O fim da síndrome (2)

1118 Palavras

Os dias passavam, mas a tensão não diminuía. Pelo contrário, parecia se infiltrar em cada canto da casa, nos corredores longos demais, no silêncio pesado das madrugadas, no som distante dos passos de Gustavo durante a ronda noturna. Cada olhar trocado era carregado de coisas não ditas. Cada toque “acidental” — a mão que roçava no braço dela ao passar, o corpo que se aproximava um segundo além do necessário — fazia o coração de ambos acelerar. À noite, quando Ellie surgia na área sem câmeras, usando apenas um vestido leve, quase etéreo, a pele ainda quente do sol do dia, Gustavo sentia como se o mundo inteiro encolhesse até caber naquele espaço proibido. Ela não precisava chamar. Ela apenas aparecia. E ele ia. Gustavo já não era apenas um segurança. Já não conseguia se ver assim. Ele

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