CONHECENDO HELENA

1639 Palavras
Capítulo 8 Helena narrando Fui ao enterro dos pais do Ricardo. Chegando lá, caixão fechado, cheio de coroas de flores em cima. Meu pai não pôde comparecer porque estava na França, mandou que eu fosse. Chegando lá, tinha um povo fedorento, um cheiro de suor insuportável. Eu não entendi por que aquele povo todo estava lá. Um povo pobre. Tinha pessoas da alta sociedade? Claro que tinha. O enterro foi reservado só para os familiares e amigos mais chegados ao Ricardo. O nojento do Pedro estava lá, e mais alguns empresários que eram amigos do Garcia. Eu entrei porque representava o meu pai, e nisso entraram seis pessoas estranhas que não tinham nada a ver com aquele mundo. Eu fui reclamar. O Ricardo me chamou atenção e me expulsou do enterro. Tudo bem, eu não liguei. Assisti de longe a cerimônia, o funeral, e algumas pessoas chorando. Muito de longe, vi uma mulher morena, cabelos pretos em um r**o de cavalo, muito bonita por sinal. Ela me lembrava alguém, mas naquele momento eu estava tão irada que não soube decifrar quem. Mas ela parecia com alguém. Não tenho nada com isso, não conheço a pobre. Liguei para meu pai avisando que havia sido expulsa do enterro. Meu pai mandou que eu viesse embora. Peguei meu carro e fui para casa. Chegando em casa, meu pai me ligou dizendo: — Comprei uma passagem para você. Venha para a França, que eu preciso sentar e conversar com você sobre algumas coisas que estão acontecendo e que você precisa saber para não entrar em lugar nenhum desavisada. Você entendeu? Certo, amanhã pela manhã embarque no avião das oito horas e aqui conversaremos. Foi a única coisa que meu pai falou comigo. Comecei a arrumar minha mala. Não entendi por que ele queria que eu ficasse em cima do Ricardo, mas depois que os pais dele morreram, meu pai só mandou eu ir ao enterro representá-lo. Não entendi muito, mas eu fui. Agora ele compra a passagem para eu ir para a França. Tudo bem, eu vou, eu gosto de viajar. Apesar da situação financeira do meu pai não estar muito boa, ele perdeu milhares de dólares em mesas de jogos e cassinos. Falei com ele que isso não ia dar certo, mas ele disse que ia ganhar dinheiro e acabou perdendo. Ele já perdeu duas empresas nos Estados Unidos, fecharam as portas por causa da dívida e ele teve que vender a patente dessa empresa para pagar dívida de jogo. Depois que ele pagou tudo, quer voltar a jogar. Eu estando lá, não vou deixar. Por isso a insistência dele em que eu case com o Ricardo. Mas ele sabe que eu não amo Ricardo. Eu gosto é do Lucas, um amigo meu da faculdade que trabalha em um dos escritórios do meu pai, ou seja, ele é empregado. Mas tudo bem, eu amo assim mesmo. Ele não é pobre, é classe média, mas o dinheiro que eu tenho guardado, que era da minha mãe, eu posso fazer muito por ele. De vez em quando, eu passo seis, sete mil para ele porque está reformando a casa em que nós vamos morar. Assim que eu acabar com o Ricardo, vou pegar toda a sua fortuna, depois vou pesso o divórcio. Essa parte meu pai não sabe. Tenho vinte e três anos, um metro e sessenta, sou loira natural, de olhos claros. Meu cabelo bate na cintura, eu amo meus cabelos, cuido deles muito bem. Puxei a minha mãe, porque meu pai tem os cabelos escuros. Os olhos são do meu pai: ele tem olhos azuis e eu também, mas só dá para ver quando o sol está muito quente. Sentei na cama, lembrei do Lucas e liguei para ele. Chamei ele para vir ficar comigo aquela noite, porque eu iria viajar para a França. Em trinta minutos ele entrou porta adentro, porque tem a chave da minha casa. Quando meu pai não está, ele vem ficar comigo, porque eu sei que o Ricardo aqui ele não vem. Só veio no dia do noivado, mas parecia que estava indo para a forca, todos cumprimentando e ele com uma cara de poucos amigos. O palhaço do Pedro veio junto e ficava com ele o tempo todo rindo, e eu não gosto daquele cara, vou tirar ele do caminho do meu noivo. Lucas chegou, eu já pulei no colo dele, beijando. Só parei por falta de ar. Ele me olhou e disse: — Que isso, novinha? Tá com tanta saudade assim? Respondi: — Poxa, amor, tem uma semana que eu não te vejo. Você parece estar fugindo de mim. Ele respondeu: — Não, não estou fugindo de você. É muito trabalho que eu tenho na firma. Seu pai não dá trégua, bota eu pra trabalhar muito. Esqueceu que eu trabalho no RH? Eu tenho que estar com as finanças todas prontas. E, pelo que eu percebi, o seu pai está perdendo muito dinheiro. Ele está jogando, não está? Abaixei a cabeça e respondi que sim. Disse para ele que eu estava viajando para encontrar o meu pai e ver se conseguia fazer ele não jogar pelo menos essa semana. — Quando ele vai vir? — ele perguntou. — Não sei, porque ele foi para passar dois meses, já tem três que ele está lá. Ele foi para vender a patente da empresa. A nossa empresa era muito conhecida nos Estados Unidos. Estou muito chateada por causa disso e agora tenho que me sacrificar para ajudar meu pai. O Lucas é indiferente a isso, eu não entendo muito. Ele falou: — Você tem que ajudar o seu pai. Se você não ajudar, ele vai se afundar em dívida e pode até ser morto. Respondi: — Deus me livre. Eu amo meu pai e não quero que aconteça nada com ele. Eu vou fazer esse sacrifício, vou casar com o Ricardo. Depois que eu conseguir fazer ele assinar os papéis em branco, pegando toda a sua fortuna, vou pedir o divórcio, Lucas arregalou os olhos e falou: — Você é muito mau em novinha. Comecei a rir e falei: — Não sou nada — respondi sonsa. — Não sou maluca de ficar com quem eu não amo. A mãe do Ricardo parece que estava adivinhando que eu não gostava do filho dela por isso a Isabela vivia se intrometendo, eu não gostava dela, por isso não fiquei triste com a sua morte. Desci do colo dele, fui no barzinho, pegamos uma bebida e começamos a beber e a conversar. Ele veio para cima de mim mais uma vez e ali nós fizemos um amor gostoso. Subimos para o meu quarto e lá foi a noite toda. Só paramos às cinco da manhã. Ele saiu e foi para a casa dele, porque ainda ia trabalhar na firma. Eu dormi um pouco. Acordei, era sete e quinze. Correndo, fui tomar banho, peguei minhas malas, fechei a casa. O motorista me levou até o aeroporto e de lá eu fui para a França. Chegando lá, perguntei ao meu pai o que ele queria falar comigo. Ele me disse: — Eu sei que a morte do pai do Ricardo foi armação sua. Agora presta atenção: o Garcia não é aquilo que você viu. Ele era chefe do Morro do Juramento. Não use isso como arma para ferir o Ricardo. Ele não sabe e, se depender de mim, ele não vai saber. Tínhamos negócio naquele morro, eu e o Garcia, e você acabou com os meus planos. Agora, mais do que nunca, você vai ser obrigada a casar com o Ricardo, porque eu preciso do dinheiro que Ricardo herdou. Não quero saber de você com aquele tal de Lucas, ele vai atrapalhar os nossos planos. Respondi para o meu pai que eu não tinha condições de armar uma morte daquelas. Meu pai olhou para mim e disse: — O mecânico que sabotou o avião falou comigo que você pagou a ele com o seu corpo para ele fazer o serviço. Antes de fazer, ele me contou. Fique sabendo, eu sei de tudo. Fiquei duas semanas com o meu pai tentando impedir que ele jogasse, mas infelizmente ele não parou e perdeu milhares de dólares. Tive que voltar em um voo comercial, porque meu pai não tinha dinheiro para pagar primeira classe. Voltei no meio daquelas pessoas medíocres metidas a ricas, sem ser. Cheguei e fui logo para a empresa do meu noivo. Dei de cara com aquele insuportável do Pedro. Claro que fiz questão que ele saísse. Ele percebeu pelo meu olhar para que eu pudesse seduzir o Ricardo, e eu consegui. Fomos para a casa dele. Chegando lá, dei uma de boa, fiz o jantar, nós jantamos. Ricardo verdadeiramente está muito triste e vulnerável. Abracei ele, e ele começou a chorar. Me deu até pena, se não fosse eu que tivesse armado para os pais dele morrerem. Deitamos na cama, eu fazendo carinho nele. Ali ele ficou aconchegante no meu peito. Beijei, abracei. Dei uma de muito boa. Dormimos juntos, mas não fizemos nada. Eu queria ter feito, mas fiquei sem jeito porque ele estava muito triste. Não vai faltar oportunidade, porque eu não vou sair daqui tão cedo. Dormimos. Acordei, ele estava se arrumando para o serviço, ainda era seis da manhã. Perguntei: — Quer que eu faça um café pra você? Ele disse: — Não, não precisa. Olhou para mim sério e disse: — Quando sair, bate a porta. Falei para ele na mesma hora: — Eu não vou sair. Eu vou ficar aqui te esperando. Não vou te deixar sozinho em momento nenhum. Sei que na empresa seu amigo está lá, mas aqui quem vai estar sou eu, te esperando pra te abraçar e não deixar você sozinho. Sua mãe e seu pai gostariam que eu fizesse isso.
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