A MORTE DOS PAIS DE RICARDO

1000 Palavras
Capitulo 5 Narrativa do Autor O jogo tinha começado. Mas Ricardo ainda não sabia que o destino já tinha jogado sua carta mais potente. Os dias que se seguiram ao ataque na praia, a cobertura em São Conrado virou um lugar estranho. Antônio e Isabela andavam como se carregassem um peso invisível. Sorrisos surgiam, mas não ficavam. Conversas eram interrompidas. Olhares se cruzavam cheios de algo que ninguém queria nomear. Foi Isabela quem anunciou a viagem. — Vamos para o Caribe — disse numa manhã, enquanto tomavam café na varanda. — Dois meses. Sol, mar, nada de telefone, nada de problemas. Antônio assentiu. — A gente precisa disso. Ricardo arqueou a sobrancelha. — Fugir? — Respirar — Isabela corrigiu. — Seu pai anda tenso demais. E você também. Helena abriu um sorriso exagerado. — Que delícia. Eu posso ir também? Isabela trocou um olhar com Antônio. — Essa viagem é… da família. O clima pesou. Ricardo sentiu algo estranho no peito. — Eu vou — ele disse, mas sem convicção. Os dias seguintes foram de preparativos. Mala pra lá, documentos pra cá, funcionários organizando tudo. Isabela parecia mais viva, como se a viagem fosse uma promessa de futuro. Antônio, ao contrário, parecia despedir-se do mundo. Na véspera, Ricardo não conseguiu dormir. A imagem da garota de olhos verdes voltava sempre. E algo dentro dele gritava. Na manhã da viagem, no aeroporto, Ricardo parou. — Eu não vou. Isabela congelou. — Como assim? — Eu não consigo. Parece errado. — Ele olhou para o pai. — Vai você e a mãe. Antônio hesitou. — Filho… — Vai. Isabela o abraçou. — A gente volta logo. Horas depois, o avião decolou. E nunca mais pousou. O noticiário veio como um soco. Explosão. Oceano. Nenhum sobrevivente. Ricardo caiu no chão. O mundo acabou. O enterro parou o Rio. E o Juramento inteiro estava lá. Helena chamou de mau cheirosos. Ricardo mandou ela ir embora. E assim começou o reinado do herdeiro. Mas Ricardo ainda não se sentia um rei. Sentia-se um menino jogado no meio de um campo de guerra sem saber quem eram seus inimigos. O cemitério ainda estava tomado quando Helena saiu bufando, os saltos afundando na terra úmida. O cheiro de flores, incenso e gente demais a irritava. Para ela, aquilo tudo era um incômodo — para Ricardo, era o único lugar onde ainda conseguia respirar. Ele ficou. Ficou enquanto homens que ele nunca tinha visto na vida se aproximavam do caixão de Antônio Garcia, tocavam a madeira com respeito, murmuravam palavras em voz baixa. Homens de rosto duro, tatuagens escondidas sob ternos baratos, mulheres de olhar sofrido, crianças segurando mãos calejadas. Gente do Juramento. Ricardo os observava em silêncio. — Eles respeitavam seu pai. Mas porquê?— disse Pedro, ao seu lado. Ricardo assentiu. — Mais do que muitos ricos que estavam ali só por obrigação. Pedro hesitou. — Seu pai… ele era… diferente. — Era — Ricardo respondeu. — E eu não sei de quê. Um homem mais velho se aproximou. — RD… — disse, sem perceber que o nome escapara. Ricardo sentiu um arrepio. — Desculpa — o homem corrigiu rápido. — Ricardo. Seu pai foi um homem justo com a gente. “Com a gente.” Aquele plural ecoou dentro dele. Quando o caixão desceu, Ricardo sentiu que algo além dos pais estava sendo enterrado. Um mundo inteiro. Naquela noite, sozinho na cobertura, ele abriu uma gaveta do pai. Dentro, contratos, chaves, papéis que não faziam sentido. E só estava começando. Ricardo ficou muito tempo sentado no chão do escritório do pai, O apartamento estava silencioso demais para uma casa onde duas pessoas tinham morrido. Isabela e Antônio ainda pareciam existir nos detalhes: uma xícara esquecida na pia, um livro aberto na poltrona, o cheiro do perfume dela preso nas cortinas. Cada objeto era uma armadilha emocional. Ricardo fechou a gaveta com força. Na sala, Helena andava de um lado para o outro falando ao telefone, nervosa. — Isso vai demorar quanto tempo? ela dizia. — Eu não posso ficar assim, esperando… Claro que eu entendo, mas agora ele é o único herdeiro… Ricardo desligou o telefone dela. — Não fala da minha família como se fosse um negócio. Ela o encarou, surpresa. — Você precisa pensar no futuro, Ricardo. Você agora é… muito importante. — Eu perdi meus pais hoje. — E eu tô tentando te proteger. — Você tá tentando se proteger. Helena respirou fundo. — Eu tô do seu lado. — Não quando você chama quem foi ao enterro de fedorento. Ela desviou o olhar. — Eu só… não tô acostumada com aquele tipo de gente. — Aquela gente chorou por ele. Ricardo disse. — Você não. Silêncio. Helena saiu batendo a porta. Ricardo afundou no sofá. Minutos depois, Pedro chegou. — Fiquei preocupado, disse. — Você é o único que veio. Pedro se sentou ao lado dele. — Tua mãe era uma pessoa boa. Eu vi. Ricardo fechou os olhos. — Eu não sei mais quem eu sou, Pedro. — Então a gente descobre junto. Lá fora, no outro lado da rua em outro prédio, alguém observava a cobertura com binóculos. E sorria. O herdeiro estava sozinho. E isso o tornava vulnerável. Mas Ricardo não estava só tinha uma leoa observando tudo de longe,e no momento certo ela vai aparecer,para derrubar o primeiro que tentar machucar sua cria. Agora é esperar tudo que vai acontecer porque os leões estão prontos para devorar mas se depender de Ricardo e de Pedro isso não vai acontecer porque muita coisa está em jogo e vai acontecer aos poucos se Ricardo não acordar muita coisa vai ser destruída mas isso já é outro assunto a ser conversado futuramente vamos ver até onde vai a maldade de Helena e seu pai Heleno. É aguardar esperar para ver, mas muita coisa vai acontecer até lá não deixe de ler esta nova fase, que vai chegar neste livro. Vai depender só de Ricardo aceitar o que vem pela frente.
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