Eu não sei se te amo

1084 Palavras
Os meses passaram rápido, quase sem que eu percebesse. Gabriel se tornou parte da minha rotina, do meu cotidiano, da minha vida de uma forma tranquila e natural. Cada dia que passava, ele se apaixonava mais por mim, e eu via isso nos pequenos gestos, nos olhares longos, no cuidado constante. Ele nunca cruzou meus limites, nunca me pressionou a fazer algo que eu não quisesse, nunca tentou apressar nosso relacionamento. Tudo acontecia de forma gradual, respeitosa, como se o tempo fosse apenas um aliado e não um inimigo. Ficar com ele era diferente de tudo que eu já havia sentido. Diferente de Renato, diferente de todas as paixões que me consumiram. Gabriel me tocava com cuidado, explorava minhas reações, mas sempre se detinha nas preliminares, sem jamais exigir mais. Seus beijos eram longos e delicados, mas carregavam uma intensidade que me fazia tremer de prazer e emoção. Suas mãos percorriam meu corpo com atenção, seus olhos buscavam os meus, e eu sentia que cada gesto dele vinha do coração. Durante seis meses, construímos uma i********e segura e gostosa. Ele me levava para passeios simples, jantares tranquilos, viagens curtas, sempre demonstrando amor e cuidado sem nunca invadir meu espaço. Eu me sentia confortável com ele, segura, e aos poucos percebi que meu coração se abria de forma nova, ainda que diferente daquela paixão que senti por Renato. Gabriel era amor tranquilo, constante, mas verdadeiro, e isso me assustava e ao mesmo tempo me aquecia. Eu ainda pensava em Renato, é claro. Como esquecer alguém que me marcou tão profundamente, que despertou desejos tão intensos e que deixou feridas que ainda doíam? Mas com Gabriel, aprendi a sentir outra coisa: não era desejo insano, era cuidado, confiança, carinho, e uma sensação de que alguém me escolhia todos os dias, sem pressa, sem cobrança. Então, seis meses após iniciarmos nosso namoro, Gabriel me chamou para jantar em sua casa. Eu senti algo diferente no ar, uma tensão misturada com expectativa. Ele parecia nervoso, e eu não sabia se era ansiedade, felicidade ou algo mais. Durante o jantar, conversamos sobre trivialidades, mas seu olhar não me deixava em paz. Havia uma intensidade ali que eu não conseguia ignorar. Quando chegamos à sala, ele se aproximou de mim, segurou minhas mãos e me olhou nos olhos de um jeito que me deixou sem fôlego. Meu coração disparou, e uma sensação de antecipação me percorreu, misturada com medo e dúvida. -Giulia – começou ele, a voz firme, mas carregada de emoção – Eu preciso que você saiba uma coisa. Nunca amei alguém como eu amo você. Nunca senti algo tão profundo, tão verdadeiro. Senti minhas mãos tremerem nas dele, e a emoção começou a se acumular no peito. Ele respirou fundo, e então continuou: -Eu quero passar a vida inteira com você. Quero acordar todos os dias ao seu lado, quero construir uma família com você. Giulia… quer se casar comigo? O mundo parecia ter parado. Eu senti um misto de felicidade, surpresa e medo. Meu corpo reagiu imediatamente: minhas mãos apertaram as dele, meu coração disparou, e as lágrimas começaram a escorrer. Eu estava emocionada, profundamente tocada pela sinceridade e intensidade de seu amor. Gabriel, rico, bem-sucedido, apaixonado, me oferecia tudo o que qualquer mulher poderia desejar: segurança, carinho, devoção. Mas, junto com essa emoção, veio uma sensação de culpa esmagadora. Senti-me injusta com ele, porque sabia que meu coração ainda guardava cicatrizes, lembranças e desejos que não podia oferecer a ele por completo. Eu queria amá-lo do jeito que ele me amava, mas simplesmente não conseguia corresponder totalmente. -Gabriel… – consegui murmurar, a voz trêmula, apertando suas mãos contra meu peito – Eu… eu não sei se consigo te amar do jeito que você me ama. Ele sorriu suavemente, ainda segurando minhas mãos, e seus olhos brilhavam com paciência e ternura. -Eu sei, Giulia… – disse, com calma e firmeza – Mas eu quero esperar. Eu quero construir isso com você, aos poucos. Não preciso que você me ame do mesmo jeito imediatamente. Quero que você sinta que pode confiar, que pode se entregar, que pode ser feliz ao meu lado. Senti minhas lágrimas escorrerem, misturadas com um nó no peito que não se desfazia. Havia tanta emoção, tanto desejo de retribuir, mas também um medo enorme de falhar, de magoar alguém que me amava tanto. Ele começou a falar sobre o futuro, sobre a mansão que queria procurar para nós, sobre a vida que queria construir, cada detalhe feito com cuidado, pensando em nós dois. Eu o ouvi, emocionada, cada palavra dele me deixando mais confusa: felicidade misturada com culpa, desejo misturado com insegurança. Sentei-me no sofá, ainda abraçada a ele, e percebi que meu coração estava dividido. Eu queria corresponder, queria me entregar, mas havia uma parte de mim que ainda não sabia como amar de forma plena, sem reservas. Gabriel parecia perceber cada nuance da minha hesitação, mas ainda assim permanecia firme, paciente e completamente dedicado. -Eu te amo, Giulia – disse ele, a voz baixa e firme – E quero passar a vida inteira com você. Mas não vou apressar nada. Quero que você venha por vontade própria, não por obrigação. O aperto em meu peito diminuiu um pouco. Ele não exigia, não pressionava. Apenas oferecia amor, cuidado e segurança. E mesmo que meu coração ainda estivesse dividido, senti uma leve esperança: talvez fosse possível reconstruir minha capacidade de amar, de me entregar, sem medo, sem culpa, sem a tensão avassaladora que Renato havia despertado. Respirei fundo, apoiando minha cabeça no ombro dele, sentindo seu abraço firme e caloroso, e percebi que podia começar a confiar naquele amor. Que podia sentir segurança, carinho e desejo misto, sem que isso significasse perda ou confusão. Gabriel me oferecia um porto seguro, uma paixão morna, constante, e talvez fosse exatamente o que eu precisava naquele momento da minha vida. E assim, ali, nos braços dele, com lágrimas escorrendo e o coração acelerado, percebi que, embora ainda não conseguisse amar com a intensidade que ele merecia, podia começar a me abrir. Podia sentir que a vida ainda tinha espaço para felicidade, para cuidado, para um amor que não queimasse, mas que aquecesse, confortasse e fosse real. Gabriel sorria para mim, segurando minhas mãos, olhando meus olhos, e naquele instante, mesmo com a culpa e a insegurança me atravessando, senti que talvez fosse possível. Que o futuro poderia ser diferente, que eu poderia aprender a amar de forma plena e consciente, e que, finalmente, estava pronta para tentar.
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