A cadeira de ferro range quando o peso dele se move. Está com os braços amarrados por trás, tornozelos presos, boca livre, por enquanto. Suando como um porco. O cheiro já se mistura ao da ferrugem do galpão. Estou em pé, à frente, luvas pretas calçadas, sangue seco nos nós dos dedos. — Vai continuar fingindo que não sabia de nada? — pergunto, a voz baixa. Não há necessidade de gritar. Quem tem poder não precisa de volume. Ele tenta manter o queixo erguido. A face esquerda já está roxa, o olho quase fechado. Foi Luca quem começou, mas agora é minha vez. — Eu juro, Valentini... eu não tomei partido porque... eu achei que era melhor esperar. Não queria me meter. — Esperar. — Dou um passo. — Você é aliado da família há quanto tempo? — Vinte anos... — Vinte anos, e mesmo assim hesitou? S

