Capitulo 15 [Parte 2]

1571 Palavras
À noite passei no quarto do meu pai para ver como ele estava, ele segurava um quadro da minha mãe e parecia estar dizendo alguma coisa, ele sentia a falta dela o mesmo tanto que eu sentia, talvez até mais. Ele teve muito mais momento com ela do que eu. No dia seguinte depois da escola, eu passei em uma floricultura para comprar rosas para por no tumulo dela, obviamente meu pai já tinha passado por lá de manhã ou depois do almoço, então esperava ver algum buquê de rosas por lá. Eu e meu pai sempre levávamos rosas brancas — elas representavam a pureza e eram lindas — as preferidas dela. Todo ano quando ia ao tumulo dela, via um buquê de rosas vermelhas lá, nunca consegui descobrir quem deixava. Antes acreditava que poderia ter sido deixada por um admirador secreto que ela tinha, algum colega ou até mesmo pela pessoa que ela arriscou a vida para salvar. Eu tinha mudado de ideia sobre ir sozinha, Arielle e Luke ficaram esperando perto de uma árvore enquanto eu fui até lá, tudo para me dar privacidade. O tumulo dela estava bem cuidado e bonito, todo mês meu pai pagava o pessoal para que cuidasse direito dali, e eles faziam um bom trabalho. Diana Sinckler “Esposa e mãe amada” (1975-2004) Deixei as rosas no tumulo dela enquanto via a que obviamente meu pai tinha deixado pela manhã, esperava ver as rosas vermelhas por ali, mas dessa vez não estavam, o que me causou surpresa, era a primeira vez que a tal pessoa não comparecia. Eu esperava começar a chorar, mas eu estava bem, incrivelmente bem. Eu não via a morte dela como se tivessem tirado de nós algo importante, mas sim como algo que já estava escrito. Era para ser assim, eu acreditava no destino, mas para ser sincera quem traçava o próprio destino era a própria pessoa, ela tinha escolhido entrar naquela casa e sem sombras de dúvidas, ela jamais teria se arrependido daquilo. Ela tinha ido de uma forma triste, mas quer seja onde ela estivesse, gostaria que eu e meu pai continuássemos e que fossemos felizes. Ela era assim. — Eu sinto a sua falta. — Falei. — Não há um dia em que eu não pense em você. Às vezes dói, mas eu não vou desistir, vou continuar tentando ser forte por você. Você sempre será a minha h*****a, você... Você morreu salvando alguém. Era para você estar do nosso lado e estarmos rindo de piadas idiotas, mas... você se foi. E... eu nunca vou saber o que é ter uma mãe, nunca vou sentir o seu carinho ou você me confortando quando eu tiver alguma decepção ou brigar com o namorado. Mas... Você vai continuar sendo a minha mãe, e eu vou continuar amando você. Eu suspirei tentando não chorar — Eu tive meu coração partido uma vez, e doeu muito, doeu mais ainda porque você não estava aqui para me consolar, mas tenho a melhor amiga do mundo e o melhor pai. Estamos felizes, mesmo sentindo a sua falta. Agora sinto que posso seguir em frente porque realmente encontrei alguém importante. E você iria gostar de conhecê-lo. Mãe, ele é incrível, mesmo a gente saindo juntos há algum tempo, ele não me pressiona. Ele está me dando tempo de eu me recuperar. Eu parei, se continuasse a falar novamente, começaria a chorar. E eu precisava ser forte. Eu esperei por um tempo até escutar um barulho vindo de trás da árvore, Arielle estava parada com Luke do outro lado e ela apontava para a árvore, eu esperei novamente e eles virem até mim. — Você já pode sair agora. Eu sei quem é. Ela continuou parada sem se mover, devia estar calculando se eu estava falando com ela ou não, ou procurando alguma maneira de sair sem ser vista. Ela saiu correndo de trás da árvore em direção à saída. —Espera, Raquel. Já vimos você. — O que ela está fazendo aqui? — começou Arielle parecendo indignada Luke não disse nada. Raquel ficou parada onde estava sem se virar, ela segurava um buquê de flores vermelhas. Eu arfei — Eu já sei que é você. Eu já sei de tudo. Sei que foi você que a minha mãe estava salvando naquele acidente, sei que você era aquela criança: que é você que deixa rosas para ela todo ano. Eu já sei de tudo. Eu... eu não tenho raiva de você. Ela virou sem me encarar, percebi que ela estava chorando e evitava me olhar diretamente. — Eu não entendo... como você descobriu? — Alguém sempre deixa rosas para ela nessa época do ano. Algumas vezes deixa alguns dias antes, outra no mesmo dia. Às vezes chegava aqui e elas já estavam murchas, mas eu conseguia ver que eram rosas vermelhas. Quando ela morreu, disseram que ela carregava um buquê delas, devia ter comprado para o jantar que ela faria. Desde aquele dia alguém sempre deixou rosas no tumulo dela, eu nunca soube quem era a pessoa que ela tinha salvado até ver a rosa cair da sua bolsa no hospital. Não precisei de muito para juntar as coisas. Você sempre me provocou com esse fato e sempre pareceu me odiar, mas na verdade, acho que estava tentando me fazer odiar você, uma forma de recompensar. — Eu... eu não entendo — gaguejou enxugando as lagrimas e ainda chorando — Como conseguiu e consegue ainda me olhar como se nada tivesse acontecido? Eu... Eu matei a sua mãe. Ela morreu por minha culpa. Se não fosse por mim, era para vocês estarem vivendo juntas, era para ela estar cuidando de você e do seu pai. Eu destruí a sua família. — Não! Você só tinha seis anos de idade. Mesmo se quisesse não poderia. Foi um acidente tudo aquilo. Uma vela queimou a casa... — Uma vela que a minha babá deixou acesa. Ela dormiu e tudo pegou fogo, a sua mãe... — soluçou — Ela me viu na casa e entrou para me salvar. Eu fui a culpada de tudo. Como pode não sentir raiva de mim? — Não é culpa sua. — Eu pensei que... Pensei que tratando você m*l, que fazendo você me odiar tudo seria mais fácil, eu achei que fazendo isso conseguiria suportar. Eu não conseguia olhar para você e não pensar no que aconteceu. Eu tratava vocês m*l, para você me odiar, mas você sempre foi tão... Tão calma. Tão compreensiva que eu não sabia mais o que fazer. Não teve um dia que eu não me culpei por isso, eu tinha vontade de bater em você por nunca revidar, eu te provocava e você simplesmente ignorava. — Você não tem que viver assim, Raquel. Éramos crianças naquela época, ninguém teve culpa de nada. Você não deve viver com essa culpa. Eu não vou te perdoar porque não há nada para ser perdoado. — Mas a sua mãe... a sua família... — Estamos bem. Eu não vou dizer que não sinto a falta dela, pois seria mentira. Eu realmente queria estar com ela, mas as coisas aconteceram assim. Onde quer que ela esteja ela iria querer que continuássemos em frente. Eu não sinto raiva de você e nem te culpo isso. Você também não deveria se culpar. Ela ficou parada me observando e então deixou as rosas no tumulo dela e me abraçou. — Eu sinto muito, muito mesmo. Fiquei sabendo disso muito cedo, pelos meus pais, então quando conheci Verônica Sinckler com aqueles cabelos de fogo, filha de Diana Sinckler, eu pirei. Senti que deveria fazer você me odiar para recompensar tudo — Ela afastou-se desvencilhando do abraço — Se contar para alguém sobre isso, eu negarei até morrer. — Ela apontou para mim e Arielle — Não se sinta culpada. — Encorajei. Ela assentiu — Obrigada! — E em seguida saiu. Arielle nos encarava literalmente de boca aberta. — O que foi? — Quando ia me contar que você já sabia quem a sua mãe salvou naquele dia? — Eu descobri recentemente. Eu iria te contar, mas aconteceram tantas coisas que eu esqueci. Luke, esse é o tumulo dela. — Senhorita Sinckler, saiba que você tem uma filha muito compreensiva. — Disse ele — E linda, com todo respeito, claro. — E saiba também, que eu absolutamente ainda não aprovo esse namoro — disse Arielle — Mas não tem que se preocupar, eu sou tipo um cão de guarda, se esse alguém magoar a sua filha saiba que trarei o coração dele aqui pessoalmente. — Você é muito dramática. — Eu ri. — Eu sou realista. — Certo! Vamos sair daqui antes que eu comece a chorar. — Espera! Eu estava conversando com a Diana. Você não pode interromper uma conversa seria entre duas pessoas. Isso é desumano. — Indagou Ariel, mostrando língua. Eu não consegui deixar de rir, por mais que ela fizesse esse drama todo sabia que ela era protetora mesmo, e eu gostava de ter uma amiga assim. Conseguíamos nos divertir até mesmo quando estávamos no meio de algo sério, às vezes não era correto, mas nem tudo na vida precisava ser levado a sério. Eu tinha o meu pai, Luke e Arielle, e a minha mãe onde quer que esteja, eu era grata por isso e não poderia querer mais nada. Estava feliz assim e pela primeira vez, realmente me sentia completa.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR