77. Bianca

1420 Palavras

O quarto estava silencioso e frio pelo piso de mármore. Eu devia ter voltado para a cama, mas depois que chorei até não sobrar voz, deslizei para o chão, costas na lateral do colchão, joelhos encolhidos, a janela entreaberta trazendo o cheiro molhado do jardim. Lembro do gosto salgado na boca, do rosto latejando, dos olhos ardendo. Depois, só um escuro úmido e pesado, igual a cansaço. A porta abriu sem barulho. Primeiro veio o cheiro, fumaça fria de rua, couro, o amargor de café velho no paletó e, depois, o peso contido de passos que eu conheço. Eu não estava exatamente dormindo, estava afundada naquele quase-sono que fica esperando um nome. O dele. — Bianca. — A voz veio baixo, rouca de quem não dormiu. — Amore. Pisquei devagar, o teto embaçado, o pestanejar do sol batendo no lustre. S

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