Savannah
Estou atolada em planilhas e e-mails passivo-agressivos quando ouço a porta b*******a hora depois.
— Olá. — Charlotte entra rapidamente, com os braços carregados de sacolas que parecem suspeitamente cheias de roupas.
— Como foi na entrevista de estágio?
Resisto à vontade de ser a amiga cínica que a lembra que ela pode querer começar a procurar um emprego fixo com um salário de verdade enquanto está em uma cidade com custos elevados perseguindo seus sonhos. Há momentos em que o saldo da conta bancária dela cai tanto que como a hiperventilar só de pensar nisso.
— Ocorreu tudo bem, começo amanhã.
— Isso é fantástico. Vou torcer por você.
Meus olhos se dirigem para as sacolas, uma sensação de afundamento crescendo em meu estômago.
— Você foi às compras no shopping?
— O quê? Oh, meu Deus, não! — Ela ri, ajustando seu r**o de cavalo loiro bagunçado empoleirado no topo da cabeça. — Eu e o Tyler brigamos de novo, então eu trouxe todas as minhas roupas de volta.
Espio uma das sacolas, imaginando onde diabos ela está planejando guardar todas essas coisas. O quarto dela é minúsculo, e é por isso que cobro quase nada de aluguel.
— Então, naturalmente, você trouxe tudo.
Ela dá de ombros.
— O que aconteceu entre você e o Tyler?
— Eu o peguei mandando mensagens para uma colega de trabalho. Vamos esquecer esse babaca.
Eu cuidadosamente retiro um dos vestidos da sacola. Ele é antiquado e cheiro de babados.
— Onde exatamente você planeja usar esse rejeitado no elenco de um filme antigo? — pergunto, segurando-o com o braço estendido.
Ela sorri.
— Talvez em um evento chique e extravagante? Ah! Ou uma despedida de solteira.
— Certo, porque você tem muitos convites para esses eventos.
— Nunca se sabe. — Ela acena com a mão desdenhosamente, já folheando o resto de sua pilha com um brilho nos olhos.
É em momentos como esses que me lembro de quão diferentes Charlotte e eu somos. Sou do tipo que precisa de tudo em seu lugar. Charlotte prospera no caos. É um milagre que ainda não tenhamos nos assassinado.
— O que devemos assistir? — ela pergunta, pegando o controle remoto da TV. — Estou pensando em algo sem sentido e digno de maratona, com um colírio para os olhos.
Eu exalo, meus olhos já se desviando para o aglomerado de abas abertas no meu notebook.
— Por mais que eu quisesse assistir com você, preciso trabalhar.
— De novo? — Seu rosto se contrai. — Sério, Savannah? Isso está saindo do controle.
— É — suspiro. — Coloque algo, eu assisto enquanto trabalho.
— Savannah. — Ela usa sua voz severa. — Já passa das onze. Isso é ridículo. Estou seriamente preocupada com você.
— É só um momento difícil no trabalho. Vai passar.
— Você sempre diz isso, mas nunca acontece.
Não posso discutir com a avaliação dela. Ela está certa. Estou anos atrás nas minhas listas de coisas que devo assistir, ler e ouvir, sempre tentando alcançar o resto do mundo.
Cada aspecto da minha vida fora do trabalho parece negligenciado. Como encontrar um sujeito gentil e moderadamente em forma para me relacionar, talvez ter um filho antes que meus ovários não sirvam mais, realmente planejar férias de verdade em vez de tristes fins de semana de última hora no Airbnb, ou mesmo apenas me esforçar para finalmente fazer aquela unha encravada teimosa em um podólogo. Nesse ritmo, conseguirei um namorado na minha festa de aposentadoria.
— Tudo bem — resmungo, fechando meu notebook com força.