Chego na Fundação e já vou logo para minha sala. Eu queria afundar à minha cabeça no trabalho. Não queria ficar pensando nesse casamento que só me faz ficar à cada dia mais triste.
Mal me sento e uma das recepcionista me fala que tem uma Sra querendo falar comigo. Peço à ela que à deixe entrar. Não demora muito e Hanna entra sorrindo.
- Bom dia Sra. Ela diz mais tranquila.
- Bom dia Hanna. Sente-se. Peço, é ela se senta. Como você está?
- Melhor. Ela está realmente mais tranquila.
- E sua filha?
- Está bem graças à você. Ela está na instituição sendo cuidada por uma das pessoas que vocês pagam para ficar com as crianças. Fico surpresa, pois achava que ela já tinha voltado para casa.
- Achei você tinha voltado para casa.
- Não. Eu não quero voltar pra lá. Tenho medo que ele me prenda de novo e dessa vez seja pior.
- Hanna, você já o denunciou, ele não pode fazer nada contra você.
- Eu não quero arriscar. Ela suspira e depois me olha. Eu vim aqui pedi para eu ficar mais tempo na instituição com minha filha. Eu quero arrumar um emprego e também um outro lugar para morar.
- Sério? Questiono surpresa. Se todas as mulheres fossem assim decididas após serem maltratadas pelos seus companheiros, evitaria tantos crimes.
- Sim. Eu quero outra vida para minha filha e eu. Um novo recomeço.
- Fico feliz por você. Que bom que você está enxergando dessa forma.
- Eu tive uma segunda chance de dar um outro futuro para minha menina e não vou desperdiçá-lo.
- Que bom Hanna. Te desejo toda sorte do mundo, e no que eu puder te ajudar, eu te ajudarei.
- Obrigada! Talvez se você não tivesse me encorajado, eu poderia não está aqui. Eu só quero que à Sra me ajude me mantendo na instituição e também à fazer um currículo para mim. Eu não tenho acesso à computador e também não tenho dinheiro para pagar. Ela fala com vergonha.
- Você tem experiência em que Hanna? Peço tendo uma ideia.
- Tive minha menina cedo, m*l terminei o colegial, e o pouco de experiência que peguei foi como recepcionista em um hotel pequeno aqui em Seattle. Logo eu tive que parar devido ao nascimento da minha menina, e estou até hoje sem emprego. Talvez dê certo o que tenho em mente.
- Vamos fazer uma experiência comigo?
- Como assim? Ela pede em dúvida.
- Eu estou precisando de uma Secretária. Então você me ajudaria aqui. Vou te pagar bem, teria direito à todos os benéficos da empresa.
- Você, quero dizer, a Sra está falando sério? Ela pede ainda não acreditando.
- Sim. Vamos fazer um teste. Se não der certo te encaminho para uma das empresas do meu marido.
- Eu vou ser eternamente grata por isso. E não vou deixar à desejar, eu prometo.
- Eu acredito. Então, hoje é quinta feira, vou deixar passar o final de semana e quero você aqui na segunda feira pela manhã. Seu horário será oito da manhã às cinco da tarde. Tudo bem para você?
- Claro que sim. Eu estarei aqui cedo.
- Você pode ficar na Instituição o quanto quiser.
- É só até eu me firmar aqui. Depois vou procurar um cantinho só meu e da minha filha.
- Tudo bem.
- Eu vou indo então. Muito obrigada pela oportunidade. À Sra não sabe como eu estou feliz.
- Fico feliz por você. E Hanna, me chame de Ana.
- Tudo bem Sra Ana.
Ela sai da minha sala sorridente e eu volto à minha atenção ao trabalho. Tinhas muitas coisas para fazer antes de ir para Portland. Amanhã eu tinha que passar nas instituições. Teria que fazer uma avaliação das pessoas que estavam lá. Algumas já eram para voltar para suas casas e ainda continuam nas instituições e teria que entender o porque.
Na hora do almoço Christian apareceu e fomos almoçar juntos antes de pegar o voo para Portland.
- Vamos ficar assim até quando? Ele pede percebendo que eu não estou afim de conversar.
- Talvez até você entender que eu não sou sua prisioneira. Da mesma forma que você tem direito de ir e vir, eu também tenho.
- Eu não estou proibindo você de ir e vir. Só não quero que você saia sem mim, ainda mais com " amigos" que eu nem conheço.
- Porque eu sempre tenho que sair com você?
- Você sabe porque. Reviro os olhos. Estou tão cheia disso. Anastásia queria tanto que nossa situação fosse diferente. Eu odeio brigar com você, odeio quando você não está nem aí para o que eu falo.
- Esse é o risco que você assumiu ao me obrigar à casar com você, então não reclame. Você quis isso, você buscou isso. Ele me olha com tristeza.
- Mas eu não vou desistir de você. Eu não vou deixar o caminho livre para outro babaca. Principalmente para aquele i****a do seu ex.
- Christian eu já disse que estou conformada em viver com você pelo resto da vida, mas para que possamos viver bem você tem que me deixar respirar, sem você, eu não sou obrigada à ficar com você o tempo todo. Antes de te conhecer eu tinha amigos, e ainda os mantenho, você gostando ou não eu tenho amigos. Assim como você também tem.
- Eu quero ir nesse encontro de amigos com você. Quero conhecê-los. Suspiro.
- Você não ouviu nada do que eu disse.
- Ouvi sim, mas não vou deixar de participar das suas amizades e nem você da minha. Falei para os meninos que iríamos sair em casais amanhã, minha irmã também vai. Elliot está ficando com uma garota, Ethan mesmo sozinho topou irmos para uma balada. Então amanhã você irá comigo e no sábado vou com você e seus amigos.
- E quando é que eu respiro? Questiono sarcástica.
- Parar, você não vai conseguir me deixar irritado com você. Eu só quero fazer parte da sua vida, só quero que você me queira como eu te quero. Não digo nada.Saímos do almoço direto para o avião. Não nos falamos o caminho todo.
Em Portland tivemos que andar desde à prefeitura até olhas alguns fornecedores para montar o Pet Shop. Minha mãe demonstrava que estava super feliz e empolgada. Eu espero mesmo que ela continue animada.
Meu marido ficou com à gente em todo momento, não deu palpite de nada. Fiquei feliz por isso. Não quero que ele ajude nem com um centavo, quero devolver tudo à ele. Já era sete da noite quando nos despedimos da minha mãe e voltamos para Seattle.
Em Seattle chegamos em casa e tomei um banho, só queria dormir para acordar cedo amanhã. Na hora que estava arrumando à cama para deitar Christian me agarra por trás.
- Você quase não conversou comigo hoje. Se trocamos duas palavras é muito, já que ultimamente só sabemos brigar.
- O que você quer conversar? Peço me desviando dele.
- De nós. Nada mais que isso.
- Podemos dormir e amanhã conversamos? Indago me deitando.
- Porque você foge? Porque não podemos ser um casal comum? Porque não podemos ter uma conversa com qualquer casal? Sem brigar, sem se alterar.
- Porque você faz de tudo para me deixar com raiva. Porque tudo tem que ser do jeito que você quer. Eu não sou assim, eu não sou o tipo de mulher aceita as coisas que você acha que tenho que aceitar. Se pudesse você me prenderia dentro dessa casa para ninguém me ver e eu não ter contato com ninguém.
- Não é verdade. Eu só tenho ciúmes do jeito que você age com as pessoas lá fora e quando chega aqui dentro eu pareço um estranho para você. Você acha como eu me sentir vendo e ouvindo você sorrir daquele jeito para Elliot? Um cara que você conheceu em poucos minutos. Agora estamos à meses juntos e nada muda. Ele se senta perto de mim. Você diz que está tentando, mas só brigamos, você diz que aceitou o fato da gente ficar casados, porém parece que faz tudo para ouvir da minha boca que acabou. E agora me acusa de querer te prender, sendo que não é verdade. Eu só quero que você me perceba, me queira, me ame, ou que pelo menos permita sentir um pouco de amor por mim. Ele pega em minha mão. Eu fiz e estou fazendo de tudo para te mostrar que sou um homem que te ama, que jamais te faria m*l, que só quer seu bem e seu amor e nada mais. Tudo que eu faço tem à ver com minha insegurança, porque sinto que cada dia te perco ao invés de ganhá-la. Nem fazendo amor com você todos os dias sinto que estamos evoluindo nesse relacionamento. Eu não queria admitir, mas nunca achei que fosse tão difícil te conquistar, fazer você enxergar o homem que realmente sou e não o cara que deu dinheiro para sua mãe. Respiro fundo.
- Eu não sei o que te dizer. Eu só quero ter à minha vida Christian.
- Nos separar? Sorrio de lado.
- Não, eu sei que você faria o possível e o impossível para isso não acontecer, então eu não quero isso, não quero brigas entre nós. Eu só quero poder sair sem você está à todo tempo no meu pé. Só quero poder viver sem essa preocupação de que não foi isso que você queria. Parece que estou pisando em ovos toda vez que quero fazer algo sem seu consentimento.
- Mas você entende à minha insegurança? Como posso permitir que você ande sem mim sendo que você pode encontrar alguma pessoa e se apaixonar por ela.
- E você está imune disso? Me levanto começando à andar.
- Eu te amo e nunca teria olhos para outra mulher que não seja você.
- Da mesma forma que você se apaixonou por mim, você pode deixar de me amar e se apaixonar por outra.
- Isso não vai acontecer.
- Porque você manda em seu coração? Não, você não manda e não está imune à nada, à nenhum sentimento assim como eu.
- Então porque você ainda não sente nada por mim? Porque você me afastar à cada vez mais de você?
- Porque eu ainda estou presa em tudo que aconteceu e isso não é fácil e nem será fácil esquecer.
- Você quer o divórcio? Uma sensação estranha me toma com essa pergunta. Olho para ele e não é isso que quero. Não sei porque, mas não é isso que quero.
- Eu já disse que não.
- Então se você não quer, eu vou te dar um ultimato. Eu não aguento mais viver assim, como disse, não achei que seria tão difícil te conquistar. Estamos quase seis meses casados e tudo que vejo e sinto é que você me rejeita mais. O único lugar que tenho você por completa é na nossa cama, fora isso parece que somos dois estranhos. Se você não quer se separar, vamos fazer realmente esse casamento dar certo, porque ao menor sinal que ver que você está nem aí como agora, eu pedirei o divórcio. Não quero isso para mim mais. Eu te amo, mas estou cansado de lutar por uma mulher que só me ver como alguém que não presta. Sendo que eu não sou assim. Engulo em seco. Ele sai do quarto sem mais nenhuma palavra. Me sento na cama com o coração disparado. Eu não sei realmente que sinto neste momento, e nem sei como me sentiria com um divórcio.
Me deito olhando para o nada. Meu coração ainda está batendo forte. Sua voz magoada ainda ressoa em meus ouvidos. Uma grande tristeza me toma ao ver que ele vai pedir o divórcio. Talvez seja bom, eu posso voltar para minha vida. Ele pode encontrar alguém que realmente dê valor à ele, porque lá no fundo eu sei que ele não é um cara m*l, sei que tudo que ele fez foi muito egoísmo da sua parte, mas ele me trata como um homem de verdade deve tratar uma mulher. E agora à egoísta está sendo eu, por não permite ser amada por ele, por não aceitar que ele realmente me quer e me ama. Lágrimas escorrem pelo meu rosto sem saber o motivo