Capítulo 14

1595 Palavras
Savannah Não tenho tempo para me deter no comportamento de Steven. Enquanto o resto dos funcionários mastiga alegremente os luxuosos produtos do bufê, aproveito a oportunidade para marchar de volta para a recepção pegar arquivos com Charlotte. — Ei! — ela murmura. — Desculpe, querida, não tenho tempo para parar e conversar — eu digo, já pegando os arquivos da mão dela. — Mas você é minha salvadora. Sério, eu te devo muito. Ela espia ao redor da minha cabeça para ter uma visão além da área de recepção. — Ah, nem para me dar um tour? — Hoje não, desculpe. — Eu praticamente a empurro para fora da porta de novo, mas não antes de lhe dar alguns dos nossos canapés chiques. — Aqui, pegue estes. Você os mereceu. Te amo demais, tenho que ir, tchau! Não há tempo a perder. Corro pelo corredor central neste meio trote desajeitado, meus saltos estalando a cada passo em pânico. Por que eu uso isso de novo? Ah, certo — aparência acima do conforto. Ao entrar no escritório de Campbell, faço uma demonstração exagerada de depositar aqueles arquivos na frente e no centro de sua mesa imaculada com um baque decisivo. Enquanto giro para escapar, dou de cara com uma parede de músculos e colônia cara. — Desculpe-me — murmuro, odiando o quão nervosa pareço enquanto tropeço dando um passo para trás. Uma de suas sobrancelhas se ergue com aquele jeito arrogante característico. — Algo errado? — Não, eu apenas deixei o que você pediu na sua mesa. Espero que lhe agrade. Me avise se estiver insatisfeito com alguma coisa. Ele sorri. — Como eu conseguiria lidar com tudo sem você? — Provavelmente muito menos bem do que você pensa — eu digo sem pensar antes de conseguir me conter. Ele ri, profundo e baixo, e levanta aquela maldita sobrancelha novamente. Sinto meu rosto corar. O que diabos há de errado comigo? Tenho hormônios de alguma adolescente? Ou estou tão dolorosamente, pateticamente frustrada sexualmente que uma única sobrancelha levantada do meu chefe babaca é o suficiente para me deixar excitada? Controle-se. — Obrigado por suas palavras gentis — eu consigo dizer rigidamente. — Talvez eu não demonstre minha apreciação tão livremente quanto deveria. — Ele arrasta seu olhar ardente sobre mim de uma forma preguiçosa e avaliadora que faz o calor formigar na minha pele. — Obviamente, não tenho noção real de quanto planejamento meticuloso e esforço são necessários para realizar um evento dessa escala. Sei que você trabalha incansavelmente para fazer esses milagres acontecerem. Ele se inclina, perto o suficiente para fazer meu pulso acelerar, e acrescenta suavemente: — Tudo para satisfazer minhas exigências absurdas. Suas... exigências... absurdas? — Não é um problema — eu respondo com frieza forçada. — É meu trabalho. Ocorreu sem maiores problemas, você não concorda? — Suas habilidades organizacionais foram excepcionais, como sempre. — Ele diz isso de uma maneira tão impassível que não consigo dizer se ele ainda está sendo sarcástico. — Mesmo que eu tenha adiado o evento por um dia. — Isso não é problema nenhum. Sei o quanto você é ocupado. E aquele discurso mais cedo? Você foi cativante lá em cima, senhor. Você realmente tem um dom para motivar a empresa inteira. Há aquela sugestão sutil de um sorriso brincando no canto de seus lábios novamente, como se ele estivesse em alguma piada da qual eu não estou a par. Provavelmente rindo das minhas tentativas patéticas de bajulação. — Eu sempre posso contar com você para sua opinião honesta, Savannah, não posso? O jeito que ele diz isso, com aquela corrente oculta de diversão maliciosa, me faz engolir em seco. — Claro. Seus olhos se estreitam. — Hmm. — Agora, se me der licença, senhor. Eu me movo para desviar de seu corpo imponente, mas ele bloqueia minha saída com um leve movimento de seu corpo, seu peito largo pairando sobre mim. — Achei que tínhamos combinado que você me chamaria de Steven — ele murmura. A proximidade faz meu estômago revirar e eu me amaldiçoo pela reação traiçoeira. — Claro. Steven. Sinceramente, eu o prefiro como um babaca insuportável. Pelo menos assim, eu sei onde estou. Esse lado novo, quase brincalhão dele, está me desequilibrando, e eu não gosto nem um pouco disso. Consigo me libertar por alguns minutos preciosos para pegar algumas sobras do bufê quando o nome de Charlotte aparece no meu telefone. — Sim? — respondo, digitando furiosamente no meu notebook com a mão livre. — Uh, temos um pequeno problema aqui, querida. — A voz de Charlotte está cheia de pânico m*l disfarçado. — Hmm, você sabe como fazer a Mimi fazer cocô? Tipo, tem algum petisco especial para gatos ou algo que simplesmente faça as coisas andarem? Eu paro no meio do pressionamento a tecla. — O quê? Por quê? — Então, eu, hum, você sabe, fui deixar o cocô do gato, mas não consigo encontrá-lo em lugar nenhum! Então, estou de volta em casa agora, tentando fazer com que Mimi forneça uma amostra extra. Mas ela não está exatamente sendo cooperativa. Devo tentar alimentá-la? — Então você perdeu a amostra original de cocô? — Juro que eu estava com isso na minha bolsa junto com seus arquivos! Deve ter caído no seu escritório. — No meu escritório? — eu sibilo, antes de lembrar onde estou e abaixo minha voz para um sussurro furioso. — Você está me dizendo que tem um cocô de gato fedido rolando em algum lugar no meu local de trabalho? Ela faz um som de choramingo. Fechando os olhos com força, respiro fundo e calmamente pelo nariz. — Não force, ela só faz uma vez por dia, normalmente. Teremos outra amostra amanhã de manhã. Vou ter que fazer uma varredura e garantir que esse risco biológico não esteja rolando pela recepção em algum lugar. Desligo abruptamente e corro em direção ao saguão, fazendo o meu melhor para parecer tranquila, calma e controlada — como se eu não estivesse em uma missão secreta para localizar um pedaço de cocô de gato perdido em um tubo transparente. Steven está dentro do seu escritório, envolvido no que parece ser uma discussão intensa com três caras que só podem ser os temidos auditores. Felizmente, não há sinal do tubo de amostra desaparecido no saguão. Mas ainda me sinto desconfortável. Volto pelo escritório aberto enquanto dou uma olhada furtiva em direção ao escritório com paredes de vidro de Steven. Ele parece estar tentando sorrir para os auditores, embora isso claramente lhe cause grande dor física e emocional. Ele levanta uma mão, acariciando distraidamente a barba por fazer que cobre seu maxilar, então seu braço desce para pousar nas pastas que deixei em sua mesa e... Oh. Deus. Não. O maldito tubo de cocô sai rolando em câmera lenta, direto na linha de visão de Steven. O que você fez, Charlotte? Sinto o sangue drenando do meu rosto. A carranca de Steven se aprofunda mais naquelas belas feições enquanto confusão — e um traço de horror — o invadem. Ele olha para os auditores, com narinas dilatadas, provavelmente rezando para que eles não tenham testemunhado aquilo. Então seu olhar se volta para se fixar na... amostra de cocô, aninhada toda confortável e aconchegante ao lado de seu antebraço bronzeado e tonificado. E... esse é meu batom? Meu batom vermelho brilhante, inconfundível, característico, deitado conspicuamente ao lado do cocô? Que diabos, Charlotte? Você apenas pegou um punhado de objetos aleatórios da minha mesa e os enfiou junto com os arquivos? Pego um arquivo aleatório de uma mesa próxima, fingindo profunda concentração enquanto finjo revisar seu conteúdo. O tempo todo, estou observando Steven pelo canto do olho, tentando não parecer que estou observando-o. Tudo bem, respirações profundas. Inspira pelo nariz, expira pela boca. Nada definitivamente liga o cocô a mim, exceto pelo fato de que eu provavelmente fui a última pessoa em seu escritório. E ele estava aninhado tão amorosamente nas pastas que entreguei a ele. Mas, além disso, estou livre. Ele se mexe desconfortavelmente, suas feições se contorcendo em algo que só posso descrever como confusão e nervosismo. Em todos os meus anos nesta empresa, com toda a merda que testemunhei, nunca vi Campbell nervoso. E, no entanto, aqui estamos, neste momento culminante da minha carreira, e finalmente consegui fazer o impossível. Ele faz uma tentativa desajeitada de discrição, tentando — e inevitavelmente falhando — em empurrá-lo para fora de vista com golpes repetidos de seu antebraço musculoso. Boa sorte com isso, meu amigo. Isso é demais. Não posso ficar aqui e assistir a isso acontecer. Me afasto calmamente e fingir que não tenho a mínima ideia sobre nada disso. É só um cocô fedido que apareceu magicamente na mesa dele. Ele pode até suspeitar de Peter — tem todas as características de um pequeno ato de vingança. Ou talvez os próprios auditores tenham plantado isso em uma tentativa de perturbá-lo. De qualquer forma, tenho uma negação plausível do meu lado. Enquanto estou fazendo meu retiro nada casual, uma percepção preocupante me invade: Peter e os três auditores carecas não me parecem exatamente o tipo de pessoa que usa batom vermelho. Corro de volta para meu escritório, oferecendo sorrisos forçados para meus colegas de trabalho enquanto passo. É como se eu tivesse deixado minha assinatura na cena do crime. Um cartão de visita vermelho brilhante, bem ao lado da evidência condenatória. Eu poderia muito bem ter escrito "De Savannah, com amor" com marcador permanente no tubo. Tenho certeza de que isso vai cair bem no RH. Ah, espera, eu sou o RH.
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