Eu estava transtornada. Dirigir até Portland chorando muito. Só conseguia pensar nas palavras de Grace. Estava vivendo enganada, e pior pq eu queria. Pois eu sabia à verdade e estava adiando isso dentro de mim. Eu só queria que Christian estivesse aqui. Queria me envolver em seus braços, queria sentir que tudo iria ficar bem. Mas não. Eu não tinha ele, e nem sabia direito se ainda éramos casados, se tínhamos um compromisso um com outro. Ele não fala comigo e eu fico com à minha cabeça à mil por achar que ele está com outra. E tudo porque eu fui burra demais por não perceber que ele me ama de verdade.
Chego na casa que cresci à minha vida toda. Olho para esse lugar e para mim era um lugar que eu mais amei na minha vida. Amei viver aqui cada momento, porém agora nada disso faz sentido por que minha vida durante vinte um anos foi mentira. Tudo foi uma mentira. Entro na mesma com à chave que ainda tenho. Olho tudo na sala de estar quando entro. Espero que Elena esteja em casa. Subo as escadas para procurá-la em seu quarto. À porta está fechada, mas vejo que ela está conversando com alguém.
- Você não pode aparecer assim do nada para me chantagear. À voz de Elena soa alto.
- Posso sim Elena, à final de contas eu te ajudei nos seus planos. E parece que ele foi descoberto, porque no bordel tinham pessoas te procurando. Uma mulher diz.
- Que tipo de pessoas? Minha mãe questionou preocupada.
- Eu não sei te dizer, mas estavam bem interessados na sua vida.
- Droga, alguém confirmou que trabalhava lá?
- Claro né Elena. Você sabe que aquele lugar só tem invejosas, ainda mais depois que você saiu e se deu bem. E à julgar pela casa, você está muito bem. Então eu quero um pouco disso também.
- Eu não posso te dar nada.
- Não me faça rir Elena. Uma casa dessa no melhor bairro de Portland, você está nadando em dinheiro.
- Não é verdade. O i****a do meu marido morreu sem me deixar nada. Somente parte dessa casa.
- É mesmo? E como você está vivendo? Como sua suposta filha está vivendo? À Mulher questiona sarcástica.
- Não fale isso alto. À sonsa da minha enteada pode chegar e ouvir. Meus olhos já estão em lágrimas.
- Então me diz. Como vocês estão vivendo? Porque se não tem nada, já deveriam ter vendido essa casa.
- Minha filha casou com um homem rico.
- Deu o golpe igual à você? Que tipo de filha você criou Elena. A mulher diz gargalhando.
- Cala à boca Suzanne. Ela não é assim. O cara se apaixonou por ela. Então resolveram se casar.
- E é assim que você vai levando à vida. Tirando dinheiro da sua filha.
- Se depender dela eu não pego um centavo com ele, mas eu tenho meus meios de fazer à cabeça dela.
- Então você usará desses meios para pegar uma boa quantia para mim.
- Eu não posso fazer isso. Não agora. Ela sismou que eu tenho que montar uma loja para eu viver dessa renda para que o marido dela não tenha que me dar dinheiro. Então eu não posso fazer isso.
- E quando você vai poder? Porque eu não pretendo segurar esse segredo pra sempre. Eu não vou mais guardar esse segredo.
- Você não pode fazer isso. Se eu cair, você também cai, afinal de contas você estava lá comigo. Você me ajudou em tudo. Eu não aguento mais ouvir essa palhaçada toda. É sobre minha vida que elas estão falando. Entro no quarto batendo a porta.
- Que segredo é esse Elena que vocês tanto fala? Questiono e ela fica sem graça.
- Filha, meu amor, o que você está fazendo aqui? Seu marido está aí também? Ela questiona vindo para meu lado, mas eu me afasto dela. O que foi minha menina. Sorrio de canto pelo jeito que ela me chama. Eu nunca fui à menina dela.
- Me explica que segredo é esse Elena? Indago.
- Eu vou embora Elena. Depois nos falamos. À tal mulher sai com uma cara de poucos amigos.
- Não é nada demais minha menina. Só coisas nossas. Ela diz e não me convenceu. Cadê seu marido?
- Não sei. Ela me olha em choque.
- Ana, o que você fez? Vocês brigaram de novo filha?
- Não interessa Elena, Eu só quero que você me diga à verdade.
- Que verdade minha menina? Fecho meus olhos.
- Eu não sou à sua menina, então pare de me chamar assim. Grito.
- Do que você está falando Ana?
- Não adianta mais mentir Elena, eu sei de toda verdade. Digo e ela me olha em choque.
- De que verdade?
- Que eu não sou filha sua e nem do pai de Kate. Que eu fui sequestrada aos quatro meses de idade e que vivi à minha vida toda enganada. Agora me diz o porque você fez isso?
- Você foi sequestrada? Porque quem? Ela se faz de desentendida.
- Não me venha com essa Elena. Eu já comprovei tudo. Minha mãe verdadeira era à minha cara quando mais nova.
- Eu não sei do que você está falando.
- Parar. Chega de mentiras. Grito.
- Não grita comigo, eu sou sua mãe.
- Mentira. Você não é à minha mãe. Parar de mentir e diz à verdade.
- Eu e seu pai te adotamos. Não sei de sequestro nenhum. Ela acha mesmo que eu vou ser ingênua para acreditar nisso?
- É mesmo? Então me mostra os papeis da adoção. Eu quero ver. Só assim eu vou poder confiar que você não fez nada. Só assim terei certeza que você é inocente nessa história sórdida. Peço e ela me olha incrédula.
- Você não acredita em mim? Você acha mesmo que eu seria capaz de raptar você?
- Não sei Elena. Eu de uns tempos pra cá quebrei qualquer barreira e tirei minha venda para tudo. As pessoas não são quem elas falam que são, elas tem umas atitudes que se você foi avaliar, percebe que elas não são tão verdadeiras assim, então eu quero à prova da sua inocência, porque se não eu mesmo vou te denunciar para polícia.
- Como é que é? Você não teria coragem. Eu apesar de tudo sou sua mãe, te criei, te dei um lar, te dei amor e carinho. Sorrio para ela.
- Tudo isso eu teria com meus pais verdadeiros.
- Mentira. Aquela mulher não estava nem aí para você. Não foi atoa que ela perdeu à filha. Olho pra ela chocada. Eu já sabia da verdade, mas se confirmar pela boca dela me doeu. Onde já se viu deixar um bebê no carrinho para olhar filho de outro? Ela não merecia você, ela não queria você.
- E você merecia e me queria? Ou será que você precisava de mim para sair da vida fácil que você levava?
- Do que você está falando? Ela me olha não entendendo nada.
- Da sua vida fácil, de ser uma prostituta. Ela me dar um tapa na cara.
- Nunca mais repita isso, porque não é verdade. Olho para ela limpando meus olhos.
- Não adianta você me bater, porque eu sei da verdade, eu sei da sua vida. E graças à você Elena, eu não vivi com à minha família, graças a você meu casamento está indo para o buraco.
- Como assim? Ele não pode te deixar por causa disso. E outra não sei o que você está lamentando nunca gostou dele. Então se ele pedir o divórcio te fará um bem e ainda te manterá rica. Não vamos ter do que nos queixar. Olho para ele incrédula.
- Tudo por causa dinheiro né Elena. Você me sequestrou para sair da vida que você levava e se tornar uma mulher de honra, uma mulher de um homem rico. Me obrigou à casar para manter seus luxos e agora, se eu me separar, você conta com o dinheiro fácil.
- Você é minha família. Eu te dei tudo, te dei minha vida, minha juventude, e agora você pensa em me abandonar? Não vai mesmo. Não vou deixar você ser ingrata comigo.
- Eu não te pedi para me sequestrar Elena. Eu não te devo nada. Não tenho que te agradecer em nada, porque hoje enxergo que você destruiu minha vida. Você roubou minha vida.
- Você não vai se voltar contra mim Anastásia, porque você não sabe o que sou capaz de fazer.
- É mesmo? Eu sei sim. Para quem sequestrou um bebê, vendeu ela para um homem rico e ainda foi capaz de bater, eu sei muito bem como você é Elena. Você não pode me fazer nada, mais nada. Você não pode me roubar de novo, você não pode me vender novamente, sabe porque? Porque eu não sou cega mais. Como eu pude me cegar tanto com você? Digo chorando. Como eu pode deixar você me manipular para te salvar da pobreza?
- Nos salvarmos, porque você não iria sair dessa limpa não. Eu fiz foi um bem para você te casando com esse homem.
- E eu devo te agradecer Elena. Porque me casando com esse homem, ele me levou até à minha família, à minha verdadeira família.
- Como? Ela questiona surpresa.
- Está vendo “mamãe”, você não contou com isso né? Você não contou que me casando com Christian, me levasse até meus irmãos e consequentemente aos meus pais.
- Ele que suspeitou disso? Maldito.
- Não. Ele não sabia até Kate começar à namorar meu irmão e ver uma foto minha, igualzinha à que tenho aqui em casa quando tinha quatro meses. E sabe o que é pior é mais triste nessa história Elena? Ela me olha revoltada. Que eu te defende para todos eles. Eu fui contra todos eles, inclusive meu marido, que nem quer mais saber de mim. Eu disse que você era à minha mãe.
- E sou minha menina.
- Chega. Grito. Chega...Chega...Chega… Peço chorando em desespero. Eu não sou sua menina, nunca fui sua menina. Você não sabe como eu estou sofrendo. Você não sabe como eu estou por dentro por saber que minha vida foi uma mentira até agora. Eu só quero saber porque você fez isso comigo? Porque não adotou? Porque não teve seus próprios filhos? Meu choro é agoniante. Ela não se move. Não expressa nada, nem um tipo de arrependimento.
- Eu nunca pude ter filhos. Eu não poderia nunca adotar uma criança pois não tinha estabilidade.
- Claro vivia em um bordel aqui, e então preferiu roubar uma criança e fazer o babaca do seu amante acreditar que essa criança era dele.
- Você pode achar que não, mas eu amei seu pai, eu amo você.
- Mentira. Grito de novo. Você não ama ninguém. Você é incapaz de amar alguém que não seja você mesma. Tudo que você fez foi por você, só pensando em você. O pai de Kate não era nada pra você, somente mais uma das marionetes nas suas mãos para conseguir seus propósitos. E eu? E eu fui outra das suas marionetes para ajudar à você à se casar com esse homem e depois para deixar você na boa vida. Respiro fundo. Eu estou cansada Elena. Nunca achei que você fosse capaz disso. Nunca achei que você não fosse à minha mãe.
- Eu sou sua mãe. Sorrio e vou para perto dela.
- Minha mãe não é uma prostituta. Ela levanta à mão para bater na minha cara, mas eu a seguro. Você nunca mais vai encostar essa mão em mim. Você nunca mais vai me usar para seus propósitos. E te digo mais, à partir de hoje eu farei da sua vida um inferno. À começar por essa casa que está em meu nome.
- Não está não. Essa casa é minha. Ela fala e eu sorrio.
- Você acha mesmo que depois que Christian, meu marido fez, ele iria deixar essa casa no seu nome? Não iria não. Ele deixou à casa no meu nome e de Kate. Você tem duas horas para deixar essa casa e sumir da minha vida, do planeta se te convém, porque amanhã mesmo eu farei questão de ir à delegacia e à mídia para te denunciar por sequestro.
- Você não pode se voltar contra mim sua ingrata. Eu que te criei.
- Me criou e não me conhece direito. Estamos empatado agora “mamãe”, porque estamos conhecendo uma à outra neste momento. Você me mostrou quem é e eu estou te mostrando quem sou. Chega de ser cega, chega de ser ingênua e chega de ser à garota que via sua mãe como uma tábua de salvação. Sorrio de nervoso. passando as mãos na cabeça. Eu estava dizendo à Grace o quanto te amava. O quanto te venerava, porém quando cheguei aqui e ouvir tudo que ouvir, foi como se esse sentimento se transformasse em ódio, repulsa de você. Como se eu nunca tivesse te amado e te visse somente como alguém que viveu comigo e me deu migalhas de um sentimento que não era verdadeiro.
- Você não pode dizer isso. Eu te amo muito. Sempre criei você com maior amor do mundo.
- A base de uma mentira. Grito com raiva mais ainda dela. Limpo meus olhos que estão minando lágrimas. Eu não vou ficar mais aqui ouvindo você. Só quero que você suma, porque eu darei um jeito da polícia te prender.
- Você não vai me ameaçar. Ela fala vindo para cima de mim. Eu à seguro.
- Quem não vai mais fazer nada comigo e nem me usar será você Elena. Acaba por aqui sua mordomia e sua vida de madame. Quer dinheiro? Volta para o bordel de quinta onde você vivia. Digo à empurrado no chão.
- Você vai me pagar. Ela grita e eu saio do quarto batendo à porta forte. Desço as escadas chorando. Eu não podia dirigir assim, mas não quero ficar aqui. Eu não suporto mais esse lugar que nunca foi meu. Abro à porta para ir embora e dou de cara com Kate e Elliot.
- Ana. Os dois dizem vindo para meu lado.
- O que você tem? Elliot questiona e Kate me abraça. Aquela mulher fez algo pra você?
- Eu não quero conversar. Eu só quero ir embora. Digo me separando deles.
- Não, você não pode ir assim. Você está muito nervosa. Kate diz e eu não quero mesmo ficar aqui.
- Eu estou bem. Só quero ir para minha casa.
- Eu não vou te deixar ir assim. Eu te levo. Elliot fala e pega à chave do carro na minha mão.
- Não precisa. Digo sem forças para discutir.
- Não adianta, não vou perder minha irmã para um acidente de trânsito. Kate. Elliot questiona me abraçando mais. É tão bom sentir que ele se preocupa comigo.
- Não se preocupe. Pode levá-la. Amanhã eu estarei em Seattle. Ela diz e ele pega o chave do carro dele e passa para ela.
Ele destrava meu carro e abre à porta para mim. Me sento e encosto à cabeça na janela. Fomos em silêncio. Notei que ele não tirava os olhos de mim. Eu só queria chegar em casa encontrar Christian e pular nos braços dele e esquecer esse dia De Merda.
Elliot me deixou em casa depois de três horas de viagem. Ele me abraçou e disse que qualquer coisa era para ligar pra ele. O agradeci e fui para dentro. Não tinha ninguém ali. À casa estava silenciosa. Já era quase onze da noite, então era de supor que Gail já tinha se recolhido para sua casa que fica aqui dentro da propriedade. Subir e passar no quarto de hóspedes, onde Christian dormia. Me deitei na cama para sentir um pouco do seu cheiro que ainda se fazia presente. Porque ele não está aqui? Eu queria tanto ele aqui neste momento. Choro mais. Não sei nem que horas fui dormir, só sei que não parei de chorar um só minuto.
O dia amanheceu. E eu me levantei. Tomei um banho e vi que já eram dez horas da manhã. Liguei para Hanna para à mesma reservar uma passagem para mim. Eu vou para New York resolver minha vida. Eu não posso deixar outra mulher tirar ele assim de mim, nem que eu mesma tenha que criar essa criança.Depois de desligar com Hanna, liguei para Grace. Ela atende no terceiro toque.
- Bom dia Grace. Desculpa te incomodar, mas eu quero saber onde seu filho está?
- Bom dia querida! Não é incomodo nenhum. Christian está em New York. Eu te disse.
- Onde em New York? Indago com pressa.
- Ele está no hospital. Merda. Hospital? O que ele faz no hospital? Será que passou m*l e eu aqui me preocupando comigo,com as minhas coisas e ele sofrendo algo. Dupla Merda. Eu não poderia ficar menos pior? Não eu não poderia. As vezes tenho ódio de mim mesma.