NO DIA SEGUINTE DEPOIS DO ATAQUE

1255 Palavras
Capítulo 4 Narrativa do Autor O silêncio da cobertura em São Conrado nunca foi tão pesado. Ricardo estava deitado de lado na cama, os olhos fixos no teto branco, mas a mente muito longe dali. Desde o tiroteio na praia, algo dentro dele tinha quebrado. Não fazia barulho. Não sangrava. Mas era como se a ideia de quem ele acreditava ser estivesse começando a desmanchar. E no meio desse turbilhão, um rosto insistia em surgir. Olhos verdes. A garota da praia. Aquele tom impossível, quase irreal, que misturava mar e floresta. Ele não sabia o nome dela. Não sabia quem era. Mas desde o instante em que a viu passando ao lado daquela mulher n***a, algo tinha se alojado dentro dele. Uma curiosidade que não era só desejo. Um chamado. A porta do quarto abriu sem bater. — Você vai continuar fingindo que eu não existo? — a voz de Helena veio cortante. Ricardo virou o rosto devagar. Helena estava ali, impecável como sempre. Cabelo alinhado, vestido caro, perfume forte demais para aquele fim de tarde. Mas o rosto denunciava irritação. — Eu só queria ficar sozinho — ele respondeu. — Sozinho? Depois do que aconteceu? — Ela riu sem humor. — Você quase perdeu seu pai e quer ficar sozinho? — Eu quase perdi muito mais do que isso. Helena entrou no quarto e se sentou na beira da cama. — Você tá estranho desde a praia. Frio. Distante. Eu sou sua namorada, Ricardo. Eu mereço sua atenção. Ele se sentou. — Helena, por favor… — Não, não me pede por favor. — Ela cruzou os braços. — Eu fiquei do seu lado quando você não era nada além do filho promissor de um empresário. Agora você vai me deixar de lado? Ricardo a olhou. — Eu nunca pedi pra você ficar comigo por dinheiro. — Mas você sabe que ele existe. Silêncio. Isabela observava da porta, invisível. Ela nunca gostou de Helena. Sentia algo errado nela desde o início. Um tipo de fome que não era amor. — Ricardo, querido — Isabela entrou. — Talvez você precise descansar. Helena lançou um olhar afiado. — Dona Isabela, eu tô tentando salvar o relacionamento do seu filho. — Relacionamentos não se salvam sozinhos — Isabela respondeu. — Eles precisam ser verdadeiros. Helena fingiu não ouvir. Ricardo levantou. — Eu não consigo pensar em namoro agora. Tem coisas que não batem. — O quê não bate? — Helena insistiu. Ele quase disse. A garota. Mas se calou. — A minha vida inteira. Helena sentiu. Algo havia mudado. E ela não podia perder aquilo. Naquela noite, Helena estava em seu quarto, falando ao telefone em voz baixa. — Pai, ele tá escapando. — Então prende — a voz do outro lado era dura. — Eu sei. Mas ele não quer falar em filho. — Faça ele querer. Ou arrume um jeito de não precisar da vontade dele. Helena respirou fundo. — Eu não posso perder isso. O paide Helena estava fora do país. E ela ficou na casa de Ricardo, que estava em outro quarto, Ricardo olhava o celular, tentando lembrar cada detalhe do rosto da garota da praia. E sem saber, estava se afastando da mulher que queria prendê-lo. E se aproximando do seu verdadeiro destino. O jogo tinha começado. E Helena sabia jogar. Ela saiu do quarto como se nada tivesse acontecido, atravessando a cobertura com passos suaves demais para alguém que acabara de ouvir um não. Encontrou Ricardo na varanda, o corpo recortado contra as luzes da orla, o mar escuro lá embaixo como um espelho quebrado. — Você vai ficar aí a noite toda? — perguntou, com uma doçura ensaiada. Ricardo não respondeu. Ela se aproximou devagar, sem tocar nele. — Eu sei que você tá passando por muita coisa. O seu pai, aquele ataque… — fez uma pausa. — Mas eu também tô aqui. — Você tá aqui porque quer ou porque precisa? — ele perguntou, sem virar o rosto. A pergunta a atingiu como um tapa. — O que isso significa? — Significa que às vezes parece que você não me vê como pessoa. Só como… — ele procurou a palavra — …projeto. Helena engoliu em seco. — Eu só quero um futuro com você. — Um futuro ou uma conta bancária? Ela riu, tensa. — Você acha que eu tô com você só por dinheiro? — Eu acho que você quer algo que eu não posso dar. Ela tocou o braço dele. — Eu quero você. Mas Ricardo não sentiu nada. Na mente dele, o rosto que surgia não era o dela. Era o da garota da praia. A forma como os olhos verdes pareciam carregar um mundo inteiro. A maneira como ela olhara para ele sem saber quem ele era — ou talvez sabendo demais. — Você tá pensando em outra coisa — Helena disse. — Estou pensando na vida — ele respondeu. Ela se afastou, sentindo algo escapar. Na sala, Isabela observava tudo, cada gesto, cada silêncio. Ela conhecia o filho melhor do que ninguém. Sabia quando algo tinha mudado dentro dele. — Ricardo — chamou. Ele virou. — Vem um pouco. Ele se aproximou. — Você tá bem? — ela perguntou, baixo. — Não. — É a Helena? Ricardo hesitou. — Isabela segurou o rosto dele. — Você não precisa se prender a nada que te faça mau. Helena observava de longe, os olhos frios. Ela não podia perder. Não agora. Não depois de tudo que o pai tinha apostado. Ela precisava de algo que o prendesse para sempre. E sabia exatamente o que era. Ela estava em seu período fértil, e tentando ter uma noite com Ricardo,mais Isabela percebeu e tirou de jogada. Helena estava pensando em Uma maneira Atingir Isabela olhou para a porta com a cara mais física e disse o senhor Antônio ainda não chegou, podíamos pedir uma pizza e ligar para ele no escritório, vim para comer a pizza conosco. Não é mesmo amor Ricardo l por um momento abaixo a guarda e aceitou e mandando sua mãe ligar: mamãe liga para o papai manda ele vir para comer pizza com a gente. Isabela ligou para o escritório sua funcionária disse que ele não esteve lá na tarde mandou desmarcar os compromisso da tarde de hoje essa foi a resposta da secretária. O semblante de Isabela caiu na hora, ela percebeu que ele foi atrás daquela mulher porque ela não é boba e viu e ele ficou muito desconfortável com o olhar daquela mulher. Aquilo bateu como se fosse uma martelada em sua cabeça ela olhou para Helena percebeu que Helena conseguiu que ela queria. Ricardo saiu da sala por um instante instante, Helena com um olhar de cobra e a voz sonsa perguntou bem cínico ele não estava no escritório? Isabela respondeu você sabia que eu ia não está por isso mando ligar às vezes eu penso que você sabe mais do que você tenta passar eu acho melhor você hoje ir dormir na tua casa. Por favor se retire da minha casa agora. Helena olhou pra ela incrédula pegou sua bolsa e saiu batendo a porta Ricardo apareceu na sala. Cadê a Helena? ele perguntou. Isabela respondeu ela desistiu de comer a pizza e foi pra casa amanhã você fala com ela. entrou para o seu quarto indo dormir ou fingir que ia dormir. Garcia chegou era duas da manhã e Isabela viu, mas fingiu não ver. Era isso que ela aprendeu a fazer ao longo da sua vida fingir.
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