Mel
Estou na carruagem de Vairon indo para o reino dele depois da humilhação que tive que passar para ele conseguir me comprar antes de amanhã. Eu sinceramente não entendo o motivo de ele estar fazendo isso, sei que servirei a ele como bolsa de sangue, mas pagou um preço maior para me conseguir como serva.
Não dá para esquecer a vergonha que passei tento que encenar que fui estuprada por ele, tive que fingir trauma e choro ao mesmo tempo, todas as garotas do orfanato ficaram me olhando, claro que não me importei por ser mentira, mas minha amiga
parecia completamente preocupada comigo, queria se aproximar, mas não deixaram.
Como ainda é regra o fato da desonra contar como casamento imediato ou venda rápida, eles me entregaram na hora a por notar que meu preço baixaria por não ser mais virgem, ele me comprou por um preço até que extremamente baixo em comparação com o preço que me venderiam amanhã para o rei da região central.
Vairon —você está bem garota?— pergunta me olhando distraída com meus pensamentos.
—sim, mas preocupada com minha amiga que ficou lá.— falo pensando em Laisa, nunca fiquei longe dela por muito tempo, agora viverei em outra região.
Vairon —não se preocupe, irão somente comprar ela como bolsa de sangue, é uma mulher comum, mas o cheiro do sangue dela é especial.
—assim espero.— falo virando meu rosto para janela, a floresta desse lugar é linda e verde, brilhante e pacífica.
Vairon —parece meio deprimida.— escuto sua voz enquanto me despeço mentalmente de minha cidade.
—claro que tô, estou me despedindo de tudo que conheci desde que me lembro.— falo enquanto penso em toda minha infância.
Vairon —já parou para pensar que agora viverá em um castelo enorme, com servos e comida abundante?— eu não consigo pensar nisso por causa do sentimento de ansiedade e medo.
—eu não conheço você, não sei se posso confiar, é um vampiro— falo me virando para olhar seu rosto pálido.
Vairon —já disse que não farei nada contigo, não sou te quebrar promessas, na verdade nenhum vampiro é.— diz com um olhar sério, mas não aparece bravo.
—me acha burra por ser humana?— pergunto curiosa para saber como sanguessugas pensam.
Vairon —eu acho humanos fracos, mas não burros.— diz pegando alguns documentos na pasta de couro dele.
Só fico olhando pela janela enquanto o tempo passa, pois quero chegar logo, não gosto de andar nesses coisas.
(...)
Acordo lembrando de tudo que aconteceu, ainda estou na carruagem que está em movimento, pela janela consigo ver que anoiteceu, estamos em uma floresta mais fechada e escura do que a da minha vila.
Estou com frio, e com um pouco de medo, estou em um lugar novo com um homem que nem conheço, mas pertenço.
Vairon —coisas novas devem assustar, mas respire fundo e tente se acalmar, a floresta é assustadora a noite, mas também é linda, olhe para o céu e verá, as estrelas daqui são maiores e brilhantes do que a de qualquer outro lugar.— só respiro fundo como ele falou e olho pela janela janela para o céu que realmente é belíssimo.
—vai demorar muito para chegar?— pergunto meio apertada para ir no banheiro, bebi muita água antes de vir.
Vairon —vamos parar em uma cabana de hospedagem, sei que é humana e tem necessidades fisiológicas. Precisarei usar meus poderes para chegar no meu reino mais rapidamente amanhã, tenho trabalhos a fazer e a viagem vai demorar alguns dias, vou deixar o controle da carruagem com você, o mordomo que está controlando os cavalos irá de levar e de obedecer, não se preocupe, ele é um transformado e eu sou o mestre dele, não fará nada com você, pois a minha ontem é algo impossível de ele quebrar.— eu não sabia que vampiros controlam quem transformam.
—eu entendi... Como funciona a transformação?— pergunto pois não tivemos uma conversa normal durante toda a viagem.
Vairon —não posso revelar isso a você, é um segredo que nem mesmo nobres vampiros sabem, somente sangue puros tem o direito a essa informação.— não entendo para que tanto segredo.
—Posso de chamar de Vay?— digo olhando seus olhos.
Vairon —não, vai me chamar de milord, ou meu senhor, meu mestre, ou meu rei como todo mundo chama, estamos indo para um reino, tem regras a seguir.— diz me olhando um pouco sério.
—que regras?— pergunto pois não estava pensando muito nisso.
Vairon —é uma plebeia pelo que posso ver, vai ter que aprender etiqueta, forma de falar com educação, também vai ter que cuidar melhor dos seus cabelos, talvez aprender a lutar, pois acontecem constantes guerras por território.— estou começando a me arrepender disso.
—parece difícil...— falo meio desanimada agora.
Vairon —consigo ver olhando para você conseguirá se adaptar, é forte, seus olhos mostram isso.— será mesmo que eu sou?
Vairon —tem outras regras que precisará seguir piores que essa.— começou..... as coisas poderiam melhor e não piorar.
—fala.
Vairon —Primeira regra, não responder ou dar opinião a um vampiro nobre ou sangue puro se não for chamada para dizer algo, normalmente eles vão querer que fale se olharem nos seus olhos e perguntarem algo diretamente a você, não pode entrar no assunto deles se não for chamada. Segunda regra, sempre ser educada, e nunca esquecer o mestre mesmo ele não sendo seu real mestre. Terceira, nunca dizer não a pedidos normais a um nobre, pedidos que você pode fazer normalmente como servir comida ou limpar algum cômodo. Quarta, nunca engravide de um vampiro, se essa criança não for desejada por ele poderá ser executada. Acho que só essas regras é o suficiente.— diz normalmente.
Vejo a carruagem parar em frente a uma cabana enorme, parece mais uma mansão de madeira de tão linda.
—o que acontece se uma humana engravida de um vampiro, quero dizer, o que a criança será, mestiço?— pergunto descendo logo depois dele.
Vairon —será um vampiro, pois nossos genes não se misturam com o humano, mestiços são difíceis de nascer por causa disso, mas não precisa se preocupar com esse tipo de coisa, a possibilidades de gravidez humana de um vampiro é só de 30%, mas é bem maior do que a das vampiras da nossa espécie que vão de 1% a 10%, são basicamente esteres.
—então como sua espécie costuma nascer?— pergunto seguindo atrás dele.
Vairon —minha mãe era uma vampira nobre e meu pai um sangue puro, demorou milênios para eles conseguirem ter o primeiro filho que fui eu. Normalmente vampiros apressados costumam comprar humanas férteis para se reproduzir, pois a possibilidade de dar certo é maior.— isso é tão h******l de se ouvir...