Steven
— Eu realmente gostaria de ter uma cópia disso. — Edward ri.
sua voz profunda misturada com diversão demais para o meu gosto. Ele gira seu uísque, o líquido âmbar capturando a luz e lançando faíscas douradas.
— Coloque emoldurado para referência. Sua gerente de RH é uma ótima escritora. Talvez ela tenha perdido sua vocação como comediante de stand-up especializada em críticas de CEO.
Olho feio para meu amigo mais velho, que está tendo um dia de entretenimento com o diário vergonhoso de Savannah pelas últimas meia hora. Nunca vi o bastardo tão entretido. É sexta-feira à noite e nós dois decidimos tomar uma bebida depois de ir à academia; para relaxar depois de uma semana infernal.
Edward Cavendish, é tão elegante quanto o filho da p**a do Nathaniel, mas sem o p*u no cu. Somos amigos desde que ele apareceu para salvar minha pele magricela da bota de Nathaniel na escola.
— Ela está certa, é claro — Edward continua, seus olhos brilhando de alegria.
— Você tende a agir como se fosse o Rei da Inglaterra.
Meus olhos se estreitam em fendas.
— Eu trabalho duro, e espero que minha equipe faça o mesmo. Eu não jogo. Minhas exigências são claras como cristal. Minha equipe é a mais bem paga de Londres. E agora estou agindo como o Rei da Inglaterra?
— Na verdade — ele reflete, examinando meu telefone.
— agora que penso nisso, comparar você ao rei é um pouco forçado. Ele é muito mais digno e refinado. Espero estar presente se ela cumprir suas ameaças de estrangulá-lo com sua própria gravata, no entanto. Não perderia isso por nada no mundo.
— Devolve isso — eu rosno, arrancando meu telefone das mãos dele. Edward se inclina para trás, sua postura relaxada.
— Então, a pobre garota já foi demitida?
Passo a mão pelo meu cabelo, puxando os fios curtos em frustração.
— Não — admito de má vontade. — Ainda não, de qualquer forma. Não a confrontei sobre isso.
As sobrancelhas de Edward se erguem.
— Por que diabos não?
— Ainda não decidi como lidar com isso.
Um sorriso malicioso brinca em seus lábios.
— Você tem uma queda por ela?
— Claro que não — eu retruco, talvez rápido demais.
— Não é tão simples assim. Ela é a gerente do meu RH. A pessoa que geralmente cuida de todo o trabalho sujo de demitir e disciplinar por mim.
Isso é... complicado. — Eu paro, minha carranca se aprofundando. — É como pedir ao carrasco para se decapitar.
— Fico feliz por não trabalhar com as finanças. Fico feliz em dizer que nunca encontrei cocô na minha mesa antes.
— Pare com isso, cara. Você vê muito pior do que um pouco de merda de gato na sua mesa de trabalho — eu digo, olhando para Edward. Ele é um cirurgião de sucesso em um dos hospitais do NHS no centro de Londres. Um viciado em trabalho como eu, mas por uma causa muito mais nobre.
— Como vai, afinal? Estou surpreso que você conseguiu arranjar um tempo para me encontrar para tomar uma bebida. O rosto de Edward fica sério, as linhas ao redor dos olhos se aprofundando. Eu conheço o sujeito há tempo suficiente para reconhecer aquele olhar, aquele que diz que ele está carregando o mundo nas costas.
— Tem sido difícil — ele admite, com a voz pesada de exaustão.
— Tivemos funcionários doentes a todo momento, e os que ainda estão de pé já estão esgotados.
Sinto uma pontada de frustração, de raiva impotente por ele. No meu mundo, posso jogar dinheiro nos problemas até que eles desapareçam. Mas não é assim que o Serviço Nacional de Saúde funciona. As mãos de Edward estão atadas de maneiras que as minhas nunca estão.
— Merda, cara. Desculpa — eu digo, as palavras parecendo vazias. Mas eu as digo com cada fibra do meu ser. — Se houver algo que eu possa fazer para ajudar, qualquer coisa... você me diga.
Ele ri, seu humor habitual retornando.
— Agradeço, mas a menos que você tem um estoque secreto de enfermeiras escondidas em algum lugar, não há muito que você possa fazer. Seus olhos encontram os meus.
— As únicas enfermeiras que você conhece são aquelas que se fantasia naquele seu clube. Não pense que eu não sei por que você me chamou aqui, Steven.
Eu sorrio, pego de surpresa, mas não incomodado.
— Não consigo fazer nada passar por você, consigo?
É verdade, às vezes peço para Edward me encontrar aqui se estou planejando uma ida ao clube luxury em breve. Mas não é só isso. Este lugar é uma espécie de santuário — privado, tranquilo, refinado.
— Não está na hora de você tentar ter um relacionamento real em vez de encontros misteriosos em seu clube de sexo?
— Cara, eu poderia dizer o mesmo sobre você.
As palavras saem da minha boca antes que eu possa impedi-las, e eu imediatamente me arrependo quando vejo a dor passar pelo rosto de Edward, a maneira como sua mão instintivamente esfrega sua nuca.
— Merda. Edward, me desculpe.
— eu digo rapidamente, estremecendo com minha própria insensibilidade.
— Não, você está certo.
— Acho que está na hora — ele diz suavemente.
O peso dessas palavras pesa entre nós. A linda esposa de Edward morreu há dois anos, e vê-lo desmoronar depois disso foi uma das coisas mais difíceis que já tive que testemunhar. Tentei estar lá para ele, tentei oferecer todo o conforto que pude, mas como posso consolar alguém que teve sua parceira arrancada dele?
E apesar do que Savannah possa pensar de mim, e sobre meu círculo íntimo, o bem-estar deles importa para mim mais do que qualquer negócio. Apoiar Edward em seu sofrimento quase me destruiu.
— Parece que nós dois precisamos de uma pausa, companheiro. — eu digo, mudando a conversa. — Precisamos dar um passeio no mar. Já faz muito tempo.
— Sim, eu preciso muito disso. — Ele suspira.
Edward e eu compartilhamos o amor pela vela. Não há nada melhor do que sair da cidade, tirar o traje e entrar em águas abertas. Fazer trabalho físico a ponto de ficar tão cansado que seu cérebro finalmente desliga. Eu durmo como um morto no meu barco.
Sempre apreciei como a comunidade da vela não dá a mínima para sua formação ou o que você faz para viver. É algo que é bom para nós dois. As pessoas ficam tensas quando ouvem que sou o CEO da Financeira Campbell e derretem quando ouvem que Edward é um cirurgião de sucesso. Lá fora, somos apenas dois caras que sabem como manejar um barco.
Uma hora depois, acertamos nossa conta e nos despedimos, e eu estou indo para o luxury. Preciso encontrar uma ruiva para realizar essa fantasia com a secretária raivosa.
Talvez até faça um pedido para que ela use um vestido como o da Savannah. Será que eu poderia descobrir de onde é, sem soar como um perseguidor assustador com um fetiche?
Mas há uma suspeita incômoda no fundo da minha mente de que ninguém vai ser como ela de verdade. E esse é um pensamento alarmante, considerando que não posso e não vou me aproximar dela.