Dominick “Sonny” Carisi Jr.
Saí do banheiro já vestido e com o cabelo molhado penteado para trás. De volta ao pequeno quarto da bagunça, no apartamento de Shaune, vejo meu celular vibrando em cima da escrivaninha dela. Penduro a toalha em um dos ganchos atrás da porta e pego o aparelho, vendo sua tela me notificar ser uma mensagem da minha irmã, Bella.
Chicago é legal? Como a família dela está tratando você?
Sentimos sua falta, querido s2
Sorrio com sua mensagem e então abro a aba de respostas, logo digitando algo para ela.
Aqui é incrível e eles são ótimos. Você os adoraria
Aliás, o próximo encontro geral deve acontecer no meu apartamento em um mês, se tudo correr como eu planejo ;)
Eu amo vocês s2
Bloqueio a tela do celular e saio do quarto logo após me perfumar. Nós chegamos aqui por volta das quatro e pouco da manhã e, logo após Luke nos buscar no aeroporto, foi decretado que as meninas dormem no quarto da Shaune e os meninos no quarto/escritório. Não protestei. Apenas cheguei e dormi.
— Bom dia, doutora Hobbs. — cumprimento Shaune, que está atrás do balcão da cozinha, comendo cookies
— Eu vou te chamar de detetive. — ela diz rindo
— Ok, desculpe. — sorrio e me sento em um dos bancos — Pretende ser promotora?
— Um dia. Por enquanto, trabalho para Peter Stone na promotoria de Chicago. — responde — Pode comer. Sua namorada que fez. — me oferece os cookies do tabuleiro
— Ela já acordou? — pergunto curioso, escolhendo o biscoito que está com mais chocolate
— Estava agitada demais pra dormir. — ela me olha com olhinhos estreitos, como se soubesse o motivo de sua agitação
— Isso tá ótimo. — digo após morder o biscoito e trocar de assunto
— Lucy disse que você fez o exame da Ordem.
— O resultado sai na segunda. Espero ter ido bem.
— Relaxa, cara. — ela sorri gentil e vai até a geladeira, pegando uma jarra de suco — Sinta-se em casa. — diz me dando um copo e me servindo
— Vocês são incríveis. — digo gentil — Obrigado.
— Tenho que te parabenizar. Sabia a encrenca em que estava se metendo, mas não recuou.
— Ela tentou me afastar, mas não havia muito o que fazer. Meu coração a escolheu. — explico tomando um gole do suco
— Obrigada, Sonny. — ela me olha
— Pelo quê?
— Estamos tentando resgatá-la há anos, mas sempre surge uma mão n***a que puxa a Lu pra dentro do buraco n***o que aquele... — ela rosna baixinho — Filho da p**a deixou na vida dela. Desde que ela entrou pra unidade de vítimas especiais, ela não tem tido recaída com antidepressivos e nem se fechado em sua bolha de dor. E desde que você surgiu, os pesadelos pararam.
Ouvir isso faz com que meus olhos comecem a arder em lágrimas e eu abaixo a cabeça, mirando o biscoito mordido em minha mão. Eu lido com vítimas o tempo todo e sempre vi a Lucy como uma sobrevivente guerreira. A verdade é que, pelo seu jeito durão, eu não conseguia imaginá-la numa bolha de dor. Mas agora, após ouvir Shaune, uma das envolvidas na vida dela, eu imagino Lucy, a minha Lucy, sofrendo sozinha. Não sozinha por não ter ninguém, mas sozinha por se culpar e se envergonhar da monstruosidade que sofreu.
— Independente do que acontecer com o relacionamento de vocês, no futuro, você sempre vai ser muito querido por nós. — ela sorri e eu a olho, ainda segurando as lágrimas — A menos que você vacile. Aí é bom ter plano funerário. — ela brinca — E nem será meu pai que irá matá-lo.
— Devo encarar isso como ameaça? — entro na brincadeira
— Talvez. — ela ri
Ouço risadas e então vejo Lucy entrando pela porta da frente ao lado do brutamontes do Hobbs. Ele está carregando uma caixa grande de evidências e Lucy está repetindo a frase "eu não acredito nisso". Franzo o cenho.
— Uh, bom dia, babe. — ela sorri ao me ver e beija minha bochecha
— Bom dia, anjo. — sorrio — Ei! — faço cara feia quando ela bebe meu suco
— Bom dia, Sonny. — Hobbs diz pondo a caixa em cima da mesa redonda de jantar — Espero que meus roncos não tenham atrapalhado seu sono.
— Sinceramente, nem ouvi. — dou de ombros — Estava muito cansado.
— Deve ter entrado em coma. — Lucy diz rindo
— Meu pai parece uma britadeira. — Shaune ri alto
— Eu não ouvi. — dou de ombros tomando o que sobrou do meu suco
— Até eu ouvi e nem tava no quarto. — Lucy resmunga tirando a jaqueta e eu observo o caimento do vestido florido solto em seu corpo. Tão diferente do habitual, tão linda
— Ha ha! Nem vem. — Luke diz
— O que tem aí, pai? Nem faz um ano que a Lu saiu da sua equipe e você já vai pedir ajuda dela? — Shaune diz curiosa
— Não. Essas evidências não são minhas. São dela. — ele diz abrindo a caixa
— Você não vai fazer isso. — ela o olha séria
— Sonny, sabia que sua namorada usava aparelho? — ele me mostra uma foto
— Não! — ela pula em cima dele, pra tampar a foto e começamos a rir
— Quando ia me contar isso? — pego a foto da mão do Luke
— Nunca! — ela diz rindo
***
Foi um final de semana incrível. Shaune e Luke fizeram eu me sentir da família e eu realmente me sinto assim. Brincamos, nos divertimos, passeamos e vivemos momentos incríveis. Lucy sorria o tempo todo e eu só me lembro de ficar observando-a sorrindo e pensando "eu quero ver esse brilho nos olhos dela todos os dias".
Retornando à Nova York, no finalzinho da noite de domingo, eu fui para o meu apartamento e ela para o dela. Disse que precisávamos descansar e eu não discordei. Sei que falaremos do que aconteceu antes da viagem assim que ela tiver pronta pra isso. Foi tão intenso, tão mágico. Ela se entregou pra mim, apesar dos medos e da vergonha. Ela confiou em mim. Ela me ama.
— Bom dia, squad. — ouço a voz de Lucy e a vejo correr pela delegacia
— Meia hora de atraso. — Amanda a avisa
— Eu sei, eu sei. Meu sono foi passear e nunca mais voltou. — ela diz mexendo no cós da calça — Merda! Esqueci minha Magnum debaixo do travesseiro. — murmura pensando alto
— Dorme com uma Magnum 22 embaixo do travesseiro? — Fin pergunta
Ela não responde, apenas senta na cadeira de sua mesa e tira os óculos escuros, revelando o rosto marcado pelo pouco sono. Franzo o cenho, mas não a confronto. Se ela está começando uma recaída, confrontá-la agora não fará bem. Quando estivermos sozinhos, eu demonstro minha preocupação à ela.
— Por que você nunca vem de bolsa? — Amanda pergunta
— Tudo o que eu preciso está dentro da minha botina. — ela diz ligando seu computador — Escuta, é meu primeiro atraso em quase um ano de esquadrão. — ela ergue os olhos para Amanda, Fin e eu — Acha que Liv vai brigar?
— Não. Não vai. — eu digo
— Fica tranquila. — Fin sorri — Como foi seu fim de semana?
— Ótimo. — ela responde — Espero que, um dia, vocês possam conhecer o que sobrou da minha família. Ainda mais agora que vocês fazem parte dela.
— Vai ser uma honra ser amiga daquele armário de dois metros. — Amanda diz sobre o Hobbs e eu acabo rindo
— Um metro e noventa e seis, na verdade. — Lucy diz a exata altura dele
— Não faz diferença. O cara é um monstro. — Fin diz — Hulk e ele revezam no supino.
Explodimos numa gargalhada alta que chama atenção de algumas pessoas já presentes na delegacia. Vamos parando aos poucos e, depois, disfarçamos quando Mike Dodds chega. Já é difícil ter um cara de fora como nosso sargento, agora imagine ter o filho do chefe nessa posição.
— A Tenente vai chegar um pouco mais tarde hoje. Meu pai pediu para vê-la logo cedo. — ele explica se aproximando — Recebemos uma denúncia de maus tratos infantil no Queens.
— Lucy e eu podemos ir. — Fin se prontifica
— Você e Carisi. Amanda e eu vamos verificar uma outra pista. — ele explica
— E eu? — Lucy o olha
— Fica na base e aguarde novas ordens. Vamos, Rollins. — diz saindo
Rollins revira os olhos e o segue. Fin e eu nos levantamos e eu dou um beijo na testa de Lucy, logo saindo. Não entendi o motivo do Dodds ter deixado a Lucy de fora, mas não dá pra contestar agora.
★ Lucy González ★
— Aqui, minha querida. — ela me dá o copo de café — Fico feliz que o fim de semana tenha sido bom. — ela sorri
— Obrigada, Liv. — sorrio para ela e tomo um bom gole do café
— Mas pode me contar o motivo dessas olheiras? — ela pergunta me olhando, enquanto se senta ao meu lado no sofá de sua sala
— Não se preocupe. Foi só uma noite difícil. — a tranquilizo
— Eu me preocupo sim. Você é da família. — ela sorri e segura minha mão, passando-me carinho — Alguma coisa acontecendo?
— Não. Eu estou bem. De verdade. Foi só uma noite em claro porque eu estava muito agitada. Luke mostrou fotos da minha adolescência pro Sonny, Shaune o tratou como irmão. Deu tudo tão certo que, quado voltamos, eu só conseguia ficar pensando e repensando em tudo o que aconteceu. Em como eu estou feliz.
— E nas vezes em que o Henry disse a você que você não seria feliz, não é? — ela conclui
— É. — respiro fundo, baixando o olhar — Durante muito tempo eu acreditei. Eu me privei de tentar continuar. No entanto, olha eu aqui.
— Você é amável. Uma mulher incrível. — ela acaricia minha mão — Você é da minha família. E família se protege. Olha pra mim, Lucy. — ela procura meu olhar e eu a olho nos olhos — Pro que você precisar, não hesite. Sabe que eu vou fazer o possível pra te ajudar.
— Obrigada. — sorrio sentindo meus olhos arderem em lágrimas
Ela me abraça e acaricia meus cabelos. Eu recosto minha cabeça em seu peito e sinto algumas lágrimas silenciosas escaparem. Olivia Benson faz com que eu me sinta amada.
— Eu me entreguei ao Carisi. — deixo escapar
Liv nos afasta um pouco e me olha. Ela tem um sorriso no rosto.
— Foi a primeira vez desde que... — deixa no ar
— Foi a primeira vez que me entreguei pra alguém na vida. — eu digo
— Quer conversar sobre isso? — ela pergunta passando as mãos no meu rosto, secando os rastros das lágrimas
— Ele foi tão... — fico sem palavras — Foi incrível. — sorrio e ouvimos batidas na porta
— Vai ter que me contar mais disso depois. — ela diz rindo — Entra! — se levanta, indo pra trás de sua mesa
— Com licença, tê. — Sonny entra — Investigamos a fundo. A denúncia é falsa. Partiu de um pai que perdeu a guarda na vara de família e quer tomar a criança da mãe. — ele olha para mim e depois para a Olivia — Tá tudo bem aqui?
— Com certeza. — bebo meu café
— É até bom tê-los aqui. — ela diz — O comissário me perguntou se eu queria afastar vocês dois.
— Afastar a gente? — eu arregalo os olhos
— Mas a gente sempre manteve a pose aqui dentro. Estamos juntos há um mês e vocês só descobriram no fim de semana. — Carisi diz
— Eu sei e foi esse argumento que eu usei para manter os dois aqui na mesma unidade. Portanto, continuem com a pose aqui. — ela diz se sentando em sua cadeira — Como foi o primeiro dia com o novo sargento?
— Ele é uma pedra no meu sapato. — sou a primeira a reclamar
— Ele é legal. Tá se esforçando. — Carisi dá de ombros
— Me elogiou no baile e agora fica me privando de ir pra rua. Avisa a ele que existe diferença entre a agente González e a detetive González.
— Qual a diferença? — Sonny me olha brincalhão
— A detetive é racional. A agente, arranca seu braço com uma mordida. — olho pra ele
— Ok. Não tá mais aqui quem perguntou. — ele ergue os braços em sinal de rendição
— Tá bom, casal. Vão agir suas vidas. — Olivia nos dispensa — Lucy, deixa que eu falo com ele sobre o cuidado com você.
— Obrigada. — me levanto
— Pode passar, pitbul maluco. — Carisi diz ao abrir a porta para que eu saia na frente
— Vou arrancar sua cabeça, i****a. — saio marchando
— Ei, o que eu disse sobre a pose? — ouço Olivia perguntar alto
— Já fazíamos isso antes de namorar. — Carisi ri