Capítulo 04 - Ana

1061 Palavras
Não sei quanto tempo apaguei. Só sei que meu corpo está todo dolorido, e não consigo abrir meus olhos. Ouço pessoas falando, mas não reconheço a voz de ninguém. — Onde será que estou? Ouço a voz de um homem, porém não reconheço a voz, Sinto algo que não sei explicar. Tento abrir os olhos, mas nada acontece. A mesma voz me diz que precisa ir, que vai voltar amanhã. — Mas quem será? — E isso está me deixando angustiada. Tem algo na minha boca, e isso me apavora. Tento abrir meus olhos, mas não consigo. Só ouço um apito fino, uns bip e outra vez tudo fica silencioso. E eu continuo lutando para abrir os olhos, porém sem sucesso. Sinto quando alguém se aproxima: vozes se misturam e tempos depois pergunta: — Como ela está, Dr.? — A voz é feminina, mas não familiar. A pergunta ecoa no silêncio, trazendo uma faísca de esperança, uma chance de finalmente sair dessa escuridão. — Continua na mesma! — Dormindo, há uma semana, o coágulo no cérebro se desfez com a medicação, e agora todos aguardam apenas que ela acorde. O silêncio se fez no ambiente novamente. — O Caio tem vindo visitá-la? — Pergunta uma voz que parece ser do médico. — Sim, duas vezes, Dr. Mas quem sempre vem em um rapaz que anda com ele. Passa um tempo, pergunta sobre o estado de saúde dela e depois se vai, segundo ele, o Sr. Caio está muito ocupado e como é seu homem de confiança ela vem saber o estado de saúde da garota — Responde a voz feminina. — Caio! — O nome ressoa de forma estranha em minha mente, quem é ele? — Não lembro de ninguém com nome. Me esforço, tentando concentrar toda a minha energia em abrir os olhos, de tanto que me forço acabo conseguindo. A luz é forte demais, acabo fechando os olhos novamente, mas eu persisto, pisco algumas vezes tentando me acostumar com a claridade. — Dr. Ela está acordando! — Diz uma mulher, surpresa se aproximando de onde estou. Finalmente, consigo abrir os olhos completamente. A visão ainda está um pouco embaçada, mas consigo distinguir as formas ao meu redor. Um homem alto se aproxima. — Calma — Diz ele, com uma voz tranquila. — Eu sou o Dr. Carlos, você está em um hospital. Após retirar um tubo da minha boca, ele explicou que era pra respirar melhor, e informa que fiquei desacordada por uma semana e que estou me recuperando. A confusão ainda é grande, não me lembro de nada. O médico começa a me examinar, a sua voz é calma e profissional. Ele pergunta qual é o meu nome, mas eu não consigo lembrar. A mente está em branco. Ele me informa que fui encontrada com sinais de tortüra. Só sei que estou toda machucadä, sinto dores pelo corpo e principalmente na cabeça, mas não consigo entender como aconteceu. A enfermeira se aproxima e me dá medicação para dor. Agradeço com um aceno. Após alguns exames, o médico se despede, sempre atencioso, mas ele não é a voz que sempre fala comigo. Depois de ser higienizada pela enfermeira, sinto que a fadiga toma conta de mim novamente, e acabo adormecendo. Não sei quanto tempo se passou até que eu me desperte novamente. E então ouço uma voz. Uma mão toca a minha e aperta um pouco. — Oh, bela adormecida! — Ele diz com uma voz Grossä, mas calma. — Até quando você vai continuar dormindo? — Você tem que reagir! — O chefe precisa de respostas e só você pode nos ajudar a desenrolar essa treta. Nesse instante, o telefone dele toca e ele se vira para atender: — Fala Caio! — Abro os olhos lentamente, mas ele não percebe. Ele continua de costas e quando se vira pra me olhar ele diz: — Mano ela acordou! — Quem é você! — Pergunto, minha voz ainda está fraca. Ele continua encarando meus olhos. — Olha só. — Você acordou! — Diz ele se aproximando. — Sim! — Falo com a voz rouca, minha garganta dói mas continuo: — Acordei essa madrugada. Já fiz exames. O Dr. Carlos me examinou e contou como fui encontrada, mas eu não lembro de nada — Explico, a frustração começando a dar lugar à curiosidade. — Você lembra onde mora? — Ele pergunta, e sua expressão fica um pouco mais séria. — Não me lembro — Respondo, olhando para ele. — O Dr. Falou que pode ser por causa da pancada na cabeça. — Faço uma pausa, e pergunto novamente: — E quem é você? Ele me encara novamente, Ele tem um jeito sério. — Sou Neto. Meu chefe que te encontrou jogada na estrada e te trouxe para cá. — Preciso saber seu nome! — Você lembra disso pelo menos, pergunta seco? — Não, infelizmente não lembro de nada, só sei que fui agredida por ter marcas pelo meu corpo e as dores que me fazem lembrar, mas fora isso não me recordo de nada. Ele passa a mão na cabeça impaciente: — Como vou poder te ajudar desse jeito? — Infelizmente não sei! — Digo frustrada por nem eu mesma poder me ajudar, já que nem lembro que eu sou. Vejo ele levar o telefone ao ouvido, mas fica inquieto ouve o que a pessoa diz e desliga. Recordo da voz dele, porém não lembro quem ele é, Mas então, o Dr. Carlos aparece. — Bom dia! — Diz ele ao entrar, e seus olhos caem sobre nós. Só que o Neto está com cara feia. — Como está minha paciente? — Pergunta o médico sendo gentil. — Fora as dores, me sinto bem! — Respondo, tentando soar mais confiante do que realmente me sinto. — Ainda sem lembrar de nada. — Analisei seus exames e você está bem. Não tenho motivos para te segurar aqui, dores você vai sentir por causa das lesões e vai sentir dor de cabeça também, porém: não tenho motivos pra te prender aqui, no final do dia estará de Alta. — Okay, DR! — Diz Neto. — Caio, tá vindo ai resolver essas paradas! — Quem é Caio? — Pergunto querendo saber pois já havia escutado esse nome. — É o dono da porräh toda, mina e já vou adiantando ultimamente ele anda sem paciência!
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