Capítulo 15 [Parte 1]

4333 Palavras
Liguei para Arielle perguntando se ela podia dormir na minha casa e em seguida Luke me levou até lá, mesmo que eu tivesse aceitado estar em uma relação com ele eu não estava pronta para contar ao meu pai. Tinha sido tudo muito repentino, e, eu não sabia qual poderia ser a reação dele. Além disso, Luke e eu ainda estávamos conhecendo melhor, nenhum dos dois queria apressar nada. Eu tinha aceitado Luke porque ele conseguia me entender; ele respeitava meu espaço pessoal e não ficava tentando passar sobre essa barreira, não me deixava desconfortável e não me incomodava, eu gostava do fato de ele não ser o tipo que ficava me provocando e me fazendo ficar nervosa, eu gostava do fato de ele ser mais maduro e paciente do que aparentava ser. Ele não era o tipo de cara que fazia piadinhas sem graças sobre os outros só para se sentir bem ou o engraçadão. Eu me sentia à vontade na presença dele e isso era automático, nunca senti que ele estivesse ultrapassando meu espaço pessoal. Claro que tinha outras coisas também, Luke em comparação aos outros é bem explosivo, o tipo que arruma briga para defender outras pessoas, o tipo que fala o que pensa sem se importar em como isso vai soar nos ouvidos alheios e o tipo que quebraria qualquer regra do mundo se isso o permitisse sentir-se bem sem prejudicar ninguém. Ele é briguento, marrento, impaciente, mas no fundo um cara incrível. Desde o começo ele não precisou esconder quem ele é, porque sabia que se eu, ou qualquer pessoa não o aceitasse como ele é — essa mistura de um rapaz quebrado e solitário —, não merecia estar ao lado dele. ☼ Ele me deixou na casa de Arielle e foi embora, ela ficou de boca aberta quando me viu com ele, mas não disse nada, era obvio que ela tiraria a informação de mim até o final da noite e eu estava mesmo pronta para contar a ela. Ela era a pessoa mais próxima de mim, antes mesmo do meu pai, e eu não pretendia manter nada escondido dela, não tínhamos segredos e eu confiava nela, confiaria até de olhos fechados. Fomos para a minha casa, juntas, ela ficava me observando pensativa, ela sabia que tinha algo de errado e eu não sabia qual seria a reação dela depois que eu contasse sobre Caleb, obviamente ela ficaria tão chocada quanto eu. Meu pai estava comendo alguma coisa na sala quando cheguei, ele parecia distraído com algum programa que passava na TV, eu subi para o quarto com Arielle e fechei a porta. — Eu achei que suas noites de aventura com o Luke tinham acabado. — começou ela enquanto jogava a bolsa no chão e deitava na cama — O que aconteceu entre vocês, você esta com cara de quem estava chorando. Ele não machucou você não é? Eu vou quebrar a cara dele se ele... — Caleb voltou para a cidade. — Contei. Ela paralisou na cama, me observando, obviamente tentando achar algum rastro de humor na minha voz ou expressão, mas logo percebeu que era verdade, a expressão no rosto dela mudou para algo que parecia choque e indignação. — O quê? Sem chance, Verônica. Ele odiava essa cidade, eu podia jurar por qualquer coisa que ele nunca voltaria aqui. Você deve ter visto outra pessoa. — Não! Eu e o Luke fomos até o restaurante, iríamos jantar juntos. E então... O Caleb apareceu. Ele está trabalhando lá. Estava com aquela cara de cínico e me provocou sobre aquela noite. Eu joguei a taça de água na cara dele e sai de lá. Mas eu juro, era ele sim. — Não acredito! Por que ele voltou? — balbuciou, parecendo mais chocada que eu. Ela sentou segurando um travesseiro que estava em cima da cama e ficou parada, acho que ela procurava mentalmente alguma resposta para a pergunta que tinha acabado de fazer. — Precisamos contar ao seu pai. Ele não vai deixar que o Caleb se aproxime de você de novo. Sabe... O amigo dele é policial... — Não! Isso não vai adiantar nada. Se eu disser ao meu pai, ele só vai ficar mais preocupado. — Mas, V. É de você que estamos falando. Aquele i****a está doente, e se ele... — Não! Eu não vou fazer isso. Se ele voltar a aparecer na minha frente eu prometo que conto ao meu pai. Mas por enquanto vamos deixar assim. — Eu... — Por favor? — insisti — Que porcaria, Verônica, para de tentar defender aquele i*****l. — resmungou ela indignada e eu sentei ao lado dela — Ele é um i****a, nojento e completamente doente. Eu não estava defendendo-o, não poderia e não faria isso, mas era verdade; eu não poderia preocupar meu pai de novo falando sobre o Caleb, enquanto ele estivesse longe, naquele momento seria o que importava. Se ele tentasse de alguma forma se aproximar eu contaria ao meu pai. — Não estou defendendo ele. Tenho outra coisa para te contar, vamos mudar de assunto. — Mas... — Luke quase me beijou. — Confessei e ela parou Literalmente parou, ela me encarava como se eu tivesse acabado de contar algo incrivelmente surpreendente, o que vindo de mim não estava longe de ser mesmo. — Não acredito. — Quer dizer, nós quase nos beijamos, e... e... Eu queria — Quem é você e o que fez com a minha amiga? Escuta aqui sua E.T de meia tigela, eu vou encontrar a minha amiga e vou trazê-la de volta. Nem adianta tentar me abduzir. Não acredito que tomou o lugar dela. — Deixa de ser boba. — Eu? Boba? Não consigo entender qual o seu problema. Achei que quisesse evitar os... Caras. Foi você que sofreu por um deles, lembra? Desculpa, V. Mas acho que você não está no seu juízo normal. Eu não vou ficar sentada observando você se machucar de novo. Eu não... não vou ver você sofrer de novo. — O Luke é diferente! — É claro que é. Ele é um bad boy arruaceiro. Ele gosta de corridas clandestinas e você sabe muito bem que isso é ilegal. Desde quando passou a suportar coisas ilegais? — Ele não é arruaceiro, ele só gosta de... Adrenalina. Você fica julgando-o por causa dos gostos dele e isso é errado. — Não é errado é o que ele é. — Não é não, Arielle! — A repreendi — Caleb era a melhor pessoa do mundo, ele era inteligente, atencioso e esperto, e o que foi que ele fez? Exatamente isso que você pensou. Ele foi a primeira pessoa a me decepcionar. Ele revelou uma personalidade que eu nunca imaginei que existisse, mas o Luke... Esse é o verdadeiro ele. Ele não criou uma mascara, ele é assim. — Mas ele vai machucar você. Depois que tiver o que ele quer ele vai te abandonar. Vai te deixar sozinha chorando. — Falou, melancólica. — Eu não me importo de tentar. Ele não é esse tipo de pessoa que você está dizendo, só esta julgando-o pela aparência dele. Ele não é como os outros bad boys que sai por ai dormindo com uma garota diferente todo dia, magoando quem eles querem, roubando as coisas dos outros e os intimidando. Ele é diferente! Eu preciso que você me entenda. Além disso, não estamos ficando nem nada parecido, decidimos nos conhecer melhor e ver onde vai dar, e isso é tudo. — Mas eu não entendo. — Eu preciso do seu apoio e você sabe disso. Não estou pedindo para aceitá-lo, mas sim, para me apoiar. — V, se ele magoar você eu juro que... — Vai arrancar o coração dele. — completei e ela sorriu me abraçando. — Eu sei que você não o aceita por causa do que aconteceu no passado, mas Luke não é o Caleb. Ele merece uma chance. Além disso, não posso viver presa ao passado, preciso superar meus medos. Luke me provou que é a pessoa certa para isso. — Eu preciso ter uma conversa com ele. — Sem essa, está querendo dar uma de meu pai? — Não, de melhor amiga preocupada. Eu fiquei feliz pelo fato de ela ter aceitado e me apoiado, eu não aguentaria se ela ficasse contra mim, eu sabia que dentre todas as pessoas do mundo, Luke seria o mais propenso a me magoar, mas eu estava me surpreendendo com ele. E não iria julgá-lo pela aparência ou gosto, de novo. Eu consegui aceitá-lo, e tinha certeza que Arielle conseguiria também. Eu queria conhecê-lo melhor e saber mais do mundo dele, eu duvidava que ele pudesse fazer algum movimento em falso como Caleb fez, mas se por acaso ele decidisse fazer, eu cairia fora. Não ficaria tempo o suficiente para ser machucada de novo. — Estava em um jantar com o Willian, noivo da minha mãe e adivinha quem eu vi por lá? — Perguntou e eu a encarei — Drake? — O quê? Como assim? Você leu a minha mente. — Eu notei o jeito que vocês olham um para o outro. — Provoquei e ela corou — Jeito de repulsa só se for. — Não tente esconder de mim, sou sua melhor amiga. Pode até ser que você não tenha percebido, mas acho que vocês se gostam. Ela jogou o travesseiro na minha direção e deitou na cama enquanto tampava o rosto com o outro, ela podia tentar disfarçar o que já estava na cara, mas eu já havia percebido. Ver Luke na escola na manhã seguinte foi ao mesmo tempo estranho e confortante, eu não conseguia esquecer da noite anterior, esperava dormir e sonhar com Caleb atormentando meus sonhos e fazendo-os virarem pesadelos, mas as únicas imagens que passaram pela minha mente naquele sonho, foi a de Luke me confortando e o quase beijo. Eu era orgulhosa demais em certas coisas, não queria ter chorado na frente dele, pois achava que seria constrangedor demais, mas ele não era o tipo de pessoa que ficava fazendo piadinhas com a dor dos outros. Eu me sentia à vontade ao lado dele. — Bom dia! — disse meio constrangida, enquanto ele parava ao meu lado. — Bom dia! — respondeu ele e Arielle nos encarou — Se você magoar a minha amiga eu arranco o seu coração. Eu sou mais canibal do que pareço ser, posso ser bem louca também. Tudo depende de você, posso comer seu coração no café da manhã sem sentir nenhum remorso por isso. Eu comecei a rir — Eu acredito em você. — Falou com um sorriso e eu automaticamente também sorri — É sério! — Sentenciou. — É claro que é. — E depois vamos ter que conversar sobre essa relação — Ela apontou dela para mim e de mim para Luke — Não vai dar certo você ficar roubando minha amiga todos os dias. Acho até que vou ter que fazer um cronograma ou algo assim. — Tagarelou. Drake apareceu por ali acenando em nossa direção, quer dizer, na direção de Arielle, ela virou a cabeça constrangida, mas quando ele chamou o nome dela ela correu até ele colocando a mão na boca dele e dizendo alguma coisa. Deveria estar advertindo-o para não chamá-la no meio da escola toda. Eu sabia que tinha algo entre eles. — As aparências enganam. — Comentou Luke enquanto olhávamos os dois — Como foi a sua noite? — Ah! Eu dormi bem. Muito mais do que esperava depois do que aconteceu. E você? — A mesma coisa. Não me sentia tão bem há muito tempo. A semana passou normal, enquanto saia com Luke preferi evitar o restaurante para não ter maus encontros de novo, a nossa “relação” por assim dizer, estava bem, saímos e ficávamos conversando sobre tudo, ele se despedia e me deixava em casa, claro que tudo escondido do meu pai porque eu ainda não tinha contado nada à ele, que estava saindo com Luke e que aparentemente nos dávamos muito bem. Ele obviamente estava desconfiando de algo, mas eu ainda não sabia como contar à ele. Esperaria até que tivesse o momento certo. E estava ficando mais difícil, porque quando ele ficava de folga em casa eu não saia com Luke. Nos nossos encontros aprendíamos mais sobre o outro, gradativamente, e, em nenhum momento Luke tentou forçar a barra, não tentou me beijar mais depois daquele episódio, o que não disfarçava o desejo nos olhos dele. Não mentiria, queria muito retribuir, mas como ele havia dito, não queria apressar as coisas, então esperaríamos. ☼ — Hoje você terá a melhor sensação da sua vida! — Ele falou, enquanto me entregava o capacete. Ele havia me levado para o meio do nada, era uma longa estrada de terra, sem casas, sem construções, sem nenhuma alma viva por perto, sem indícios de exatamente nada. Observei Luke, a estrada e a moto e uma imagem começou a se formar na minha cabeça quando comecei a entender onde ele queria chegar com aquilo. — Não! — Você me contou uma vez que seu sonho era pilotar uma Harley. Eu estou aqui para tornar seu sonho uma realidade — Ele sorriu — É sua chance. — Luke?! Não! Ele segurou meu rosto entre as mãos, fazendo-me olhar diretamente para ele, e eu o fiz. — Essa é sua chance. O que você está esperando? Não tem que ter medo, estou aqui por você. — E se eu cair? E, se... sei lá... — Não pensa, só vai! — Falou — Vai ser uma das melhores sensações da sua vida. Ele apontou para a moto. — Eu sei que você sabe pilotar, então essa não é uma desculpa valida. Era verdade, havia aprendido a pilotar com Caleb uma vez, quando ele levou, eu e Arielle para sair, quando as coisas entre a gente ainda não haviam ficado estranhas. E também, eu queria arriscar. Queria fazer isso e sentir a sensação, então, coloquei o capacete e peguei a chave da mão dele. — Vem comigo? — Pedi. — Sempre! Subi na moto e ele sentou-se atrás de mim, segurando-me pela cintura, isso me transmitiu segurança, muito mais do que eu esperava para o que eu estava prestes a fazer. — Acelera sem piedade. — Incentivou-me — Felizmente ninguém se machucará por ser afastado da cidade. E não tenha medo de cair, estarei aqui. Assenti com a cabeça, encarando a estrada a minha frente que se estendia ao infinito, e, então, liguei a moto com um enorme sorriso no rosto, eu finalmente estava em uma Harley e a sensação era ótima, e seria mais ainda depois que acelerasse, e fiz isso. Fiz e acelerei sem nem ao menos pensar nas consequências, e adorei cada momento. Cada segundo. Luke continuou a segurar-me, e senti tudo ficar para trás: possíveis consequências, medos, inseguranças, tudo foi substituído por uma incrível adrenalina que percorreu todo o meu corpo. Ele estava certo, era uma das melhores sensações. Sentir-se livre, os ventos no cabelo, sentir-me como se ninguém pudesse me parar. Eu gritei, eufórica e ri. Luke, segurou-me com força e rimos juntos, ambos gritando euforicamente na estrada deserta como se nada e nem ninguém pudesse nos alcançar ali. E meio que era verdade mesmo. ☼ O dia 02 de Agosto foi muito melancólico e sem graça, não era um dia que eu ou meu pai quisesse passar com alguém, era um dia triste para ambos, então, apenas queríamos passar em casa um na companhia do outro, com papai me contando as memórias boas que viveu com ela e quando eu nasci. No domingo à noite, meu pai ainda estava trabalhando, ele chegaria tarde e aproveitei para ficar um tempo com Luke, não exatamente no quarto, mas na sala. Ficamos assistindo a um filme que passava na TV e fiz pipoca. Estávamos lado a lado totalmente confortáveis, quando levemente a mão dele tocou a minha e me vi automaticamente segurando a mão dele também. Podia ter certeza que ele preferia estar em uma corrida a ter que ficar sentado em uma sala, em pleno o domingo assistindo um programa de televisão sem graça. Ambos estávamos sentados no sofá, eu segurava um recipiente com pipoca e ele não parava de me encarar e eu não conseguia desviar meu olhar. — Não precisa ficar se você não quiser. — Falei, mais como uma sugestão que qualquer outra coisa — Não fiquei pelo filme sem graça, fiquei por você. — Confessou, piscando pra mim Eu corei, desviando o olhar, totalmente constrangida. Tínhamos combinado de apenas nos conhecer e ele prometeu que não forçaria nada. Tá que ainda nem tínhamos nos beijado ainda, mas a nossa aproximação acarretava esse tipo de atração, não era a primeira vez em que eu me encontrava parada olhando nos olhos dele como estava nesse exato momento, e não era a primeira vez que ele me encarava como se realmente quisesse muito me beijar. Só que, apesar de ambos termos combinado de irmos nos conhecendo, de irmos devagar, mesmo eu tendo medo, eu... queria. Sentia uma atração, alguma coisa que me puxava para ele me tirando a sanidade, os lábios dele me convidavam e eu queria muito. Ou pelo menos achava que queria. Ele manteve o olhar no meu enquanto nossos corpos estavam pertos, eu sabia que devia piscar, respirar, me mover ou qualquer coisa que indicasse que eu ainda estava viva, mas eu simplesmente não conseguia desviar meu olhar do dele, é como se o olhar dele me prendesse em uma brisa eterna e eu estava pronta para ficar assim, para mergulhar nesses olhos profundos, mergulhar nesses sentimentos, e eu nem mesmo sabia nadar. Ele devia estar da mesma forma que eu, porque podia ver o quanto seu peito se elevava com sua respiração irregular, ele colocou a mão no meu rosto e aquela sensação de borboletas no estomago voltou, aquela sensação que me fazia sentir que poderia ficar assim com ele. Mesmo sofrendo tantos traumas no passado conseguia confiar nele agora. Ele tocou meu rosto acariciando delicadamente como se registrasse cada centímetro, e tudo dentro de mim se revirava. Nesse momento ele já tinha avançado para mais perto de mim, tanto que a única coisa que nos separava era o recipiente de pipoca na minha mão que ele não pareceu notar. Eu estava recostada no sofá, ele segurava o meu rosto entre as mãos e a outra mão que ainda estava na minha desceu, parando na minha cintura. Os lábios dele tocaram meu pescoço e eu arfei, fechando os olhos e mordendo os lábios para conter um gemido. E, então foi do meu pescoço até a minha orelha, mordiscando o lóbulo e enviando sensações inexplicáveis ao meu corpo que reagiu de maneira estranha, eu gemi perdendo a concentração. — Deus... Luke! Ele sorriu enquanto descia beijando meu pescoço, e mais abaixo, depois meu queixo, abaixo da minha boca, e nessa altura eu já sentia que meu coração iria sair pela boca. Ele parou com aquele olhar cheio de desejos, e, eu o queria tanto quanto, e foi nesse momento que eu arfei deixando o balde de pipoca cair e nossos corpos colarem de vez, dessa vez ele arfou quando sua mão tocou na minha cintura nua, por debaixo da minha blusa. Um flash veio a minha cabeça e era novamente o Caleb; ele deslizou uma das mãos na minha perna descendo até a minha coxa e eu estremeci. — Espera! — Pedi e ele se afastou me observando — Eu... Eu vou beber alguma coisa, você quer? E... A... a pipoca — Disse apontando para o chão — Caiu tudo no chão, eu sinto muito. Nesse momento eu já estava de pé, com a respiração entrecortada. Respirei fundo tentando conter o pânico interior que se instalara dentro de mim, mas não era por causa de Luke. — Tem certeza que não quer um suco? — Não! — respondeu arqueando a sobrancelha — Tá quente aqui, né? Quer alguma coisa eu posso... — V, eu não estou pressionando você, só me deixei levar, desculpe. Você não precisa me evitar toda vez que isso acontece. — Me encarou — Quando as coisas começam a esquentar. Não é como se eu estivesse obrigando você... Sei que ainda não está pronta para o próximo passo e vou esperar. Mesmo estando louco pra beijar você agora. Ele estava pensando que eu o estava evitando, mas não era isso. Só que também não podia dar uma explicação convincente no momento. Sai da sala indo para a cozinha e pegando um pouco de suco, estava um pouco nervosa e tremendo, não por causa de Luke, mas pelo fato de pensar no Caleb quando estava com ele. Não era porque eu gostava de Caleb, isso deixou de acontecer há muito tempo, desde aquele ocorrido, mas pelo fato que sentia que isso era errado. Eu não gostaria que ele estivesse comigo pensando em outra, mesmo que essa outra o tivesse magoado bastante. Alguém tocou a minha mão e eu levei um susto deixando o copo cair e nos molhar, era Luke e ele me observava como se esperasse uma resposta para a minha reação repentina. — Desculpe! Eu... estava distraída. Derrubei suco em você, eu realmente sinto muito. — Não foi só em mim. — Falou balançando a cabeça em minha direção Também tinha molhado o meu vestido e começava a me sentir uma idiota — Temos uma secadora. Você pode usá-la se quiser. — disse apontando para uma porta à esquerda na cozinha. — Não precisa ficar me evitando quando acontece algo assim. — Falou completamente sério enquanto tirava a camiseta e ia até a porta que eu tinha apontado, precisei me controlar para não ficar encarando, não estava acostumada em ter um cara sem camisa em casa. E ele tinha uma bela forma física, e uma tatuagem. Ele tinha uma tatuagem em forma de escrita abaixo do peito, do lado esquerdo, que era dividida em duas linhas, mas não olhei o suficiente para saber o que estava escrito. — E-eu não estava evitando você. De alguma forma fico voltando àquela noite e penso nele. Não é de uma forma romântica, mas não consigo esquecer tudo o que aconteceu e o que ele me fez passar. Eu fiquei traumatizada. Sinto como se estivesse traindo você por isso. Não gostaria que você me tocasse pensando em outra garota, mesmo que não fosse romanticamente. Eu quero isso, mas não sei... Não sei como prosseguir. — Confessei, envergonhada. Ele tinha parado na porta e estava me olhando como quem não entendia, eu ainda não tinha conversado com ele sobre isso, então era fato ele não saber dos detalhes e nem se quer do acontecimento em si, mas não estava pronta para ter essa conversa. Ainda não. Eu fui até ele ajudando-o a ligar a maquina, esperava que ele dissesse alguma coisa. — Não tem que se preocupar com isso. Eu sei que deve ter sido difícil para você e vou esperar até que esteja pronta para contar. Mas não tem que se sentir envergonhada por isso. Não tem nada de errado em dormir com seu namorado se você o ama. Não te julgaria por isso. Eu fiquei parada tentando entender o que ele quis dizer com aquilo, até compreender, ele achava que eu e o Caleb... Não era bem assim. — Tem quando uma das partes não quer. — Falei. Nesse momento sua expressão mudou, um misto de sentimentos que não sabia descrever, talvez confusão, raiva, choque e por fim compreensão. Mas apesar de tudo, ele não comentou nada. Não estava disposta a continuar com a conversa, então sai daquela sala e esperei por ele na cozinha. Quando ele voltou, já estava com a camiseta, eu achei que tinha manchado a roupa dele, mas até que não estava tão m*l. — Eu sinto muito pela roupa. — Nada que um pouco de água e sabão não resolva. Eu acho melhor eu ir agora, não acho que vá querer que eu esteja aqui quando seu pai chegar. Ele abaixou-se perto do sofá e começou a recolher as pipocas que eu havia deixado cair, ele não olhava nos meus olhos, o que significava que algo o incomodava. Eu abaixei para ajudá-lo tentando fazer que ele olhasse nos meus olhos. — Luke, desculpa. Eu... Eu ainda não contei a ele. — Estou indo. — Anunciou, indo até a porta e ignorando o que eu havia dito. Ele estava chateado e com razão. Eu o parei ficando de frente para ele, não queria que terminássemos a noite dessa forma esquisita, seria estranhos nos ver no dia seguinte. — Eu vejo você amanhã? — Com toda certeza. Se quiser eu posso levar você até o... Cemitério. Ele lembrou! — Ah! Eu gostaria que você fosse, mas queria ficar um tempo só com ela. — Eu entendo! — Soou desapontado. Ele aproximou-se de mim, curvando-se até que seus lábios ficassem tão próximos aos meus que podia sentir sua respiração, naquele exato momento não notei, mas prendi a respiração e talvez por isso ele mudou o percurso me dando um beijo na testa. Ele piscou pra mim antes de dar partida na moto, com esse gesto, entendi que estava tudo bem entre a gente. Eu não queria que ele ficasse com raiva de mim ou magoado, Caleb era passado, eu não gostava mais dele da mesma forma que gostava do Luke. Só que não havia provado isso a Luke ainda e talvez por isso ele tivesse ficado chateado com a situação. Não é como se eu nunca tivesse beijado um garoto antes, Caleb foi o primeiro e único antes de Luke, mas mesmo já tendo essa experiência eu ainda não conseguia dar esse passo com ele, tinha medo do que descobriria se desse esse passo. Tinha medo de gostar e depois me machucar. Eu queria dar esse passo tanto quanto ele. Tanto que me doeu ver o olhar de decepção no rosto dele.
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