POV Lily
Chego no meu simples, pequeno, porém aconchegante apartamento, me jogo no sofá olhando para cima sem acreditar no que acaba de acontecer. Respiro fundo, sem acreditar.
"Estou casada, sou mulher casada"! Digo em voz alta para mim mesma.
O telefone vibrou de dentro da bolsa, que estava sobre a mesa. Meu coração deu um salto quando vi o nome na tela: Amélia Davis.
Engoli em seco antes de atender.
— Alô?
— Lily, minha norinha. — A voz dela soava calma, mas com um ar misterioso. — Agora que está oficialmente casada, chegou a hora de se mudar para a casa do seu marido.
Minha garganta secou.
— Mudar? Para a casa dele? — Digo me sentando rapidamente no sofá assustada.
— Claro. Você é uma Davis agora. Seu lugar é ao lado do seu marido. — ouço um sorriso baixinho.
Eu quis dizer que nunca o vi, que nem sabia como ele era, mas as palavras ficaram presas na minha boca.
— Vou enviar um carro para buscá-la amanhã cedo. Esteja pronta. Outra coisa, ele mora aqui.
E, sem esperar resposta, ela desligou.
Fiquei encarando o celular por um longo tempo.
— Como assim ele mora lá?
...
Na manhã seguinte...
O carro preto estacionou na frente do meu apartamento no horário exato. Um motorista de terno desceu e pegou minhas malas sem dizer uma palavra.
A viagem foi silenciosa, exceto pelo som da chuva que começava a cair contra o vidro. Cada quilômetro me levava para mais longe da vida que conhecia.
Quando o portão da mansão Davis se abriu, prendi a respiração. Já vi essa mansão muitas vezes, porque será que especialmente hoje a casa parece diferente? Eu sei porque. Hoje não serei a mulher que ajuda na faxina, seria uma das senhoras da casa. Não sei porque, mas me sinto nervosa, porém feliz ao mesmo tempo.
Era um verdadeiro castelo moderno, com enormes colunas e janelas que iam do chão ao teto. O carro seguiu pelo longo caminho de pedras até parar diante da entrada principal.
Uma das empregadas abriu a porta para mim.
— Senhora Davis, bem-vinda. A senhora Amélia pediu que eu a levasse ao seu quarto.
Nenhuma das empregadas anteriores, estava na casa, exceto pelo cheiro de comida inconfundível da camisa de Luana.
Segui a mulher por um corredor amplo e iluminado, com móveis sofisticados e quadros que pareciam pertencer a um museu.
Até que paramos diante de uma porta no final do corredor.
Percebi que nunca fazia faxina nessa parte da casa, Amélia deixava claro que ninguém subisse para o último andar. Agora já sei por que, isso me deixa com uma pulga atrás da orelha, mas empurro essa sensação para o lado e continuo andando.
— Aqui é o seu quarto.
— O último quarto? — murmurei para mim mesma.
A empregada me olhou com uma expressão estranha antes de abrir a porta.
E então, eu o vi.
Havia alguém dentro do quarto.
Um homem alto, de cabelos castanhos e bagunçados, pele clara, estava de costas para mim, olhando fixamente para algum lugar.
Meu coração parou.
— Claire Davis?!
Eu conhecia aquele nome. Todo mundo conhecia.
Claire Davis era um empresário misterioso, sempre cercado de boatos e escândalos, mas ninguém realmente sabia muito sobre ele. Seu nome aparecia nos jornais, ligado a investimentos e aquisições milionárias. Ele era um fantasma para a mídia, raramente visto em público.
E agora…
Ele era o meu marido.
Ele inclinou a cabeça, analisando-me dos pés à cabeça, antes de soltar um sorriso de canto. Nossa, como ele era lindo e encantador.
— Então, você é Lily.
A voz dele era baixa, envolvente, mas havia algo nela que me fez estremecer.
Eu não sabia nada sobre meu próprio marido.
E, pelo jeito que ele me olhava, parecia que ele sabia tudo sobre mim.
— Sim, ou Lily, muito prazer senhor Clarie Davis. — digo estendendo a mão de um jeito atrapalhada e esquisita.
— Muito prazer, sou Bill Jonas, médico do Clarie. ele estende a mãe para mim.
— Como assim? Não entendi? Vc não é Clarie?
— Não, sou médico e melhor amigo dele, esse é Clarie. - ele diz apontando para um homem deitado na cama dormindo, alguns monitores de hospital ligados a ele, fiquei paralisada ao ver a situação até que Bill se manifesta e diz:
— Ele sofreu um acidente alguns meses atrás e está em coma desde então, ainda no acordou, pelo menos ele não precisa de um respirador para ajuda-lo a respirar.
— Me desculpe o espanto eu não sabia dessa situação, Amélia não me contou sobre isso. Ela disse que ele estava viajando. — digo demonstrando meu total espanto pela situação bizarra de está casada com um homem que está em coma, com certeza essa situação é muito estranha. Porque ela quis me casar com um homem que está em coma?
— Bill, ele tem chances de acordar não é? Ele vai ficar assim pra sempre? Já fizeram todos os exames? Tiveram uma segunda opinião? - digo preocupada com a situação dele.
— Não se preocupe Lily, já fizemos tudo o que podíamos fazer, agora é só esperar a recuperação dele. - diz com um sorriso no rosto.
— Algum problema?
— Não senhora, só lhe acho interessante.
Que cara estranho, nem sei dizer.
— Então Bill, pode me mostrar o que preciso fazer para cuidar dele? Sei que pessoa acamadas precisam de muita atenção, principalmente com a pele, para não ter risco de não surgir nenhuma ferida. — digo pensando na minha mãe e colocando minha bolsa em cima de uma mesinha que está próximo.
— Vejo que conhece algumas situações de cuidados, mas, não precisa se preocupar, Clarie é muito forte e todas as vitaminas no corpo dele estão ótimas, o cuidados íntimos dele, eu faço todo dia de manhã, na se preocupe com isso.
— Como assim você faz? Eu vou fazer o que? Depois de saber de toda a situação, porque Amélia queria que eu me casasse com ele, se você já cuida dele?
— Estou recebendo para fazer a assistência do médico e os cuidados diários, acho que você tem outra funcionalidade.
Isso me deixa com uma pulga a mais atrás da orelha, o que será que essa mulher está aprontando.