Prova do Vestido de Noiva

1167 Palavras
Giulia narrando Os meses que se passaram desde o pedido de casamento foram uma mistura de felicidade e ansiedade para mim. Cada dia parecia mais rápido do que o anterior, mas, ao mesmo tempo, minha mente insistia em desacelerar cada instante, transformando cada detalhe em preocupação. Eu sabia que Gabriel me amava de um jeito que eu jamais imaginara, mas isso não eliminava a culpa que sentia por não conseguir corresponder a ele com a mesma intensidade. Na manhã em que combinei de encontrar minhas amigas para desabafar, o sol estava tímido, filtrando seus raios pelas janelas da cozinha do café onde costumávamos nos reunir. Assim que cheguei, elas me receberam com abraços apertados, aqueles abraços que confortam mais que qualquer palavra. - Giulia! Que bom te ver! – exclamou Mariana, a primeira a perceber minha presença. – Já está no clima de noiva? Estou tentando – respondi, sorrindo, mas sentindo o nó no estômago apertar. – Mas confesso que estou mais ansiosa do que animada às vezes. Parece que tudo que eu fizer vai estar errado. -Nada disso! – disse Camila, rindo. – Vai ficar perfeita. E mesmo que algo dê errado, ninguém vai perceber. O importante é que você vai estar feliz. Sentamos e pedimos café e algumas sobremesas, e rapidamente a conversa começou a fluir, primeiro sobre coisas triviais: o trânsito, a rotina de trabalho, livros que estávamos lendo. Mas logo, inevitavelmente, chegamos ao tema que me fazia tremer por dentro: meu casamento. -Giulia… – Mariana começou, baixando um pouco o tom. – Me conta: já pensou no vestido? Engoli em seco. Havia passado horas imaginando o momento em que eu provaria o vestido, mas a expectativa me deixava vulnerável. -Ainda não tenho certeza de nada – admiti, baixando o olhar. – Tenho medo de não me sentir bem… e de que tudo pareça… exagerado demais. -Não vai parecer exagerado – disse Camila, com convicção. – Você vai ser linda, Giulia. Mas é normal sentir medo. Eu senti o mesmo quando me casei. -E o Gabriel? – perguntou Mariana. – Ele está nervoso também? Sorri de lado. Ele era sempre tão calmo, tão confiante, mas eu sabia que, assim como eu, ele também sentia o peso da responsabilidade de construir algo juntos. -Ele me dá segurança – disse, suspirando –, mas, às vezes, eu sinto que estou sendo injusta… que não consigo corresponder ao amor dele como deveria. O silêncio pairou por alguns segundos, e minhas amigas me olharam com ternura. -Giulia… – disse Camila, segurando minha mão – você não precisa se culpar. Ele escolheu você porque te ama de verdade. Não espere de si mesma perfeição. Amor não é uma medida de intensidade, é uma escolha. As palavras me tocaram profundamente, e senti uma pequena faísca de esperança. Pelo menos minhas amigas acreditavam que eu poderia ser feliz. Pelo menos alguém via que meu coração poderia se abrir de novo, sem medo, mesmo que ainda guardasse cicatrizes do passado. Depois desse encontro, seguimos para o local do casamento. Ao chegar, meu coração acelerou de uma forma inesperada. O salão era amplo, elegante, e cheio de possibilidades. O cheiro da madeira polida e das flores frescas me deu uma sensação estranha de realidade: daqui a pouco eu estaria ali, vestida de noiva, vivendo um dos momentos mais importantes da minha vida. Gabriel estava ao meu lado, tão calmo quanto sempre, segurando minha mão com delicadeza. -Gostou? – ele perguntou, sorrindo. -É lindo – murmurei – mas é assustador também. Parece que daqui a pouco vou estar… exposta, mostrando cada parte de mim. Ele me puxou para um abraço, e senti seu corpo inteiro me envolver, oferecendo segurança. -Você vai ficar ainda mais linda – disse baixinho –, e eu estarei do seu lado o tempo todo. O olhei com um sorriso, como quem agradece por toda a cumplicidade e nos despedimos. Ele iria até o seu afaiate provar o terno para o casamento e eu, na estilista para decidir, finalmente, o vestido de noiva. Assim que entrei na sala da estilista, senti meu coração disparar. Havia dezenas de vestidos pendurados, cada um mais bonito que o outro, mas eu sabia que apenas um deles poderia ser o meu. O nervosismo era quase físico, uma mistura de ansiedade e expectativa que me fazia tremer levemente. -Está pronta? – perguntou a estilista, com um sorriso caloroso. -Acho que sim… – respondi, tentando controlar a respiração, mas minhas mãos estavam frias. – Estou um pouco nervosa. Ela riu suavemente e começou a me vestir. Cada camada de tecido frio que tocava minha pele me fez estremecer. Era estranho sentir aquele vestido tão pesado e, ao mesmo tempo, tão leve, quase como se estivesse vestindo não apenas tecido, mas a própria responsabilidade de me tornar esposa de alguém que me amava profundamente. Enquanto ela ajustava cada detalhe, eu me olhava no espelho. Meu reflexo parecia diferente: vulnerável, ansioso, mas com um brilho de noiva que me assustava e me encantava ao mesmo tempo. Meus pensamentos se embaralharam: “Será que Gabriel vai gostar? Será que vou conseguir ser a esposa que ele merece? E se ele não me achar bonita o suficiente?” -Giulia, respira – disse a estilista, percebendo minha tensão. – Você está maravilhosa. O vestido é perfeito para você. Respirei fundo, tentando aceitar o elogio, mas meu corpo inteiro ainda estava em alerta. Não havia Gabriel ali para segurar minha mão, para me dar segurança. Estava sozinha, enfrentando meu próprio reflexo, minhas próprias inseguranças e expectativas. Coloquei o véu com cuidado. Quando caiu sobre meus ombros, senti uma pontada de emoção que quase me fez chorar. Era a primeira vez que me via completamente como noiva, mesmo que apenas em frente ao espelho. Não havia ninguém ali além da estilista e de mim. Nenhum sorriso do meu noivo, nenhum olhar amoroso que pudesse me confortar. Só eu, o vestido, o véu e o silêncio que amplificava meu coração acelerado. -É lindo… – murmurei, minhas palavras quase um sussurro. – Mas é assustador também. -É normal – disse a estilista, sorrindo –, mas não se preocupe. Você vai se sentir incrível no grande dia. Suspirei fundo, tentando absorver cada sensação. O frio do tecido contra minha pele, o peso do vestido, o véu delicado sobre meus ombros… tudo me fazia sentir simultaneamente vulnerável e poderosa. Por um instante, pensei em Renato, e uma pontada de culpa atravessou meu peito. Mas rapidamente sacudi a cabeça, lembrando-me de que aquele era meu caminho agora, meu futuro, e que Gabriel merecia meu coração inteiro, mesmo que eu ainda estivesse aprendendo a me entregar por completo. Enquanto a estilista fazia os últimos ajustes, caminhei lentamente de um lado para o outro na sala, observando cada detalhe no espelho. O vestido se movia comigo, o tule flutuava suavemente, e cada movimento me lembrava da responsabilidade e da expectativa que estava prestes a assumir. -Pronta para ver o efeito final? – perguntou a estilista, com um olhar encorajador.
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