Capítulo 7

1520 Palavras
Vincenzo Clarice Hamptom-Lombardi está sentada no meu escritório, girando na cadeira como se ainda fosse a meia-irmã de oito anos que eu nunca pedi. Aos 31 anos, ela é uma das advogadas mais formidáveis que já vi entrar em um tribunal. Ela é feroz quando necessário e ama intensamente as pessoas com quem se importa. No entanto, o deleite em seus olhos enquanto ela gira preguiçosamente me lembra... De uma vida antes de me tornar Don Lombardi ou CEO da Lombardi Security. — Você está no escritório errado — provoco ao entrar, tirando o casaco e o pendurando no armário ao lado do banheiro. — Ah, não, estou exatamente onde deveria estar — ela responde com um sorriso provocador, afastando-se da mesa e se virando para mim. — Você é a pessoa que eu precisava ver. E este era o único lugar em que tinha certeza de que te encontraria. — Existe algum motivo específico para você estar na minha cadeira em vez de resolver isso por telefone, como qualquer outro advogado com quem lido? Ela agarra uma caneta da mesa e a lança em minha direção. Dou um tapa seco nela antes que me atinja. — Você pensaria que um homem na minha posição mereceria mais respeito do seu advogado do que isso. — Isso porque você não me passou um caso qualquer como CEO da Lombardi Security. Você me deu um caso de assassinato como favor para uma vagabunda de segunda categoria com quem você dormiu no fim de semana — diz ela, sorrindo como se soubesse o quanto vai me irritar. Meu sorriso some. — Cassidy não é uma vagabunda. E que tal um “obrigada”? Você não vivia dizendo que queria sair da área empresarial? Ela para de girar e começa a andar em círculos. — Sair do direito corporativo não significa que estou pronta para nadar com tubarões no tribunal criminal. Você tem ideia do que a família Leone está metida, Valley? Dou de ombros. — Alguns detalhes. Mas tenho certeza de que o Niklaus está forçando a barra. Isso deve contar para alguma coisa com o promotor. Use seus contatos. Resolva isso. — Já estou resolvendo. Mas precisei queimar muitos favores só para garantir que essa merda não batesse na sua porta. E, falando nisso, papai quer saber se você vai trabalhar neste fim de semana. Rosno. Meu pai, o suposto chefe aposentado da Família Lombardi, ainda faz jogadas no submundo — o que eu respeito, contanto que eu não precise limpar a sujeira depois. — Ainda não decidi. — Ligue para ele. A mamãe disse que está cozinhando, se quiser levar sua garota para jantar lá em casa. Concordo com a cabeça. — Mamãe está sempre cozinhando. Vou avisar, mas... Cassidy não está exatamente no clima. Não quero assustá-la. — Ah, eu sei. Falei com ela. A garota tem um par de moedas de bronze. — Isso foi nojento, Clarice. Não fale assim dela. Ela sorri. — Então você gosta dela. Ótimo. Então leve-a. Mamãe e papai adorariam conhecer a mulher que fez Vincenzo Lombardi balançar. — Não seja dramática. E quando você disse que gastou favores pela Família dela... Foi r**m? Preciso gastar dinheiro? — Talvez. O problema é que não há prova concreta de que Niklaus tenha feito algo ilegal. O dinheiro que ele recebe toda semana pode ser explicado legalmente. Se ele fosse violento com a Família, seria diferente. — Então o que estamos enfrentando, realisticamente? Ela para em frente à janela, cruzando os braços. — Serviço comunitário para o pai, legítima defesa, talvez uma pena suspensa. Mas tem um problema, Vince. — Não parece que há um problema. — Eles me contaram tudo em particular, mas... E se tiverem que repetir isso sob juramento? Não sei se farão a coisa certa. — Isso é insano. Não vale a pena se exporem para se livrar de Niklaus? Clarice ajeita o cabelo, olhando para o reflexo no vidro. — O problema é que se expor não significa se livrar de Niklaus. Eles têm medo da repercussão. — Vou colocar uma equipe de segurança com eles até o Caruso estar atrás das grades. — Que nobre. Mas você não é o Serviço Secreto. Eventualmente, seus homens aceitam um suborno. — Meus homens são pagos para proteger a Família Leone. — Que ótimo. Então eles são pagos... E eu trabalho de graça? — Clarice — suspiro —, preciso te lembrar quem vai bancar suas seis semanas de férias pela Europa? — Um presente merecido, obrigada. E vou precisar da pausa se for entrar de vez no direito criminal. Vai ter mais casos como esse? — Não sei. Estou tentando transferir nossas atividades da “outra família” pra essa empresa. Ela ri alto. — Sério? Papai nunca vai parar de emprestar dinheiro com juros, e você não vai parar de usar seus milhões pra comprar imóveis estratégicos só pra provocar o Niklaus Caruso. Até quando acha que vai passar despercebido? Sorrio. — Achei que ninguém estivesse acompanhando meu portfólio de investimentos imobiliários. — Eu sou sua advogada, lembra? Eu vejo todos os contratos. E o padrão... está lá, só quem olha com atenção percebe. Tudo leva até você. — Então sim, estou usando algumas empresas de fachada. Mas e daí? — E daí que essa garota que você está “vendo” também é do interesse do Niklaus. Você está misturando negócios com... — Ela era interesse dele. — Não, ela ainda é. E você sabe disso. Passou o fim de semana com ela enquanto o Niklaus extorquia a família dela. Está deixando seu p*u comandar suas decisões. Não seja i****a, Vincey. — Só você e o Lorenzo me chamam assim. Bufo, desviando o olhar. Ela está certa, e isso me irrita. — Se gosta dela, trate-a como mulher, não como isca. Se está só usando-a pra provocar o Niklaus, vai acabar começando uma guerra. — Eu não quero guerra. Quero Niklaus morto ou em uma solitária até apodrecer. — Não é isso que vai conseguir se continuar deixando seus sentimentos nublarem o juízo. Se gosta dela, ótimo. Namore-a. Proteja-a. Mas não a envolva no seu jogo. Não transforme a família dela em danos colaterais. Ela ajeita a bolsa no ombro. — Só passei aqui pra reclamar que você jogou esse caso no meu colo. — Contanto que ajude a Cassidy, pode reclamar o quanto quiser. Avise meus pais que talvez eu vá ao jantar de domingo. — Leve sua “namorada”. Ela sai com um sorriso, e eu fico sem vontade de corrigir o erro. Porque estaria mentindo. Clarice é uma das poucas que conhece a verdadeira origem da nossa dor: Hera Fasano. A mulher que me deu à luz e destruiu tudo. Ela mentiu pra mim, pro meu pai, para todos, e foi embora. Mas Clarice e Shayla salvaram nossa família. Shayla é minha mãe de verdade. E Clarice... bem, Clarice é o espelho mais honesto que eu tenho. Suas palavras ficam comigo. Se for pra levar Cassidy a sério, eu preciso tratá-la como algo mais que uma distração. Uma batida firme na porta me tira do transe. Lorenzo está lá, com uma pasta aberta nas mãos, sem me encarar. — Vai entrar? pergunto. — Não. Temos reunião às duas. Não me diga que esqueceu dos Miltons. Esqueci. Claro que esqueci. — Quem são eles mesmo? — Investidores. E se você não consegue lembrar, eu cuido. Mas, Vince, não deixe essa garota te atrapalhar. Tem uma empresa inteira dependendo de você. — Calma. A empresa não vai falir por causa de uma segunda-feira. — Só tô dizendo: não transforme uma segunda-feira em um mês inteiro de desleixo. A b****a já arruinou impérios... — A busca por ela, Lorenzo. Eu já consegui o que queria. — Ótimo. Então esteja na videoconferência. Nossas equipes estão presas numa floresta no Sudeste Asiático. Piratas, Vince, Piratas. — Vou ligar pra embaixada. Ver o que consigo. Talvez um voo particular... — A menos que esse avião seja invisível, não vai adiantar. Se recomponha. Aqui, a falha pode ser letal. Protegemos pessoas, não coisas. Ele sai. Está irritado, com razão. Eu estou distraído. Por isso não posso me permitir cair por Cassidy. Mas... Pego o celular. Disco o número dela. Ela atende quase de imediato. — Boa tarde, Sr. Lombardi. — Você está ocupada agora? — Almoçando com meus pais. Posso te ligar depois? — Não. Quero te levar pra jantar amanhã. Preciso te ver. — Jantar? A palavra paira no ar. — Sim. Eu quero — não, eu preciso te ver de novo. — Já te disse que não acho boa ideia. — Não me importa o que o Niklaus disse ou fez. Isso vai ser resolvido. Mas eu preciso te ver, Cassidy. Vai me fazer implorar? — Não precisa implorar. Minha resposta é não, Vincenzo. Por favor... respeite isso. A voz dela falha no fim. Ouço alguém ao fundo dizendo para ela aceitar. Mas ela não cede. Sei por que ela está dizendo não. Mas isso não significa que vou aceitar. Eu raramente aceito um “não” como resposta.
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