com cicatrizes, mas você pode amá-los assim mesmo. Eu te disse que não era perfeita, você me disse o mesmo. Eu acho que é por isso que chegamos até aqui juntos. Eu te disse que não era perfeito, não mesmo