Capítulo 6

1397 Palavras
Satan narrando O asfalto da rua doze é mais castigado que o resto do morro. Ali, a pobreza não se esconde, ela grita nas paredes sem reboco e no cheiro de esgoto que sobe pelas frestas. Pilotei minha moto devagar, sentindo o peso do meu nome abrir caminho entre os becos, cada morador que cruzava meu rastro baixava a cabeça, eles sabem que, quando o Satan desce, alguém chora. Parei em frente à casa da Manuela, era uma das construções mais simples dali, um cubículo de tijolo baiano que m*l parecia aguentar o peso do telhado, desci da moto e não me dei ao trabalho de chamar, notei que a porta estava entreaberta um convite perigoso em um lugar como este, mas quem teria coragem de invadir o meu território? Entrei sem pedir licença, e, no segundo seguinte, o ar faltou nos meus pulmões. Lá estava ela, com aquele cabelão do c*****o que ela tem, uma cascata escura que parecia viva, ela usava um short curto e folgado, daqueles de ficar em casa, e uma regata colada que não deixava nada para a imaginação, o tecido era fino, e o contorno dos s***s dela saltava aos meus olhos, me desafiando, a sua barriga era reta, a pele parecia de seda, c*****o, ela era um pecado esculpido na miséria. A velha, mãe dela, ainda tentou chorou, implorou, eu apenas olhei por cima do ombro dela com o descaso de quem já viu esse filme mil vezes, eu não dou liberdade; eu a tomo, no meu dicionário, misericórdia é uma palavra morta. Depois que a velha saiu da sala arrastando aquele vagabundo do cabeça que tremia como uma c****a acuada, ficamos só nós dois. O silêncio era tão denso que eu conseguia ouvir a respiração acelerada dela, Manuela me encarou, havia medo ali, sim, mas havia algo mais, um fogo, uma resistência que me deixava ainda mais galudo. — O que você quer aqui, Satan? — Ela perguntou, a voz tentando não vacilar. — Eu não estava brincando, Manuela. Você é minha agora. E eu gosto de ter tudo o que me pertence sob meu controle total. Enfiei a mão na jaqueta e joguei uma sacola sobre a mesa bamba da sala, ela olhou para a sacola, hesitou, e depois abriu, o brilho do aparelho de última geração refletiu nos olhos dela. — O que é isso? — Ela perguntou, tirando o telefone da caixa com as pontas dos dedos. — Um celular, o melhor que o dinheiro compra. — Eu não posso aceitar — ela disparou, tentando me devolver a sacola. — Eu já tenho celular! Dei um passo à frente, invadindo o espaço dela até sentir o calor que emanava daquela pele. Inclinei o corpo, ficando com o rosto a milímetros do dela. — Eu estou por acaso te perguntando alguma coisa, Manuela? — Minha voz saiu num tom de comando. — Pega essa p***a logo. Meu número já está gravado aí, mas não ouse me ligar, eu ligo, você atende é assim que funciona. Ela engoliu em seco, os olhos fixos nos meus. — Amanhã eu quero você — continuei, sentindo o prazer de vê-la estremecer. — O Polegar vem te buscar ao entardecer, esteja preparada, não quero atrasos e não quero desculpas. Saí dali sem esperar resposta, deixando-a em choque no meio da sala escura, montei na minha moto e acelerei, sentindo o vento bater no rosto, mas a imagem dela não saía da minha mente, segui para a minha casa, no ponto mais alto, onde o luxo que o crime proporciona se escondia atrás de paredes reforçadas, eu não vou ser mentiroso aquela diaba, ela é a mulher mais linda que eu já vi em toda a minha vida, e olha que eu já comi muita modelo do asfalto que se achava a última bolacha do pacote. Mas a Manuela... ela tinha algo diferente, uma pureza misturada com uma força que eu queria quebrar, eu queria controlar cada passo dela, cada gemido, cada pensamento. Cheguei em casa, subi as escadas e me joguei na cama, ainda calçado, fiquei olhando para o teto, sentindo meu p*u latejar dentro da minha calça, a minha vontade era voltar lá e tomá-la ali mesmo, mas eu sabia que a espera tornaria o banquete mais saboroso. Dormi pouco, o rosto dela assombrou meus sonhos. Acordei com o sol estourando na janela, a primeira coisa que fiz, antes mesmo de lavar o rosto ou tomar café, foi pegar o rádio e ligar para o Polegar. — Fala, irmão — a voz dele veio ruidosa pelo aparelho. — Papo reto, Polegar, hoje é o dia, quero que você pegue a Manuela e leve ela direto para a casinha da rua principal. — Entendido, Satan. Final do dia ela tá lá. — Ótimo. Desliguei o rádio e me levantei, sentindo uma adrenalina que não era de guerra, mas de caça, hoje o mistério acaba, hoje eu descubro se aquele noiado do irmão dela falou a verdade ou se estava apenas tentando valorizar o passe. Caminhei até a varanda e olhei para o meu morro, hoje eu descubro se a Manuela é realmente uma b****a de ouro, uma virgem intocada que vai ser marcada pelo d***o, ou se ela é apenas mais uma v***a, mentirosa como todas as outras. O vapor da água quente batia no meu rosto, mas não conseguia relaxar eu só conseguia pensar no que ia rolar mais tarde, saí do banho, bati a toalha no corpo e entrei no closet, escolhi uma bermuda preta, uma camisa que marcava bem os braços. desci as escadas a passos largos, peguei a chave da moto e saí em direção à boca, assim que estacionei, vi o Polegar encostado numa contenção, com aquele sorrisinho de deboche que só ele tinha coragem de sustentar na minha frente. — Bom dia, princesa! — soltou ele, rindo. — Vai se fuder, Polegar! — respondi seco, passando direto por ele, eu não estava para brincadeira hoje, meu humor estava no limite, e qualquer gracinha era motivo para alguém acabar na vala. O dia passou arrastado, como se cada minuto tivesse sessenta horas, eu tentava focar nos problemas da comunidade, nas cargas que chegavam, mas minha mente me traía o tempo todo, quando o relógio marcou cinco horas da tarde, eu senti que ia explodir, eu precisava provar aquela b****a. Aquela dúvida me queimava: será que ela era mesmo virgem? Será que o irmão dela não tinha me enrolado só para salvar o próprio couro? Eu precisava descobrir se ela era mesmo a tal "b****a de ouro" ou se era só mais uma das vadias que rodavam pelo morro querendo se encostar nos linha de frente. Peguei o meu celular, o mesmo modelo que dei para ela, e disquei o número, chamou uma, duas, três vezes... e nada, ela não atendeu. O ódio subiu como uma labareda, no meu morro, ninguém deixa o Satan no vácuo, ninguém, aquele silêncio, me irritou profundamente, guardei o celular e sair da boca fui na moto e dei partida, se ela achava que podia me ignorar, estava muito enganada. Fui atrás do Polegar e o achei na praça, trocando ideia com uns crias. Parei a moto do lado dele, o olhar fixo e perigoso. — Polegar, chega aqui! — gritei, e ele veio na hora, vendo que o clima tinha azedado. — Fala, irmão, qual é a visão? — A visão é a seguinte: vai atrás da Manuela agora, tira ela de dentro de casa e leva direto para a casa da principal. Não aceito desculpa, não aceito choro. Se ela não quiser vir por bem, traz por m*l. Apontei o dedo na direção dele, a voz saindo como um rosnado. — Estou esperando ela lá e é bom que ela não demore. Eu perdi a paciência com essa garota. — Deixa comigo, Satan. Vou buscar a mina agora — ele respondeu, já se movimentando. Saí dali sem dizer mais nada. Acelerei em direção à casa da rua principal, o lugar onde eu costumo levar as minhas putas, meu sangue estava fervendo, hoje não teria espaço para delicadeza, ela ia aprender que, quando o d***o chama, não atender o telefone é o menor dos seus problemas. Hoje eu ia marcar o que é meu e se ela for mesmo virgem, eu ia ser o primeiro e o último a conhecer seu paraíso.
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