Capítulo 19

1542 Palavras
Satan narrando Uma semana, p***a, uma semana inteira sem sentir o calor daquela diabinha, sem provar o gosto daquela pele que não sai da minha memória, eu dei o tempo dela, deixei a garota em paz para cuidar da coroa lá na clínica, paguei os melhores médicos, garanti o tratamento de primeira, tudo para ela ver que o meu poder não serve só para destruir, mas para sustentar ela se ela continua sentando gostoso só para mim, mas a minha paciência tem limite, e o meu corpo já estava cobrando o preço dessa abstinência forçada. Eu estava na minha sala, limpando o meu fuzil e sentindo o peso da responsabilidade de manter esse morro na linha, quando o Polegar entrou. — A Manuela já está no morro, chegou agorinha com a velha, o carro de app deixou na barreira e eu mesmo fiz o resgate, estão em casa, sãs e salvas ele disse, com aquele sorrisinho de quem sabe o que eu estava pensando. Senti meu pulso acelerar na hora, só de imaginar aquela b*******a quente, apertada e virginal que eu inaugurei, meu p*u já deu sinal de vida, latejando dentro da minha calça, o desejo por ela é uma parada que me consome, uma fome que não passa, não importa quantas outras vadias eu tente comer. Levantei da cadeira num pulo, joguei o fuzil no ombro e peguei a chave da moto. — Onde tu vai com essa pressa toda, irmão? — Polegar perguntou, soltando uma risada debochada. — O plantão tá calmo, os acessos tão tranquilos... vai buscar alguma carga ou vai cobrar alguma dívida pessoalmente? — Vai se f***r Polegar — respondi, sem olhar para trás, ouvindo a gargalhada dele ecoar pela sala enquanto eu saía. — Cuida da contenção que hoje eu não quero ser interrompido por ninguém. A favela estava frenética pra c*****o, hoje é dia de baile na favela, o som já estava começando a estalar nos paredões lá embaixo e o cheiro de maconha e pólvora se misturava no ar a favela estava em festa, mas o meu foco era outro, eu queria mostrar para todos, inclusive para aquela p*****a da Isadora, quem era a minha nova v***a, e a Manuela não ia fugir de mim ela ia aprender que, no meu reino, o meu desejo é a única lei. Montei na minha moto e ralei pelas vielas, sentindo o vento bater no meu rosto e o ronco do motor espantar os curiosos. Pilotei até a Rua 12, com a imagem dela nua na minha cabeça, mas assim que estacionei e me aproximei do barraco, o clima mudou. As vozes estavam alteradas lá dentro, parei na soleira, na penumbra, e o que eu ouvi fez o meu sangue ferver como se eu tivesse sido baleado, o arrombado do Cabeça, aquele verme viciado que não vale o ar que respirar falou. — ...você vai ter que se deitar com o chefe da Pedreira! O JJ disse que se eu levasse uma novinha de qualidade, ele limpava a minha barra! — a voz dele saiu esganiçada, covarde. Minha visão ficou vermelha na hora, aquele moleque estava tentando vender a minha mulher para o meu inimigo? Para o verme do JJ? Isso só ia acontecer por cima do meu cadáver, e eu não pretendo morrer hoje, entrei com tudo, o susto foi geral, a velha quase caiu, a Manuela ficou branca como papel e o rato do Leonardo começou a se tremer de medo, agora eu estou aqui, parado no meio dessa sala com o fuzil pronto para cantar e um ódio que não cabe no peito. — Repete essa p***a, c*****o — sibilei, olhando para o Leonardo como se ele já fosse um corpo esticado no chão. O moleque começou a gaguejar, tentando explicar o inexplicável. Falou de dívida, falou que eu "não ia me importar". Ele não tem noção do perigo, a Manuela é só minha, o meu investimento, e absolutamente ninguém, vai tocá-la sem minha permissão principalmente o verme do JJ. Vi o desespero nos olhos da Manuela, vi a dor no rosto da velha, Mas o crime não permite fraqueza, se eu deixar esse moleque negociar a irmã com o rival e sair ileso, amanhã o morro todo vai estar rindo da minha cara. — Leva esse lixo pro Micro-ondas! — ordenei para os meus homens que já tinham encostado no portão. — Ele não aprendeu da primeira vez, achou que eu era bagunça, agora vai queimar pra servir de exemplo, na favela, traidor e agenciador de irmã morre devagar. Os gritos dele enquanto era arrastado eram música para os meus ouvidos, quando a sala ficou em silêncio de novo, apenas com o choro das duas, eu senti a adrenalina baixar, dando lugar àquela fome que me trouxe até aqui, olhei para a Manuela, ela estava destruída, mas continuava linda, o sofrimento dava a ela uma aura que me deixava ainda mais maluco, aproximei-me, ignorando a velha soluçando no canto. — Eu vou resolver essa pendência, mas eu volto, vou almoçar aqui hoje, então prepara um rango de responsa, quando eu chegar, eu quero comer. Saí dali sem olhar para trás, o morro ia ver hoje o que acontece com quem me desafia, o cabeça ia arder. O cheiro de pneu queimado e óleo diesel impregnava o ar, anunciando que o tribunal do crime estava armado. Eu estava lá, parado com as pernas abertas, o fuzil descansando no peito, observando o Cabeça ser jogado no chão como um saco de lixo. — Por favor, Satan! Pelo amor de Deus, eu sou novo, eu tenho uma vida inteira! Eu não queria... foi a droga, patrão! Foi a droga que me fez falar aquela merda a Manuela! — ele gritava, a voz falhando, esganiçada pelo pavor. — Cala a boca, seu arrombado do c*****o! — dei um bico nas costelas dele que fez o som de osso quebrando ecoar pelo lixão. — Não mete o nome de Deus nessa p***a não, que quem tá na tua frente hoje é o d***o, e eu não tenho um pingo de compaixão por verme que vende a própria irmã pro meu inimigo. — Eu pago! Eu juro que eu pago! Eu trabalho pra você, eu faço qualquer coisa! Me deixa ser seu aviãozinho, me deixa ser seu escravo, mas não me queima, Satan! — Ele tentava abraçar minhas pernas, mas eu recuei com nojo. — Tu não serve nem pra limpar o sangue da minha sola, cabeça, tu é um viciado de merda, um traidor, tu ia dar a Manuela pro JJ? Pro maior verme da Pedreira? — sibilei, me agachando para ficar bem perto do rosto dele, sentindo o cheiro do medo. — Escuta bem, seu filho de uma p**a: tu vai morrer, mas não vai ser rápido. Eu vou fazer tu sentir cada segundo dessa carne apodrecendo antes de tu ir sentar no colo do capeta. Fiz um sinal para o Coringa e para o Polegar. Eles já tinham empilhado os pneus o famoso "Micro-ondas" e derramado a gasolina. O cheiro do combustível era o perfume da morte. — Não! Não! Socorro! Alguém me ajuda! — Cabeça começou a berrar como um animal sendo abatido enquanto os moleques o levantavam e o enfiavam dentro da torre de pneus, prendendo seus braços e pernas. — Pode berrar, seu arrombado! Grita até teus pulmões estourarem! — eu gritava de volta, sentindo a adrenalina pulsar. — Ninguém te ouve aqui em cima. Peguei o isqueiro, abri a tampa com um estalo metálico e acendi a chama o brilho do fogo refletiu nos olhos arregalados do Cabeça, que agora soltava um som agudo, um ganido de desespero absoluto. — Satan, misericórdia! Eu peço perdão! Manu, me ajuda! — ele clamava pela irmã que ele mesmo tentou prostituir minutos antes. — A Manuela não tá aqui pra te salvar, seu lixo. joguei o isqueiro aceso em cima do monte de pneus encharcados, o fogo subiu num clarão azul e laranja, uma explosão de calor que fez todo mundo recuar dois passos. Os gritos do Léo mudaram de tom na hora. Não era mais súplica, era um urro de agonia pura, o som da carne sendo consumida pelas chamas, o cheiro de borracha queimada começou a se misturar com o cheiro de churrasco humano, uma parada que só quem é do crime aguenta sentir sem vomitar. Fiquei ali, imóvel, observando as chamas dançarem, o fogo iluminava o meu rosto, refletindo o ódio que eu ainda sentia. — Aproveita a viagem pro inferno, seu bosta! — gritei por cima do som das labaredas. — Diz pro capeta que quem te mandou foi o Satan, e que aqui no Santa Marta, quem mexe com o que é meu arde no fogo eterno! O corpo dele se contorcia dentro dos pneus, uma silhueta n***a envolta em fogo, até que os gritos foram ficando baixos, virando apenas um chiado abafado pela queima da borracha. Em dez minutos, o que era o Leonardo não passava de cinza e osso calcinado. olhei para o Polegar e falei — Limpa essa sujeira e joga o que sobrar na vala. Montei na minha moto, sentindo o meu sangue ainda fervendo. A morte do cabeça tinha me deixado elétrico eu preciso, descarregar.
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