Ela chegou e nem mesmo se quer conversou com a gente, nenhuma explicação, apenas ficou lá sentada, como se o seu chão estivesse desmoronado a baixo dos pés.
— Dan, tudo bem? — Fixou seu olhar para os nós dois, estávamos ao seu lado.
— Não precisa cuidar de nós. Um dia teremos que nos virar sozinhos. — Praticamente pulei em seu pescoço, o abraço era o melhor de mim, talvez o que eu poderia oferecer no momento.
Seu olhar ainda estava vazio. Ela toma uma postura ereta. Seu peito arqueou num suspiro cansado.
— Consegui um emprego. — Diz mais pra si mesma, talvez estivesse desacreditando de suas próprias palavras. Retornou a se encolher no sofá.
— Oi? Fala de novo que eu não ouvi direito. — Finjo-me de desentendida.
— Eu. Arrumei. Um. Em...prego. — Sua voz vacilou, mas pude ouvir a frase e também não me sentia delirante.
Foi a frase que mais esperei nesses anos todos. Assim Dan não precisaria mais sair para sei lá onde fazer não sei o quê. Depois do dia que a Lua me revelou o meu companheiro, fiquei pensando se a Jordan aceitaria, não tive coragem alguma em dizer a ela nesse momento.
Sempre que eu estava a ponto de dizer, algo ou o meu próprio pensamento me impedia. Ah, um detalhe a mais ai, ela sempre teve ciúmes de nós, chega a ser tanto que nem na casa das minha amigas estou autorizada a ir.
Quatro meses depois
Esse fim de semana vai ser especial. Irei completar meus 15 anos. Jasper teve a ilustre ideia de me fazer uma festa. E lá me apresentar como sua companheira.
Ele vai me apresentar como a SUA COMPANHEIRA!
Me borrei toda pensando nesse assunto.
Eu... Eu... Vou ser... Luna!
Agora estou mais ferrada do que nunca, Jordan vai me matar se souber de tudo. Não consegui falar com ela, já que todos os dias se sentia indisposta e super irritada. Entendo... Primeiro emprego NORMAL, com patrões NORMAIS.
Achei que essa mudança duraria pouco. Porque ser Secretaria de uma das maiores empresas do país é... Bem... Bom, complicado. Nem eu consigo a palavra certa para a ocasião.
Certo dia, ela chegou bufando mais do que um rinoceronte, carregando uma enorme pasta por todos os lados. Cheguei a pegar ela conversando sozinha na cozinha. Os dias foram bem ruins, ela já nem dormia direito. Dizia que precisava terminar de planejar a inauguração e algumas reuniões.
Jasper sempre estava lá na escola comigo. Me fazendo companhianos momentos difíceis e principalmente, fora dos horários de aula. Todos os dias ia me ver, até me parecia um ritual de casais. Eu sou a pessoa mais sortuda do mundo. Conheci minha cunhada. E olha só... Ela é linda. Andamos juntas por todos os lados. Lembro-me muito bem de quando a conheci.
Jasper e eu fomos num pequeno restaurante, depois ele me convenceu para caminhar num bosque que dava direto para a sua casa. Resolvemos ir até lá, também queria conhecer a onde ele mora.
A sala era linda. Bem moderna, mas com alguns objetos decorativos bem antigos. Ouço um barulho, ela estava descendo as escadas. Por um momento congelou ao me ver sentada no sofá abraçada ao irmão dela.
Em poucos segundos já se encontra de pé em nossa frente e muito confusa por sinal.
— Laíssa, essa é a Sofia... Minha companheira. — Ela me olha com os olhos arregalados, tempo depois fica normal... Ou quase normal. Não sabia como seria a sua reação quanto a esta notícia.
— Por favor me chame só de Lissy. — Se sentou em outro sofá. Ficou um bom tempo fuzilando o irmão. Talvez estivesse furiosa ou algo do tipo, não sabia como lidar com minha nova cunhada, já que como amiga eu sabia bem o que aquele olhar dizia.
Eles pareciam estar brigando telepaticamente. Jasp me abraça mais forte e cheira meus cabelos. Ele estava sorrindo.
Lissy sobe para o quarto nos deixando a sós.
Ai meu paizinho!
Isso foi a gota d'água. Jasper me deita no sofá e se posiciona em cima de mim. Nossos olhos se encontram, um beijo calmo se inicia deixando meu corpo em alerta. Sua mão agarrou meu quadril e a outra ficou em minha nunca. A mão que estava em meu quadril desceu e foi parar em minha coxa direita. A mesma se posiciona o agarrando pela cintura novamente, era um beijo com mais possessividade que libertou qualquer tipo de sentimento que estava preso em mim.
***
Mas o quê?
Laíssa estava me olhando pasma. Pisquei freneticamente buscando a realidade. Seu corpo estava rígido e o rosto pálido. Me voltei para a porta vendo um rapaz moreno escorado na mesma. Seu sorriso era encantador, muito bonito. Trajado com um terno preto, tão formal que até parecia um boneco de vitrine.
— O QUE FAZ AQUI?! — Nossa Lissy quase me deixou surdaa. Faço massagem nas têmporas, estou com um pouco com dor de cabeça.
Meus cabelos se enrrolavam num coque tradicional formando uns desenhos... Ah... Não sei explicar. O vestido era prata brilhante de alcinha fina. Ele deixa minhas costas nuas. Não quis usar salto, então coloquei um tênis de solado alto da cor dourado. Eu estava linda.
Vejo a estérica expulsar o cara o empurrando. A dor de cabeça estava consideravelmente forte. Procurei por um remédio o tomando para logo em seguida aliviar um pouco a pressão que estava sentindo.
[...]
O salão estava lotado. Todos pararam para me ver, Jasp vem em minha direção, também usando um terno fazendo meu corpo esquentar. Seu sorriso era a melhor parte da noite.
— Está muito curto você não acha? — Sussurrou em meu ouvido. As vezes ele é bem pocessivo e gosto muito disso.
— Não. Está perfeito! — Retruquei seduzindo-o. Jasp franze o cenho, semi cerrando os olhos para alguém atrás de mim.
Fui apresentada por Jasper, e na hora que ele me puxou pela cintura e diz que somos companheiros, Dan aparece furiosa no meio da festa. Ela estava com um vestido simples e florido... Espera... É o da... MAMÃE!?
Com passos firmes, veio em minha direção. E antes de dizer algo, dá um soco na cara de Jasper que cai sentado no chão.
— Porque não me disse antes? — Estava furiosa, gritando comigo.
— E você por a caso me escuta? — Cruzei os braços.
— Er... Não é melhor vocês... — Jasper é empurrado indo novamente para o chão.
— Sentado ai! — Jordan diz apontando o dedo indicador na cara dele. Ele se encolheu e ficou quieto.
— Você! Não fala assim com o MEU COMPANHEIRO! — Cuspo as palavras a fazendo recuar. Ela estava surpresa? Não entendi. Dan sempre teve autoridade sobre mim.
Olho ao redor e percebo que todos estão com a mesma expressão. Pego um espelho de mão na bolsinha tira colo e vejo que meus olhos estão azul claro e um brilho azul me cercava.
— Aaaaah! — Meus joelhos tocaram no chão. Jasper vem e me pega no colo. A dor aumentava a cada segundo. Agora sim tenho a certeza...
De que vou morrer.