Maitê. Os sons de tiros diminuíram, e a sirene cessou. A Dona Neide me abraçou forte. — Graças a Deus, Maitê. Mais uma vez, Rael nos salvou. Eu ainda estava tremendo, mas meus olhos não saíam da fresta da janela. Ele estava lá fora, em pé, conversando com seus homens, a postura relaxada agora, mas ainda com a aura de poder. Ele havia me protegido. A mim e a todos. No meio de todo o caos e perigo do morro, ele era o ponto de estabilidade. — Ele é perigoso, Dona Neide. Ele... Ele... é um traficante, é perigoso... vai saber as coisas... — sussurrei, tentando convencer a mim mesma, mais do que a ela. — Perigoso, sim. Mas também é um homem que cuida da gente do jeito dele. Ele nasceu aqui, cresceu aqui. Não conheceu outra vida — ela respondeu, com uma sabedoria que me atingiu em cheio

