CONHECENDO ANTÓNIO GARCIA

1151 Palavras
Capítulo 3 Narrativa do Autor Antônio Garcia nunca pertenceu completamente a lugar nenhum. Na Zona Sul, ele era o empresário elegante, dono de uma das maiores empresas de aviação executiva do país, homem respeitado em jantares, fotografado em revistas de economia. Mas quando não estava em sua empresa, ele era o chefe Dono do Juramento, aí ja era outra história: um nome que não se dizia em voz alta, uma presença que se sentia antes de se ver, o tipo de poder que não precisava gritar. Um homem frio c***l. Antônio era um homem de 47 anos moreno alto fazia musculação em uma academia montada em sua casa no morro, sua segunda casa, tinha uma amante fixa uma n***a linda de 36 anos de nome Margarida que tinha uma filha chamada Maria Luiza de 16 anos. Mas antes de tudo isso, antes do dinheiro e do medo, havia apenas um garoto pobre que aprendera cedo que quem manda sobrevive é quem não obedece morre. Ele herdou a empresa de jatinhos do pai ainda jovem. Junto com ela vieram o comando do morro rotas, hangares… e uma engrenagem silenciosa de lavagem de dinheiro que alimentava o morro. O Juramento não era um erro no sistema — era parte do sistema. Mesmo assim, Garcia nunca se sentiu inteiro ali. Foi no próprio Juramento que ele conheceu Isabela. Ela subia o morro todos os dias com livros de engenharia debaixo do braço, recusando-se a ser só mais uma estatística. Não abaixava a cabeça para ninguém. Nem mesmo para ele. Ele se apaixonou naquele instante. Isabela não se deixou deslumbrar. Sabia exatamente quem ele era. Sabia o que ele comandava. Mesmo assim, escolheu ficar. Quando se casaram, Garcia a tirou do morro, montou para ela um escritório de engenharia, bancou sua carreira até que o nome dela se tornasse maior que o dele em muitos círculos. Isabela sonhava em ser mãe, infelizmente depois de vários exames ela descobriu que não poderia dar a luz a um filho do homem que ela amava . Essa dor dinheiro nenhum curava. Isabela não poderia ter filhos. A notícia a destruiu. Durante meses, ela chorava sozinha no quarto, segurando roupas de bebê que nunca seriam usadas. Garcia a ouvia soluçar atrás da porta, impotente. Foi nessa época que Maíra reapareceu. Maíra fora um caso antigo, do tempo em que Garcia ainda se misturava mais ao Juramento do que ao asfalto. Uma mulher linda, firme, que nunca lhe pediu nada. Ela engravidara de Garcia ela sabia que não teria futuro. Quando Garcia soube, Ricardo já havia nascido ja estava com 8 meses. Maíra não queria criar um filho sozinha. E Garcia… tinha uma mulher que queria ser mãe. Quando soube de Maíra Ele a procurou dizendo — Eu cuido desse menino. ele disse. — Dou a ele tudo o que você não pode dar. E te dou um dinheiro para você sair do morro e desaparecer e nunca dizer nada disso pra ninguém, refaça sua vida. Maíra olhou para o bebê por um longo tempo. — Cuida dele então. — ela respondeu. — fala a verdade para sua fiel, porque ela sabe quem eu sou. Garcia pegou o bebê que parecia muito com ele e disse: vou te levar comigo meu filho você vai ter tudo que desejar seu nome será Ricardo Duarte Garcia o meu herdeiro. E assim Ricardo foi entregue a Isabela. E ela o amou como se tivesse saído de dentro dela. Maíra saiu do morro comprou uma casinha em Niterói depois se casou com um mecânico. Teve Pedro. Refez sua vida em silêncio. Mas ficou viúva, vendeu sua casa e voltou pro morro em silêncio junto com seu filho Pedro,que fez faculdade junto com Ricardo mas era de administração se tornando grandes amigos. Garcia nunca soube que o menino que agora andava ao lado de seu filho tinha nascido do mesmo ventre. O passado é assim: ele espera mas volta. Margarida era a atual amante de Garcia. Linda, orgulhosa, ferida por amar um homem que nunca poderia ser só dela. A filha dela, Maria Luiza tinha os olhos verdes que denunciavam um pai ausente. Garcia a criou como se fosse sua. Quando Margarida foi à praia,desobedecendo as ordens de Garcia, Naquela noite, Garcia subiu o Juramento com sangue nos olhos, o inferno o esperava. — Você me expôs. — ele disse assim que entrou. — Eu te expus porque? — Margarida respondeu. — Eu vi que você nunca vai me dar a vida que você da a ela. — Eu te dou tudo. — Menos um nome. Ela disse. A discussão foi feia. Margarida estava Inconsolável chorando de raiva e inveja. Enquanto isso, em casas diferentes, dois rapazes sentiam que algo havia mudado. E eles ainda não sabiam que estavam ligados por um sangue. Maíra aprendeu cedo que certas dores não passam. Elas só mudam de lugar. A casa onde morava agora ficava numa rua estreita, longe da parte mais barulhenta do Juramento. Simples, limpa, com cheiro de café e roupa lavada. Nada ali denunciava que aquela mulher, de postura firme e olhos cansados, carregava um segredo que poderia destruir uma família inteira. Ela dobrava uma camisa de Pedro quando ouviu a chave girar. — Mãe? — Tô aqui. Pedro entrou com o corpo pesado, o rosto diferente. — Aconteceu uma coisa estranha hoje. Maíra levantou os olhos. — O quê? — Eu tava com o Ricardo… o amigo que eu te falei… ele hesitou. — O pai dele quase levou um tiro. A camisa escorregou dos dedos dela. — Como é que é? — Na praia. Um carro passou atirando. Uns caras armados apareceram do nada protegendo ele. Pedro franziu a testa. Sua mãe perguntou: quem é esse homem? — Mãe, o nome do pai do,meu amigo é Antônio Garcia. O mundo de Maíra parou. O som da rua desapareceu. O coração bateu tão forte que ela precisou se apoiar na mesa. — Você… tem certeza? — Tenho. Ele é rico, dono de empresa de avião. Maíra sentou devagar. O passado voltou inteiro. Antônio. O bebê. O choro. Aquele dia. — Mãe, o que foi? Ela fechou os olhos e disse. — Se afasta desse Rapaz. — Por quê? — Porque o pai dele… — a voz falhou, …é um homem perigoso. Pedro ficou em silêncio, confuso. — Ricardo não é assim. — O filho não paga pelo pai — Maíra disse. — Mas paga quando fica perto demais. Ela se levantou, trêmula e foi pra o seu quarto. Sozinha no quarto, Maíra puxou uma caixa antiga de dentro do armário. Dentro, uma foto amarelada. Um bebê nos braços de um homem. — Eu te deixei pra te salvar — ela sussurrou. Mas o destino é implacável. E agora, dois irmãos que não sabiam que eram ligados pelo mesmo ventre estavam caminhando um para o outro. E nada, nem dinheiro, nem poder, ia impedir isso.
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