Minha vida sempre foi de compromissos e responsabilidades antes de eu receber o cargo de meu pai. Tive que passar por uma série de testes, uma delas foi cuidar da divisão do território e administrar a alcatéia mantendo todos os recursos em andamento.
Hoje tenho um compromisso que não poderia faltar de forma alguma, o ritual para me dar os poderes de um Alfa era tão importante quanto. Achei justo de meu pai tirar o resto da sua vida de férias, até porque fui criado para isso a minha vida inteira e agora me sentia pronto para tal cargo. Depois de um longo banho deitei. Hoje o dia foi cansativo. Muitos assuntos da alcatéia, principalmente em relação à divisão do meu território. Descobri que algumas espécies de ômegas estavam se juntando com os híbridos.
Eles são uma raça não pura, não herdam poderes de transformação completa como nós. São transformados em lobisomens o que facilitaria para fundirem-se com a raça dos vampiros. Isso já estava começando a ficar fora do controle.
Havia um grupo de rebeldes também, pelo o que Lucas meu beta informou, eles estão praticamente do nosso lado. Não somos ruins... Pelo contrário, queremos que essa raça não tome o que é nosso por direito. Esse grupo é famoso por suas missões.
Quero descobrir mais sobre esse assunto, saber como eles agem e com quem eles trabalham.
Uma das alcateias do Norte vai ter a nomeação de Enrico, filho do falecido David. Ele pode me dar boas dores de cabeça, a causa da morte foi a mesma entre outras alcateias de nossa região — o grupo de mercenários. É assim que os chamam. Seus alvos sempre são os que estão ligados no clã dos híbridos. Alexandre, Leonard, Richard e agora David.
A cerimônia foi feita numa noite bem tranquila, a lua teria que ser na transformação cheia e sua coloração um pouco puxada ao vermelho, sendo assim, a décima quarta lua cheia do ano. Ela estava espetacularmente linda nesse dia tão especial, meu pai esperava sobre o altar onde derramaria seu sangue junto ao meu e de acordo com a tradição, um combate para definir o alfa sucessor.
[... ]
Lembro-me que logo terei a ilustre visita do nosso Supremo, então precisarei lhe informar de tudo o que sei, já que estou na missão de estar de olho pela região. Decidi passar perto da escola de minha irmã. Seria incrível que precisasse estar sempre a vigiando, ela todavia sempre conseguia se meter em alguma confusão. Mas agora com ameaças rondando a alcatéia, não vou poder vacilar com a sua segurança.
Vi uma menina morena com os cabelos crespos. Ela estava acompanhada por mais duas. Uma loira e uma ruiva. Elas iam em direção à Laíssa.
A morena ri engraçado. Acompanhada das outras. Não demorou muito, quando vi Lissy no meio da confusão.
Vai dar merda!
Rapidamente, vou em direção a elas.
Lissy dá um tapa na cara da morena. O ódio ali pairava entre elas e uma breve discussão estava começando.
— O que está acontecendo aqui? — Mantenho a mais severa postura que consegui. Isto ainda é novo para mim, então estou tentando me acostumar.
— S... Senhor? — A ruiva até estava se engasgando em suas próprias palavras. Ela cutucou a loira que estava distraída no celular, que acabou levando um susto daqueles.
— Ainda bem que o Senhor chegou! Assim pode colocar essa p*****a em seu lugar. — A morena diz apontando para minha irmã. Olhei para ela desacreditando no que presenciava.
Devo deixar isso mais interessante? Talvez sim.
— Você está insinuando para eu punir meu próprio sangue? — Vi a mesma manter seus olhos arregalados por uns cinco segundos. Intercalava olhares entre mim e Laíssa.
O rosto de Lissy se contorcendo num sorriso satisfatório. Rapidamente, as meninas somem de vista após terem pedido desculpas pelo ocorrido. Um aroma de menta com terra molhada invade o ambiente.
É maravilhoso!
Laíssa me dá um abraço e sai em direção a sua sala. Ela me deixa preocupado, desde que meu pai a mudou de escola ela nunca arrumou amigos e tem se mostrado rebelde demais. Mantendo como resultado, brigas intermináveis.
Senti alguém se chocar comigo quando estava prestes a caminhar de volta para meu carro.
— Mas caramba! O povo aqui não tem olhos não? — logo que seus olhos se encontram com os meus, vejo um traço de arrependimento surgir em seu rosto. O que me deixou intrigado foi que o cheiro que pairava no ar antes de tudo, provinha dela. Uma bela garota.
Confuso? Talvez.
— MINHA! — Meu lobo acalmou me deixando totalmente surpreso.
— MEU! — Ela responde totalmente confusa.
Parecendo assustada e ao mesmo tempo...feliz? Não sei o certo. Mas todos estamos confusos não?
Estou mais do que feliz por ter achado a minha companheira, é linda como um anjo.
Seu rosto mudou para uma expressão triste e preocupante. Ela sentou no chão chorando, suas sensações e sentimentos fizeram meu lado irracional e instintivo despertar. Abaixei e ofereci um abraço, um conforto. Minha companheira precisa mais do que tudo de mim. Eu quero e vou protegê-la. Meus braços a tomaram num colo aconchegante, no mesmo instante soube que ela era tudo o que eu mais precisava naquele momento. Ela suspirou sentindo o mesmo.
— Está bem princesa? — Peguei seu queixo com o indicador e o polegar fazendo com que ela olhe em meus olhos. Ela consentiu num sorriso meio que forçado para mim.
A garota que estava com minha companheira ficou ali parada com um sorriso bobo no rosto, vindo em nossa direção. Ajudo-a a se levantar.
— Desculpe-me, sou Erom Jasper. — Comprei cordialmente. — E vocês são? — Queria saber logo o nome da minha amada. E soube que a suposta"amiga" dela iria me dizer.
Estou sendo ciumento demais? Talvez. Deve ser pelo fato de sempre estar sentindo sua necessidade de amparo. Sendo assim no padrão normal para nós machos, como uma super proteção. Devemos protegê-las... Afinal, ser preso a uma alma de outra pessoa nos proporciona esses sentimentos, às vezes exagero um pouco em relação a esses assuntos.
— Ah sim... Perdão. Sou Amélia e... Essa é minha amiga Sofia. — Sua amiga responde colocando uma das mechas do cabelo que estava atrapalhando a sua visão. Agradeço aos céus por ela ter me poupado o tempo de demora, Sofia estava presa em seu mundo, talvez abalada pela recente revelação. Parece que todas ficam assim quando encontramos o companheiro de alma. Sofia foge de meus braços, mesmo relutante em deixá-la ir, a soltei. Amélia deu um sorriso malicioso para nós. Agi com indiferença, porém vi que minha amada havia corado. Ela é belíssima e corajosa, tão bela quanto fofa.
— Temos que ir... Estamos atrasadas para a primeira aula. — Sofia diz arrastando a amiga. Saíram correndo pelo corredor e subiram as escadas com muita agilidade. Já senti um pequeno vazio ali.
[... ]
Procurei o número de Fernando. Pois agora tenho uma boa novidade para ser contada. Apesar de que, não é todos os dias que encontramos a nossa companheira.
Além de meu Beta, ele é um amigo. Um super amigo para ser exato. Nós nos mantivemos todo esse tempo ocupados com assuntos da alcatéia e realmente precisamos mesmo de esfriar a cabeça um pouco, e nada melhor do que um assunto novo.
Fiquei olhando de longe sentado no banco do ponto de ônibus. Penso em como será a reação de meu pai, agora que teremos uma nova Luna. Posicionei minhas mãos em seu rosto causando leves arrepios pelo meu corpo, como numa corrente elétrica, sei que é por causa da nossa ligação como companheiros. Sofia tem a atenção em mim deixando de lado o celular.
Ela estava me examinando, percorrendo toda a extensão dos meus dedos até onde alcançava os meus braços.
— Quem é? — Ansiosa, parecia estar se contendo. Continuei em silêncio.
— Fala logo quem é! — Sofia já estava impaciente. Direcionei as mãos direto para a sua cintura e depositei um beijo na curva do seu pescoço.
— Nossa, como minha companheira é tão cheirosa! — Pronunciei em seu ouvido, causando inúmeras sensações, o que era esperado.
Ela me ofereceu espaço para me sentar e ainda com uma das mãos na sua cintura, procurei me sentar ao seu lado. Um sorriso escapa de seus lindos lábios rosados, mas logo em seguida vejo as lágrimas tomarem conta de seu rosto.
Sentindo como se fosse meu dever, as sequei e depositei um beijo em sua bochecha. Senti a sua solidão e mais um misto de sentimentos e sensações, seu corpo se agarrou ao meu, como se eu fosse a sua Fortaleza. Quero me adaptar a todas as mudanças, ser o que ela tanto precisa e talvez eu esteja sendo
— Tudo bem amor. Vai ficar tudo bem agora.— Tomei a liberdade de acariciar os seus cabelos. Senti uma dor crescer em seu peito. Vou fazer de tudo para a sua felicidade. Eu prometo amor.
Fiquei repetindo essas palavras para mim mesmo. Pois ela deve estar sofrendo muito.